AUTÁRQUICAS - MONTENEGRO FIRME, CARNEIRO RESPIRA E CHEGA É VENTURA
2025-10-14 05:00:05

A “grande derrota” do Chega está a ser muito exagerada A força que o Chega obteve em vários concelhos pode torná-lo fulcral para as maiorias absolutas e o partido passa a ter uma palavra a dizer na governação autárquica Face às expectativas, as autárquicas correram mal ao Chega. O Chega tornou-se o segundo partido há cinco meses, nas eleições legislativas, e André Ventura chegou a pôr como fasquia para estas autárquicas a conquista de 30 câmaras. Nada disto aconteceu: o Chega só conseguiu a presidência de três câmaras (Albufeira, Entroncamento e São Vicente, na Madeira). Mesmo assim, o resultado final do Chega demonstra uma enorme subida do partido a nível autárquico em apenas quatro anos. Em 2021, o Chega elegeu 19 vereadores e teve pouco mais de 200 mil votos, metade do que tinha conseguido a CDU. Agora, o número de vereadores eleitos pelo Chega disparou para 137 e os resultados finais do partido são mais do dobro da CDU em votos. Mais importante é a força que o Chega obteve em vários concelhos, o que pode tornar os seus vereadores fundamentais para a constituição de maiorias absolutas, de maneira a ser possível aprovar orçamentos e outras medidas relevantes. Passa, assim, a ter uma palavra decisiva na governação das câmaras. Desde já, o Chega torna-se decisivo nas câmaras de Lisboa e do Porto que as coligações de direita venceram sem maioria absoluta. Tanto Carlos Moedas como Pedro Duarte já encararam a hipótese de “falar com todos”. Pedro Duarte não excluiu fazer acordos proposta a proposta com o Chega. Com o PS na oposição, os dois vereadores eleitos pelo Chega podem ser fundamentais para aprovar as propostas de Carlos Moedas. Marco Almeida, o novo presidente da Câmara de Sintra, tem o mesmo número de vereadores que a coligação liderada pela socialista Ana Mendes Godinho quatro. Juntamse os três conquistados pelo Chega, que candidatou Rita Matias. Em Sintra, também pode ser o Chega a dar a maioria a Marco Almeida. Que na noite de domingo, disse: “Vejo que o Chega e o PS elegeram vereadores e, por isso, têm o testemunho dos sintrenses. Não vou distinguir por partidos, mas por pessoas e competência.” Em Sesimbra, uma câmara que a CDU acabou por vencer por mais 167 votos que o Chega, os dois partidos elegeram o mesmo número de vereadores. O PS ficou em terceiro, ligeiramente abaixo, mas também a conseguir eleger dois vereadores, enquanto a coligação PSD/CDS elegeu um. Montijo foi outro caso em que o Chega esteve até quase ao fim da contagem a disputar a presidência da câmara, tendo acabado por perder para um grupo de independentes por cerca de 600 votos e fechando a noite com 24,79%. Enquanto o movimento independente elegeu três vereadores, o Chega elegeu dois, ficando acima do PS e da coligação PSD/Iniciativa Liberal, que só conseguiram eleger um vereador cada. Num concelho como o Montijo, que fazia parte da outrora chamada “comuna de Lisboa” (nome dado aos concelhos à volta da capital que eram dominados, na sua maioria, pelo Partido Comunista nos anos a seguir ao 25 de Abril), a CDU, com 7,18%, não elegeu nenhum vereador. Em 1980, nas eleições legislativas, o PCP, através da coligação daquele tempo, tinha sido o partido mais votado, com 37,89%. Em 1995, tinha caído para o terceiro lugar, com 18,41%. O concelho da Moita (que no passado também fazia parte da “comuna de Lisboa” e foi governado pela CDU até 2013) é outro exemplo simi-lar. O PS venceu a Câmara da Moita com 35,60% dos votos, mas o Chega ficou em segundo (24,70%) praticamente empatado com a CDU (24,51%). Aqui, no PSD, quase ninguém vota 8,07%. “O Partido Socialista voltou” nestas autárquicas, anunciou José Luís Carneiro na noite eleitoral. Para o secretário-geral, não se confirmaram as piores expectativas de quem previa uma “erosão eleitoral” do PS e que o futuro do PS português seria “igual ao do PS francês”. Acontece que, ainda que a noite tenha trazido algum consolo à direcção e ao eleitorado socialista, a utilização do exemplo do PS francês não é a mais eufórica para as ambições futuras dos socialistas portugueses: é que o PS francês continua a ser um grande partido autárquico (a socialista Anne Hidalgo governa a Câmara de Paris), mas tornou-se irrelevante nas eleições nacionais. Pela primeira vez, o PS conquistou Viseu, o distrito que ganhou o nome de “cavaquistão” uma alusão ao antigo primeiro-ministro Cavaco Silva pelofactodeacâmaraestarnas mãos do PSD desde 1976. O autor da mudança é o socialista João Azevedo, que faz parte do secretariado nacional do PS. Azevedo ganhou a Câmara de Viseu, mas não aumentou os quatro mandatos conquistados pelo PS há quatro anos. O PSD perdeu um dos mandatos e fica com o mesmo número de vereadores no executivo camarário do que o PS. O Chega, o terceiro partido no concelho, elegeu pela primeira vez um vereador.com quem vai João Azevedo negociar as suas propostas? José Luís Carneiro fez os autarcas do PS comprometerem-se a não fazer alianças com o Chega. Mas, num debate na Rádio Observador, João Azevedo não descartou dialogar com o Chega. Não colocou as linhas vermelhas que a direcção do partido impôs e disse que faria acordos “com quem vier por bem”. É aguardar. Líderes pós-eleições Montenegro firme, Carneiro respira, Chega é Ventura Filipe Santa-Bárbara Resultados das autárquicas mexem de forma diferente com os líderes. Montenegro é o único que tem razões para sorrir em pleno Quando falou pela primeira vez aos jornalistas, Luís Montenegro já teria na sua posse alguns dos dados das projecções à boca das urnas. Não era nunca são uma bola de cristal, mas o primeiro-ministro já ia dizendo para todo o país ouvir que não se ia demitir, “de certeza”, fossem quais fossem os resultados da noite. “Podem já tirar esse cavalinho da chuva”, dizia à entrada da sede do PSD no Porto. A confiança foi sendo reforçada à medida que a madrugada ia chegando, com uma vitória em toda a linha, que não belisca em nada a liderança de Montenegro, bem pelo contrário. Já quanto aos “cavalinhos” de outras forças partidárias, a coisa muda de figura pelo menos, na percepção pública. Se a oposição interna é inexistente nos dias que correm, é agora mais difícil vislumbrar vozes a levantaremse para criticar o que quer que seja na gestão social-democrata. Não é impossível, mas é muito difícil. A excepção poderia ser Passos Coelho que, nesta campanha, fez questão de aparecer várias vezes. E falar. Desde o fim de Setembro que todas as semanas tem estado no espaço público. Começou por apresentar um livro e considerar que a estabilidade se alcança com “força moral” e com saber “conquistar as pessoas” para as mudanças que são necessárias. Mais: a estratégia de “chutar a bola para a frente e depois vamos ver” pode não ser a mais acertada, defendeu, sem nunca nomear o actual executivo. Depois, vieram as acções de campanha autárquica. Saiu da Brandoa com o cognome de “O Desejado”, sorriu ao ouvi-lo, e defendeu que “o improviso nunca foi bom para quem tivesse de tomar decisões importantes e comprometer o futuro” ou até “todos aqueles que andam nas trincheiras a varrer os que não gostam, a enxotar aqueles que acham que lhes podem trazer problemas, acabam numa trincheira cada vez mais estreita e pequenina”. Recados ou apenas conselhos? Em