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ENTREVISTAS COM OS CANDIDATOS ÀS CÂMARAS DE VILA FRANCA DE XIRA E ALENQUER

Valor Local

2025-10-02 21:05:06

David Pato Ferreira não quer mais “Tonys Carreiras” enquanto limpeza urbana não melhorar Ocandidato da Nova Geração (coligação PSD/IL) à Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, David Pato Ferreira, afirma que o objetivo da sua candidatura passa por alcançar “uma maioria reforçada” nas eleições de 12 de outubro. “Apresentamo-nos com um programa transformador, de longo prazo, que olha para o futuro. Sobre a ausência do CDS da coligação, o candidato foi claro: “Em 2021 houve um acordo que não foi cumprido por uma das partes, e não foi o PSD.com alguns protagonistas locais do CDS não havia condições para haver entendimento. Procurámos parceiros que olhassem para o futuro, e encontrámos essa visão na Iniciativa Liberal.” Recusou, contudo, leituras que apontam para lugares em troca da aliança: “A IL teve o primeiro nome em sétimo lugar na lista da Câmara. Nunca esteve em causa a lógica do lugar pelo lugar, mas sim um projeto comum.” Questionado sobre as críticas relativas às nomeações para empresas municipais, David Pato Ferreira rejeita acusações de favorecimento: “A Nova Geração não aceitou cargos por troca de votos. Assumimos responsabilidades nos SMAS e na Valorsul porque tínhamos compromissos elei- torais claros: travar o aumento da água e conhecer por dentro o processo do lixo. Não podíamos dizer uma coisa e depois ficar de fora da decisão.” Sublinhou ainda que “a vereadora Ana Afonso é administradora a custo zero nos SMAS”. Contudo o PSD chegou a ter até há pouco tempo Horta Carneiro na administração dos SMAS com vencimento, e mais tarde Paulo Horta. “A gestão destes dossiês exige responsabilidade e conhecimento, não demagogia”, conclui. Na área da higiene urbana, o can- didato promete duplicar o investimento para “garantir recolha sete dias por semana” e admite criar uma empresa municipal dedicada exclusivamente ao setor. “Não se trata de privatização, mas de agilizar a contratação de motoristas e cantoneiros. Hoje o concelho não tem recursos humanos suficientes e não há estratégia. Queremos mapeamento digital de contentores e uma gestão moderna, como acontece em Oeiras ou Cascais.” Habitação a custos controlados para jovens é prioritária A habitação é outro dos eixos centrais. O candidato critica a ausência de políticas para jovens: “Desde 1974 a Câmara tem zero casas de habitação jovem a custos controlados.” Defende que nos novos empreendimentos privados seja obrigatória a reserva de uma percentagem para este segmento, bem como um modelo de integração social em vez de bairros-gueto: “Habitação social deve significar integração, não exclusão.” Sobre a proposta do atual executivo para os terrenos da Escola da Armada, contrapõe: “Não é legalmente possível ven- der parte do terreno como defendeu o PS. Queremos ali habitação de qualidade, mas também espaços de lazer, um complexo municipal e, se possível, ensino superior ligado ao cluster aeronáutico.” No urbanismo, propõe “licença na hora” e uma plataforma digital que permita aos munícipes acompanhar os processos. “Hoje ninguém sabe quanto tempo demora uma aprovação. Há falta de previsibilidade. Queremos regras claras, bairro a bairro, para atrair investimento e baixar preços da habitação.” Prioridade máxima à limpeza e higiene urbana Sobre eventos culturais, deixou um recado claro: “Enquanto o concelho não estiver limpo e organizado, não há Tony Carreira. As prioridades são recolha de lixo, trânsito regulado e espaço público cuidado. Só depois disso podemos falar em grandes festivais.” Anunciou mesmo que, se for eleito, um dos palcos do Colete Encarnado termina no dia seguinte. Na mobilidade, defende corredores dedicados aos transportes, minibus ligando zonas interiores às estações ferroviárias e a concretização do Nó dos Caniços: “Se o Estado não avançar, a Câmara terá de colocar a verba no orçamento. Loures e Oeiras conseguiram. Vila Franca não pode ficar para trás.” Coligação quer reaver Vila Franca de Centro Por fim, quanto ao futuro do Vila Franca Centro, critica a decisão socialista de não exercer o direito de preferência aquando da venda de parte do espaço: “Foi possível adquirir 70% por menos de meio milhão de euros. Foi uma oportunidade perdida. A nossa proposta é alienar edifícios dispersos e centralizar serviços municipais no centro, criando também uma loja do cidadão e devolvendo dinamismo à cidade.” Ouça esta entrevista na íntegra em podcast Bloco de Esquerda reforça aposta autárquica, mas não concorre a todas as freguesias Acandidata do Bloco de Esquerda (BE) à Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Catarina Lourenço, médica de família, não escondeu, entrevista na Rádio Valor Local que “o desafio do partido não é pequeno”, depois de ter perdido o vereador nas eleições de 2021. Para estas autárquicas, marca como prioridades habitação, cultura e ambiente. Na entrevista à Rádio Valor Local, considerou “um erro” o regresso do Hospital de Vila Franca ao modelo de parceria público-privada (PPP), recordando que “muita coisa do tempo da gestão Mello foi atirada para debaixo do tapete”. A candidata considera “preocupante” a existência de cerca de 47 mil utentes sem médico de família. Para os centros de saúde, defende “mais diálogo com os profissionais e sindicatos” para perceber por que é possível atrair médicos para Alverca e não para zonas vizinhas como Póvoa de Santa Iria ou Castanheira. Mostra reservas quanto às novas Unidades de Saúde Familiar de tipo C: “Ninguém sabe como vão funcionar. Se forem uma parceria público-privada, não é o caminho certo.” A habitação surge como outra frente central. “Em dois anos, o preço do metro quadrado subiu 27%. Precisamos de construção pública a custos controlados e de recuperar bairros operários”, sublinha. Critica projetos como o Vila Rio, que “aumentam a pressão sobre serviços de saúde e mobilidade”, e alerta para o risco de “imobiliário de luxo” em terrenos estratégicos, como o da antiga escola da Armada. No plano económico, quer “diversificar” a atividade do concelho, dominada pela logística, e atrair “empresas de base tecnológica e ambientalmente responsáveis”, criando emprego qualificado. Na cultura, propõe rever o PAMA, descentralizar apoios e reaproveitar espaços como o Teatro Salvador Marques, sem financiar