ASTON MARTIN DB5 A ARMA SECRETA DE JAMES BOND
2025-09-26 21:03:17

Companheiro indispensável do agente secreto James Bond, o Aston Martin DB5 participou em oito filmes e foi conduzido por três dos atores que personificaram o célebre 007, entre 1964 e 2021. Indiscutivelmente um dos automóveis mais icónico do mundo, o Aston Martin DB5 estreou-se nos filmes de James Bond quando o agente 007 (Sean Connery) visita o laboratório de Q em “007 contra Goldfinger” (1964), onde é informado de que o seu Bentley será substituído por um Aston Martin DB5 Silver Birch com a matrícula BMT 216A (que utilizará em todas as suas aparições, exceto duas). Q apresenta-lhe a maioria (mas não todos) dos extras adicionados. Os cineastas queriam que o carro surpreendesse as pessoas quando a sua gama completa de armamento entrasse em ação. O primeiro gadget implantado é o dispositivo de rastreio, que Bond acopla ao Rolls-Royce Phantom III de Goldfinger. Utilizando um painel de controlo na consola central, 007 aciona os corta-pneus para desactivar O Ford Mustang de Tilly Masterson após esta ter sido baleada com a sua espingarda de precisão. Mais tarde, tentando escapar da Auric Enterprises, 007 emprega a cortina de fumo e a mancha de óleo do carro. o escudo traseiro à prova de bala, por sua vez, salva-o quando fica preso num fogo cruzado. Uma vez capturado pelos capangas de Goldfinger, Bond escapa utilizando o assento ejetor e, em seguida, descarrega com as duas metralhadoras Browning dianteiras que emergem por de trás das luzes indicadoras dianteiras e também aciona os para-choques dianteiros extensíveis. Em “Thunderball” (“007 , Operação Relâmpago”), de 1965, o carro surge na sequência inicial. Aqui, Bond escapa de um castelo da SPECTRE com um jetpack, salta para o DB5 e dispara jatos de água de alta pressão contra os seus adversários pela traseira do carro. Os jatos são utilizados novamente quando o Conde Lippe inicia a perseguição e Fiona Volpe intervém na sua mota BSA Lightning. Em agosto de 2019, um Aston Martin DB5 utilizado na promoção deste filme e com todas as características utilizadas no filme, foi leiloado no salão de veículos clássicos de Pebble Beach, na Califórnia, por 6,4 milhões de dólares (5,4 milhões de euros). Este DB5 esteve 35 anos no Museu do Automóvel de Smokey Mountain e tinha sido vendido em 2006, por 2,09 milhões de dólares (1,7 milhões de euros). HIATO DE 30 ANOS Após um interregno de 30 anos, O DB5 regressa em "007 contra GoldenEye”, de 1995. Bond (Pierce Brosnan) transforma um passeio tranquilo no DB5 com Caroline, a assessora psicológica do MI6, numa batalha na estrada com O Ferrari F355 GTS de Xenia Onatopp, a caminho de Monte Carlo. Bond está ao volante do DB5 em “O Amanhã Nunca Morre” (Tomorrow Never Dies), de 1997, enquanto conduz pelas ruas no seu regresso a Londres. Em “The World is Not Enough” (O Mundo Não é o Bastante), de 1999, o Aston Martin fez parte de uma cena excluída da edição final. No entanto, o contorno do carro pode ser visto no final do filme, quando Q utiliza um satélite de imagem térmica para localizar Bond a partir do seu quartel-general escocês em Castle Thane. O automóvel ressurge como personagem regular da série em “Casino Royale” (2006). Aqui, Bond (Daniel Craig) ganha um DB5 de 1964 com volante à esquerda , com matrícula das Bahamas 56526 ~ a Alex Dimitrios numa partida de póquer no clube de praia. Em "007 m Operação Skyfall”, de 2012, 007 recupera o seu clássico DB5 com a ma-trícula BMT 216A , do seu esconderijo em Londres e conduz até à sua casa ancestral com M, com o dedo a dado momento a pairar sobre o botão do assento ejetor. O veículo regressa à ação em força total durante o confronto final na Escócia, onde as metralhadoras frontais são utilizadas com efeito letal. O DB5 é despedaçado pelo helicóptero de Silva, mas é recuperado e restaurado no laboratório de Q em “007 contra Spectre”, de 2015, antes de Bond e Madeleine Swann saírem de Londres no carro no final do filme. O DB5 tem um papel de destaque em "007 , Sem Tempo para Morrer” (No Time to Die), de 2021, onde tem a sua maior sequência de ação desde a sua estreia em 1964. Bond e Madeleine conduzem ao longo da costa italiana no seu DB5, com a