Sintra, questionado sobre como aconselharia Montenegro a propósito da Spinumviva, disse apenas: “Só costumo dar conselhos a quem mos pede.” Não é o melhor indicador de uma relação saudável, mas se existem voos maiores nos planos de Passos, também eles ficam, para já, limitados com o sucesso de Montenegro. Apesar de ter saído com uma derrota da noite eleitoral, as coisas poderiam ter corrido bem pior ao secretário-geral do PS. Perdeu a liderança da ANMP e da Associação Nacional de Freguesias, não conseguiu vencer Lisboa nem Porto, mas conseguiu capitais de distrito tradicionalmente laranjas: Viseu e Bragança. Somam-se outras autarquias importantes, como Coimbra, Faro ou Évora. Ainda antes de começarem a pingar os primeiros resultados eleitorais, o presidente do PS, Carlos César, parecia já colocar nos ombros de José Luís Carneiro as eventuais responsabilidades da noite: “Todas as derrotas e todas as vitórias são vitórias e derrotas das direcções dos partidos, de todos eles.” No entanto, Carneiro aguentou o baque e a sua liderança não será, para já, beliscada. “O PS voltou como grande partido de alternativa política ao Governo. O PS mostrou vitalidade, os portugueses voltaram a confiar no PS”, disse Carneiro, na assunção da derrota, mas aliviado por não ter sido um resultado na linha do das legislativas. Vitorioso derrotado Ventura No caso do Chega, tudo está relacionado com a gestão de expectativas. Facto um: o partido surpreendeu todos nas legislativas, conseguindo ser a segunda maior força no Parlamento. Facto dois: o ponto de partida para estas autárquicas era muito baixo. Se se pode ler como uma vitória o Chega ter conseguido, pela primeira vez, conquistar presidências de câmara (e segundos lugares em 22 autarquias), não dá para ignorar que a expectativa criada por Ventura era muito maior: 30 municípios. Mas, nas leituras futuras, é preciso perceber quanto do mérito dos resultados autárquicos é dos candidatos e estruturas. Não é um pormenor o facto de a cara de Ventura ter estado de norte a sul em todos os cartazes, mostrando que a força do Chega é a força de Ventura. E vice-versa. À esquerda, a CDU não teve uma boa noite eleitoral: teve o seu pior resultado de sempre. Nas contas finais,ganhouquatrocâmarasemanteve oito, mas perdeu 11 presidências, duas das quais capitais de distrito. Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP, não tapou o sol com a peneira, falou num “resultado negativo”. Mas isso terá implicações? Dificilmente. O comité central reúne-se nesta terça-feira para analisar os resultados, mas as consequências políticas no PCP não são como noutros partidos. Afinal, para o bem ou para o mal, a responsabilidade é do colectivo. Já no Bloco deveriam estar a soar alarmes. Se é certo que o partido foi coligado em muitas autarquias, os resultados foram classificados como “modestos” por Mariana Mortágua, cuja liderança tem sido marcada por maus resultados. Claramente, Mortágua escolheu um eufemismo perante a queda livre a que vem assistindo desde as legislativas: o partido apenas conseguiu eleger uma vereadora em todo o país, no caso, em Lisboa. Em 2021 conseguira quatro vereadores. Análise Sete mapas para medir o pulso destas autárquicas José Volta e Pinto Depois das primeiras impressões, é altura de olhar para outros números e outros mapas Onde é que os partidos perderam uns para os outros e para os independentes? Quem cresceu mais face a 2021? O que muda a limitação de mandatos? E os movimentos de cidadãos são mesmo apartidários? Sete mapas que respondem a estas e outras perguntas. Bipartidarismo ainda domina Na dança das cadeiras autárquicas, 75 municípios viram a sua liderança partidária mudar praticamente um em cada quatro. Sem surpresas, onde reina o bipartidarismo (PS e PSD venceram 85% das corridas municipais), socialistas e sociais-democratas viram o maior número de trocas de liderança. O PS perdeu 24 autarquias para o PSD, recuperando outras nove que incluíram capitais de distrito como Bragança ou Viseu, historicamente associadas aos sociais-democratas. O Chega, estreante nas lides de vitórias autárquicas, “roubou” Albufeira (Faro) e São Vicente (Madeira) ao partido de Montenegro, retirando o Entroncamento (Santarém) ao PS. O partido de José Luís Carneiro também viu nove câmaras conquistadas em 2021 caírem para candidaturas independentes onde se inserem Vizela e Vila Nova de Poiares, com candidatos que em 2021 correram pelos socialistas. O PS travou ainda uma batalha interessante com a CDU. Os comunistas perderam sete autarquias para o PS, conquistando quatro municípios socialistas (mais dois liderados por independentes). Chega cresce nas autarquias Apesar das três presidências de câmaras municipais conquistadas no sufrá- gio de domingo, o Chega terminou a noite com um amargo de boca, assumido pelo próprio líder, André Ventura, que havia apontado à conquista de 30 autarquias. Ainda assim, e pese embora a descida face ao resultado nas legislativas de Maio, o partido foi o que mais cresceu em relação às autárquicas de 2021: elegeu 137 vereadores e 635 deputados municipais. O mapa de Portugal mostra agora um partido que, entre três câmaras e outros 96 municípios em que conseguiu pelo menos um vereador, já chegou a praticamente um terço das autarquias do país isto sem olhar a assembleias municipais e de freguesia. Prova disso é que já não há distritos sem representantes do partido e só quatro capitais de distrito não elegeram um vereador: Guarda, Portalegre, Castelo Branco e Bragança. Olhando ao total acumulado por distritos, Lisboa, Setúbal e Faro, com 24, 20 e 17 vereadores, são as regiões que somam mais vereadores do Chega em sentido contrário, estão Via-na do Castelo, Guarda e Açores, apenas com um vereador cada. Fugas partidárias ajudam independentes a crescer As candidaturas independentes voltaram a ganhar espaço em relação aos partidos. O total de presidências independentes subiu nestas eleições para 20 (oito com maioria absoluta), mais uma do que em 2021. O aumento é pequeno, mas não é um sinal de estagnação: dos 19 independentes eleitos em 2021, só sete conseguiram renovar mandatos entre derrotas eleitorais (como Ílhavo ou a Marinha Grande) e limites de mandatos. As restantes 13 câmaras municipais conquistadas por movimentos independentes constituem novas conquistas. Às 20 autarquias, somam-se ainda 65 vereações, distribuídas por 40 municípios. Dentro destas iniciativas, a maioria dos candidatos é proveniente das esferas partidárias. O fenómeno afectou maioritariamente o PS, com elei-tos em Condeixa-a-Nova, Figueiró dos Vinhos, Montijo, Salvaterra de Magos, Soure, Vila Nova de Poiares e Santa Cruz das Flores (Açores) anteriormente ligados ao partido é também o caso de Victor Hugo Salgado, presidente da Câmara de Vizela que concorreu em nome próprio depois de o PS ter retirado o apoio à sua candidatura devido a um caso de alegada violência doméstica. O PSD também viu alguns dos seus antigos quadros vencer em nome próprio, à semelhança da CDU: Maria das Dores Almeida, antiga presidente comunista, contou com o apoio do PSD e do CDS na vitória em Setúbal; em Santiago do Cacém, um movimento independente apoiado por PS e PSD retirou a câmara à CDU. Abstenção é a mais baixa desde 2005 A taxa de abstenção foi de 40,74% nas autárquicas deste ano, um valor mais de cinco pontos percentuais (p.p.) abaixo da registada em 2021. Depois de, há quatro anos, o país ter ficado pouco abaixo da taxa de abstenção mais alta de sempre (47,4% em 2013), o valor verificado neste domingo significou a afluência às urnas mais alta em eleições autárquicas desde 2005 (39,02%). A nível municipal, as maiores taxas de abstenção são encontradas tendencialmente nos centros urbanos do litoral do país. Embora a taxa mais elevada tenha sido verificada em Ponta Delgada (53,09%). É também no arquipélago açoriano que se encontra o município com a taxa de abstenção mais baixa do país: o Corvo, com apenas 17,59% (em 381 inscritos). 