atividades tauromáquicas: “Não hostilizamos ninguém, mas não é priori- dade gastar verbas públicas em violência animal.” A candidata também defende mais transparência na Câmara: “Muitas perguntas ficam sem resposta e a informação devia estar acessível de forma clara e gratuita.” Questionada sobre a eventual criação de uma polícia municipal, não fecha a porta, mas quer “avaliar necessidades com base em dados” lembrando que a criminalidade violenta caiu 5% no último ano. A candidata pede reforço de meios nas freguesias e rejeita privatizações. Em cultura, propõe revisão do PAMA “com as associações à mesa”, descentralização da programação e recuperação de equipamentos como o Teatro Salvador Marques. Sobre o Colete Encarnado, insiste: “Não hostilizamos ninguém, mas não priorizamos financiamento público a espetáculos tauromáquicos com sofrimento animal.” No dossiê Vila Franca Centro, aponta a falta de rumo: “Há promessas, mas não há plano.” Quer garantir o uso público do estacionamento e escrutinar decisões. Na segurança, recusa slogans: “Os dados mostram descida de criminalidade. Antes de discutir polícia municipal, é preciso perceber necessidades e meios da PSP e GNR.” Ambiente em foco: acompanhamento apertado à CIMPOR, monitorização da qualidade do ar e um “pós-encerramento” planeado para o aterro. Saúda a recuperação da frente ribeirinha e admite praia fluvial “se houver condições”. E deixa o recado final ao executivo: “Transparência e participação não são favor são obrigação. As pessoas têm de saber, em tempo útil, o que a Câmara decide e porquê.” Ouça esta entrevista na íntegra em podcast Cláudia Martins quer reabrir de imediato estacionamento do Vila Franca Centro “Nos licenciamentos, uma quota das novas urbanizações deve ser destinada a habitação a custo acessível. Esta Câmara não usou essa ferramenta mas nós vamos usá-la” Na habitação, admite que o grosso das soluções depende do Estado, mas cobra à autarquia a utilização de instrumentos que, diz, têm sido ignorados. “Nos licenciamentos, uma quota das novas urbanizações deve ser destinada a habitação a custo acessível. Esta Câmara não usou essa ferramenta e nós vamos usá-la.” Lembra que “há cerca de mil fogos municipais e, nestes quatro anos, só 64 foram entregues”, com “centenas de pessoas em lista de espera”. Defende reabilitar parque devoluto e falhado e critica atrasos em programas como o 1.º Direito: “Deixaram passar o tempo.” Sobre megaprojetos, atira: “Não queremos guetos de ricos nem de pobres. Queremos cidade mista, com oferta acessível.” O destino dos terrenos da antiga Armada em Alhandra/Vila Franca Acandidata da CDU à Câmara de Vila Franca de Xira, Cláudia Martins, entrou na corrida com um mote que repete nas ruas: “fazer a mudança”. Rejeita “trunfos” pessoais e apresenta-se como a face de um projeto coletivo. “A CDU não tem cabeças de cartaz. Temos um projeto comprometido com a população. Fomos nós que construímos o concelho e é isso que queremos voltar a fazer”, afirma, sublinhando que os contactos de campanha lhe devolvem “memórias boas do tempo da CDU” e um descontentamento visível: “O concelho está ao abandono: sujo, degradado e sem identidade”. Cláudia Martins não dramatiza a quebra de votos nas legislativas nem a deslocação do eixo político nacional. “Não nos preocupa o lugar nas sondagens. Preocupa-nos o bem-estar das pessoas. É para isso que cá estamos”, frisa. A candidatura aposta numa ideia de coerência: “Dizem que temos a `cassete. Não. Batemos nas mesmas teclas porque os problemas continuam por resolver.” vença. “Vamos sentar-nos com quem põe a mão na massa e conhece as soluções: os trabalhadores.” Propõe reforçar equipas (duas por ano até 2029), criar um ecocentro municipal para monos e resíduos de pequenas obras e estreitar a articulação com as juntas. Rejeita a ideia de desorganização nos serviços: “Faz-se muito com pouco. Falta valorização e meios.” Paralelamente, critica o peso do orçamento municipal em festas e cartazes: “Em maio, cerca de 1,2 milhões em festivais. Enquanto houver lixo nas ruas, as prioridades têm de ser outras. Não somos contra festas; queremos critério e mais prata da casa .” Na educação, a candidata descreve um parque escolar “desajustado do século XXI”: “Aulas com calor ou frio extremos e recreios sem estímulo.” Saúda a escola de Vialonga “tardia”, mas exige requalificações em estabelecimentos como Bairro do Paraíso (VFX) e Alpriate. Denuncia insuficiência das verbas transferidas pelo Estado e pede “pulso reivindicativo” da autarquia. é, para a CDU, caso-teste. “Foram comprados por 8,1 milhões de euros e podiam ter vindo a custo zero meses depois. São de todos e têm de servir todos. Não podem ser entregues à especulação”, avisa. Entre as ideias, um centro de alto rendimento ligado ao rio e a instalação de ensino superior público. “Privado não é a prioridade. Acreditamos que o público é possível e vamos canalizar esforços para isso.” Ecocentro para resíduos e aumentar o número de trabalhadores na recolha de resíduos é prioridade A limpeza urbana é apresentada como “primeira urgência” caso Promete reabrir o parque de estacionamento do Vila Franca Centro Quanto ao Vila Franca Centro, adquirido em 40 por cento por um novo investidor, a CDU quer “centralizar serviços municipais” para dinamizar o coração da cidade: “Com cem trabalhadores, o comércio respira, abrem cafés, cabeleireiros. Só habitação entope ainda mais.” Defende reabrir de imediato os 188 lugares de estacionamento. Sobre processos judiciais e inquéritos no urbanismo, prefere distanciamento: “Transparência total, mas deixemos a justiça trabalhar.” Ainda assim, admite uma reforma organizacional com centralização de balcões e desburocratização. Ouça esta entrevista na íntegra em podcast Fernando Paulo Ferreira quer frentes ribeirinhas estilo “Parque das Nações” Fernando Paulo Ferreira, atual presidente da Câmara de Vila Franca de Xira e recandidato pelo PS, assume uma campanha “para vencer” e com continuidade. “O lema é Seguimos juntos . Sobre críticas de distanciamento que por vezes mantém em relação aos munícipes, o autarca rejeita: “A proximidade no contexto autárquico é total. Uma semana de um presidente são sete segundas-feiras. Ouvimos empresários, trabalhadores e pessoas na rua.” Também em relação às reuniões de câmara, frisa que “são todas públicas” e com intervenção regular de munícipes. A articulação com as juntas mereceu