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1.° ENSAIO - RENAULT 4 E-TECH ELÉTRICO 52 KWH 150 CV

Blue Auto

2025-09-27 21:05:49

O regresso de um “velho amigo” O novo Renault 4 não é um exercício de estilo ou uma recriação de uma “peça” de museu. É um automóvel 100% elétrico que honra a ideia original: gastar pouco, transportar muito e tornar a vida mais simples. A bagageira generosa e os consumos comedidos devolvem à estrada um ícone, agora com tecnologia do século XXI. Recriar um ícone é um exercício arriscado. O perigo de cair no ridículo ou de desvirtuar o modelo original é enorme, mas com o R4 a Renault escolheu o caminho certo: interpretar e não copiar. É inequívoco que mantém aquele ar de “ferramenta” bem desenhada que a famosa 4L tinha e recuperou vários detalhes estéticos reminiscentes do famoso modelo, mas com uma imagem moderna e atual. Assentando na plataforma AmpR Small partilhada com o R5, o R4 cresce onde faz mais falta: mede 4,14 metros e sobe a altura ao solo para os 18,1 cm, o que lhe dá um à-vontade muito bem-vindo nos lancis, nos empedrados e nas lombas que polvilham a nossa rotina. Descubra as diferenças Por dentro, o cenário mantém-se. Materiais honestos, vários espaços de arrumação e muitos detalhes que recuperamoespíritooriginal.Opainel OpenR Link de10,1 comGoogle integrado funciona bem, por toque ou voz, e o assistente Reno traz uma camada de interação que já não se sente tão “gadget”: configura menus, navega, explica como poupar energia. É tecnologia que serve, que auxilia, não que distrai. O desenho e a esmagadora maioria das funções são tirados a régua e esquadro do R5. O que não é necessariamente mau, a julgar pelo sucesso comercial do bem conseguido “irmão” de gama. Já a mala, essa, é um trunfo que se vê e que se sente. A Renault fala em 420 litros de capacidade, número que bate certo com a perceção de quem carrega carrinhos, mochilas e compras, e acrescenta soluções de quem pensou na vida real: tampa elétrica nas versões Techno e Iconic, fundo duplo com zona de arrumos, ganchos, e uma soleira de acesso muito baixa (61 cm) que poupa costas. Há ainda um golpe de génio: o banco do passageiro dianteiro rebatível, que permite levar objetos até 2,20 m. Apetite frugal A gama mecânica é direta. Para quem quer entrada acessível e uso urbano, há o 120 cv com bateria de 40 kWh: 14,7 kWh/100 km em WLTP e 308 km de autonomia, números redondos e realistas se a condução acompanhar. Para quem privilegia estrada e alguma folga na potência e na autono-mia, a versão ensaiada, com 150 cv e uma bateria de 52 kWh, reclama consumos de 15,5 kWh/100 km, uma autonomia oficial entre os 398 e os 410 km e uma aceleração de 0 a 100 km/h em 8,2 segundos, prestações serenas e sem artifícios, que fariam empalidecer de inveja o modelo original. Carregar também é simples e rápido, ou não fosse esta uma “catrele”. Todas as versões trazem carregador AC de 11 kW e recebem corrente a 100 kW (80 kW na versão com a bateria de 40 kWh); na prática, passar dos 15 aos 80% faz-se em cerca de meia hora. Há Plug & Charge, há a tomada “power-to-object” (V2L) para alimentar um computador ou uma bicicleta elétrica, e já se fala na compatibilidade futura com V2G. Menos “nervo”, mais conforto Em andamento, o R4 assume sem vergonha a sua vocação mais familiar. Onde o R5 é mais nervoso e “desportivo”, aqui o acerto de suspensão privilegia o conforto: filtra pisos degradados com calma e não nos sacode nas juntas de dilatação. Os pneus de perfil ligeiramente mais alto e a afinação da suspensão ajudam ao “amortecimento” geral; em troca, perde um pouco da agilidade e da rapidez de direção do seu irmão, mas para o cliente alvo é uma troca que fará de bom grado. É um compromisso honesto, que