17 autarquias continuam sem mudar de cor A noite de domingo viu cair sete dos 24 bastiões que restavam de 2021 municípios que nunca mudaram de cor partidária na liderança. PS e PSD partiam para estas autárquicas com nove bastiões cada, seguidos da CDU, com seis. Todos perde-ram pelo menos um dos seus municípios históricos: os socialistas viram fugir-lhes Condeixa-a-Nova (para independentes), Lourinhã e Torres Vedras (para o PSD); os sociais-democratas perderam Penedono e Mação (para o PS); e os comunistas deixaram de controlar Santiago do Cacém (independente) e Serpa (PS). Sobram agora 17 bastiões. O PSD garante sete, seguido do PS, com seis, e a CDU, com quatro. Limite de mandatos muda rostos, mas não altera cores Perto de um terço dos municípios (88 de 308) chegou a estas eleições com a garantia de um novo rosto na liderança. Isto porque os autarcas no poder atingiram o limite de três mandatos consecutivos na mesma autarquia. Sem surpresas, estes números são liderados por PS (49 autarcas) e PSD (21), sozinho ou coligado. Apesar das alterações obrigatórias dos cabeças de lista, as votações penderam para os partidos que já se encontravam no poder nestas autarquias: das 88 contabilizadas pelo PÚBLICO, 57 mantiveram-se no partido que já assumia a presidência. Das 31 que mudaram de mãos, 14 caíram para o PSD, sete para o PS e outras sete para independentes. PS e PSD lideram as maiores quedas de votos Os partidos somaram também autênticos trambolhões, com 44 descidas superiores a 15 pontos percentuais desde as autárquicas de 2021. Os socialistas e os sociais-democratas dominam este cálculo: destes 44 registos, 39 pertencem aos dois maiores partidos. O PS regista, aliás, as duas maiores descidas em votações a nível nacional. Caiu 42,98 pontos em Vila Nova de Poiares, de 59,33% em 2021 para 16,35%, por exemplo. Do lado dos sociais-democratas, a maior diferença de resultados face a 2021 verificou-se em São Vicente (Madeira), onde caiu de 70,48% para 38,93% perdendo para o Chega. Contas finais PSD dispara, Chega cresce, PS recua e CDU segue em perda PSD com ganhos em toda a linha, Chega elegeu em todos os distritos. Número de eleitos do PS encolheu em todos os órgãos PSD: mais câmaras, freguesias e mandatos Seja qual for a perspectiva, o saldo da noite eleitoral só permite uma leitura vitoriosa da implantação do PSD no território. Feitas as contas, face a 2021, os sociais-democratas conseguiram mais câmaras, mais maiorias absolutas, mais mandatos, mais deputados municipais e mais juntas de freguesia. Se é verdade que algumas câmaras perdidas deixam um sabor agridoce, há muitos motivos de festa na São Caetano à Lapa com os resultados destas autárquicas, desde logo pelo cumprir da meta traçada por Luís Montenegro, de reconquistar a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), que lhes fugia das mãos desde 2013. No saldo dos municípios, o PSD conseguiu, com listas próprias ou em coligação, a presidência de 136 câmaras, 109 das quais em maioria absoluta. Em 2021, não conseguiu ir além das 114 autarquias, com 106 maiorias absolutas. Quando olhamos para os mandatos, as listas encabeçadas pelo PSD alcançaram 832 nesta eleição, mais 39 do que há quatro anos. No global do país, as listas lideradas pelo PSD conseguiram eleger 2448 deputados municipais que comparam com os 2338 eleitos em 2021. Já nas juntas de freguesia, o PSD lidera 1445 juntas, mostrando um crescimento substancial face às eleições de 2021: mais 242 presidências de freguesia. No caso dos mandatos, são agora 11.610, eram 10.295 saídos das últimas eleições locais. Filipe Santa-Bárbara PS: perde maiores câmaras, ANMP e Anafre O bolo autárquico do PS encolheu em 21 lideranças de câmaras municipais, passando de 149 para 128, reduziu-se em 77 presidências de juntas de freguesia e, com isso, os socialistas perderam as presidências da ANMP e da Anafre Associação Nacional de Freguesias. O partido perdeu também municípios de peso como Lisboa, Porto e Sintra. Apesar da redução, os socialistas conseguiram atingir a maioria absoluta em 101 municípios, incluindo algumas câmaras das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. Em termos globais, expectavelmente, caiu também o número de eleitos, de 916 há quatro anos para os actuais 810. Mas manteve-se como segundo maior partido autárquico, enquanto nas legislativas tinha perdido essa posição para o Chega. Apesar de lhes fugirem a ANMP e a Anafre, os socialistas conseguiram manter os conselhos metropolitanos tanto de Lisboa como do Porto por terem a maior parte das câmaras nas duas áreas metropolitanas. Quanto à eleição das assembleias municipais, se em 2021 os socialistas tinham conseguido 2650 eleitos, agora contam-se 2378. Nas juntas de freguesia, desta vez já com o processo de desagregação de uniões de freguesia e, por isso, com, em termos líquidos, mais duas centenas de autarquias a votos, os socialistas elegeram menos presidentes: são 1189 contra os 1266 de há quatro anos. Maria Lopes CDU: uma quebra transversal A noite eleitoral acabou com descidas a todo os níveis para a CDU: presidências de câmara, vereadores e mandatos nas assembleias municipais e juntas de freguesia.com 5,74% dos votos, a coligação entre o PCP e o PEV regista uma redução de cerca de 94 mil votos face a 2021, quando conseguiu 8,21%. De 19 presidências de câmaras, a CDU passou para 12, todas no Centro e Sul. Destas, quatro são novas: Sines, Aljustrel, Mora e Montemor-o-Novo. E a coligação conseguiu manter oito municípios: Avis, Arraiolos, Palmela, Seixal, Sesimbra, Barrancos, Cuba e Silves. Porém, não foram suficientes para compensar a perda de 11 presidências, duas das quais capitais de distrito: Benavente, Monforte, Sobral de Monte Agraço, Alcácer do Sal, Évora, Grândola, Santiago do Cacém, Setúbal, Viana do Alentejo, Serpa e Vidigueira. Em quatro anos, a CDU sofreu um corte de 55 mandatos nas câmaras, passando de 148 para 93. Além de 12 presidentes de câmara, tem, portanto, 81 vereadores. Soma agora um eleito em Coimbra e Leiria, cinco em Santarém, sete em Lisboa e Portalegre, 16 em Évora, 28 em Setúbal, 25 em Beja e três em Faro. Também nas assembleias municipais ficou com menos 163 representantes, entre presidentes de assembleia e deputados municipais, baixando o número de 505 para 342. E baixou de 1446 eleitos para 1062 nas juntas de freguesia. Ana Bacelar Begonha Chega: eleitos em todos os distritos O Chega conquistou a presidência de Albufeira, Entroncamento e São Vicente (Madeira), elegeu 137 vereadores e 635 deputados municipais. Apesar do crescimento, é um resultado que fica aquém dos objectivos traçados. Ainda assim, o partido passa a ter representantes em todos