atritos no mandato, mas Fernando Paulo Ferreira relativiza: “É natural que os presidentes de junta queiram sempre mais verbas. Nós aumentámos as transferências, atualizámos o pessoal reportando a 2016 e passámos a transferir mais um milhão de euros por ano.” Questionado se a verba é pequena face a um orçamento municipal de 156 milhões, responde que o reforço “ultrapassou os 20%” e que o objetivo é “serviço público próximo”. Candidato quer mais um dia de recolha de lixo no concelho Na limpeza urbana, reconhece dificuldades, mas garante investimento: “Temos hoje mais 13 viaturas e cerca de 100 profissionais, eram 80 e tal. Recolhemos mais resíduos do que antes; não é suficiente e vamos subir de seis para sete dias de recolha.” Aponta o “crescimento exponencial de depósitos ilegais” pneus, restos de obra que desviam meios da recolha doméstica. Entre as medidas, elenca equipas dedicadas, ecocentros móveis, mais ilhas ecológicas e lavagem mais frequente de contentores. Recorrer a privados “não está em cima da mesa”: “Temos investido para reforçar a capacidade pública.” Na habitação, o atual presidente diz ter realojado “mais de 80 famílias” e estar a recuperar património municipal devoluto. Anuncia projetos para habitação jovem nas antigas vivendas das OGMA (Alverca) e a reabilitação do antigo Palácio da Flamenga, em Vialonga, com novo loteamento que inclui um lar da ABEIV. Sobre a crítica de que “em quatro anos só foram entregues 64 casas”, contrapõe a Estratégia Local de Habitação com “cerca de duas centenas de fogos” e reservas a custos controlados em novas urbanizações: “Na antiga Tertir (Alverca) isso já está previsto. Também isentámos IMT para jovens até 35 anos.” Defende, ainda, a atração de “novos mercados” como os nómadas digitais, sem esquecer “as famílias mais carenciadas”. Futuro dos terrenos da antiga Armada para tribunal, complexo desportivo e habitação Quanto ao futuro dos terrenos da Marinha, mantém a linha: tribunal Lisboa Norte e expansão do complexo desportivo, seguidos de um desenvolvimento urbano “à escala Parque das Nações”. “Não é inércia, é transformação: habitação, comércio, serviços e espaços verdes integrados na cidade.” Confrontado com o facto de este não ser o projeto inicial do PS com Alberto Mesquita, disse discordar, mas basta uma pequena pesquisa para verificar que estaria contemplada uma área para equipamentos relacionados com uma instituição do ensino superior, mais lazer e comércio e menos imobiliário. No capítulo cultural, reage à acusação de gastos excessivos: “Se queremos reforçar o papel metropolitano, precisamos de eventos fortes.” Cita o Colete Encarnado “com presença recorde”, a Feira de Natal, o Xira Equestre e o Xira Soundfest “rondou os 350 mil euros, vários dias e milhares de jovens”. Garante transparência: “Todos os contratos estão no Portal Base.” E lembra projetos financiados por fundos europeus com “custo praticamente zero para a Câmara”. Na economia, promete diversifi- cação: logística, indústria e tecnologia, com destaque para o “Lisbon Campus”, investimento de “mil milhões”, e a transição energética na indústria. Em Alhandra, sublinha o projeto da CIMPOR, “185 milhões para uma revolução ambiental”. No turismo e reabilitação, menciona a Estalagem do Gado Bravo “em fase final de parecer da APA” e o aproveitamento dos antigos Silos. Sobre o problemático Vila Franca Centro, diz ter sido decisiva a concentração de propriedade: “Já há um titular com mais de 50%.” Defende solução privada integrada comércio, habitação, serviços e estacionamento e um plano municipal para mobilidade e rotatividade. Ouça esta entrevista na íntegra em podcast Paulo Núncio quer dar benefícios fiscais às famílias de 300 euros por ano Paulo Núncio, candidato do CDS-PP à Câmara de Vila Franca de Xira, garante que entra na corrida “com listas próprias” e com a ambição de “pegar os problemas com coragem”, como repetiu várias vezes na entrevista à Rádio Valor Local. Antigo deputado municipal, hoje deputado da AD, diz conhecer “bem o concelho” e assume conforto na rutura com o PSD: “Sinto-me muito confortável em ir em listas próprias do CDS, porque permite defender princípios e bandeiras que muitas vezes são diferentes das do PSD.” Sobre a aproximação local entre PSD e Iniciativa Liberal, sustenta que “as pessoas desconfiam dessa coligação porque temem que a ação social fique para trás”. A matriz social-cristã é o cartão-devisita. “O CDS representa a direita social. Num concelho com graves carências, apoiar IPSS que cuidam de idosos, crianças, famílias em dificuldade e pessoas com deficiência é prioritário.” Núncio promete reforço do apoio municipal ao terceiro setor e recorda que a Carta Municipal da Habitação “foi proposta pelo CDS e aprovada por unanimidade, mas ficou na gaveta por responsabilidade exclusiva do executivo PS”. Na habitação, alinha com medidas nacionais “isenção de IMT para jovens e garantia de financiamento a 100%” e atira à Câmara: “Detém cerca de nove centenas de imóveis, muitos devolutos e degradados. Podiam ser recuperados para rendas acessíveis e nada foi feito.” Quanto ao terreno da antiga Escola da Marinha, considera a compra “muitíssimo excessiva” e propõe “alienar uma parte para amortizar o investimento”, reservando o restante para “funções sociais, áreas verdes, desporto” e até “uma escola superior de Enfermagem”, para responder à falta de profissionais de saúde. Fim da PPP foi “cegueira ideológica” A saúde é apresentada como prioridade política e municipal. “Há 47 mil utentes sem médico de família. A Câmara pode e deve ceder casas de função a médicos e professores para os atrair”, defende, assumindo que os incentivos devem ser “competitivos” na Área Metropolitana de Lisboa. Sobre o hospital, saúda o regresso da gestão em PPP: “Quando foi PPP, o hospital prestava serviços de muita qualidade. O fim foi cegueira ideológica. O regresso é uma ótima notícia para os vilafranquenses.” Na mobilidade e urbanismo, mostra reservas ao projeto Vila Rio, na Póvoa de Santa Iria: “Levanta dúvidas em acessibilidades só há uma ponte de acesso e quanto ao risco de cheias. Se não houve planeamento, será um escândalo.” Pede contrapartidas claras na qua- druplicação da Linha do Norte, “em particular para Alhandra”, e acusa o município de falta de pressão junto da Infraestruturas de Portugal nos nós dos Caniços e do Sobralinho: “Resultados muito insuficientes.” A higiene urbana é