NAVIGATOR: 327 EUROS. LISNAVE: 30 EUROS. OS DIVIDENDOS INSÓLITOS PAGOS AO ESTADO
2025-10-13 21:05:59

Das mais de 100 participações do Estado, poucas dão lugar a dividendos. E entre estas há casos surpreendentes. Na lista de empresas nas quais o Estado mantém participações , tema de debate político e promessas de revisão por parte do Governo , apenas uma pequena parte entrega dividendos aos cofres públicos. E há vários casos que surpreendem , nuns casos pela origem, noutros pelos valores, noutros ainda por ambos. Os dividendos recebidos pelo Estado no primeiro semestre de 2025 atingiram 692 milhões de euros (com a vasta maioria, 672 milhões, a serem garantidos pela Caixa Geral de Depósitos). O Novo Banco pagou 20 milhões. São dados do Orçamento do Estado para 2026. 0,0001Navigator O Estado tem no capital da Navigator uma participação de 0,0001% que quer vender. Mas houve outras fontes de receita que podem surpreender. É que não é invulgar os mapas de dividendos do Setor Empresarial do Estado (SEE) terem dados inesperados e este não é exceção. A Navigator - na qual o Estado tem uma participação de 0,0001% que quer vender - rendeu o valor irrisório de 187 euros (assim mesmo, sem milhares nem milhões). A Lisnave, por seu turno, entregou 30 euros , o equivalente ao valor das seis ações detidas pelos contribuintes, no valor de cinco euros cada. Na lista surge também a Climaeespaço - uma empresa de prestação de serviços na área da energia para climatização controlada a 90% pela Engie e na qual os contribuintes, através da Direção Geral do Tesouro e Finanças, têm 3,64%. Entregou 49 mil euros. No segundo semestre, a empresa cujas origens remontam à Expo 98 já não vai entregar qualquer valor. Navigator entrega mais 140 euros até dezembro A quase totalidade dos dividendos ao Estado neste ano já foram pagos , essas transferências foram feitas no primeiro semestre. Mas até dezembro o Tesouro ainda vai encaixar, por esta via, quase 12 milhões de euros. A maior fatia (perto de 9 milhões de euros) será entregue pela própria Parpública, a entidade que gere as participações púbicas. O Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) entregará 1,8 milhões. A Parques de Sintra - Monte da Lua vai transferir 900 mil euros. A Administração do Porto de Leixões garantirá 142.500 euros. A Mobi.E, entidade gestora da rede de mobilidade elétrica, vai transferir 40 mil euros. A Navigator entra novamente na lista: entregará 140 euros. Lista em revisão. Objetivo: vender Em 2024 o Ministério das Finanças criou um grupo de trabalho, liderado pelo vice-presidente da Parpública, João Pinhão, para rever a carteira de participações do Estado, com o objetivo de alienar as que forem consideradas não estratégicas. O relatório desse grupo de trabalho foi entregue ao Executivo nessa altura. O Governo não reportou, no entanto, qualquer evolução neste dossier, e a proposta de Orçamento do Estado para 2026 também não refere alterações. A lista de participações inclui uma uma metalúrgica especializada em alumínio e um matadouro, entre muitas outras. No final do primeiro semestre de 2025, o Estado detinha 104 participações em empresas de múltiplos setores, da saúde aos transportes, passando pela comunicação social e infraestruturas. Além de participações relevantes em empresas estratégicas (como a CGD, a NAV, a IP, a agência Lusa, administrações de portos ou unidades de saúde), a lista inclui empresas como a Fundínio (uma metalúrgica especializada em alumínio), a Fosforeira Portuguesa, o Matadouro Regional do Barroso e Alto Tâmega ou a Cooperativa Cultural Recreativa de Gafanha da Nazaré. A coleção de participações já incluiu outros casos como o da Uniténis - Sociedade de Empreendimentos de Ténis. Em 2024 a Parpública vendeu à Clube VII a participação de 0,02% que tinha na empresa. Recebeu 149,95 euros. Hugo Neutel hugoneutel@negocios.pt Hugo Neutel