os distritos e só há quatro capitais sem vereadores do Chega. No final da noite eleitoral, André Ventura assumiu que os resultados ficaram longe do pretendido o próprio chegou a apontar à conquista de 30 câmaras e a um resultado “em linha” com o das legislativas. Mas, acrescentou, “foi uma boa noite para o Chega”. Feitas as contas, a “boa noite” traduziu-se em 654 mil votos o triplo face às autárquicas de 2021 (cerca de 208 mil), mas menos de metade dos conseguidos nas legislativas (mais de um milhão e 400 mil) e na conquista das primeiras câmaras do partido, que elegeu também 137 vereadores espalhados pelo país, uma subida substancial face aos 19 lugares conquistados em 2021. Agora, já não há distritos sem representantes do partido e só quatro capitais de distrito não elegeram um vereador do Chega: Guarda, Portalegre, Castelo Branco e Bragança cidade onde ficou atrás da IL. Esta é, aliás, a capital do único distrito em que o Chega não conseguiu eleger um deputado nas legislativas. Quanto a deputados municipais, o Chega elegeu 635 (contra 173 em 2021). Joana Mesquita CDS: outra vez a quarta força política No saldo eleitoral das presidências do CDS-PP, pouco mudou. Os centristas conseguiram preservar as seis câmaras que lideram desde 2017 e somar uma em coligação com o PSD, mantendo-se como a quarta força política com mais presidentes. Porém, em termos de vereadores, deputados e presidentes de juntas os números mostram um recuo. Em listas próprias, os centristas conseguiram 28 vereadores, menos três do que em 2021. O fenómeno repetiu-se com os 88 deputados municipais eleitos (118 de 2021) e os 369 presidentes de juntas (menos 416). Uma das explicações é o facto de o CDS ter concorrido sozinho a menos autarquias. Além das seis câmaras que lidera desde 2017, o CDS viu o seu militante, César Figueiredo, somar-lhe a Câmara de Mêda, numa vitória que resultou de uma coligação com o PSD. Liliana Borges Do PSD para o Chega Albufeira acolhe o Chega com expectativa de mudança Reportagem Mara Gonçalves Texto Duarte Drago Fotografia Depois de 24 anos de liderança social-democrata, o Chega galvanizou o descontentamento e venceu em Albufeira “Fiquei contente. A ver se há uma mudança”, reage Maria Beatriz Martins, de 84 anos, numa esplanada junto ao Mercado Municipal dos Caliços. Antes votava PSD, mas gostou de “ouvir certas coisas” das propostas do Chega para Albufeira. “Desta vez virei o disco, a ver se toca diferente.” Espera ver melhorias, sobretudo, na saúde e na habitação do concelho. A vitória do partido de André Ventura na cidade algarvia trouxe poucas surpresas a quem encontramos nas ruas de Albufeira na manhã de ontem. Após 24 anos de liderança “laranja”, o coro do descontentamento ouvia-se cada vez mais alto, e o Chega acabou por colher essa vontade de mudança, garantindo uma das três primeiras autarquias para o partido fundado há seis anos. Rui Cristina, ex-militante do PSD e cabeça de lista do Chega para a Câmara de Albufeira, conquistou 40,51% dos votos, mais 8% do que a coligação “Ser Albufeira” (PSD/ CDS-PP), que tentava a reeleição de José Carlos Rolo, à frente do município desde 2018, mas na vereação há 25 anos. Os dois partidos elegeram três deputados cada, enquanto a coligação “Albufeira É TUA”, que uniu, de forma inédita no município, PS, Livre, Bloco de Esquerda e PAN, não foi além dos 18,56%, perdendo um dos dois mandatos que o PS tinha desde 2021. O fim da época alta já dita o encerramento do mercado à segunda-feira, mas a maioria das lojas com porta para o exterior do edifício está aberta e nas esplanadas não se fala de outra coisa. “Até me dá vergonha dizer que sou albufeirense”, ouvia-se à chegada, num lamento correspondido por Mariano Aleixo, de 70 anos. “Não gosto deles. Acho que são de extrema-direita e aquilo é perigoso”, reage ao PÚBLICO. “Aquelas promessas é tudo mentira”, acredita, assumindo “votar sempre no PCP”. Para o septuagenário, a vitória do Chega em Albufeira mede-se entre quem foi “na conversa de André Ventura” e o descontentamento com o legado social-democrata. Desejo de mudança “Fosse ele ou outro, algo tinha de mudar”, sublinha Santos ao balcão do restaurante Balada do Peixe, no mercado, sem querer dizer o primeiro nome. Confessa que, se o filho não estivesse nas listas da coligação “Albufeira É TUA”, teria votado no Chega. “Isto já não é Albufeira”, lamenta. Regressado do Brasil há sete anos, depois de ter vivido 37 no Rio de Janeiro, diz ter ido ao centro da cidade algarvia duas vezes. “Deu-me vontade de chorar. Aquilo é uma barulheira, não se consegue conversar, não tens onde sentar, até no cais dos pescadores já não se vê ninguém.” Os dados avançados pelo Instituto Nacional de Estatística, que colocam Albufeira entre os municípios com índices de criminalidade mais altos do país, afunilaram parte do debate autárquico nas “percepções de insegurança”, e deram alento ao descontentamento de parte da população face a um turismo que, na Baixa de Albufeira e na Rua da Oura, dizem centrar-se, cada vez mais, na vida nocturna, com distúrbios crescentes devido ao consumo excessivo de álcool por parte dos turistas. “Albufeira caiu no fundo do poço. Era o salve-se quem puder, uma selvajaria”, argumenta Fátima Mateus, 66 anos, num café da Baixa da cidade, onde reside “frente ao mar”. “Imperava a lei dos barmans e da indústria hoteleira, e não pode ser”, acrescenta, apontando a falta de estabilidade e segurança. “O pessoal já estava revoltado, estava à espera de uma mudança, e foi agora”, reage. Diz ser tempo “de arriscar” e de dar ao Chega “o benefício da dúvida”. Depois de mais de 20 anos como militante do PSD, tendo liderado a concelhia de Loulé (de onde é natural), deputado e candidato à Câmara de Loulé nas últimas autárquicas, Rui Cristina deixou o partido em 2024 para entrar como independente pelo Chega às legislativas, primeiro pelo círculo de Évora e, este ano, pelo de Beja, eleito deputado nas duas votações. Numas eleições em que a proximidade levava muitos a votar “na pessoa e não no partido”, em Albufeira venceu o “voto de protesto”, argumenta Lucio Pescada, presidente da associação Albuera Tuk Animação Turística, junto a veículos estacionados. A vida do Chega, no entanto, não se adivinha “fácil”, comenta, uma vez que não terá maioria na câmara nem na assembleia municipal. Lucio defende, por isso, ser tempo dos partidos que estavam até agora na oposição esquecerem as divergências, e estabelecerem acordos para encetar a “mudança” exigida nas urnas. PS destrona PSD O “poder da caneta” funcionou em Viseu e o PS ganhou: é “o fim de um ciclo” [domingo] estava mesmo feliz por estar a votar no PS”, alegra-se Maria do Carmo, que decidiu “confiar” em João Azevedo por sentir que Fernando Ruas “nunca foi pelos comerciantes”. Nos anos que leva de mercado, já lhe conheceu três localizações, sendo que a actual, em instalações provisórias na Rua Leopoldo da Silva, não serve, na sua opinião, as necessidades dos lojistas. “Estamos cá provisórios há três anos, disseram-nos que seria por seis, mas ainda não sabemos sequer para onde vamos. O João Azevedo veio cá ouvir-nos várias vezes, o Ruas só cá veio na altura das eleições”, lamenta. Isaura concorda e diz que foi a “arrogância” de Ruas que o levou a perder as eleições. “Ainda bem que vamos ter outra cor na câmara.” Sentado