apresentada como “problema número um”. “O concelho está mais sujo do que alguma vez esteve. Falta de contentores, recolhas que demoram mais de uma semana, pragas de baratas e ratos. É inaceitável.” Propõe uma auditoria funcional aos serviços e recolha “sete dias por semana”, articulada com uma futura Polícia Municipal “também com funções de fiscalização”. No plano fiscal, promete baixar impostos. “Queremos devolver 5% do IRS cobrado pela Câmara: 300 euros/ano por família que paga IRS, cerca de 30 mil agregados. Só o saldo anual de 21 milhões de euros paga a medida.” Defende eliminar a derrama para “atrair investimento e empregos de valor acrescentado”, apostando em empresas tecnológicas e no cluster aeronáutico “em torno da OGMA”. Aos críticos que veem populismo, responde: “Fizemos as contas. Menos impostos nos cofres da Câ- mara, mais dinheiro nos bolsos das famílias.” Imigração ilegal tem de ser combatida A imigração é lida por Núncio com divisão entre integração e controlo: “Quem cumpre as regras é bemvindo; a imigração ilegal tem de ser combatida.” Pede “maior rigor” na emissão de certificados de residência pelas juntas, para travar sobrelotação e riscos de saúde pública. Politicamente, rejeita a ideia de um CDS eclipsado: “O CDS está no Governo da República, na Madeira, nos Açores e nas câmaras de Lisboa e Porto. Somos a direita social com sentido de Estado.” Ouça esta entrevista na íntegra em podcast Daniel Ferreira defende 10 por cento de habitação pública OLivre entra na corrida autárquica em Vila Franca de Xira com listas à Câmara, Assembleia Municipal e à União de Freguesias Póvoa-Forte. Após a ausência de há quatro anos, o partido diz chegar “mais organizado” e com objetivos prudentes: “Queremos dar-nos a conhecer e obter representação. Na Câmara será difícil, mas a Assembleia Municipal é um foco central”, afirma o cabeça-de-lista, Daniel Ferreira de apenas 21 anos. A estratégia assume “crescimento gradual e trabalho de proximidade”: “Que saibam que têm no Livre um partido de confiança, onde podem falar e partilhar problemas.” No dossiê identitário do concelho, o candidato recusa que a oposição às touradas o isole eleitoralmente. “A maior tradição de Vila Franca é ser uma terra livre”, sustenta, garantindo respeito por quem vive do setor: “Não desprezamos a tauromaquia, mas somos contra os maus-tratos animais. Não se acaba nada de um dia para o outro; explicamos a nossa postura e procuramos soluções.” Terrenos da Armada “não podem servir apenas as classes mais altas” A habitação surge como prioridade com um alvo quantificado: “Defendemos 10% de habitação pública no concelho.” Além da reabilitação do parque municipal, o Livre promete o programa “3C Casa, Conforto e Clima”, para melhorar eficiência energética e conforto dos fogos antigos. Sobre o terreno da Armada, o partido quer ambição e critério: “Podíamos ter um polo do ensino superior, habitação intergeracional ou respostas para a terceira idade. Se houver privados, é preciso garantir tipologias e preços acessíveis não podemos construir só para as classes mais altas.” Exemplo invocado: “No Vila Rio, 10% para parque público teria feito diferença.” Na limpeza urbana, o diagnóstico é direto: “Há acumulação de lixo e pragas; a desinfeção falha e a recolha de monos não está clara.” O partido pede mais fiscalização a entulho e restos de obra, valorização das equipas de recolha e continuidade dos ecopontos móveis “com maior cobertura temporal”. Educação e sensibilização am- biental são palavras de ordem: “Produzimos lixo a mais. Precisamos de compostagem municipal e mensagens simples que toda a gente entenda.” A saúde motiva reservas ao re- gresso da PPP no Hospital de Vila Franca: “Não há garantias de melhoria. O essencial é reforço de profissionais e meios.” Para fixar médicos nos cuidados primários, o Livre considera insuficientes os subsídios mensais: “Quatrocentos euros não resolvem. Defendemos casas de função a preço controlado e um pacote de condições.” Sobre USF modelo C, a resposta é pragmática: “A saúde deve primar pelo público; a complementaridade só com escrutínio e igualdade de acesso.” Mais transparência sobre os valores gastos em eventos A política de eventos enfrenta crítica de método, não de princípio: “Há prioridades. Precisamos de transparência total nos gastos logística, segurança, artistas. O dinheiro é dos contribuintes.” Sobre a Frente Ribeirinha e a prometida praia fluvial, o candidato pede cautela com acessos, inundações e atividade piscatória: “Não se governa para quatro anos.” O cais fluvial suscita dúvidas de viabilidade: “Sem garantias de caudais e capacidade de carga, arrisca ser promessa que não tira camiões da estrada.” Economicamente, o partido quer diversificar além da logística, olhando para tecnologia e indústria limpa: “Há oportunidades em hidrogénio e inovação, mas os data centers levantam questões de sustentabilidade.” A eventual Polícia Municipal é ponderada: “Pode fazer sentido na fiscalização, mas só com estudo de impacto orçamental e prioridades claras.” A imigração é tratada como desafio de integração e habitação, sem alarmismo: “São pessoas que trabalham e contribuem. Sobrelotação exige fiscalização às redes de exploração e soluções dignas, incluindo ensino de português e integração local.” Entre metas mensuráveis (10% de parque público) e um discurso de escrutínio, o Livre anuncia-se como voz de pressão sobre a Câmara esteja no executivo ou na oposição. O teste far-se-á nas urnas; a bitola, promete o candidato, será a mesma: “Exigência, participação e transparência.” Ouça esta entrevista na íntegra em podcast Barreira Soares denuncia falta de transparência no Urbanismo Ocandidato do Chega à Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Barreira Soares, defende que “há um desejo claro de mudança no concelho” e assume-se “candidato à vitória”. Em entrevista à Rádio Valor Local, o atual vereador sublinha a ascensão do partido e recorda a eleição de 2021: “Ninguém esperava que elegêssemos um vereador numa autarquia muito à esquerda. Dei tudo o que tinha.” Reconhece, porém, ausências em reuniões de Câmara após a eleição para deputado, justificando que “há trabalho que também se faz na Assembleia da República em benefício do concelho”. Sobre a governação local, acusa PS e PSD de convergirem: “Há um grande teatro. O PSD foi, constantemente, o apoio do PS. A responsabilidade tem de ser