transmite serenidade em viagem e confiança na cidade. E ainda há um extra raro neste patamar: pode rebocar até 750 kg, abrindo a porta a atrelados leves ou até a um pequeno barco. A segurança e a assistência ao condutor cobrem o essencial com critério. Do travão ativo com deteção de peões e ciclistas ao alerta de ângulo morto, da leitura de sinais ao cruise control adaptativo com função de centragem na via, o pacote ADAS é completo. A travagem regenerativa tem quatro níveis comandados por patilhas no volante, tornando fácil passar de um “deslizar” mais livre para uma condução de um só pedal na cidade, e a bomba de calor ajuda a manter eficiência quando o termómetro cai. É o tipo de engenharia discreta que, no fim do mês, aparece refletida no consumo. E os números finais confirmam a promessa? Em condução urbana e extraurbana, vimos médias a rondar os 13 kWh/100 km sem esforço, valor que bate certo com a filosofia do carro e aproxima a autonomia real da anunciada pelo catálogo da versão com a bateria grande. Em autoestrada, as médias sobem para os 17-18 kWh/100 km, tornando a autonomia real mais modesta: conte com 270 a 280 km úteis antes de ter de procurar um carregador, valores, ainda assim, honestos tendo em conta a altura do R4 e a secção frontal. Nos números frios do “orçamento”, também há sentido. Em Portugal, a gama abre nos 29.500EUR do Evolution de 120 cv e 40 kWh; a versão Techno 150 cv arranca nos 35.000EUR e a unidade bem equipada que tivemos como referência aponta aos 38.590EUR. Não são preços simbólicos, é verdade, mas fazem justiça à proposta: espaço, conforto, eficiência e um equipamento completo que inclui a tampa da mala elétrica, uma panóplia de sensores, a câmara traseira e carregamento por indução para o smartphone, por exemplo. O desenho, aliás, não se impõe apenas pela nostalgia, impõe-se pelo resultado final independentemente de se gostar ou não do R4 original. Os arcos de roda protegidos, as jantes de 18 “sixties”, os detalhes utilitários como as barras de tejadilho, as proteções e as listas laterais evocativas do modelo original, o interior a imitar ganga, compõem uma presença deveras emocional, mas descomplexada. No balanço final, o Renault 4 E-Tech convence porque é emocional, sim, mas acima de tudo coerente. Traz de volta a ideia que fez da 4L um fenómeno: um automóvel simples, sem ser básico, que não complica a vida. Dá-nos consumos contidos, oferece uma mala que arruma as tralhas de uma família sem precisar de truques, encaixa tecnologia útil e cuidados de segurança atuais, e ainda guarda um toque de irreverência bem-humorada no estilo e na decoração interior. Não pede que o tratemos como um clássico; pede que o usemos diariamente nas voltas casa-trabalho-casa e nos passeios em família aos fins-de-semana. É, no melhor sentido da palavra, uma espécie de regresso de um velho amigo, mais jovial na aparência e no conteúdo tecnológico, movido a eletrões e mais preparado do que nunca para o futuro que se avizinha. Rui Reis (texto) FICHA TÉCNICA RENAULT 4 E-TECH ELÉTRICO 52 kWh 150 cv Motor elétrico, síncrono de íman permanente Bateria 52 kWh Potência 110 kW / 150 cv Binário 245 Nm Tração dianteira Suspensão ind. tipo McPherson (frente), multilink (atrás) Comprimento 4144 mm Largura 1808 mm Altura 1552 mm Bagageira 420 litros Peso 1537 kg Consumo 15,1 kWh/100 km Autonomia 408 km (anunciada) Acel. 0-100 km/h 8,2 segundos Velocidade máx. 150 km/h (limitados eletronicamente) Tempos de carregamento 4h50 , 11 kW AC (15-80%) 0h30 , 100 kW DC (15-80%) PREÇO desde 33.000EUR , Renault 4 E-Tech elétrico 52 kWh 150 cv desde 29.500EUR , gama Renault 4 E-Tech elétrico oferta renting empresas 4 E-Tech Hatchback a partir de 436EUR/mês sem IVA 72 meses , 15.000 km/ano Rui Reis