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1128 CV E 530 KM DE AUTONOMIA. JÁ CONHECEMOS OS SEGREDOS DO FERRARI ELETTRICA

Observador Online

2025-10-12 21:02:01

A Ferrari revelou os dados e as soluções técnicas do Elettrica, o primeiro modelo a bateria da marca. Os quatro motores que somam 1128 cv e uma autonomia de 530 km não são os únicos trunfos. No âmbito do Capital Markets Day, evento em que a Ferrari revela aos investidores o que tem reservado para o futuro, o construtor transalpino realizou a primeira das três apresentações que tem programadas para o Elettrica, o primeiro modelo 100% eléctrico da marca do Cavallino Rampante. O único Ferrari com uma mecânica que não necessita de gasolina, o que não o impede de alinhar pelos mais rápidos, arrancará com as entregas a clientes em 2026. Apesar de ter relegado para as próximas duas apresentações do Elettrica a revelação das formas exteriores, sabe-se que será uma berlina com quatro lugares (com dois bons lugares atrás, capazes de acolher adultos e completada por uma bagageira funcional) e formas similares às do SUV Purosangue, mas assumindo-se como um modelo mais baixo, uma vez que a marca persegue um comportamento eficaz, o que é pouco compatível com uma distância ao solo mais generosa. Mas a Ferrari sabe que, pela primeira vez, vai ter de enfrentar um peso mais elevado do que o habitual para fazer do Elettrica um desportivo. Devido ao generoso pack de baterias, o seu peso ronda 2300 kg, um valor mais elevado do que os 2170 kg do Purosangue. Curiosamente, o SUV com um V12 a gasolina da Ferrari e a futura berlina eléctrica da marca italiana anunciam uma distância entre eixos muito próxima, com 3,018 m para o primeiro e 2,960 m para a segunda. Motores eléctricos com cheirinho a F1 Para conferir ao Elettrica uma velocidade máxima e uma capacidade de aceleração compatíveis com os pergaminhos da marca, os técnicos italianos montaram dois motores eléctricos em cada eixo, sendo que à frente têm 105 kW (143 cv) de potência cada e atrás 310 kW (421 cv), o que significa que a berlina eléctrica da Ferrari tem uma potência total instalada de 1128 cv. Isto aponta para um valor compatível com o anúncio do construtor, que promete “uma potência superior a 1000 cv”, deixando para mais tarde a revelação do valor exacto (que certamente ficará abaixo dos 1100 cv). O eixo dianteiro monta dois motores e um inversor que pesa apenas 9 kg 8 fotos Se a Ferrari nunca confiou a entidades externas a concepção e a produção dos seus impressionantes motores a combustão, dos V6 aos V12, não foi com a chegada dos veículos eléctricos que a marca abriu mão deste princípio. Daí que, recorrendo aos ensinamentos recolhidos na produção dos motores eléctricos que usa na F1, o construtor transalpino tenha conseguido produzir unidades pequenas mas extremamente eficazes, com a capacidade de girar a 25.500 rpm (os motores da frente) ou a 30.000 rpm (os instalados no eixo traseiro). E porque perseguiram simultaneamente uma redução do peso e um incremento da eficiência, os italianos conceberam inversores também mais pequenos e leves, bem como o Ferrari Power Pack, que controla a conversão da energia em corrente contínua (DC) armazenada na bateria, em corrente alternada (AC) pronta a ser utilizada nos motores, para depois realizar a operação inversa quando é altura de guardar no acumulador a energia gerada pelo sistema de regeneração, durante as travagens e desacelerações. As melhores baterias do mercado, afirma a Ferrari Outro dos trunfos mais importantes do Elettrica está na bateria que, ainda antes de se começar a discutir a química utilizada ou a capacidade e respectiva autonomia, começa desde logo a merecer o aplauso dos potenciais clientes. E duplamente, uma vez que não só permitiu baixar o centro de gravidade em 8 cm, face a um modelo similar com motor de combustão, como assegurou um magro incremento do peso tendo em conta a capacidade do acumulador, uma vez que o Elettrica vê o peso aumentar apenas em 130 kg face ao seu “irmão” Purosangue a gasolina. Como termo de comparação, é de recordar que o eléctrico Mercedes EQS 450+, que monta uma bateria similar (com 118 kWh de capacidade úteis), acusa mais 420 kg do que o equivalente Classe S com motor a combustão. Apanhado aqui a sair da fábrica em Maranello, o Ferrari Elettrica parece uma berlina mais baixa do que o SUV Purosangue, para oferecer uma performance mais dinâmica e desportiva A Ferrari desenhou o pack de baterias em Maranello e posicionou-o de forma a colocar 47% do peso total a incidir sobre as rodas anteriores, para as traseiras suportarem os restantes 53%, ou seja, muito próximo do equilíbrio ideal. O construtor italiano afirma ainda possuir as baterias mais eficientes do mercado, o que se fica a dever às células adquiridas aos sul-coreanos da SK On (que já fornece os PHEV da Ferrari), que anunciam uma densidade energética de 305 Wh/kg, bem acima das que equipam os Tesla (apontadas até aqui como das mais eficientes), com os mais recentes Model 3 e Model Y a atingirem 270 Wh/kg (as células LG 5M), que deixaram para trás as antigas Panasonic 2170 (com 259 Wh/kg). Ao nível do pack, a bateria do Elettrica anuncia uma densidade de 195 Wh/kg, mais