UMA QUATR L
2025-10-10 21:06:58

Renault 4L, que automóvel mítico. TAP, EDP, CTT autarquias no geral, todos usavam, e abusavam, destes carros como se fossem indestrutíveis e eternos, e bem o pareciam (apesar de não serem bem parecidos ou até belos.) Não é por isso de estranhar que durante os dias em que andámos de Renault 4 (E-Tech) houvesse tanta curiosidade em seu redor e até surpresa completa por um carro com uma cara tão futurista (mas tão familiar) estar já por ali a circular, com toda a normalidade e até matrícula portuguesa. Foi isto que muito sentimos: um pasme geral seguido de emoção e súbito desejo de (pelo menos) tirar uma foto para mostrar ao pai, ao avô, bisavô ou até à bisavó. ? a energia positiva desse entusiasmo, seja ou não passageiro, transpõe-se para nós, como alegados donos do carro (já que ali vamos sentados ao volante), e isso deixa-nos com uma boa aura instantânea, vinda de um inesperado momento de comunhão e até realização por termos motivado ali um pouco de nostalgia feliz, a alguém. Contudo, se tudo isto é verdade (e o contamos por ser), não é mentira que... todo este enredo-tuga de Amor ao Renault 4 nos remete a duas tristezas. é! A primeira, é a constatação do arrebatador fascínio português por um carro que fora tão desinteressante! ? mesmo sabendo perfeitamente que se hoje Portugal ainda está na cauda da Europa, nos anos 70 e 80 era mesmo uma empobrecida Albânia da vida, porém existiam por cá carritos igualmente humildes, ou simples/básicos, mas com muito mais interesse e pinta. Mas... tudo bem. ? segundo desgosto é quase polémico, mas § tem de ser partilhado. E desde já aqui me defendo exclamando que não há pedantismo, ou snobismo, no que vou explicar (vá, não é explicar, é ensinar à plebe até, que eu não vivo para sempre, tal como sou: nada presunçoso!). Posta que está a certeza de que é sem altivez que irei advertir, e chamar à razão, 99% de Portugal, é com humildade (até timidez) que sou obrigado a indicar que está amplamente incorreto , e incrivelmente errado = dizer-se: “uma 4L . O Renault 4? é um carro, não é uma “carra” até porque isso não existe. “Ah e tal mas é uma 4L porque é uma carrinha.” Não! é um carro! Existia também a carrinha 4F que fazia o papel de...carrinha, o “L era O carro. Era um carro de cinco portas (L, TL, GTL). Senão... e por tão parecida que é a fisionomia do novo 4 E-Tech, as atuais gerações do povo diriam “a 4-E” (uma quatr E, portanto). Em Portugal não se usa na linguagem corrente “a viatura” (como em França “la voiture” tão comummente). Aliás, usa-se, se se for agente da autoridade, e no contexto: “os documentos da viatura, se faz favor!” Já no Brasil dizem “uma”, mas a referirem-se “às Lamborghini” ou às Ferrari”, porque por lá (como os italianos) dizem uma máquina”. Agora por cá, dizemos “o carro” ou “o automóvel”. ? bólide ou o chaço. Por isso, não podemos dizer “uma 4L”, tal como agora não iremos dizer “uma 4-E”. Posto isto, por favor, estimado leitor, ainda vai a tempo, diga: “O Renault 4L”, senão em nada contribuímos para o seu engrandecimento e a leitura da autoDRIVE não o enriquece, ficando assim colocada em causa a nossa validade e ficando nós equiparados aos “tabloids automóvel”. //João Santos Matos