bipartida.” Rejeita arranjos de bastidores: “Não queremos tachos . A democracia faz-se com todos, mas com responsabilidade assumida.” Se vier a liderar a autarquia, promete abrir a gestão a todas as forças eleitas, “mesmo com maioria absoluta”, garantindo “poder de execução e escrutínio”. A limpeza urbana e a gestão de re- síduos são bandeiras. O candidato critica “equipamentos degradados, falta de manutenção e desmotivação” nos serviços, propondo “uma empresa dedicada à recolha de monos, com marcação e recolha à porta”, e o reforço de videovigilân- cia em pontos críticos: “Temos tecnologia para identificar infratores e atuar.” Aponta falhas operacionais: “Há dias em que não se sabe quantas pessoas vão trabalhar. É preciso gestão em tempo real: contentores, rotas e prioridades.” Na saúde, Soares descreve “centros de saúde com infiltrações e cantinas impróprias” e responsabiliza a transferência de competências “aceite sem diagnóstico e sem verbas adequadas”. Defende “resolver rapidamente as condições dos equipamentos” e uma estratégia para fixar clínicos: “Os incentivos serão os necessários até termos médicos suficientes.” Habitação Social tem de ir “para quem realmente trabalha” Quanto à habitação, critica o que chama “facilitismo” da resposta social: “A habitação social deve servir quem realmente não consegue trabalhar ou tem limitações. O objetivo é elevar rendimentos e autonomia.” Reage a estereótipos étnicos muitas vezes atribuídos ao Chega: “Somos todos iguais, todos devem contribuir.” Em paralelo, considera positiva a habitação para classes médias e investimento privado: “Quanto maior o poder de compra residente, melhor para o comércio e para o emprego.” No urbanismo, aponta “liderança frágil e falta de transparência”, re- clamando “auditoria externa logo à entrada” e acesso efetivo à informação: “Pede-se e não se recebe.” Sobre investigações da Polícia Judiciária, diz não se surpreender com buscas e pede “celeridade no apuramento de responsabilidades”. Na educação, fala em “parque escolar muito degradado” e equipas “sem meios técnicos”; exige flexibilidade financeira do Estado face à inflação de custos e “mais pressão política” do município. Em mobilidade, insiste no “fim das portagens em Alverca, deslocando a barreira para o Carregado”, e em vias circulares para aliviar a EN10, alertando para impactos da quadriplicação da Linha do Norte em Alhandra e VFX: “Faltaram contrapartidas mais robustas.” Sobre eventos municipais, defende financiamento misto: “Patrocínios e receitas próprias para aliviar impostos”, complementado por um cartão do munícipe com vantagens locais. No plano da segurança, rejeita criar Polícia Municipal: “É uma moda dispendiosa que se paga com mais multas.” Prefere reforçar meios e protocolos com GNR e PSP, “com contrapartidas claras”, admitindo rever posição apenas se falharem. Atual presidente de Câmara “é arrogante” Dirigindo críticas diretas ao presidente em funções, Fernando Paulo Ferreira (PS), fala em “arrogância” e “fecho da informação”, apesar de reconhecer “conhecimento profundo da máquina”. Conclui com a promessa de “mais pressão sobre Lisboa, Bruxelas e embaixadas para captar investimento tecnológico e melhor emprego”: “Queremos resolver problemas com ciência e gestão, fazer mais com menos.” Ouça esta entrevista na íntegra em podcast Ernesto Ferreira: “A CDU mantém os princípios, mas não ignora a realidade no terreno” Ocandidato da CDU à presidência da Câmara Municipal de Alenquer, Ernesto Ferreira, mostra-se firme na recandidatura, sublinhando que “a estrutura local e distrital do partido entendeu que havia condições” para continuar o trabalho iniciado e reforçar a ligação ao programa das populações. “É isso que me move”, afirma, rejeitando que a idade seja um entrave, numa comparação irónica com lideranças internacionais mais envelhecidas. Face ao crescimento da direita em várias freguesias do concelho, nomeadamente no Carregado, Ferreira alerta: “Não acredito que o Chega traga soluções. É fruto do descontentamento, mas não é resposta.” Para o candidato comunista, a ascensão do populismo resulta da frustração acumulada com promessas falhadas e políticas que não deram resposta às dificuldades reais das pessoas. Reconhece que a CDU “perdeu eleitorado”, sobretudo entre os mais jovens, mas recusa a ideia de irrelevância: “Defendemos causas justas, mesmo quando os resultados eleitorais não acompanham.” Um dos exemplos citados é a oposição histórica à privatização da água tema que, afirma, hoje reúne consenso transversal no concelho. Na área da saúde, Ernesto Ferreira critica a resposta do Estado e é céptico face às soluções de privatização encapotada, como as Uni- dades de Saúde Familiar (USF) de tipo C ou os protocolos com instituições privadas: “A nossa posição é clara: o Serviço Nacional de Saúde deve ser público, universal e gratuito.” No entanto, admite analisar soluções alternativas, caso se prove que são a única via possível para garantir cuidados às populações: “Não diremos que não, mas manteremos o princípio.” Sobre a transferência de competências para os municípios na área da Educação, o candidato é perentório: “Foi um acordo entre PS e PSD que desresponsabiliza o Estado central e sobrecarrega as autarquias com encargos sem o devido financiamento.” Refere que o município de Alenquer se encontra já em défice nas áreas da saúde e educação, com verbas que “não chegam para cobrir os custos, nomeadamente dos assistentes operacionais”. Ernesto Ferreira critica gestão das Águas de Alenquer e defende criação de empresa municipal Ernesto Ferreira, vereador da CDU e candidato à presidência da Câmara de Alenquer, assume frontalmente a crítica à atual gestão do contrato com a empresa Águas de Alenquer. O dossiê, que já soma vários anos de polémica, voltou à ribalta com a recente revisão do tarifário e o impasse em torno de um estudo prometido para reequilibrar financeiramente o contrato. “Estamos em setembro e ainda não há estudo, nem plano de investimentos para a redução do tarifário, como foi prometido”, denuncia o autarca, acrescentando que “em vez de se resolver o problema, criou-se um ainda maior com o último memorando de entendimento com a empresa”. Ferreira recorda que o pagamento de 500 mil euros pelas infraestruturas de saneamento devia ser da responsabilidade da Tejo Atlântico empresa que sucedeu à Águas do Oeste e não da Câmara de Alenquer. “O município não devia