matrícula A 4289 00. Pouco tempo depois, o carro sai pelas ruas de Matera e é atacado. Bond guia o DB5 pelas ruas sinuosas da cidade antiga, descarregando um conjunto de mini minas da traseira do carro.com os assassinos ainda agarrados à sua cauda, Bond desce então um lance de escadas com o DB5 antes de o raspar numa parede enquanto desliza por um beco estreito. Quando pensa que despistou os seus perseguidores, um SUV embate-lhe na lateral, rodando o carro para o meio de uma praça. Os vilões cercam o carro e bombardeiam o DB5 com tiros de metralhadora. Bond e Madeleine estão protegidos por painéis e vidros à prova de bala e, quando parece que o vidro se pode estilhaçar, Bond acciona um interruptor na consola central do carro, que baixa os faróis dianteiros e revela um par de mini metralhadoras. Dispara uma saraivada de balas enquanto gira o carro num círculo de 360 graus. â medida que os inimigos se dispersam, ele liberta uma cortina de fumo do escape e escapa rapidamente antes de abandonar o carro na estação ferroviária. Neste filme, os cineastas utilizaram dois DB5 clássicos, com acabamento idêntico. Para a maioria dos grandes planos, com Bond e Madeleine a entrar e a sair do carro, a produção utilizou o veículo da EON, que já tinha aparecido em filmes anteriores, incluindo “Skyfall” e “Spectre”. Todas as sequências dos duplos, por sua vez, foram filmadas com oito réplicas personalizadas do DB5, construídas especialmente para a produção pelos engenheiros da Aston Martin. Em 2022, uma destas réplicas (com ambas as laterais riscadas) foi leiloada pela Christie s por 2,9 milhões de libras (cerca de 3,4 milhões de euros). GéNESE DE UM iCONE Nos seus livros, o autor de James Bond, lan Fleming, colocou o seu superagente ao volante de um dos últimos Bentley de 4,0 litros, um coupé cinzento-couraçado com um supercompressor construído pelo conceituado engenheiro automóvel Amherst Villiers. O romance “Goldfinger”, no entanto, introduziu o que Fleming chamou de Aston Martin DB Mark III, que 007 pede emprestado ao MI6 por estar equipado com uma seleção de extras nomeadamente, para choques reforçados, uma Colt 45 escondida sob o banco do condutor, um rádio com um dispositivo de seguimento e uma máquina que mudava o tipo e a cor das luzes traseiras. Após muita negociação, a Aston Martin concordou em emprestar o seu novo DB5 à produção. o automóvel que chegou a Pinewood foi o primeiro protótipo DB5. Este automóvel tinha o número de chassis DP/216/1 (sendo DP a sigla Aston Martin para Development Project), tinha acabamentos em Dubonnet Red e ostentava a icónica matrícula BMT 216A. O DB5 era, essencialmente, uma versão de 4,0 litros do DB4 da Série 5. Quando a produção foi para os Alpes, a Aston aceitou emprestar um segundo automóvel para a produção, um DB5 com acabamento adequado, equipado com a caixa de velocidades ZF de 5 velocidades e a placa FMP 7B. Os dois automóveis, com a mesma pintura Silver Birch, eram praticamente idênticos, embora o BMT 216A (designado “Trick Aston Martin” pela EON Productions), apresentasse luzes indicadoras em cada asa e uma antena atrás do espelho retrovisor do lado do condutor, enquanto o FMP 7B (designado “Road Car”) ostentava uma caixa de matrícula mais arredondada. Este segundo carro foi igualmente utilizado no filme “Thunderball”. A Aston Martin lançou o DB5 no Salão Automóvel de Frankfurt de 1963 e o coupé clássico foi exibido no Salão de Earl s Court a 6 de novembro com uma impressionante campanha publicitária que destacou o seu motor de 4,0 litros e seis cilindros, desenvolvido por Tadek Marek, que gerava 282 CV às 5.500 rpm (e 314 cv às 5. .750 rpm na versão GT). o carro contava com a caixa David Brown de 4 velocidades, embora a unidade ZF de 5 velocidades estivesse disponível. As modificações sob o capot fizeram com que o DB5 se tornasse um dos primeiros automóveis britânicos a ter um alternador no lugar do dínamo, bem como um radiador de óleo e quatro silenciadores em vez de dois. Os testes das revistas da especialidade registaram uma velocidade máxima de 229,8 km/h, com um tempo de 0 a 96 km/h (60 mph) de 8,1 segundos. Entre 1963 e 1965, foram produzidas 1023 unidades do Aston Martin DB5. Alexandre Coutinho