UM ANO DEPOIS, O FUTURO DESCOLA DO HELIPORTO DO SÃO JOÃO
2025-10-11 21:06:15

O primeiro vertiporto do país em contexto de emergência médica, um “heliporto de drones”, permitirá testar a viabilidade da utilização de aeronaves não tripuladas na área da saúde. Presidente do Conselho de Administração da ULS São João A 10 de outubro de 2024, o recém-construído Heliporto do Hospital de São João, no Porto, recebeu o seu primeiro doente. Foi um marco histórico, não apenas para o hospital, mas para toda a região e para o Serviço Nacional de Saúde. Com financiamento da CCDR-Norte, o São João passou a dispor de uma infraestrutura capaz de encurtar, de forma decisiva, o tempo entre o evento e os cuidados de saúde. Esse foi um dia pleno de alegria. Profissionais do hospital, do INEM e pilotos sabiam estar a viver a concretização de um sonho antigo. Cada aterragem traduz-se em minutos ganhos, vidas salvas, num serviço de urgência mais próximo da comunidade. Neste ano de atividade, o heliporto recebeu doentes vindos de toda a região, crianças, idosos, com doença aguda, vítimas de trauma, queimados. Para cada caso, a celeridade garantida pelo helitransporte foi decisiva. Fomos também essenciais no transporte urgente de órgãos para transplantação, condição necessária para assegurar a sua viabilidade e sucesso. Se temos bem vincada a relevância do tempo na saúde, temos também a visão clara de que é inevitável evoluir para soluções tecnológicas inovadoras, de rutura, que nos permitam, metaforicamente, romper as paredes do hospital. O mundo muda depressa e os profissionais de saúde têm apetência e foco para inovar e protagonizar a revolução tecnológica. No São João, este entendimento e vontade materializam-se agora num novo passo. Esta semana foi lançado em Diário da República o concurso para a construção do primeiro vertiporto do país em contexto de emergência médica. Este “heliporto de drones” permitirá testar a viabilidade da utilização de aeronaves não tripuladas na área da saúde. O projeto, atualmente em fase-piloto, tem financiamento específico na área da inovação e é desenvolvido em parceria com o CEiiA e o 4LifeLAB, o consórcio que une engenharia e saúde. A ULS São João posiciona-se entre os primeiros hospitais europeus a testar a utilização de drones em saúde Com esta iniciativa, a ULS São João posiciona-se entre os primeiros hospitais europeus a testar a utilização de drones em saúde. Os ganhos esperados são claros. Possibilidade de transporte rápido de medicamentos, de desfibrilhadores ou de sangue em âmbito de emergência médica, de órgãos para transplante, mas também em contexto de circuitos logísticos programados, como o transporte de vacinas ou de amostras biológicas para análise. Apesar de haver alguns países como o Ruanda ou o Haiti em que foram utilizados drones para fazer chegar medicamentos ou sangue para transfusão a locais remotos, estas experiências são ainda limitadas e decorrem, sobretudo, em ambientes de reduzida pressão demográfica. Já no Reino Unido têm sido realizados testes em cidades densamente povoadas, mas ainda sem implementação efetiva. Este projeto exige rigor, profissionalismo, conhecimento científico e tecnológico. Tendo sido já avaliado por múltiplos peritos nacionais e internacionais que determinaram a atribuição de financiamento, terá de passar pelo crivo das estruturas reguladoras nacionais, garantindo a segurança dos materiais transportados e da comunidade. Pode parecer ficção, mas o heliporto e a testagem de drones em saúde representam, na verdade, duas faces de uma mesma ambição. Ter um SNS mais ágil, mais sustentável e mais humano. Mostram como a capacidade de inovar é também uma forma de cuidar, e como o investimento em tecnologia pode traduzir-se em tempo, qualidade e vida. Simbolizam o compromisso da ULS São João com um SNS moderno, sustentável e ao serviço de todos. Há um ano celebrámos a primeira aterragem. Hoje celebramos a capacidade de continuar a descolar. A autora escreve segundo o acordo ortográfico de 1990 Presidente do Conselho de Administração da ULS São João Maria João Baptista