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60 ANOS DE EXPERIÊNCIA - COMERCIAIS COM HISTÓRIA

Eurotransporte

2025-10-13 21:05:28

Pela primeira vez, a Renault abriu as portas da fábrica de Villiers-Saint-Frédéric (VSF), em França, aos jornalistas, dando a conhecer a unidade dedicada à investigação e desenvolvimento de veículos comerciais Ligeiros. Na celebração dos 60 anos da fábrica, pudemos visitar o espaço, perceber como funciona a estrutura, assistir aos testes intensivos a que os veículos são sujeitos e conduzir alguns dos modelos mais icónicos da história dos furgões da Renault. Fabricante de veículos comerciais há 125 anos, a Renault conta desde 1965 com uma unidade dedicada ao desenvolvimento de furgões, que celebrou o sexagésimo aniversário abrindo as portas, de forma inédita, à imprensa. O centro em Villiers-Saint-Frédéric tem 15 hectares e emprega atualmente cerca de 1000 pessoas, dos quais mais de metade são colaboradores permanentes, que têm desempenhado um papel crucial na evolução dos VCL elétricos. Note-se que, em 2011, a Renault lançava o Kangoo Z.E, que viria a ser o primeiro veículo totalmente elétrico a ganhar o título de International Van Of The Year (IVOTY), criando assim o segmento de furgões/ veículos totalmente elétricos. Em 2017,6 O Master criou o segmento dos furgões de grandes dimensões totalmente elétricos, ao qual se juntou mais tarde o Trafic nos furgões médios totalmente elétricos, confirmando a sólida experiência dos especialistas da Renault em VCL e VCL elétricos. ABORDAGEM PRAGMaTICA A fábrica de VSF divide-se em seis áreas-chave de especialização na investigação e desenvolvimento de veículos comerciais ligeiros, que são: Instalações para ensaios, bancos de teste, oficinas, acústica; Protótipos; areas de estudo de motores e bancos de ensaio, Avaliações competitivas de qualidade, Estudos de engenharia e a Oficina phygital. Vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, durante todo o ano, são realizados neste local mais de 80 tipos de testes de ensaio, por meio de 2000 sensores e sistemas de medição, que envolvem 80 engenheiros e técnicos, reproduzindo as condições de utilização mais exigentes, de forma a garantir que os veículos comerciais ligeiros ali produzidos são robustos, fiáveis, eficientes e resistentes. Desde há 60 anos, que a Renault conta, em VSF, com um centro de especialização em Fiabilidade-Durabilidade e, nos últimos cinco anos, implementou um programa estruturado, com mais de 200 peças identificadas como potenciais fontes de incidentes, que são rigorosamente observadas para prevenir avarias. Em apenas 18 meses, graças à realização de testes intensivos e acelerados, é possível reproduzir até 400.000 km OU 20 anos de utilização, para assegurar a resistência dos veículos. Só a título de exemplo, são feitas 900 mil aberturas e fechos de portas, 450 mil entradas e saídas para o banco do condutor e simulada uma quilometragem que pode in até 120 mil km por ano. São também efetuados testes acústicos para otimizar o ambiente sonoro dos furgões ao longo do seu ciclo de vida, para garantir que o conforto acústico percebido pelos clientes estã em conformidade com as expetativas (ruído de rolamento, aeroacústica, ruído da ventilação). Só em 2024, foram realizadas cerca de 200 campanhas de medição e anvalmente são levadas a cabo cerca de dez sessões de teste em túneis aerodinâmicos aeroacústicos, todos os anos, com uma câmara semi-anecoica para veículos maiores. A Eurotransporte visitou os vários espaços dos bancos de testes, que funcionam ininterruptamente, conhecendo ainda o centro Phygital, que visa acelerar o de-senvolvimento dos VCL, numa abordagem que permite, em simulação, visualizar uma maquete 3D do carro em óculos de realidade virtual, onde está acoplado o software futuro do veículo e é possível reproduzir a jornada habitual do condutor, como parte de uma experiência imersiva completa. A interação entre a maquete virtual e as partes da maquete física, permite à Renault testar diferentes opções e comparar escolhas técnicas para criar a melhor experiência para o cliente. OFERTA ATUAL Para dar resposta aos utilizadores empresariais, a oferta tem de ser variada e personalizável, podendo in dos 3,3 m3 a mais de 20 m3, de furgões a cabinas com plataforma e chassis-cabina, com até quatro comprimentos diferentes e três alturas