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NEUTRALIDADE CLIMÁTICA PODERÁ CUSTAR 100 MIL POSTOS DE TRABALHO NA ALEMANHA

Razão Automóvel Online

2025-10-07 21:02:38

A transição para elétricos e as metas climáticas estão a gerar restruturações drásticas nos fornecedores automóveis europeus. É mais um aviso do setor automóvel aos decisores europeus. A CLEPA (Associação Europeia de Fornecedores Automóveis) tem alertado a União Europeia para o risco de perda de mais de 350 mil empregos até ao final da década. A situação é particularmente preocupante na Alemanha, onde se prevê um corte de cerca de 100 mil postos de trabalho nos próximos quatro anos, afirmou a revista alemã AutoBild. Entre outros motivos, a associação aponta como motivos os custos energéticos e as medidas de neutralidade climática: "A transição para a neutralidade climática só terá sucesso se a Europa preservar as competências, tecnologias e a base de produção que a tornam possível", sublinha a associação. Primeiro impacto já aconteceu Vários fornecedores europeus estão preocupados. Já são várias as empresas a anunciar despedimentos, entre elas a ZF, a Continental, a Bosch e a Schaeffler. Este ano, espera-se que o índice de falência dos fornecedores alemães aumente 30%, relativamente ao ano passado, de acordo com um relatório da consultora Falkensteg. Até agora, já 36 fornecedores anunciaram falência, um número superior ao registado no ano passado. Em causa, está a baixa procura por automóveis elétricos. Cortes e restruturações Recentemente, a ZF revelou planos para eliminar 7600 postos de trabalho na sua unidade de motores elétricos, o que representa um quarto da sua força de trabalho. O objetivo é reduzir os custos em 500 milhões de euros até 2027. No total, a empresa pretende cortar mais de 14 mil postos de trabalho, interrompendo o desenvolvimento de produtos exclusivamente elétricos e direcionando investimentos para tecnologias híbridas plug-in. Mathias Miedreich, diretor-executivo da empresa, culpou este desinvestimento no facto da transição para automóveis elétricos "estar a demorar mais tempo do que aquilo que tinha sido antecipado". Seguindo o exemplo da ZF, a Bosch e a Schaeffler anunciaram cortes de aproximadamente 3% da sua força de trabalho: 13 mil empregos no caso da Bosch, e 3600 no caso da Schaeffler. A Continental, por sua vez, decidiu eliminar a sua divisão de Investigação & Desenvolvimento automóvel, numa reestruturação que prioriza a divisão de pneus e negócios industriais, considerados mais rentáveis. A consultora Falkensteg alerta para "problemas estruturais profundamente enraizados", afirmando que fornecedores ligados a componentes de motores de combustão têm poucas hipóteses de sobrevivência. © Schaeffler (Daniel Karmann) A Schaeffler produz placas bipolares para pilhas de combustível a hidrogénio em lotes piloto, apoiando protótipos e pequenas séries de veículos no seu centro de excelência em Herzogenaurach, na Alemanha. Marcas chinesas As marcas chinesas são outro grande problema dos fornecedores europeus. Têm custos mais baixos e reduzem o espaço de manobra dos fornecedores europeus, que ainda se estão a adaptar à nova realidade elétrica e digital. "No mercado chinês, as coisas acontecem muito mais rápido em termos de velocidade de desenvolvimento e velocidade de ação do OEM (Fabricante de Equipamento Original)", disse Peter Pacheco, analista da Gartner à Automotive News. Pacheco alerta que cortes drásticos de custos não resolvem o problema, pois limitam a capacidade de inovação. Para enfrentar o desafio, os fornecedores europeus devem investir em tecnologia elétrica e reestruturar a sua cultura corporativa, ao mesmo tempo que lidam com custos elevados de mão de obra e energia, fatores que colocam as empresas em desvantagem em relação à concorrência chinesa. © André Mendes / Razão Automóvel Entre as empresas alemãs que estão a considerar despedimentos está o Grupo Volkswagen. Entre a Audi, Volkswagen e Porsche contam-se 100 mil empregos em risco até 2030. "Como reduzir os custos de mão de obra na Alemanha? Como reduzir os custos de eletricidade? Estes aspectos representarão um desafio para o governo", disse Pacheco. "Todos estes fatores representam desvantagens comerciais em comparação com uma empresa chinesa", concluiu. Mariana Teles