pagar esse valor. Mas como também são acionistas da Tejo Atlântico, isto torna-se numa pescadinha de rabo na boca”, critica. Para o candidato da CDU, o caminho deve passar por começar já a preparar uma transição do modelo de concessão para uma solução municipal: “Não podemos esperar por 2033 para resolver isto. Defendemos que se crie uma equipa técnica dentro da Câmara para estudar a criação de uma empresa municipal, como acontece em Vila Franca com o SMAS ou em Torres Vedras.” Ferreira lembra ainda que o con- trato atual, apesar de ter mais oito anos de vigência, não está a ser cumprido em pleno: “Há pareceres pagos com rodas de dinheiro que dizem que está tudo bem, mas na nossa perspetiva, a empresa devia intervir mais na rede.” Questionado sobre o impacto financeiro de uma municipalização, o candidato admite que ainda não há contas feitas: “Não temos acesso a todos os dados. Quem governa é que tem de abrir os números. Mas se a empresa tem um milhão de euros de lucro por ano, esse valor devia ficar no município.” Ernesto Ferreira termina com um aviso: “Se não se fizer nada, em 2033 vamos ter uma situação igual ou pior à que tínhamos antes da entrega do serviço à Águas de Alenquer.” Ouça esta entrevista na íntegra em podcast Carlos Sequeira do Chega quer “acabar com os fidalgos de Alenquer” Carlos Sequeira, candidato do Chega à Câmara Municipal de Alenquer, abriu a entrevista na Rádio Valor Local com um diagnóstico claro: “O PS está há demasiado tempo no poder e criou uma máquina que serve mais o partido do que as pessoas.” Acusa o executivo socialista de “governar para os amigos” e defende que o concelho precisa de “um novo rumo, com coragem, transparência e proximidade com a população”. Apontando o dedo ao que considera ser uma estrutura viciada, Carlos Sequeira sublinha: “Há presidentes de junta a entregar as obras aos tios. Há cargos atribuídos por cartão de partido. Isto tem de acabar.” Afirma que o Chega está fora dessa “teia de compadrios” e quer devolver o poder aos cidadãos. “Não estamos aqui para manter o sistema. Estamos aqui para rompê-lo.” Entre as suas prioridades, está a captação de investimento privado para criar emprego e dinamizar o concelho. Defende uma estratégia de descentralização da indústria para aliviar zonas como o Carregado, onde aponta graves problemas de sobrelotação habitacional, insegurança e falta de infraestrutura. “O Carregado está ao abandono. As pessoas não conseguem dormir descansadas e os jardins são tudo menos jardins”, acusa. Na saúde, admite aplicar um suplemento financeiro para atrair médicos, mas defende sobretudo parcerias com clínicas e seguradoras locais. “A saúde é responsabilidade do Estado Central, mas o município não pode cruzar os braços.” Para garantir mais transparência, propõe descentralizar reuniões de Câmara e da Assembleia para as freguesias, envolvendo mais os cidadãos nas decisões. Lembra ainda que o seu partido já teve de recorrer à CADA para obter documentos da Câmara, algo que considera inaceitável numa democracia. “O Chega não faz parte desta elite. Somos diferentes, e vamos provar que é possível governar com seriedade. Os fidalgos de Alenquer vão ter de se habituar: o tempo do poder fechado em meia dúzia está a chegar ao fim.” Habitação, imigração, saúde e transparência: os grandes desafios do concelho Carlos Sequeira considera que a atual estratégia de habitação social da Câmara precisa de ser revista. Para o candidato, é essencial “olhar para o tipo de habitação existente, incluindo as que estão devolutas ou envelhecidas, e perceber como podem ser recuperadas com o apoio do município”. No entanto, admite que “o esforço ainda é insuficiente”. Quanto à atribuição de casas, de- fende critérios claros e justos: “O apoio deve ir para quem realmente precisa, independentemente de ser português, imigrante ou da comunidade cigana. A prioridade é dos portugueses, mas se um imigrante tiver mais necessidade, deve ser atendido”, concordou depois de instado pelo Valor Local. Carregado minado pelas teias da imigração ilegal Aborda também a sobrelotação no Carregado, denunciando a existência de imóveis com 8 a 12 pessoas e residências ilegais em lojas. Refere mesmo ter filmagens de práticas irregulares relacionadas com atestados de residência. “Está-se a fechar os olhos porque há quem precise de votos”, afirma, apontando responsabilidades a quem lidera localmente. Sobre o PDM e a instalação de um polo industrial na zona da Passinha, diz que “foi aprovado pela equipa do PS” e promete rever o processo, “se ainda for a tempo”, considerando outras zonas mais adequadas, como a Ventosa, para evitar o agravamento da pressão urbana em zo- nas como a Passinha e Casais Novos. Quanto à saúde, admite a hipótese de um suplemento aos médicos como fazem outros concelhos, mas defende também acordos com seguradoras e clínicas privadas para suprir carências. Propõe ainda contactos com faculdades para atrair estagiários e médicos aposentados. No que toca à transparência, acusa o atual executivo de falta de abertura. Propõe descentralizar as reuniões de Câmara e Assembleia Municipal, levando-as às freguesias. Refere ainda casos de favoritismo e clientelismo, prometendo combate firme ao “desgoverno socialista instalado há décadas”. A sua promessa? “Proximidade com a população e total transparência”. Ouça esta entrevista na íntegra em podcast Francisco Guerra promete não agravar estado de coisas na Passinha e Casais Novos Francisco Guerra é o rosto da coligação “Todos”, que reúne PSD, CDS, Iniciativa Liberal, MPT, Nós Cidadãos e PPM, na corrida à presidência da Câmara Municipal de Alenquer. Em entrevista à Rádio Valor Local, o candidato explicou os contornos do seu surgimento político, criticou o estado atual do concelho e delineou algumas das propostas-chave para mobilidade, ambiente e desenvolvimento económico. A escolha de Francisco Guerra para liderar esta coligação surge, segundo o próprio, de um processo de reaproximação à terra natal após o falecimento do pai. O candidato admite que esteve “distante fisicamente” mas “sempre ligado emocionalmente” a Alenquer, e sublinha que a sua candidatura resulta de um movimento cívico transversal a diversas sensibilidades políticas. “A única condição que impus foi que os meus companheiros estivessem disponíveis para assumir o projeto comigo. Não seria apenas eu a dar a cara.” Isto depois de um período de grande turbulência