A NOVA CORRIDA DA LOGÍSTICA É A ÚLTIMA MILHA
2025-10-07 21:06:10

Micro-hubs urbanos, veículos autónomos, alianças com retalhistas locais, maior aposta na digitalização e em soluções verdes vão definir os próximos anos. Em apenas uma década, o comércio eletrónico transformou o quotidiano dos consumidores e a forma como os operadores logísticos planeiam, organizam e executam as suas operações. A pressão para entregar encomendas cada vez mais depressa, de forma mais barata e sustentável está a reposicionar a “última milha” o último trajeto antes de chegar ao cliente final como o verdadeiro campo de batalha competitivo. A equação ja não se resume a entregar rápido: é preciso fazê-lo com custos controlados, impacto ambiental reduzido e experiências personalizadas. Para Nuno Gaspar, senior manager da unidade de consultoria da Capgemini Portugal, a resposta esta em redes logísticas mais inteligentes e próximas do cliente. “A Capgemini considera que a evolução do last mile é um aspeto crítico para responder às expectativas dos clientes e para garantir a rentabilidade no e-commerce. O uso de micro-hubs urbanos, capacitando as lojas para as entregas, e de dark stores é vital para garantir encomendas atempadas, redução de custos e prazos de entrega mais curtos", avança este responsável. Na pratica, significa que uma loja de bairro pode tornar-se num ponto de abastecimento urbano para agilizar a distribuição e aproximar os produtos do consumidor. Ao mesmo tempo, armazens dedicados, fora do olhar público, organizam os fluxos de forma automatizada e eficiente. “Para retalhistas com presença física limitada, recomendamos parcerias com comerciantes locais, crowdsourcing e incentivos a colaboradores que permitam assegurar as entregas", sublinha Nuno Gaspar. Acelerar a inovação A pressão não 6 exclusiva de grandes plataformas internacionais. Também em Portugal, empresas logísticas têm inves-tido para acompanhar os volumes crescentes, prazos mais curtos e consumidores mais exigentes. Segundo Afonso Jubert Almeida, presidente da direção da APLOG, essa preparação está em curso e a maioria dos players tem investido em tecnologia, automatização, digitalização, melhoria continua, processos lean, armazens mais modernos e sustentáveis e num crescente aumento de viaturas elétricas. "Empresas como a Rangel, CTT, DPD, DHL, TorresTir, Santos e Vale ou Luís Simões são bons exemplos dessa forte aposta em dar resposta positiva a clientes cada vez mais exigentes.” o investimento em veículos elétricos e em soluções de armazém mais verdes reflete também a pressão da sustentabilidade um dos fatores que mais moldam a logística contemporânea.