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AUDI A6 AVANT ELÉTRICA FAZ MAIS DE 600 KM MAS TEM UM GRANDE CONTRA

Razão Automóvel Online

2025-10-13 21:03:31

Eletrificar um modelo com o currículo do Audi A6 não é tarefa fácil, mas não foi isso que aferi depois de alguns dias com o A6 Avant e-tron. Audi A6 Avant e-tron performance S-Line 8/10 O Audi A6 Avant e-tron abre um novo capítulo na história do modelo, mas terá argumentos para honrar o nome que carrega? Prós AutonomiaCondução / comportamentoTecnologiaFaróis LED MatrixSuspensão pneumática Contras PreçoRetrovisores virtuaisAlguns acabamentos interioresQuantidade e preço dos opcionais Esta nova geração do Audi A6 não é apenas uma evolução da anterior: representa um novo capítulo na história daquele que tem sido um dos baluartes da classe executiva há mais de 30 anos. Num momento em que a indústria automóvel atravessa a sua maior transformação de sempre, o A6 adaptou-se às novas exigências e, pela primeira vez, está disponível como 100% elétrico: o A6 e-tron. Não é apenas uma nova versão. É uma proposta distinta do A6 a combustão - que também recebeu uma nova geração recentemente -, com direito a plataforma própria e que lhe confere atributos únicos: por exemplo, este é o primeiro A6 de sempre com tração traseira. © Miguel Nascimento / Razão Automóvel Eletrificar um modelo com um currículo como o do Audi A6, porém, não é fácil. É que os elétricos, pela própria natureza das suas cadeias cinemáticas, pouco diferem entre si, partilhando um caráter unidimensional. Por isso, não basta carregar o nome. Tem de ter um conjunto de argumentos que vão ao encontro das expectativas que recaem sobre este. Nesse sentido, a Audi juntou-se a uma velha amiga, cujo nome começa por “Por” e acaba em “sche”. Chegaram lá? Porque é da Porsche que estamos a falar Será o suficiente para o A6 e-tron se destacar no segmento? Os cinco dias que passei aos comandos desta carrinha elétrica - a primeira da Audi - serviram para encontrar todas as respostas. Uma carrinha ou uma nave espacial ? E como em qualquer primeiro encontro, as primeiras impressões contam muito. No caso do Audi A6 Avant e-tron, é motivo para dizer que foi amor à primeira vista , muito por culpa do pacote S-Line e das enormes jantes de 21?, coabitadas por maxilas vermelhas, que lhe conferiam um visual (ainda) mais desportivo. Ainda assim, uma dose extra de agressividade que não compromete a aerodinâmica - no caso da berlina, é o Audi com menor resistência aerodinâmica de sempre, mas a Avant não fica muito atrás -, e a unidade ensaiada reunia mais um trunfo : retrovisores digitais. Um opcional que acabei por achar dispensável, mas que ajuda a reduzir a resistência ao ar. E é olhando para o exterior que surge a sensação de estarmos perante algo quase extra-terrestre . A baixa altura ao solo, as linhas vincadas, os detalhes em preto brilhante e até o som grave emitido a baixas velocidades conferem-lhe uma aura futurista - mais próxima de uma nave espacial do que de uma carrinha tradicional. E a reação de quem se cruzava com ela confirmava-o: o A6 Avant e-tron chama a atenção por onde quer que passe, mesmo de quem pouco ou nada se interessa por automóveis. Tecnologia a mais? Possivelmente Entrando para o interior do A6, não há dúvidas de que estamos num automóvel moderno. O habitáculo é invadido por ecrãs espalhados um pouco por toda a parte, numa dose que, na minha opinião, até prejudica a experiência de utilização. Mas se ao painel de instrumentos digital (11,9?) e ao sistema de infoentretenimento (14,5?) nos habituamos rapidamente, o mesmo não posso dizer sobre os retrovisores digitais (opcionais). A esse respeito, digo que em equipa que ganha não se mexe . Se no dia a dia é possível conviver com este