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SUSPEITAS SOBRE SPINUMVIVA - INVESTIGAÇÃO QUER SABER QUEM PAGOU FÉRIAS NO BRASIL

Correio da Manhã

2025-10-09 21:04:37

Atualidade | Caso Spinumviva VIAGEM EM FAMÍLIA AO BRASIL Investigação quer saber quem pagou férias de Montenegro SUSPEITA Investigação suspeita que despesas das férias possam ter sido imputadas à Spinumviva DILIGENCIAS Montenegro arrisca violação do regime de exclusividade a que está obrigado como primeiro-ministro O Ministério Público (MP) e a Polícia Judiciária (PJ) querem saber quem pagou as férias da família Montenegro, em 2024, no Brasil, avança a Sábado . Os investigadores suspeitam que esta despesa possa ter sido imputada à Spinumviva, a empresa familiar do primeiro-ministro, o que representa uma eventual violação do regime de exclusividade a que está obrigado Luís Montenegro enquanto líder do Governo. A notícia da Sábado indica que os indícios surgem na sequência das diligências efetuadas pelos investigadores do caso. titulado pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), no âmbito da averiguação preventiva, que têm analisado notícias e outros documentos em “fontes abertas” (isto é, disponíveis no espaço público), passaram a “pente fino” a primeira remessa de documentos enviada por Luís Montenegro (ver nota de destaque) e até fizeram uma recolha informal de dados em Espinho, com conversas off the record com as habitualmente designadas forças vivas da cidade. A investigação procura ter acesso a mais informações, mas, neste momento, encontra-se num impasse, pois, segundo várias fontes judiciais, só com a abertura de um inquérito será possível analisar as contas bancárias da empresa e dos seus sócios (0 próprio Luís Montenegro, a mulher e os dois filhos), assim como as faturas emitidas, cruzando-as com os montantes entrados, para que seja possível ter um “quadro global” da Spinumviva e dos serviços prestados pela empresa, assim como os respetivos honorários cobrados. Ao início da noite de terça-feira, meia hora depois de a notícia da Sábado ser publicada online, a Procuradoria-Geral da República emitiu um esclarecimento para informar que “a averiguação preventiva relacionada com a empresa Spinumviva encontra-se em curso”. “o Ministério Público aguarda ainda documentação que, depois, carecerá de análise. Não há, assim, neste momento, qualquer convicção formada que permita encerrar a referida averiguação preventiva nem nada foi proposto ao procurador-geral da República [Amadeu Guerra] neste domínio”, lê-se na nota. Questionado pela Sábado , se alguma vez foram fatura-das à Spinumviva despesas familiares, como almoços, férias, aquisição de viaturas, entre outras, Luís Montenegro e a sociedade não responderam. A Sábado questionou Montenegro diretamente sobre se a despesa das férias, em 2024, no Nordeste brasileiro, foi faturada à Spinumviva, mas não obteve resposta. Montenegro não cumpriu entrega de documentos A RTP avançou, ontem, que Luís Montenegro ainda não entregou os elementos adicionais que lhe foram pedidos pelo MP, no âmbito da averiguação preventiva à Spinumviva. A 19 de setembro, O PGR, Amadeu Guerra, revelou terem sido pedidos pelo MP “elementos adicionais ao primeiro-ministro”. Na ocasião, Montenegro prestou declarações aos jornalistas garantindo que ia reunir os documentos que foram solicitados e enviá-los “o mais rápido possível”, mas não aconteceu. Ontem, o primeiro-ministro recusou dizer se já o fez. Socialistas defendem que já devia ter sido aberto um inquérito Pedro Duarte Gonçalves /Miguel Bravo Morais José Luís Carneiro (PS) defendeu ontem que já devia ter sido aberto um inquérito ao caso da empresa familiar do primeiro-ministro, a Spinumviva. “Para mim é incompreensível que não tenha sido aberto um inquérito. E essa a explicação que deve dar o procurador-geral da República, é porque é que não abriu um inquérito”, disse o líder do PS. Já André Ventura (Chega) acusou Montenegro de “arrastar a situação” ao não prestar todos Os esclarecimentos. “Temos um instrumento, que é um instrumento excecional, que é a averiguação preventiva, a prolongar-se no tamna o que não acontece a mais ninguém”, apontou Ventura. A esquerda, Rui Tavares (Livre) acusou Montenegro de não conseguir “manter uma história certa do princípio ao fim” e de ter “um caso não muito sério com a verdade”. Paulo Raimundo (PCP) desafiou o primeiro-ministro a “ assumir responsabilidades” se estiver a questionar tempos Aa justiça, enquanto Mariana Mortágua (BE) considerou que “a Spinumviva vai perseguir o primeiro-ministro, é uma maldição que vai perseguir este Governo e a sua credibilidade”. Já Inês Sousa Real (PAN) pediu a Montenegro para parar com a “vitimização”. Em contraste com os restantes partidos da oposição, a STT optou por comentar o assunto. “Vamos aguardar serenamente que o Ministério Público faça o seu trabalho e depois, conforme as conclusões a que chegar, tomaremos uma posição”, referiu Mariana Leitão. PM diz que deve falar diretamente com o MP “Eu devo prestar todos os esclarecimento ao Ministério Público (MP) e, portanto, devo falar diretamente com o MP, não através da imprensa, como também é suposto que o MP fale comigo diretamente e não através da imprensa”, atirou ontem o primeiro-ministro, numa crítica às notícias que deram conta da intenção dos procuradores e da PJ de ter acesso às suas contas bancárias. Luís Montenegro já tinha considerado uma pouca-vergonha” o que viu como uma fuga de informação de “alguém ligado ao processo” a escassos dias das autárquicas. INVESTIGAçAO QUER INQUERITO ABERTO PARA ACEDER A MAIS INFORMAçóES A família Montenegro passou período de férias, no ano passado, no Nordeste brasileiro Polémica EMPRESA HISTÓRICO A Spinumviva foi constituída em janeiro de 2021, após Luís Montenegro ter saído da sociedade de advogados Sousa Pinheiro & Montenegro. Em 2022, após ser eleito presidente do PSD, Montenegro vendeu a sua quota da empresa à mulher, mantendo-se os filhos, Hugo e Diogo, como sócios. Porém, o regime de comunhão de adquiridos a que estava sujeito o seu casamento fazia com que, legalmente, Montenegro não se desvinculasse da empresa, pois também beneficiaria dos seus proveitos. O primeiro-ministro e a família acabariam por tentar remediar a situação com a saída de Carla Montenegro dos órgãos sociais, ficando a sociedade a ser gerida apenas pelos filhos. A polémica aumentou com a revelação da lista dos clientes, em que se incluíam a Solverde, Rádio Popular, Ferpinta, Colégio Luso-Internacional do Porto, entre outros, e uma gasolineira de Braga, a Joaquim Barros Rodrigues & Filhos, que pagou empresa, am 2022, 1QA mil euros (mais IVA), detida pelo pai de João Rodrigues, candidato do PSD à Câmara de Braga. Entre os colaboradores externos da Spinumviva estava Inês Varajão Borges, casada com o mesmo João Rodrigues. IL PREFERE AGUARDAR PELAS CONCLUSOES DA JUSTIçA PARA TOMAR DECISAO O primeiro-ministro, Luís Montenegro, rodeado da família João Amaral Santos