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OPINIÃO - O AUTOMÓVEL DESCE À RUA

Turbo

2025-09-26 21:03:04

JURADO DO “CAR OF THE YEAR” NA EUROPA E DO INTERNATIONAL ENGINE OF THE YEAR” Em 1897 foi organizado o primeiro IAA, então em Berlim e apenas com oito carros em exposição. Mas o suficiente para serem lançadas as sementes para o que se viria a tornar nas décadas seguintes no mais importante salão automóvel à escala global. Depois de, em 1951, o certame se ter instalado em Frankfurt, ganhou estatuto de um dos mais importantes acontecimentos do ano no mundo empresarial e o público passou a afluir em massa, com algumas edições a superar o milhão de visitantes. Que afluíam ao recinto de exposições de Frankfurt para explorar cada recanto dos stands expositores, colando o rosto aos vidros dos carros e acariciando os capots dos automóveis com paixão, nuns casos, com a distância e o respeito que pode criar um automóvel de sonho, inatingível, noutros. Ocorria apenas de dois em dois anos, Ono outono, e era mais importante do que o evento com que alternava em Paris oua feira anual na primavera bem perto do Lago de Genebra. Mas, no início da década de 2010, o Salão Automóvel de Frankfurt entrou em declínio, tal como outras feiras europeias. O interesse público diminuiu, assim como a prevalência das marcas europeias de automóveis que, Ono auge do IAA, chegavam a gastar 100 milhões de euros na feira de Hesse para se celebrarem a si próprias e à indústria automóvel alemã de uma forma tão gloriosa como excessiva (recordo-me, Ono início de década passada, de uma tendência de a cada edição as marcas alemãs se empenharem , e aos seus orçamentos de marketing em ter o maior pavilhão da feira, numa concorrência pouco racional e máscula do tipo “o meu é maior do que o teu”). Frankfurt deixou de ser o palco e cidades como Berlim ou Estugarda não mostraram interesse, ao contrário de Colónia que, no entanto, não conseguiu ter os meios financeiros para avançar. Munique acabou por ser a escolha mais lógica, até porque logo após a IAA se sucedem outros eventos de massas como a Oktoberfest (Festa da Cerveja) e a feira imobiliária Expo Real na capital da Baviera. Entretanto, apesar da liderança da cidade ser pouco favorável aos automóveis, Munique não só abraçou o projeto como o transformou num evento moderno. A feira propriamente dita, denominada IAA Summit, tem uma importância relativa, B2B e para os media e o organizador, a VDA, mantém esta tradição porque não quer abdicar completamente do controlo do evento. Os momentos mais marcantes ocorrem agora Ono “Open space” no centro da cidade, para onde os fabricantes de automóveis convidam os visitantes logo na semana anterior à IAA, para momentos descontraídos com as suas famílias ou grupos de amigos, promovendo uma atmosfera saudável quase sempre ao ar livre a aproveitar a bonança climatérica do final do verão. E é esse o objetivo dos mundos temáticos criados por Audi, BMW, Mercedes, Porsche, Opel e Volkswagen, que se espalham pelo centro da cidade, entre as zonas nobres de Ludwigstrasse, Odeonsplatz e Kõnigsplatz. Tal como nas primeiras duas edições do IAA em Munique (em 2021 e 2023), os Open Space foram um sucesso, com dezenas de milhares de pessoas a juntarem-se nas estruturas de exposição cada vez mais elaboradas: sem pagar entrada, com possibilidade de se sentarem em veículos, de farejar as tecnologias e transformar os temas dos automóveis e da mobilidade num colorido festival de rua que nem os habituais manifestantes ativistas conseguiram impedir. O sucesso do momento já assegurou que o IAA se vai manter em Munique pelo menos até 2031. Foi por aí que a quase totalidade dos visitantes do IAA tiveram o primeiro contacto com novidades da indústria alemã como O BMW iX3 e Mercedes GLC EQ, vw ID Cross, Porsche 911 Turbo S, Opel GSE e Audi com a sua reinterpretação elétrica do TT, o Concept c, que foi revelado num evento dedicado em Milão. Marcas de outras latitudes, como Hyundai, Cupra, Polestar e Skoda também fizeram a festa fora dos pavilhões de exposição, na cidade ou arredores, nos seus próprios eventos. E claro, as marcas chinesas estiveram mais ativas do que nunca, como nos casos de BYD, Xpeng, Changan ou Leapmotor. No total, foram quase 750 expositores de 37 países com 350 novos produtos e cerca de meio milhão de visitantes, números que comprovam um certo ressurgimento após anos de desempenho medíocre. Nas páginas 24a 29 desta sua Turbo mostramos-lhe os lançamentos mais relevantes. NáO HAVENDO PuBLICO SUFICIENTE NO SALáO DE MUNIQUE, OS AUTOMOVEIS PASSARAM A IR ATE AO PuBLICO, MESMO NO CORAçáO DA CIDADE JOAQUIM OLIVEIRA