sistema, é nas manobras mais apertadas e de estacionamento que se revelam uma das suas principais limitações: não temos noção de profundidade, o que torna difícil perceber a que distância estamos dos objetos circundantes. Mesmo em estrada, há momentos em que ficamos sem plena perceção do quão perto - ou longe - estão os veículos ao nosso redor, sobretudo nos ângulos mortos. Sportback e Avant têm o mesmo espaço De resto, é muito fácil encontrar uma boa posição de condução. Os ajustes elétricos dos bancos são amplos e precisos, tal como os do volante, que apesar de ter o topo e a base cortados, mostrou-se ergonómico e fácil de operar. Quanto à qualidade dos materiais, confesso que esperava um pouco mais de atenção ao detalhe. Embora a montagem seja sólida, livre de ruídos parasitas e, num plano geral, bem conseguida, há propostas de preço inferior que fazem melhor. Veja-se o caso da Volkswagen Passat que testámos recentemente: custando sensivelmente metade, apresentava alguns acabamentos mais cuidados, como o revestimento em alcatifa nos compartimentos das portas - um pormenor que não consta neste A6. Quanto ao espaço, se normalmente associamos as carrinhas a propostas mais espaçosas, saiba que escolher entre este formato e o A6 Sportback é apenas uma opção de estilo. Isto, porque ambos oferecem a mesma bagageira: 502 litros, aos quais se juntam mais 27 litros num compartimento dianteiro (frunk). Não anda, desliza Mas se há pormenores que não esperava encontrar num modelo com este estatuto e preço, basta percorrer alguns quilómetros para que tudo isso perca relevância. É surpreendente a forma como o Audi A6 Avant e-tron faz tudo parecer fácil, tal é a suavidade com que tudo se desenrola nas nossas mãos. Além de incrivelmente precisa, a direção é comunicativa q.b e os travões, que em muitos elétricos se revelam difíceis de decifrar, reagem com naturalidade e consistência. E a suspensão bem, sendo pneumática, dispensa apresentações: transforma cada estrada num exercício de serenidade, mesmo com jantes enormes de 21? calçadas . © Miguel Nascimento / Razão Automóvel As jantes de 21? contribuem definitivamente para o visual desportivo deste modelo, mas podem prejudicar o conforto. Apesar de a suspensão pneumática fazer um ótimo trabalho em suavizar todas as irregularidades da estrada, ainda não faz milagres. Mas essa serenidade não desaparece quando o ritmo aumenta, e é aqui que os genes Porsche na plataforma PPE (Premium Platform Electric) mais se fazem sentir. Quando enfrentamos as curvas com mais convicção, o A6 mostra uma compostura notável, mantendo-se estável, previsível e surpreendentemente ágil para um modelo cujo peso supera as duas toneladas. Para isso muito contribui a suspensão pneumática, que gere o peso com mestria, alterando o amortecimento ou a altura ao solo sempre que o modo de condução e a velocidade o exige. Não se deixe enganar pela designação “performance” desta unidade. Não é um desportivo. A designação é uma referência à bateria de maior capacidade: 100 kWh (94,9 kWh úteis) ao invés de 83 kWh (75,8 kWh) da versão normal . Esta alimenta um motor elétrico com 270 kW (367 cv) e 565 Nm, montado no eixo traseiro. Números que permitem uma aceleração imediata que é, como em qualquer elétrico, viciante. Mas o que mais surpreende é o controlo com que tudo acontece, como se espera de um Audi. Mais de 600 km são possíveis Abrandando o ritmo, outro dos grandes argumentos do Audi A6 Avant e-tron performance diz respeito à autonomia que, em comparação com os rivais Mercedes-Benz EQE e BMW i5, anuncia mais 16 km e 78 km, respetivamente, para um total de 705 km entre carregamentos (WLTP). A autonomia da unidade ensaiada, porém, é prejudicada pelas jantes de grandes dimensões. Embora lhe confiram um visual