no PSD local após o surgimento do nome de Pedro Afonso que rapidamente desistiu como candidato à Câmara. Guerra assume que a escolha do seu nome também responde ao desgaste interno do PSD local e à rejeição de candidaturas anteriores, como a de Nuno Henriques. Sem entrar diretamente nas “tricas partidárias”, deixa claro que “não reescreve a história” e que pretende uma rutura com o “fracasso crónico da oposição nos últimos 49 anos”. Em resposta aos receios dos resi- dentes da zona do Carregado , sobretudo dos Casais Novos , relativamente ao Plano Diretor Municipal (PDM), Francisco Guerra admite que “não há uma solução ótima neste momento”. “A única solução passaria por não ter permitido instalar ali uma empresa de logística com aquela dimensão e com aquele volume de tráfego”, afirma, reconhecendo que quaisquer medidas futuras serão “soluções de mitigação frágil”. Guerra critica, ainda, a postura do executivo socialista quanto à participação cidadã: “Eu não percebo, sinceramente não percebo, em pleno século?XXI, depois do licenciamento ter sido autorizado e da empresa entrar em funcionamento, com a criação de uma comissão de moradores que é pública e notória, e a Câmara, de um modo fechado, autista a esta realidade, não convida elementos da comissão de moradores para integrar um grupo de trabalho que possa encontrar a solução.” Como diz, “é mais uma vez a Câmara a dizernos que a Câmara é que sabe tudo. Infelizmente a realidade mostra-nos o contrário.” Quanto ao PDM e à possibilidade de urbanização industrial prevista para aquele terreno, Guerra promete: “Eu não vou, garanto-lhe, sendo eleito, não vou agravar nenhum dos problemas que lá estão.” E acrescenta: “Há empresas de pesados que têm um impacto no solo, carros amontoados, não existe uma zona industrial em Alenquer.” Reconhece que “existem custos incomportáveis para o município para reverter esta situação”, mas defende que “é uma zona que precisa de requalificação” e que haverá de traçar soluções “por uma questão de respeito pelas empresas” e pelos moradores. Sobre habitação jovem e imigração, admite que “temos de pôr cobro à forma como algumas autorizações de residência são concedidas pelas Juntas de Freguesia” . O candidato refere-se sobretudo à União de Freguesias de Carregado -Cadafais “que tem feito uma leitura muito branda do regime legal.” Contudo, refere que as comunidades estrangeiras são “uma fonte de oportunidades e uma riqueza enorme” e propõe iniciativas culturais de integração. No tocante à habitação, compromete-se com parcerias públicoprivadas para reservar habitações sociais em empreendimentos privados, aproveitando fundos comunitários: “O modelo jurídico está a ser pensado e passa por criar um gabinete permanente, cuja única missão será a de captar investimentos de fundos comunitários na habitação social”. Quanto à gestão do dossiê das águas, Guerra afirma que “o contrato foi objeto de adendas e é altamente prejudicial para o nosso concelho”. Anuncia que, se for eleito presidente de Câmara, vai mandar fazer “uma auditoria jurídica ao contrato e às adendas, onde todos os cenários são possíveis”. Acrescenta que “a relação da Câmara Municipal de Alenquer com a empresa Águas de Alenquer vai mudar no dia em que for eleito”. Ouça esta entrevista na íntegra em podcast Tiago Pedro quer resolver crise na habitação com nova vida para a Urbanização do Brandão Tiago Pedro, eleito pelo PS em 2021 e atual vereador sem pelouros, apresentou a sua candidatura independente à Câmara de Alenquer em julho, a poucos meses das eleições. Questionado sobre a decisão tardia, em entrevista à Rádio Valor Local, justificou que apenas avançou quando sentiu ter reunido uma equipa capaz. Apesar de se assumir independente, mantém-se em funções como vereador eleito pelo PS, uma situação que admite ser delicada, mas que considera justificada pelo respeito ao mandato dado pelos eleitores. A saída dos pelouros foi decidida pelo presidente Pedro Folgado, após Tiago Pedro lhe comunicar a sua candidatura. Rejeita estar vinculado ao PS nas votações em reunião de Câmara, afirmando votar de forma autónoma. Sobre a ausência de listas às juntas de freguesia e à Assembleia Municipal, refere que nunca foi intenção apresentar candidatos às freguesias. No caso da Assembleia, diz ter encontrado um cabeça de lista, que acabou por desistir por terem existido constrangimentos nesse sentido. Aponta como projeto marcante a ciclovia do Carregado, salientando o seu envolvimento direto, embora reconheça que é um projeto do executivo PS. Instando pelo Valor Local quanto ao facto de nas redes sociais chamar a si a autoria de obras socialistas, no âmbito dos seus antigos pelouros, diz recusar protagonismo exclusivo, mas defende que deve ser reconhecido o seu papel enquanto responsável político pela divisão de obras. Sobre o problema de sobrelotação e pressão habitacional no concelho, defende a construção em altura e um controlo mais eficaz da emissão de certificados de residência, em articulação com as juntas. Aponta a necessidade de retomar a construção para responder à falta de habitação. A urbanização do Brandão que mergulhou num processo longo pode ser uma solução, e explica que o processo está parado devido a problemas judiciais antigos e propõe uma reorganização urbanística com tipologias habitacionais mistas. Em relação à Passinha e Casais Novos, reconhece que os moradores têm razão nas suas críticas. Assume corresponsabilidade política, mas esclarece que não tratou diretamente dos licenciamentos iniciais. Confirma que o PDM prevê a classificação industrial da zona, mas afirma que haverá espaço para a participação pública e ajustes futuros, caso seja eleito. Carregado em foco: Mobilidade, Educação, Saúde e Sustentabilidade no centro da agenda eleitoral Tiago Pedro, antigo vereador e agora candidato à presidência da Câmara de Alenquer, diz traçar uma visão estratégica para o Carregado, ancorada em cinco pilares: mobilidade urbana, educação, saúde, equipamentos públicos e requalificação urbana. Em entrevista à Rádio Valor Local, destacou os entraves à mobilidade e os desafios na articulação com Infraestruturas de Portugal (IP), que considera “o instituto mais difícil de trabalhar”. Criticou a ausência de passadeiras com segurança nas Estradas Nacionais do Carregado, defendendo a desclassificação de troços urbanos para garantir qualidade de vida e segurança rodoviária. No plano