uma vez acima dos 176 Wh/kg das 5M fornecidas à Tesla pela também sul-coreana LG Energy Solutions. As suspensões activas foram herdadas do Ferrari F80 6 fotos Com 15 módulos, cada um com 14 células, o Ferrari possui uma bateria com uma capacidade total de 122 kWh, que é capaz de recarregar com uma potência de 350 kW, também ele um dos melhores valores do mercado, o que é facilitado pelo facto de o construtor transalpino ter equipado o seu modelo com um sistema eléctrico a 800 V. Não foi anunciado o tempo necessário para recarregar a bateria, mas deverá figurar entre os mais céleres para ir de 10% a 80%, com a berlina a anunciar 530 km de autonomia, valor inferior ao reivindicado pelo Mercedes EQS 450+ (que anuncia 799 km), o que pode ser explicado pelo facto de possuir quatro motores que ultrapassam 1000 cv, face aos 360 cv do EQS. Contudo, o Elettrica terá de se aplicar para defender o pedigree da marca junto dos condutores de outras berlinas eléctricas com mais de 1000 cv, como o Tesla Model S Plaid (1020 cv e 100 kWh, com 600 km de autonomia) ou o Porsche Taycan Turbo GT (1033 cv e 97 kWh, com 555 km), o primeiro a anunciar 322 km/h de velocidade máxima, 0-100 km/h em 2,3 segundos e um peso de 2265 kg, enquanto o segundo fica um pouco mais atrás, com 290 km/h, 2,3 segundos e 2365 kg de peso, valores que ameaçam o Elettrica. Suspensões activas do Elettrica herdadas do Ferrari F80 Depois de assegurar que o Elettrica tinha a potência necessária, a Ferrari tratou de dotar o seu primeiro eléctrico com trunfos que lhe permitissem respeitar os pergaminhos do construtor em matéria de dinamismo e, sobretudo, comportamento desportivo. Para que o Elettrica estivesse à altura das expectativas dos clientes mais exigentes, a marca foi buscar a suspensão adaptativa a modelos como o Ferrari F80, um “monstro” híbrido com 1200 cv, animado por um 3.0 V6 biturbo com 900 cv, o qual é reforçado com três unidades eléctricas para atingir 350 km/h de velocidade de ponta e os 100 km/h em somente 2,15 segundos. A suspensão activa ao serviço do Elettrica representa, ainda assim, uma notável evolução face ao F80, compensando mais rapidamente o mergulho da frente nas travagens, a transferência de massas para trás durante as acelerações e, sobretudo, a inclinação da carroçaria em curva, o que prejudica o comportamento e o prazer de condução em utilização desportiva. As principais evoluções consistem na redução do peso em 2 kg e na adopção de um novo motor eléctrico associado a um sem-fim com maior passo, para melhor absorver as irregularidades, conseguindo adaptar de forma diferenciada a dureza da suspensão em cada uma das rodas, separadamente. Som do eléctrico que substitui o roncar do V12 convence? A potência dos quatro motores é modulada individualmente e a cada momento, com o Elettrica a disponibilizar cinco níveis de potência e de binário, permitindo ao condutor adaptar a berlina eléctrica a cada situação e tipo de condução, de “Molhado” a “Sport”, dois dos três modos de condução. O modelo permite ainda regulações adicionais através do tradicional Manettino ,colocado à direita no volante, que agora é completado por um eManettino (à esquerda), que gere as regulações relacionadas com a energia, inclusivamente optando por usufruir de tracção às quatro rodas, activando os quatro motores, ou apenas atrás, desligando as duas unidades da frente. Para facilitar o “desmame” do vício que os exuberantes motores da Ferrari provocam junto dos potenciais clientes, sejam eles V6, V8 ou V12, o construtor desenvolveu um ruído artificial capaz de emocionar quem vai a bordo, ao volante ou não. De acordo com a marca, o objectivo não passa por sintetizar o roncar de um motor a combustão de Maranello e modelá-lo consoante o ritmo de condução e a pressão no acelerador. Em vez disso, à semelhança de outros construtores de veículos eléctricos antes dela, a Ferrari optou por colocar sensores no eixo traseiro que registam a frequência dos motores, que depois é ampliada e projectada como acontece com o som gerado por uma guitarra eléctrica, por exemplo. O ruído do Elettrica dificilmente conseguirá fazer esquecer o roncar brutal dos V12 e, decididamente, nunca produzirá o mesmo nível de vibrações, mas se o modelo alimentado por bateria e movido por silenciosas unidades eléctricas for mais rápido, mais eficaz e proporcionar mais gozo na condução, não faltarão os clientes que lhe perdoarão esta falha menor. As duas próximas revelações do Elettrica vão ter lugar no primeiro e segundo trimestres de 2026, com a apresentação formal do modelo a estar prevista para a segunda metade do ano. Até lá, só podemos imaginar como será por dentro e tentar adivinhar o preço deste que será o primeiro modelo exclusivamente a bateria com o emblema da marca criada em 1939 por Enzo Ferrari. Mas o melhor é começar já a preparar cerca de meio milhão de euros, o que, ainda assim, sempre ficaria abaixo do exigido em troca de um Purosangue. O eixo dianteiro monta dois motores e um inversor que pesa apenas 9 kg A gestão é realizada pelo Ferrari Power Pack As suspensões activas foram herdadas do Ferrari F80 Suspensão dianteira Eixo dianteiro Eixo traseiro Eixo traseiro Eixo traseiro Alfredo Lavrador