ALPINE A290 GTS: A ELETRICIDADE VESTE-SE DE "HOT HATCH"
2025-10-14 21:03:02

A marca Alpine, com um historial glorioso que remonta aos ralis e ao lendário A110, sempre foi sinónimo de leveza, agilidade e puro prazer de condução. Tradicionalmente centrada em coupés desportivos de motor central, a marca, reintroduzida sob a égide do Grupo Renault, tem vindo a expandir a sua “Garagem dos Sonhos” para a era da mobilidade elétrica. O novo A290 representa precisamente essa ponte: é o primeiro de uma nova geração de modelos 100% elétricos, concebidos para manter o ADN desportivo da Alpine, mas adaptado ao formato de um “hot hatch” compacto e utilizável no dia-a-dia. Em Portugal, a presença comercial da Alpine é mais focada e premium (através de centros especializados, muitas vezes ligados à rede Renault), com o A110 a ser, até agora, o seu único representante. O lançamento do A290, um citadino desportivo com 5 portas e 5 lugares, marca uma expansão estratégica fundamental. Posiciona a marca num segmento de maior volume e acessibilidade (ainda que premium), alargando o leque de clientes para além dos entusiastas puros do coupé A110. É, em essência, o modelo que trará a Alpine para a cidade, funcionando como uma porta de entrada para a marca. Já depois de termos conhecido o Renault 5 E.Tech Elétrico, com qual o qual o o Alpine A290 partilha a plataforma, ainda que sendo significativamente recalibrado e mais potente, o LusoMotores pôde testar esta “hot hatch” da Alpine na variante GTS, modelo que encontra a concorrência no nicho dos elétricos desportivos compactos ou versões de performance de modelos elétricos premium. Falamos concretamente de propostas como o Mini Cooper E na sua variante mais potente, e potencialmente modelos como o futuro Volkswagen ID.2 GTI ou versões mais desportivas de propostas como o BYD Dolphin ou o MG4 XPower, embora o A290 procure impor-se pelo seu foco intransigente na dinâmica e pelo seu posicionamento premium de origem francesa, algo que o diferencia no segmento. Análise dinâmica e ficha técnica do A290 O Alpine A290 chega ao mercado português em várias versões (como GT, GT Premium, GT Performance e GTS), oferecendo duas opções de motorização elétrica, ambas alimentadas por uma bateria de 52 kWh (autonomia WLTP de até 380 km). A versão de entrada, a GT, debita 180 cv (130 kW) e 285 Nm de binário, enquanto a versão mais potente, a GTS por nós testada, eleva a fasquia para 220 cv (160 kW) e 300 Nm. Esta última é a que mais encarna o espírito “hot hatch”, capaz de acelerar dos 0 aos 100 km/h em 6,4 segundos, com uma velocidade máxima limitada a 170 km/h. A sua massa total contida (cerca de 1.479 kg para o GTS, notavelmente baixo para um elétrico) é um trunfo face à concorrência. Relativamente às prestações dinâmicas e comportamento, o A290, e em particular este A290 GTS, foi concebido para dar destaque à agilidade, beneficiando de vias mais largas, um eixo traseiro multibraços e amortecedores hidráulicos que ajudam a conciliar o conforto de utilização diária com um comportamento desportivo em condução mais empenhada. A direção revela-se precisa e comunicativa, uma marca da Alpine. Destaque para o botão “Overtake” (OV) no volante, inspirado na F1, que liberta a potência e binário máximos por 10 segundos, para ultrapassagens mais rápidas, e do qual falaremos mais pormenorizadamente à frente. Já no capítulo dos consumos e a propósito da eficiência deste Alpine, demos conta de um consumo combinado próximo do anunciado (WLTP) na casa dos 15,9-16 kWh/100 km, um valor razoável para um veículo com pretensões desportivas. O carregamento rápido DC (corrente contínua) é de 100 kW, o que nos permitiu carregar a bateria de 15 a 80% em pouco mais de 30 minutos, um tempo aceitável para o segmento. Pontos fortes O Alpine A290 é uma proposta emocionante que procura redefinir o hot hatch na era elétrica. Nele encontramos aspectos francamente positivos, mas também um outro aspecto que acreditamos que o construtor poderá melhorar. Desde logo, do lado positivo da coisa, rapidamente nos damos conta de estarmos perante um automóvel em que se destaca a agilidade para o que contribui o seu peso reduzido. Afinal, o facto de ter um peso inferior a 1.500 kg revela-se crucial para a dinâmica, diferenciando-o de muitos elétricos. Também