num banco de jardim mesmo em frente ao edifício da Câmara Municipal, Francisco Duarte, 85 anos, também faz a sua leitura dos resultados das eleições. “Foram uma surpresa grande, ninguém estava à espera disto”, diz e identifica de imediato as razões que terão levado à derrota de Ruas: o aumento do IMI, que passou “a ser um absurdo”, e o facto de ter gastado, ao longo deste seu último mandato, “uma fortuna em passeios para os reformados”. “Eram 5000 pessoas, 40 autocarros, que iam para a Quinta da Malafaia, em Esposende. Se ainda fosse para deixar esse dinheiro no concelho ” Francisco, que foi instrutor de condução durante 50 anos, não acredita, porém, que João Azevedo seja o Messias da cidade. “Também não me diz nada. Vai ser um atraso na câmara. Vamos esperar quatro anos e depois teremos outra vez o poder da caneta. Acho que o PS não vai colar na cidade. Estiveram tanto tempo no poder [Governo] e que obra de vulto é que fizeram?” Sandra Rodrigues, jornalista e directora do Jornal do Centro, tem uma opinião diferente. “O PS teve uma vitória histórica e começa a haver alguns sinais de que o cavaquistão está a cair. Não apenas no concelho, mas também no distrito. Há outros concelhos do distrito que mudaram de mãos, como Penedono ou Tabuaço. Há aqui alguns sinais”, comenta. Mas, para a jornalista que há muito acompanha a política local, quem no domingo assinalou “a noite histórica”, acordou ontem “com muitas contas para fazer”. O PS venceu as eleições, é certo, mas com uma margem curta face ao PSD: 799 votos. E elegeram ambos quatro vereadores. O Chega elegeu um. Houve também empate no número de eleitos para a Assembleia Municipal, 12 e o Chega teve três. “É uma incógnita o que vai acontecer, que entendimentos é que terá de fazer João Azevedo”, diz a jornalista. João Azevedo passou o dia de ontem “em família”, mas a dar resposta a “centenas de telefonemas e mensagens”. Em conversa com o PÚBLICO, assinala que é “com grande felicidade e orgulho” que vive este “marco histórico”. O candidato do PS, que já presidiu à Câmara de Mangualde e foi deputado, assegura que a sua vitória não foi uma surpresa. “A rua falou comigo de forma clara.” Sobre governabilidade, diz apenas, por agora, que irá “analisar o quadro político”. O PÚBLICO procurou ouvir Fernando Ruas, mas sem sucesso. Reportagem Sandra Silva Costa Texto Nelson Garrido Fotografia A autarquia sempre esteve nas mãos da direita. João Azevedo (PS) derrotou Fernando Ruas, que foi presidente durante 27 anos Amanhã acordou soalheira em Viseu e Viseu acordou “com uma nova energia”, palavras de Maria do Carmo Rebelo, vendedora no Mercado Municipal “há mais de 50 anos”. “A nós, a mim e à Isaura, nasceram-nos os dentes no mercado.” Isaura Gomes vende fruta em frente ao talho de Maria do Carmo, que também aqui tem uma banca de peixe congelado. Ontem, as duas comerciantes festejavam a vitória inesperada de João Azevedo, que conseguiu a proeza de roubar a câmara a Fernando Ruas. Mas não foi apenas a Fernando Ruas: o candidato do PS pôs fim a um ciclo de 36 anos de governo PSD. É o fim do “cavaquistão”?, debate-se nas ruas da cidade. João Azevedo não gosta do rótulo, prefere assinalar “o fim de um ciclo”. “Eu já votei no PSD, mas ontem Montijo Um movimento de cidadãos derrotou o PS e o Chega: “É um ar fresco!” Reportagem Teresa Serafim Anoite já ia longa e Tiago Monteiro continuava preso à actualização dos resultados das eleições autárquicas: no seu concelho, apenas com uma freguesia por apurar, o Chega seguia à frente e poderia conquistar a Câmara do Montijo. “Nem conseguia dormir. Não queria acreditar que o Chega poderia ganhar”, relata o jovem de 25 anos. A certa altura, lá veio a votação da União das Freguesias de Montijo e Afonsoeiro e o movimento independente Montijo com Visão e Coração passava à frente do Chega. “Assim que vi esses resultados fui logo dormir descansado”, conta. Tiago Monteiro nem apoiava o movimento de cidadãos que ganhou, mas acha que o Chega não seria uma boa opção para o concelho onde vive há 22 anos. O funcionário do café Canaan Garden diz que a possibilidade de o partido liderado por André Ventura vencer dividia clientes e colegas de trabalho. Mas de algo teve a certeza nos últimos dias: o PS, que se mantinha à frente da autarquia desde 1997, estava a perder força. Nas autárquicas deste domingo, o “Montijo com Visão e Coração” venceu a câmara, com 27,48 % dos votos, tendo o Chega ficado em segundo, com 24,79 %. É a primeira vez que um grupo de cidadãos vence as eleições neste concelho do distrito de Setúbal: antes, só o PS e a CDU tinham liderado o município. No café Salvador, decorre o habitual movimento da manhã, mas algo faz parar alguns clientes: felicitam o futuro presidente, Fernando Caria, que encabeça o Montijo com Visão e Coração e que ali tinha entrado. “Bem, agora vamos arregaçar as mangas! Conseguimos, mas a vitória não foi fácil”, vai respondendo. Fernando Caria é uma cara conhecida no Montijo. Durante três mandatos, que terminam agora, liderou a União das Freguesias de Montijo e Afonsoeiro eleito pelo PS. “O PS do Montijo estava a afastar-se dos interesses da população e mais alinhado com aparelho partidário”, justifica o presidente agora eleito sobre a decisão para avançar com um novo grupo. “O Montijo está à frente de tudo para mim.” Com três mandatos eleitos, contra os dois do Chega, um do PS e outro do PSD, Fernando Caria apenas indica que está “disposto a falar com os democratas que o Montijo elegeu”. Sobre os motivos da mudança, pensa que “não tem existido o cuidado de ouvir a população” sobre o que quer para o concelho. Perto do balcão do café, a escutar a conversa, Fátima Fernandes, que é dona do estabelecimento e sempre viveu no Montijo, afirma que a cidade “estagnou”. “O comércio começou a ir para as grandes superfícies, os preços da habitação são para esquecer e há muitas casas por reabilitar”, enumera. Mas também diz ter “esperança” na equipa eleita: “É um grupo de pessoas da terra.” Ao seu lado, o seu irmão e sócio, José Fernandes, confessa nem conhecer o candidato do Chega, Nuno Valente, e considera sobre a nova eleição: “É um ar fresco!” O montijense diz que a cidade tem vindo a ficar mais suja, os espaços verdes descuidados e a zona ribeirinha subaproveitada. Na Rua Direita, logo depois da Praça da República, há várias lojas fechadas e alguns edifícios devolutos. Teresa Afonso vai a passar e atenta para o esmorecimento de uma das principais artérias do Montijo. “Foi tudo fechando”, aponta a decoradora de interiores, de 61 anos. Está “expectante” com a nova presidência, de alguém que conhece há tanto tempo e decidiu dar-lhe “o benefício da dúvida”. Números além dos resultados Mulheres, maiorias absolutas e justiça: o outro lado das eleições autárquicas Maria Lopes, Renata Monteiro e Sofia Neves Fizemos a contabilidade das mulheres eleitas nestas autárquicas e fomos ver também quantas maiorias absolutas houve Em 2017, tinham sido eleitas 32 mulheres para presidências de autarquias. O recorde foi batido no domingo, de acordo com o Ministério da Administração Interna. São agora 48 as mulheres “presidentas”, o que em percentagem ainda corresponde a muito pouco: 15%. O PÚBLICO foi olhar para estes números, mas também para a contabilidade das maiorias absolutas, que continuam a prevalecer em 75% dos