distintas, dependendo do modelo, sem mencionar as opções de motorização e transmissão e uma vasta gama de portas e áreas vidradas. Só no caso do Renault Master, entre variantes ICE e elétricas, o modelo está disponível em 450 versões. Ainda assim, de forma a cumprir as expetativas de todos os intervenientes, a gama está preparada para ser personalizada em diferentes transformações, quer seja na oferta “Converted by Renault”, com modificações realizadas diretamente na linha de montagem; nas oficinas Qstomize, localizadas no final da linha, em cada fábrica da Renault, que permitem realizar transformações mais extensas, reduzindo os prazos de entrega OU ainda na rede de mais de 300 carroçadores aprovadas, oferecendo um número infinito de soluções aos clientes. UMA VIAGEM NO TEMPO Após a visita à fabrica, a apresentação terminou com uma verdadeira viagem no tempo, conduzindo diversos modelos icónicos da história dos veículos comerciais da Renault, que continuam operacionais. A Estafette, a Goelette são nomes que regressam à gama da Renault já em 2026, recuperados de antigos modelos que marcaram o percurso da marca francesa no que aos VCL diz respeito. Em Villiers-Saint-Frédéric pudemos ver as versões originais das Estafette e Goelette, em diversas transformações, quer fossem furgões, microbus, veículos que pertenceram à Guarda francesa, bem como um Juvaquattre OU um R4F4. VCL Renault . [ 125 anos de experiência . 2 R&D (França e Latam especializada em pick-up) | + de 300 carroçadores certificados (Converted by Renault) | 6 fábricas (3 em França, Marrocos, Argentina e Brasil 600 centros Renault Pro+ “70% do nosso budget é gasto a cumprir regulamentos” Jean-François Vial, Diretor do Programa de VCL da Renault, está hã cinco anos na área dos comerciais ligeiros e reconhece que em Villiers-Saint-Frédéric se tem “outro espírito. Estamos concentrados nas necessidades dos clientes profissionais, que são muito exigentes. Trabalhamos em parceria com as grandes frotas e ao desenvolver cada novo veiculo, questionamos o que lhes parece adequado, o que devemos colocar e retirar da cabine”, explicou. o responsãvel fez uma apresentação da fábrica e explicou aos jornalistas que, atualmente, um dos grandes desafios da indústria ê o cumprimento dos regulamentos cada vez mais apertados: “Lembro-me que há 15 anos estávamos mais preocupados com a evolução do produto do que com as regulamentações Hoje, 70% do nosso budget ê gasto a cumprir regulamentos. ? um pesadelol Todos os anos temos de mudar e não ê apenas fazer alterações num modelo, temos de alterar a famõlia toda do produto, o que resulta em centenas de variantes impactadas. O Ultimo foi O Van Euro NCAP. Não ê uma regulamentação, mas se não o seguirmos, estaremos fora do mercado”, lamenta, assumindo que estes são desenvolvimentos que acabam por fazer encarecen os veículos: “o GSR2B (General Safety Regulation 2B), impõe sistemas ADAS no veículo, mas se perguntarmos ao cliente, ele não quer saber acaba por desliga-los. Mas temos de os colocar no veiculo, tanto os sensores, como os radares, o que aumenta o cUsto do veículo” diz o diretor. De forma a baixar o TCO, a Renault apostou então num trabalho de análise da utilização em entregas de última milha para a nova Traffic E-Tech, a Goelette e criou “um procedimento em que, carregando apenas num «botão mágico», se ativa uma rotina específica para a entrega e que permite poupar tempo ao motorista e tempo é dinheiro”, afirma. Neste momento, a gama de comerciais da Renault estã preparada para atender todos os pedidos dos clientes, quer sejam veículos com motor de combustão interna OU elétricos, com o trabalho atual da marca a passar por “tornar oS BEV competitivos”, diz Jean-François Vial, que esclarece que “a nova Master E-Tech e o novo Kangoo já são veículos elétricos nativos e estão totalmente integrados. Também no caso da Trafic E-Tech, a plataforma serã completamente nativa para veículo elétrico e serã uma plataforma flexível”. A seu ver, “vai demorar algum tempo a mudar mentalidades e a alterar o consumo por parte do cliente. Para alguns clientes que percorrem grandes distãncias, isto ê um problema, pois não podemos por uma grande bateria, para fazerem 800km, porque depois perde-se a capacidade de carga. Ou então é preciso ter carta de pesados, porque fica muito pesado. ? sempre uma Limitação”, finaliza. CÁTIA MOGO