educativo, reconhece a pressão sobre as escolas da zona sul do concelho, onde «faltam va- gas e manutenção». Defende a construção de uma nova escola para permitir requalificações profundas noutros estabelecimentos, nomeadamente na secundária da Damião de Góis. Aponta ainda a necessidade de uma gestão eficaz da rede escolar, evitando escolas sobrelotadas a sul e subaproveitadas a norte. Quanto à saúde, rejeita subsídios diretos a médicos, como acontece noutros municípios. Prefere criar uma “comunidade atrativa”, com melhores condições de vida, que incentive a fixação dos profissionais. Ainda assim, admite desorganização e morosidade na atuação da ARS e defende maior responsabilidade do Governo. Sobre a concessão das águas, considera inviável uma rescisão antecipada, mas defende a criação imediata de uma empresa municipal, “para que o município esteja preparado no fim do contrato, em 2033”. A antiga fábrica Chemina, projeto emblemático falhado, é assumido como “um insucesso”. Aponta a necessidade de definir um destino final para o edifício, com o envolvimento da população. Ouça esta entrevista na íntegra em podcast João Nicolau: “É preciso colocar as pessoas de Alenquer no mapa” Nicolau diz que é tempo de olhar para a Chemina como um local de serviços da Câmara. Sonho do Hotel pode estar morto O dossiê Chemina, quartel-general de promessas falhadas do PS, muda de destino no seu plano: “A ideia de hotel morreu. O edifício deve servir os munícipes.” Propõe concentrar serviços públicos, criar um polo de apoio à atividade económica, cowork e até um novo auditório, reconhecendo tratar-se de investimento “para além de quatro anos” e dependente de projeto e financiamento. Na saúde, pede continuidade e afinação: dois novos centros de saúde (Olhalvo e, em obra, Abrigada) são, para si, passos certos. Lembra que a USF de Alenquer “tem o quadro completo” e defende multiplicar o modelo. Ouça esta entrevista na íntegra em podcast João Nicolau, candidato do PS à Câmara de Alenquer, defende que o ciclo socialista no concelho “não está esgotado” e que a renovação se faz “mandato a mandato, pessoa a pessoa”. Numa entrevista ao Valor Local, o atual deputado da Assembleia Municipal colocou a fasquia na “proximidade” e nas áreas que considera pilares: educação, saúde, ambiente e mobilidade. No urbanismo, admite falhas e promete uma “via verde de licenciamento para habitação”. Reconhece processos “complexos e demorados” e fala em reforço de meios “humanos e materiais”. “Há vagas por preencher, é difícil recrutar engenheiros civis e arquitetos, e faltam condições de trabalho.” Questionado sobre queixas de munícipes quanto ao atendimento, assume o problema: “O cidadão é o nosso patrão e cliente. Temos de resolver.” Sem calendário nem metas de prazos, a proposta fica no plano das intenções. Habitação: “Hoje, dois trabalhadores não conseguem comprar ou arrendar em Alenquer. O município tem de intervir.” A habitação é outro eixo. O acordo com o Instituto da Habi- tação e Reabilitação Urbana (IHRU) para alojar 21 agregados soa-lhe “escasso”. Quer desbloquear operações de loteamento, acelerar licenças e “usar terrenos municipais para cooperativas” ou promover habitação acessível diretamente pela autarquia. Não apresenta números sobre quantas famílias carecem de resposta social, preferindo recentrar no custo da casa para a classe média: “Hoje, dois trabalhadores não conseguem comprar ou arrendar em Alenquer. O município tem de intervir.” Fica por esclarecer quantas casas, onde e com que financiamento. Água vai voltar a ser pública e gerida de forma mais eficiente Na água e saneamento, retoma a bandeira da remunicipalização pós-2033. Garante existir “memorando de entendimento” com a concessionária e um “estudo aprofundado” para baixar tarifas e atacar perdas de rede, embora este ainda não tenha sido apresentado conforme chegou a ser anunciado. “Alenquer paga mais 200 euros/ano por 10 m³ face a Vila Franca. Não é justo.” Sem divulgar valores de investimento nem troços prioritários, promete começar pelas zonas com rede mais antiga e com mais ruturas, além de reabilitar estações elevatórias e de bombagem. Admite a eficiência da empresa privada, mas sublinha: “Uma taxa interna de retorno de 13% é margem que, numa empresa municipal, pode virar investimento.” Candidato quer operar a mudança em novas formas de mobilidade Na mobilidade, promete um “programa contínuo” de requalificação da rede municipal, mais passeios e ligações ciclopedonais. Sobre a ciclovia Carregado-Tejo, admite que “a obra ain- da não arrancou”, embora exista financiamento e empréstimo aprovado para a 1.ª fase. Quer “uma nova circular no Carregado” para aliviar o centro, assumindo que isso exige projeto técnico e cooperação com a Infraestruturas de Portugal: “As relações fazem-se com trabalho e projetos em cima da mesa.” No caso Santos e Vale, diz terse sentido “enganado” pelo estudo de tráfego que “não correspondeu à realidade”. Não perde tempo com retrospetivas: “Interessa resolver.” O traçado previsto poderá integrar uma futura variante. Sobre eventual comparticipação da empresa, promete “avaliar com o proprietário”. A tensão entre expansão industrial e qualidade de vida reaparece no PDM: Nicolau afirma que todo o processo tem passado por comissões com representação partidária plural e que “zonas habitacionais devem ser protegidas”, reservando “grandes unidades” para fora das localidades. Não define distâncias mínimas nem alternativas concretas, insistindo que o eixo Alenquer-Carregado é “preferencial” para atividade económica. Para o interior do concelho, advoga “pequenas bolsas” para serviços e ofícios. David Pato quer reaver o controle do Vila Franca Centro Catarina Lourenço deu a conhecer as suas ideias para o concelho Cláudia Martins diz que há muita gente com saudades da CDU no concelho Fernando Paulo Ferreira confiante de novo na vitória Paulo Núncio rejeita a ideia de que o CDS-PP se deixou adormecer à sombra do PSD Daniel Ferreira é um dos mais jovens candidatos, tem apenas 21 anos Barreira Soares admite dar pelouros à oposição Ernesto Ferreira recandidata-se pela terceira vez Carlos Sequeira dá a conhecer as suas ideias para o concelho Francisco Guerra quer instituir reuniões de Câmara descentralizadas Tiago Pedro afirma-se preocupado com a falta de soluções habitacionais no concelho João Nicolau diz que o caminho é de continuidade mas com um novo impulso