municípios, embora o valor venha em queda consistente nos últimos anos. Mais de 40 mulheres vão liderar autarquias Sem surpresas, e num espelho dos resultados nacionais, o Partido Socialista e o Partido Social Democrata (PPD/PSD) foram os partidos que conseguiram eleger mais mulheres presidentes, com um empate no número de mulheres eleitas: 20 cada um. O PCP-PEV e o CDS-PP elegeram duas autarcas e o JPP apenas uma. As restantes presidentes (dados do Ministério da Administração Interna apontam para um total de 48 eleitas, o equivalente a 15% do total) foram eleitas em listas independentes. Em 2021, nas eleições locais anteriores, tinham sido eleitas 29 “presidentas” um retrocesso em relação a anos anteriores e aproximadamente 9% do total dos líderes locais. Foi o primeiro ano em que vigorou a nova lei das quotas, que estabelece que as listas de candidaturas são obrigadas a assegurar uma representação mínima de 40% de cada um dos sexos, não podendo “ser colocados mais de dois candidatos do mesmo sexo, consecutivamente, na ordenação da lista”. Esta lei tem sido criticada por não conseguir cumprir aquilo a que se propõe. “O recrutamento local é dominado por redes masculinas. Os partidos, os sindicatos, até as asso-ciações locais são pouco abertos à renovação, e tudo funciona muito numa lógica de redes informais de amizade”, explicava há um mês Eva Macedo, professora de Direito Administrativo na Universidade Portucalense. “Não basta legislarmos e termos mais pessoas, neste caso, mais mulheres, para que elas tenham efectivamente a legitimidade e o capital.” A tendência é decrescente: as vitórias eleitorais por maioria absoluta nas câmaras municipais voltaram a diminuir no domingo, mas ainda representam mais de 75% das presidências. De acordo com os resultados, três em cada quatro novos executivos de câmaras saídos das eleições irão funcionar com maiorias absolutas, num total de 233 municípios, ao passo que até aqui havia 258 onde essa era a realidade. Entre 2017 e 2021, foram 274. E nos quatro anos antes 256. Para a redução registada nestas eleições, contribuiu sobretudo o PS. De um total de 149 presidências, onde governou entre 2021 e este ano, o PS tinha maioria absoluta em 125, ao passo que o PSD, sozinho ou em coligações pré-eleitorais, fazia o mesmo em 106 (de um total de 114 onde tinha ganho). Agora, os socialistas têm maioria absoluta em 100 câmaras (e mais uma em coligação com o Livre, em Felgueiras), ao passo que o PSD governará com poder absoluto, sozinho ou em coligação com outros partidos, com destaque para o CDS-PP, em 109 municípios do total de 136 onde ganhou no domingo. Das 12 câmaras que vai governar nos próximos quatro anos (eram 19 até aqui), a CDU pode dispensar a oposição em seis, ou seja, metade das presidências com que fechou a noite de domingo. E com os movimentos de cidadãos eleitores acontece o mesmo em oito das 20 câmaras que ganharam. Os centristas, que mantiveram a mesma meia dúzia de câmaras onde governam sozinhos, têm agora cinco maiorias absolutas (eram seis, o pleno, neste mandato que termina), enquanto o Chega, dos três municípios que ganhou, pode cantar vitória absoluta em um São Vicente, na ilha da Madeira. Também o JPP manteve o município de Santa Cruz, na Madeira, com maioria absoluta através de Élia Ascensão (que sucede a Filipe Sousa, actual deputado à Assembleia da República). Na Guarda, a coligação entre o “Nós, Cidadãos!” e o PPM para apoiar um candidato que fora independente em 2021 valeu-lhes a maioria absoluta, mas o “Nós, Cidadãos!” governará igualmente sem precisar da oposição mesmo ao lado, em Belmonte. Autarcas eleitos a contas com a Justiça Alguns presidentes de câmara eleitos têm processos judiciais e investigações criminais em curso, enquanto outros vão tomar posse depois de terem sido condenados ou absolvidos pelos tribunais. No distrito de Braga, Victor Hugo Salgado, que está a ser investigado há alguns meses por suspeitas de violência doméstica sobre a mulher, venceu com maioria absoluta o município de Vizela pelo movimento independente Vizela Sempre, após o PS nacional lhe retirar o apoio político na sequência desta investigação do Ministério Público (MP). Paulo Esteves Ferreira (PS), que venceu com maioria relativa a Câmara de Valongo, foi constituído arguido em Fevereiro deste ano por alegadamente receber contrapartidas nos processos de implementação e licenciamento de um restaurante da cadeia McDonald s. O futuro presidente de Valongo vai também ser julgado no processo originado por uma queixa da Recivalongo contra a autarquia por, em Julho de 2020, ter cortado o acesso ao aterro de Sobrado a camiões com mais de 3,5 toneladas de resíduos. Em Arouca, Margarida Belém (PS) foi eleita depois de ter sido condenada, em 2024, a uma pena suspensa de um ano e três meses de prisão, por falsificação de documento. Já na Região Autónoma da Madeira, Rui Marques, que já tinha presidido a Câmara da Ponta do Sol durante 12 anos, e que foi novamente eleito presidente do município, com maioria absoluta, pela coligação PSD/CDS-PP, está acusado pelo MP de prevaricação, de participação económica em negócio e de abuso de poder.com Lusa Análise aos resultados das eleições, com mapas por distrito, reportagens e leituras nacionais dos números Destaque, 2 a 13 e Editorial Vejo que o Chega e o PS elegeram vereadores e, por isso, têm o testemunho dos sintrenses. Não vou distinguir por partidos, mas por pessoas e competência” Marco Almeida Presidente eleito da Câmara de Sintra André Ventura colocou a fasquia muito alta: queria eleger 30 presidentes de câmara Resultado eleitoral do PSD voltou a não ser penalizado pelo ressurgimento do tema Spinumviva na agenda mediática Presidente do PSD foi grande vencedor. Líder do PS “sobreviveu” 12 De 19 câmaras, a CDU passa para 12. Nas assembleias municipais perdeu 163 representantes, em juntas de freguesia tem menos 384 eleitos Nas eleições de domingo o PSD consolidou a sua posição como maior partido Em Albufeira, a abstenção foi a segunda mais alta, acima dos 51% Acho que o PS não vai colar na cidade. Estiveram tanto tempo no Governo e que obra de vulto é que fizeram? Francisco Duarte Antigo instrutor de condução Em Viseu, há quem veja alguns sinais d Vencedores Luís Montenegro Não disputou pessoalmente nenhum dos 308 municípios em jogo, mas é o presidente do PSD e primeiro-ministro e foi o grande vencedor da noite eleitoral. O PSD superou o PS em número de autarquias e freguesias, passando a liderar a Associação Nacional de Municípios Portugueses. Pedro Duarte A vitória do ex-ministro no Porto foi, pese embora o empate em mandatos com o PS, um resultado meritório para Pedro Duarte. Recuperar para o PSD a segunda cidade do país após 12 anos de governação independente reforça a posição política de Pedro Duarte e dá-lhe protagonismo e reconhecimento. Carlos Moedas O autarca lisboeta foi reeleito presidente da câmara após uma eleição competitiva entre duas grandes coligações. Ficou aquém da maioria absoluta que Montenegro pediu, mas que o próprio Moedas nunca verbalizou, optando pelo mais prosaico “por um voto se ganha, por um voto se perde”. Maria das Dores Meira Depois de ter concorrido a Almada em 2021, e de ter perdido, Dores Meira voltou a Setúbal, de onde saíra por ter atingido o limite de mandatos. Nesta nova