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POR QUE RAZÃO SE ESTÁ A PENSAR FECHAR O AEROPORTO LISBOA-PORTELA E MANTER O PORTUENSE SÁ CARNEIRO?

Observador Online

2025-10-03 21:06:55

Sobre esta matéria, os eleitores devem conhecer a posição dos candidatos à presidência da Câmara do Porto antes das eleições autárquicas Em 2007, a Associação Comercial do Porto (ACP) ? liderada pelo futuro presidente da câmara do Porto ? com a legitimidade de a cidade ter o segundo aeroporto do país, posicionou-se contra o desperdício de dinheiros públicos da construção de raiz de um Novo Aeroporto de Lisboa, contrapondo a alternativa dual com um apurado estudo financeiro (Universidade Católica), o qual provava que manter o aeroporto na Portela operacional poupava 3,6 mil milhões EUR. 1 - Os termos da equação aeroportuária-ACP 2007 são agora até mais gravosos: Há dezoito anos, o que estava em causa era a racionalidade do investimento aeroportuário face à procura esperada e à equidade territorial na abordagem aos projetos estratégicos, as mesmas questões de fundo que agora se voltam a colocar. De facto, por um lado, o aeroporto-Portela foi, entretanto, objeto de expressiva melhoria da infraestrutura aeroportuária/acessibilidade, o que, em caso de fecho, praticamente duplica o anterior investimento afundado e, por outro, a nova solução NAL-Vinci (em Alcochete) gera um sobrecusto de 15 mil milhões EUR em relação à inovação HUB-fusão, que mantém o aeroporto na Portela a funcionar com condições até mais favoráveis que as do aeroporto Sá Carneiro, conforme: Aeroporto-LISBOA longo prazo: daqui a sessenta anos, a procura chega a 329.808mov (projeção VINCI) e atinge o patamar de maturidade. Com o HUB-fusão, o aeroporto Portela-citadino (médio curso sem voos à noite) passa a ter a soleira de aterragem a 1,5km da vedação e processará apenas 115.000mov (1/3), ficando Alverca-longo curso com o restante. Aeroporto-PORTO longo prazo: com igual incremento, atingirá 152.321mov (Portela 115.000) e continuará com voos à noite (duas horas). Além disso, a chegada das aeronaves por sul - a mais penalizante nos dois aeroportos - é um pouco pior: após atravessar o rio (Douro 0,6km X Tejo 2km), o sobrevoo de área urbana é maior que em Lisboa (9,3km X 7,7km) e há habitantes mais perto da soleira de aterragem na pista (0,6km X 2,3km). 2 - O aeroporto-Portela enquadrado na reengenharia fusão será mais amigável que o aeroporto Sá Carneiro e sem ponderosas razões que justifiquem o seu fecho: 2.1 - Por eficiência não será: o inovador HUB-fusão com capacidade 105mov/h baterá o recorde mundial de aeroporto-2 pistas (90-95mov/h) e a nova pista Alverca paralela à da Portela, será a mais eficiente europeia de 4.000m por ter trajetórias sobre água nos dois topos. 2.2 - Por excesso de movimentos aéreos ou por ruído excessivo e noturno não será: o aeroporto Portela-citadino terá menos movimentos que o Sá Carneiro e não opera à noite. Os dois aeroportos em número de pessoas afetadas por ruído acima de 65dB estão abaixo da média europeia daqueles que estão perto da cidade e processam mais de 10-15 milhões de passageiros ano. 2.3- Por economia não será: a atual alternativa VINCI de aeroporto-2 pistas afastadas 2.390m, tem um sobrecusto global (aeroporto + acessibilidade rodoferroviária) de mais de 15 mil milhões EUR em relação ao HUB Fusão Alverca-Portela (que é mais potente). 2.4 - Por rapidez não será: o HUB fusão não precisa de mudanças militares, nem de ponte Chelas-Barreiro e o aeroporto Alverca tem área disponível + 1/3 do sistema de pistas + manutenção aérea (OGMA) + estação na Linha do Norte. 2.5 - Por razoabilidade ambiental não será: resolver o ruído de Portela-citadino acima de 65dB (200-250 pessoas) significa isolar 100 habitações (custo até 0,5 milhões EUR) ou, no absurdo, oferecer 100 novas habitações (custo até 25 milhões EUR), uma gota de água do impacte ambiental (e custo) da mudança de um grande campo de tiro aéreo (7.500ha), de um aeroporto gigante de raiz, da maior ponte rodoferroviária europeia e de mais 50km da ligação AV Lisboa-Porto. 3 - Colocar em primeiro lugar a equidade territorial e as necessidades básicas da população nacional O governo pode endividar o país para a VINCI ? o maior conglomerado europeu de construção & concessões ? construir em Lisboa projetos de mobilidade megalómanos ou optar pelo eficiente HUB-fusão e, com a vultuosa poupança, pode completar a rede de Alta Velocidade (ligações AV Lisboa-Madrid, Lisboa-Porto e Porto-Vigo) e, mesmo assim, sobra dinheiro para resolver, nomeadamente, as carências de habitação social de todo o país. O Porto é a capital da região mais populosa e tem o segundo maior aeroporto, o que significa que os seus representantes têm legitimidade para se pronunciarem sobre os gastos públicos e a estratégia aeroportuária com repercussão nacional. Em 2007, as forças económicas do Porto foram claras na preferência de uma solução que somasse dois aeroportos (desligados), mantendo o existente aeroporto-Portela, por ela evitar um sobrecusto de quase 4 mil milhões EUR. Hoje, existe a inovadora mais-valia de fundir dois aeroportos em vez de somar, a qual baixa o impacto do aeroporto-Portela para o nível do aeroporto Sá Carneiro e evita um sobrecusto quatro vezes maior que o anterior. O que será então que leva os representantes do Porto a agora ficarem calados? Luis Janeiro Professor da Católica Lisbon School of Business & Economics. Luis Janeiro