bastante apelativo, reduzem este valor para 656 km em ciclo combinado (WLTP). Ainda assim, um valor bastante realista. © Miguel Nascimento / Razão Automóvel Potências de carregamento de até 270 kW, em corrente contínua (DC). Permite elevar a carga dos 10% aos 80% em apenas 21 minutos. Durante o ensaio, os consumos estabilizaram nos 15,6 kWh/100 km, um valor francamente bom para uma carrinha deste porte, e que muito se deve à aerodinâmica apurada, à eficiência do sistema elétrico e aos vários níveis de regeneração, que nos permitem conduzir recorrendo apenas ao pedal do acelerador. Na prática, isto traduz-se numa autonomia real que pode superar os 600 km, o que coloca o A6 e-tron entre as propostas mais equilibradas do segmento, capaz de viajar longas distâncias sem exigir grande planeamento. Quanto custa? O Audi A6 Avant e-tron está disponível a partir de 68 678 euros, um valor ligeiramente abaixo dos seus principais rivais. Mas na versão performance, como a unidade testada, o preço sobe para os 76 869 euros. Como é habitual nas marcas alemãs, as listas de opcionais podem ser extensas (e dispendiosas), e o A6 não é exceção. A unidade ensaiada incluía muitos, alguns dos quais, na minha opinião, pouco acrescentavam à experiência de condição. Veja-se os retrovisores digitais ou as jantes de 21?. Tudo somado, são mais de 35 mil euros em extras, com o preço a ficar acima dos 112 mil euros. Por mais competente que o conjunto seja - porque é -, é um valor difícil de digerir. © Miguel Nascimento / Razão Automóvel No final, não me restaram dúvidas de que a eletrificação pode coexistir com o carácter que sempre definiu o A6, e de que é capaz de carregar a história de décadas desta nomenclatura para o futuro. Conforto, estabilidade e sensação de confiança que sempre definiram este modelo continuam lá, mas agora com ainda mais silêncio, eficiência e tecnologia. Ainda assim, há espaço para afinar pormenores: a perceção de qualidade interior podia estar um degrau acima e o preço, inevitavelmente elevado, coloca-o num patamar de exigência que nem todos estarão dispostos a pagar. Audi A6 Avant e-tron performance S-Line 8/10 O Audi A6 Avant e-tron prova que a eletrificação não significa perda de identidade. Continua a ser fiel à filosofia que sempre distinguiu o A6 e um excelente executivo estradista: desempenho, eficiência e conforto estão em equilíbrio quase perfeito. Contudo, o preço elevado (contando com os muitos extras) e uma perceção de qualidade que podia estar um degrau acima impedem-no de alcançar a perfeição. Prós AutonomiaCondução / comportamentoTecnologiaFaróis LED MatrixSuspensão pneumática Contras PreçoRetrovisores virtuaisAlguns acabamentos interioresQuantidade e preço dos opcionais Especificações técnicas Versão base:76.869EUR Classificação Euro NCAP: 5/5 112.337EUR Preço unidade ensaiada Motor Arquitectura:Motor elétrico assíncrono Posição: Traseiro, transversal Carregamento: Bateria de 100 kWh (94,9 kWh úteis) Potência: 270 kW (367 cv) Binário: 565 Nm Transmissão Tracção: Traseira Caixa de velocidades: Relação única Capacidade e dimensões Comprimento: 4928 mm Largura: 1923 mm Altura: 1493 mm Distância entre os eixos: 2950 mm Bagageira: 502-1422 litros Peso: 2260 kg Consumo e Performance Média de consumo: 14,8-17 kWh/100 km; Autonomia: 627-720 km Velocidade máxima: 210 km/h Aceleração máxima: 5,4s Equipamentos Tem: Jantes de 19?Sistema de som Bang & Olufsen 3D Sound Bancos dianteiros e traseiros aquecidosHead-up display com realidade aumentadaTeto panorâmico com transparência comutávelEspelhos retrovisores exteriores virtuaisFaróis LED plusLuzes traseiras OLED digitaisVidros traseiros escurecidosPacote de iluminação ambiente plusSistema de travagem com pinças de travão em vermelho Miguel Nascimento