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CHINA QUER BANIR OS MAUS ELÉCTRICOS E TRAVA EXPORTAÇÕES

Observador Online

2025-10-01 21:05:49

Como qualquer país comunista, a China controla tudo o que acontece dentro de fronteiras e as exportações de EV também. Para que os maus eléctricos não belisquem a imagem, vão ser banidos de exportar. Sejam construtores pertença do Estado, ou fabricantes privados e até cotados em bolsas estrangeiras, na China nada acontece sem que o Governo comunista o permita. Depois do recente boom das exportações para o ocidente de eléctricos chineses, mesmo que parcialmente contrariadas pelos governos europeus e norte-americanos com tarifas especiais destinadas a anular os incentivos (considerados ilegais pela Organização Mundial do Comércio) atribuídos pelo Governo chinês, as autoridades orientais estão agora preocupadas com a má qualidade de alguns dos seus veículos eléctricos (EV) e desejam tomar medidas para afastar os maus modelos, com o intuito de não prejudicar os bons. Na China existem hoje cerca de 130 construtores que fabricam EV, mas os analistas acreditam que, entre falências e fusões, este valor rapidamente será reduzido a não mais de 30, com a feroz competição de preço entre todos os intervenientes a contribuir para este desfecho por reduzir a rentabilidade. O que preocupa o Governo é o facto de os EV chineses menos bem construídos e com problemas de fiabilidade poderem causar desconfiança e reclamações junto dos clientes europeus e americanos que os adquiram. Daí que tenha sido criado um sistema de análise de todos os veículos eléctricos destinados à exportação, para os filtrar e apenas deixar passar os melhores. Os responsáveis chineses admitem frustração perante o crescente número de automóveis não autorizados à exportação e sem o necessário apoio de pós-venda. É bom recordar que a China exportou cerca de 1,65 milhões de EV em 2024, praticamente o dobro do que em 2022, um incremento brutal mas desregulado, o que pode prejudicar a imagem de todos os modelos produzidos na China. A partir de 1 de Janeiro de 2026 e segundo a CBT News, Pequim anunciou que iniciarão as inspecções obrigatórias a todos os modelos eléctricos destinados à exportação, através de um sistema de filtragem similar ao que já é aplicado aos modelos em que o motor principal é a combustão (híbridos e PHEV). Porém, apenas os aprovados pelos técnicos ao serviço do Ministério do Comércio chinês poderão continuar viagem. Se, por um lado, este anúncio da China visa evitar correr riscos que coloquem em causa um crescimento sustentado das exportações de modelos a bateria para o ocidente, a realidade é que, por outro lado, esta medida também pode ser encarada como um sinal de fraqueza, já que a China admite assim que muitos dos carros eléctricos aí fabricados que chegaram à Europa (entre outros mercados) não possuem a necessária qualidade nem o desejável serviço pós-venda. Alfredo Lavrador