o DNA Desportivo deste Alpine A290, resultante do chassis afinado, da prestação dos pneus Michelin desenvolvidos especificamente para este modelo e os travões Brembo asseguram um comportamento desportivo e seguro. A juntar a tudo isto o design carismático que transmite um visual musculado, os faróis em forma de “X” (alusão aos carros de rali) e o interior inspirado na F1 (volante com botões de performance) conferem-lhe uma personalidade única. Ficha Técnica A290 GTS e Dinâmica (H3) CaracterísticaVersão GT (Entrada)Versão GTS (Performance)Potência Máxima180 cv (130 kW)220 cv (160 kW)Binário Máximo285 Nm300 Nm0-100 km/h7,4 segundos6,4 segundosBateria (Capacidade)52 kWh52 kWhAutonomia WLTPAté 380 kmAté 380 kmPeso em Vazio (aprox.)n/d1.479 kg e aspetos a rever! Já do lado dos pontos a melhorar temos desde logo autonomia. Afinal, embora os 380 km (WLTP) sejam suficientes para o uso diário, face a alguns concorrentes, uma bateria ligeiramente maior poderia proporcionar mais margem para viagens longas ou sessões em pista sem a preocupação da recarga, até porque se nos deixarmos levar pela adrenalina rapidamente a bateria nos obriga a descer à terra e somos confrontados com a realidade. Nota ainda para a velocidade máxima permitida, isto porque sendo os 170 km/h mais do que adequados para Portugal, nomeadamente para mantermos os pontos da carta de condução, mas podem ser vistos como limitadores por parte de quem espera o desempenho sem compromissos de um hot hatch tradicional. Referência ao facto do preço poder ser “demasiado premium”. Com preços a começar nos 38.700 EUR (versão GT), e o GTS nos 44.900 EUR, o A290 posiciona-se no topo do segmento, exigindo um investimento considerável que o afasta de citadinos elétricos de volume. Em suma, o A290 é uma estreia elétrica de alto nível para a Alpine, um veículo que promete agitar a rotina das cidades portuguesas com a sua agilidade e prestações. É o “pocket rocket” elétrico que a Alpine precisava, mas convenhamos que não propriamente para qualquer um. O botão “Overtake” Como prometemos lá atrás, não poderíamos deixar de falar num pormenor delicioso que encontramos no volante deste Alpine A290. Falamos do botão “Overtake”, uma funcionalidade inspirada diretamente nos sistemas de boost utilizados na competição automóvel, como a Fórmula 1 (onde se usa o DRS ou o botão de ultrapassagem do motor elétrico, se aplicável). Como função imediata visa permitir a utilização da potência máxima instantânea, isto porque ao ser pressionado, o botão “Overtake” liberta o binário e potência máximos disponíveis do motor elétrico, mesmo que o condutor não esteja no modo de condução mais desportivo (como o “Sport” ou “Personal”). Na versão GTS (220 cv), é a garantia de ter toda a capacidade de aceleração disponível de imediato. Este pico de performance é temporário, durando 10 segundos, e o seu propósito é fornecer um impulso rápido para auxiliar em manobras exigentes, como uma ultrapassagem segura e rápida em estrada ou para obter a máxima aceleração à saída de uma curva em pista (num trackday). Após ser utilizado, o sistema requer um curto período de recarga de 30 segundos antes de poder ser acionado novamente com 100% da sua capacidade, tal como acontece nos sistemas de competição. Em resumo, é um “jato” de adrenalina na ponta dos dedos, que transforma o A290, momentaneamente, num verdadeiro pocket rocket para situações em que a rapidez de resposta é essencial. É um detalhe que liga o citadino elétrico à filosofia de performance da Alpine. Notas Finais(0-10)Design8Materiais7,5Equipamento7,7Comportamento dinâmico8,5Espaço interior6,5Conforto6,8Posição de condução7,5Insonorização7,0Conectividade7,5Entretenimento7,5Prestações7,6Consumos6,6Percepção de qualidade global7,7Avaliação Final7,4 As avaliações nos diferentes aspectos, naturalmente subjectivas, são feitas pelo LusoMotores, ajustadas ao segmento e às características específicas do modelo em apreço. Destaques, neste caso, para a nota relativa ao comportamento dinâmico potencializado neste modelo pela sua capacidade de fazer destacar a adrenalina de quem o conduz, obrigando por vezes a recorrer ao “kit de unhas” na sua conução, um detalhe que, assumimos, revelou-se assumidamente do agrado da equipa do LusoMotores. ensaio: Jorge Reis / LusoMotores lusom