vida, concorreu como independente, com o apoio do PSD, e venceu a autarquia, esvaziando quase por completo a CDU (que governava Setúbal). João Azevedo O socialista conquistou a Câmara de Viseu ao histórico dinossauro social-democrata Fernando Ruas e fê-lo no outrora chamado “cavaquistão”. João Azevedo assumiu, em total oposição à linha definida pela chefia nacional do PS, não aceitar traçar linhas vermelhas ao Chega. Fernando Caria teve ligaçõe ao PS antes de fundar o grupo independente que lhe deu a vitória de que o antigo “cavaquistão” está a cair Vencidos André Ventura Ainda que possa parecer contraditório um partido que nunca tinha governado uma autarquia passar a presidir a três câmaras ser visto como derrotado, é preciso olhar para o contexto geral. André Ventura assumiu como objectivo alcançar 30 presidências. Conseguiu três e ficou aquém das seis do CDS. Paulo Raimundo O secretário-geral do PCP assumiu que este foi um “resultado negativo”. A CDU chegou a esta eleição com 19 presidências de câmaras e saiu com 12. Das 19 que tinha perdeu 11 e conquistou outras quatro. Em Lisboa, João Ferreira ficou atrás do Chega por 11 votos, o que também não foi positivo. Mariana Mortágua Os bloquistas saem desta eleição sem que a sua participação em diversas coligações tenha contribuído para a esquerda conquistar autarquias Lisboa à cabeça. Feitas as contas, o resultado nacional do Bloco é paupérrimo: 30.636 votos obtidos por candidaturas próprias. Alexandra Leitão A candidata que liderou a coligação PS/Livre/BE/ PAN não conseguiu capitalizar o momento menos feliz em que Carlos Moedas disputou esta eleição. E essa frustração ficou patente na forma como atirou a João Ferreira por não ter tido a “coragem” de convergir numa aliança mais alargada à esquerda. Manuel Pizarro À terceira não foi de vez e o antigo ministro da Saúde voltou a não vencer a Câmara do Porto. Pizarro assumiu pessoalmente uma derrota que recusou partilhar com o PS. Ainda não foi desta que os socialistas voltaram ao poder no Porto, perdendo a melhor oportunidade em largos anos. David Santiago Mais de 40 mulheres vão liderar câmaras. Faro, Porto, Setúbal e Vila Real têm “presidentas”. Ana Abrunhosa venceu em Coimbra Três quartos das câmaras com maioria absoluta Aveiro Presidentes de câmara PSD 12 PS 3 CDS-PP 3 G. CIDADÃOS 1 O PSD foi o grande vencedor no distrito de Aveiro, ganhando numa dúzia de municípios, entre eles Espinho, conquistado aos socialistas. Em 2021, sozinho ou coligado, o PSD conseguiu ganhar nove câmaras. Já o PS ficou-se agora pelas três autarquias (Arouca, Castelo de Paiva e Oliveira de Azeméis), menos uma do que as que ganhara nas últimas autárquicas. Por seu turno, CDS-PP conseguiu manter as três câmaras que conquistara há quatro anos, a saber: Albergaria-a-Velha, Oliveira do Bairro e Vale de Cambra. Curiosidade: o irmão Luís Souto (PSD) vai suceder a Ribau Esteves em Aveiro e o seu irmão Alberto Souto (PS) ficará na vereação. Beja Presidentes de câmara PS 9 PCP-PEV 3 PSD 2 Os socialistas ganharam o maior número de câmaras do distrito de Beja, amealhando a presidência de nove autarquias. Em 2021, os socialistas ficaram com uma dezena de câmaras (o equivalente a 44,53% dos votos), entre as quais se contava a capital de distrito. Essa foi agora para as mãos do PSD, que conquistou assim a sua única câmara naquele círculo. Já a coligação de comunistas e verdes (CDU) desceu a votação (de 32,7 % para 27,52%) relativamente à última eleição, perdendo uma câmara no total da contabilidade do distrito. Fica-se agora pelas três presidências. Braga Presidentes de câmara PSD 9 PS 3 G. CIDADÃOS 2 Em 2021, coligado ou sozinho, o PSD garantira a presidência de nove câmaras no distrito. Um balanço que manteve nestas eleições (Braga, Barcelos, Cabeceiras de Basto, Guimarães, Vila Nova de Famalicão, Amares, Celorico de Basto, Terras de Bouro, Vila Verde). Os socialistas, que há quatro anos ganharam cinco câmaras municipais, ficaram-se agora pelas três (Fafe, Vieira do Minho e Póvoa de Lanhoso). Destaque ainda para a vitória de movimentos independentes nas autarquias de Esposende e em Vizela. Bragança Presidentes de câmara PSD 7 PS 5 Em 2021, o PSD, sozinho ou coligado, conseguira sete autarquias neste distrito. Entre elas, incluía-se a capital: Bragança. Agora, a cidade passa para as mãos do PS. Os socialistas mantêm-se com o mesmo número de autarquias que haviam conquistado há quatro anos cinco , conquistando também, para além de Bragança, Alfândega da Fé, Freixo de Espada à Cinta, Mirandela e Vinhais. O PSD manteve as presidências de Carrazeda de Ansiães, Miranda do Douro, Mogadouro, Torre de Moncorvo, Vimioso, Macedo de Cavaleiros e Vimioso. Castelo Branco Presidentes de câmara PS 7 PSD 3 NC 1 O PS mantém-se como a força dominante no distrito de Castelo Branco, ficando com sete edilidades (38,58 % dos votos). Em 2021, os socialistas já haviam ganho de forma clara o distrito, com 40,84 % dos votos, o que lhes permitiu ficar com a presidência de oito câmaras. O PSD mantém agora o mesmo número de câmaras (três) que amealhara em 2021: Fundão, Oleiros e Vila de Rei (o primeiro autarca a ser eleito no domingo foi o de Vila de Rei). A grande novidade neste distrito foi a conquista do concelho de Belmonte por uma plataforma de independentes, que a roubou aos socialistas. Coimbra Presidentes de câmara PSD 9 PS 5 G. CIDADÃOS 3 Olhando apenas para a capital distrital, o PS parece o vencedor, porque roubou a presidência daquele município ao PSD. Mas foram os sociais-democratas os verdadeiros ganhadores, conquistando nove câmaras. Para isso também contou a vitória de Santana Lopes na Figueira da Foz, que ganhara em 2021 como independente. Há quatro anos, o PSD, sozinho ou coligado, ficara com a presidência de sete municípios. Em 2025, os socialistas, venceram cinco autarquias (Coimbra, Montemor-o-Velho, Oliveira do Hospital, Penela e Tábua) depois de, nas eleições de há quatro anos, terem conquistado nove. Évora Presidentes de câmara PS 6 PSD 5 PCP-PEV 3 Tal como há quatro anos, o PS conquistou meia dúzia de autarquias no distrito de Évora. A grande diferença foi que agora conquistou a capital do distrito à CDU (o eurodeputado Carlos Zorrinho foi eleito presidente). Os socialistas ganharam ainda em Alandroal, Borba, Estremoz, Portel e Viana do Alentejo. Já o PSD, sozinho ou coligado, ficou com cinco autarquias (Reguengos de Monsaraz, Vendas Novas, Mourão, Redondo, Vila Viçoso). A CDU, apesar de perder o município mais importante, manteve o número de câmaras, ficando com Arraiolos, Montemor-o-Novo e Mora. Faro Presidentes de câmara PS 11 PCP-PEV 1 PSD 2 G. CIDADÃOS 1 CH 1 Apesar das surpresas (a maior dela em Albufeira), o PS mantém-se como a força dominante no Algarve. Há quatro anos, ficara com uma dúzia de câmaras, enquanto os sociais-democratas ganharam três, uma delas a capital de distrito. Agora, os socialistas amealharam 11 autarquias, perdendo Aljezur para um grupo de independentes. Uma das grandes novidades foi a conquista da cidade de Faro aos sociais-democratas. A outra foi a conquista de Albufeira pelo Chega, subtraída ao PSD, que no distrito se ficou pelas duas câmaras. A CDU manteve a liderança de Silves. Guarda Presidentes de câmara PSD 8 PS 3 G. CIDADÃOS 2 NC 1 Os sociais-democratas mantiveram o domínio no distrito da Guarda, conquistando sete câmaras municipais sozinhos e mais uma em coligação com o CDS-PP. Há quatro anos, o PSD vencera oito edilidades, sozinho ou coligado. Já o Partido Socialista manteve também nestas eleições o mesmo número de autarquias, três, que havia conquistado há quatro anos. Os movimentos de independentes que conquistaram as edilidades da Guarda e de Manteigas, em 2021, voltaram a ganhar naqueles concelhos. Leiria Presidentes de câmara PSD 10 PS 4 G. CIDADÃOS 2 Há quatro anos, tanto PSD como PS tinham ganho seis autarquias cada um no distrito de Leiria. Nessas eleições, quatro câmaras haviam sido conquistadas por movimentos independentes. Desta vez, no entanto, o PSD tornou-se a força dominante no distrito com 33,08 % dos votos, conquistando uma dezena de câmaras. O PS, com ligeiramente menos de 30% dos votos, desceu para quatro câmaras. Duas autarquias mantiveram-se nas mãos de grupos de cidadãos independentes: Caldas da Rainha e Figueiró dos Vinhos. Lisboa Presidentes de câmara PSD 7 PS 7 G. CIDADÃOS 2 Acabou o domínio do PS no distrito de Lisboa. Nas eleições de 2021, os socialistas ganharam dez câmaras, enquanto o PSD se ficara pelas quatro. Agora, quer PS quer o PSD, sozinho ou coligado, garantem a presidência de sete autarquias cada um. A CDU deixa de presidir a qualquer câmara no distrito, pois perdeu Sobral de Monte Agraço para uma coligação liderada pelo PSD. Destaque ainda para a conquista de duas câmaras por independentes. Para além de Oeiras se manter sob liderança de Isaltino de Morais, também Mafra passa a ser presidida por um grupo de cidadãos. Torres Vedras mudou de cor pela primeira vez, passando para as mãos do PSD (era PS). Viana do Castelo Presidentes de câmara PSD 5 PS 4 CDS-PP 1 O PSD foi o partido mais votado nestas eleições no distrito de Viana do Castelo, o que lhe permitiu conquistar cinco autarquias (Arcos de Valdevez, Moção, Ponte da Barca, Caminha e Melgaço). Em 2021, os sociais-democratas, sozinhos ou coligados, haviam conquistado a presidência de três câmaras municipais. Este ano, os socialistas conquistaram apenas quatro autarquias (Paredes de Coura, Valença, Vila Nova de Cerveira e Viana do castelo), quando há quatro anos tinham vencido em seis. Já o CDS-PP mantém a presidência da Câmara Municipal de Ponte de Lima. Portalegre Presidentes de câmara PS 7 PSD 6 G. CIDADÃOS 1 PCP-PEV 1 Seis câmaras haviam sido conquistadas pelos socialistas em 2021 no distrito de Portalegre, o mesmo número que as então ganhas pelos sociais-democratas, sozinhos ou coligados. Agora, o empate desfez-se, com os socialistas a conquistarem sete autarquias (Campo Maior, Crato, Gavião, Monforte, Nisa, Ponte de Sor e Sousel) e os sociais-democratas seis (Alter do Chão, Arronches, Marvão, Portalegre, Castelo de Vide e Fronteira). A coligação do PCP e do PEV (CDU) perde uma das câmaras, mantendo Avis. O município de Elvas continua na mão de uma lista independente. Vila Real Presidentes de câmara PS 7 PSD 7 Há quatro anos, o PS venceu em sete municípios do distrito de Vila Real. Exactamente o mesmo número que o obtido pelo PSD, sozinho ou em coligação. Ora, tal empate mantém-se inalterado em 2025. Os socialistas garantem o controlo das autarquias d e Chaves, Mesão Frio, Montalegre, Ribeira de Pena, Sabrosa, Santa Marta de Penaguião e na capital de distrito, Vila Real. Sem surpresas, os sociais-democratas ficam com a presidência de Boticas, Mondim de Basto, Murça, Peso da Régua, Valpaços e Vila Pouca de Aguiar. Porto Presidentes de câmara PS 10 PSD 8 Há quatro anos, os socialistas tinham ganho 12 câmaras municipais no distrito do Porto, numa das quais, Felgueiras, em coligação com o Livre. O PSD, sozinho ou coligado, conquistara cinco autarquias. Em 2025, a diferença entre os dois partidos esbateu-se fortemente. Os socialistas ficaram agora com nove câmaras (entre elas, Matosinhos, Gondomar, Lousada, Marco de Canaveses, Valongo e Vila do Conde, mantendo Felgueiras em coligação com o Livre) e os sociais-democratas ganharam oito edilidades (entre elas, Porto, Vila Nova de Gaia, Maia, Trofa e Penafiel). Viseu Presidentes de câmara PSD 13 PS 11 O PSD conquistou o maior número de presidências de câmaras no distrito de Viseu, com 13, mas o social-democrata Fernando Ruas perdeu a capital de distrito para o PS. Nas autárquicas de 2021, o PSD, sozinho ou coligado, conquistara o mesmo número de autarquias. Já o PS também manteve o mesmo número de câmaras conquistadas há quatro anos, com a diferença acima registada de que os socialistas ganharam, desta vez, a capital de distrito ao PSD. Os “laranjas” venceram no concelho de São João da Pesqueira, que em 2021 havia sido conquistado por independentes. Santarém Presidentes de câmara PS 10 PSD 8 G. CIDADÃOS 2 CH 1 Nas eleições de há quatro anos, os socialistas conquistaram uma dúzia de autarquias, enquanto o PSD sozinho ou coligado alcançou sete. Essa distância foi agora estreitada, com o PS a ganhar numa dezena de câmaras e o PSD a vencer em oito. Uma delas foi a câmara de Benavente, que em 2021 tinha sido conquistada pela CDU. A grande surpresa, anunciada por André Ventura a meio da noite eleitoral, quando ainda não havia resultados oficiais (e que veio a confirmar-se), foi a vitória do Chega no Entroncamento, onde o PS tinha vencido há quatro anos. Já a Câmara da Golegã voltou a ser conquistada por um grupo de independentes. Açores Presidentes de câmara PSD 9 PS 8 G. CIDADÃOS 1 CDS-PP 1 Há quatro anos, os socialistas tinham ganho nove câmaras no Açores, tendo então o PSD, sozinho ou coligado, conquistado oito autarquias, enquanto o CDS-PP acabaria por conquistar uma e um grupo de cidadãos independentes outra. Este ano, os papéis inverteram-se, com o PSD a conquistar nove autarquias e o PS a ficar com oito. O CDS-PP (no concelho de Velas) manteve o mesmo número de câmaras, tendo a autarquia de Santa Cruz das Flores ficado nas mãos de um movimento formado por independentes. Setúbal Presidentes de câmara PS 6 PCP-PEV 4 G. CIDADÃOS 3 De distrito historicamente dominado pela CDU, Setúbal passou agora a território onde o PS é a força com mais câmaras, apesar de ter mantido o mesmo número de autarquias face a 2021. Os socialistas ficam com a presidência de Alcácer do Sal, Alcochete, Almada, Barreiro, Grândola e Moita. A CDU desceu de sete para quatro câmaras, perdendo a capital distrital, e fica com Grândola, Seixal, Sesimbra e Sines. A grande novidade foram os movimentos independentes que asseguraram três autarquias (Setúbal, Montijo e Santiago do Cacém). Mas a surpresa foi a ex-autarca Maria das Dores Meira (ex-comunista) ser agora presidente com o apoio do PSD. Madeira Presidentes de câmara PSD 6 PS 2 JPP 1 CH 1 CDS-PP 1 O PSD, sozinho ou em coligação com outras forças políticas, conquistou seis câmaras municipais na Região Autónoma da Madeira (Funchal, Ponta do Sol, Ribeira Brava, Porto Santo, Calheta e Câmara de Lobos), mais uma do que as que conseguira em 2021. Já o PS conquistou menos uma edilidade do que há quatro anos, ficando-se agora pelas duas (Porto Moniz e Machico). O JPP manteve a autarquia de Santa Cruz e o CDS-PP a de Santana. A grande novidade foi a conquista de São Vicente, que era social-democrata, pelo Chega: a primeira câmara eleita pelo partido de Ventura, durante a noite eleitoral, foi justamente São Vicente. Ana Sá Lopes