pressmedia logo

ESTUDO - AS NOVE CHAVES PARA O FUTURO DE LEIRIA E OESTE

Região de Leiria

2025-10-16 21:03:13

As 9 chaves que abrem o futuro de Leiria e oeste Estudo Mais de 800 pessoas, de 24 municípios de Leiria e Oeste, uniram-se para imaginar o futuro da região. O resultado é o estudo Prospetiva 2035, um exercício coletivo que identifca nove chaves estratégicas para acelerar a coesão, a inovação e a sustentabilidade até 2035. Mais do que um plano técnico, o Prospetiva 2035 é um convite à ação. Propõe uma visão partilhada de futuro, assente em colaboração, inteligência territorial e sustentabilidade, capaz de transformar desafos em oportunidades e de consolidar Leiria e Oeste como um ecossistema de inovação, bem-estar e qualidade de vida um território que escolhe abrir o futuro com as suas próprias chaves. Oestudo Prospetiva 2035 , Três Cenários para o Futuro de Leiria e Oeste, coordenado pelo Politécnico de Leiria e pela COTEC, afirma-se como um dos mais abrangentes exercícios de construção de futuro realizados em Portugal. Desenvolvido ao longo de três anos, envolveu mais de 800 participantes, autarcas, empresários, investigadores e cidadãos, organizados em 24 grupos municipais. O documento, disponível em http:// EM.ipleiria.pt, constitui uma base estratégica para orientar decisões públicas e privadas na próxima década. Apesar da vitalidade empresarial e institucional, Leiria e Oeste têm perdido dinamismo face a outras regiões do litoral. A inovação, a digitalização e a atração de talento avançam mais lentamente, ameaçando competitividade e coesão. O estudo alerta para a urgência de transformar fragilidades em oportunidades e reposicionar o território no mapa da inovação. A partir deste diagnóstico, constroem-se três futuros possíveis: o Cenário de Continuidade, que mantém estagnação e fragmentação; o Cenário de Transição Acelerada, que aposta na modernização e cooperação; e o Cenário de Transformação Plena, que projeta uma região europeia de inovação e qualidade de vida. Deste processo emergem as 9 Chaves que Abrem o Futuro, nove vetores estratégicos que ex-pressam a ambição de um território que quer crescer em rede, inovar com propósito e cooperar para competir, inaugurando um novo ciclo de desenvolvimento sustentável e inclusivo. 1 Governança Colaborativa e Coesão Territorial A primeira chave para o futuro de Leiria e Oeste é uma governança colaborativa, que una territórios e instituições num esforço comum de planeamento e desenvolvimento integrado. Para concretizar esta visão, o estudo propõe a criação de um Conselho Estratégico Intermunicipal, responsável por alinhar investimentos, coordenar políticas públicas e representar o território de forma unifcada perante parceiros nacionais e europeus. Entre as medidas complementares, o estudo recomenda o desenvolvimento de plataformas digitais de gestão territorial, que possibilitem a partilha de informação e a monitorização em tempo real de projetos, a constituição de fundos regionais de inovação e sustentabilidade e a criação de observatórios partilhados de dados sobre economia, ambiente, coesão social, qualidade de vida e cultura, promovendo uma decisão pública baseada em evidência. São ainda identifcados projetos-piloto nas áreas da mobilidade sustentável, economia circular, governança ambiental e dinamização cultural, que poderão funcionar como laboratórios vivos de cooperação intermunicipal. Estas experiências pretendem impulsionar uma transformação mais ampla, onde a colaboração se afrma como novo padrão de governação. 2 Universidade de Fronteira: Conhecimento e Talento com Impacto A segunda chave que abre o futuro de Leiria e Oeste é a criação de uma universidade plena e de fronteira, capaz de afrmar o território como polo de conhecimento, talento e inovação com relevância nacional e europeia. Inspirada em Eindhoven Brainport e Grenoble INP, a nova universidade é apresentada como catalisador de talento e ponte entre conhecimento e economia, reforçando a ligação entre o sistema científco e o tecido empresarial. A visão para 2035 projeta a instituição como um centro de gravidade científco, tecnológico e cultural, capaz de fxar jovens qualifcados, atrair investigadores e renovar o capital humano. A universidade deverá integrar de forma estruturada as ciências e as humanidades, reconhecendo o papel das áreas sociais, culturais e artísticas na inovação e na coesão. Neste contexto, propõe-se potenciar a Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha (ESAD.CR) como polo criativo de referência internacional, inspirando-se no espírito da Bauhaus, onde arte, técnica e indústria se cruzam para promover a experimentação estética, o design social e a inovação cultural como motores de desenvolvimento regional. Em paralelo, o estudo sublinha a importância de articular o know-how tecnológico e industrial da região com uma nova Escola Avançada de Saúde, que combine formação médica avançada, engenharia biomédica e tecnologias disruptivas para a saúde. Este modelo inovador permitirá formar profssionais preparados para atuar na interface entre saúde, tecnologia e humanismo, posicionando Leiria e Oeste na vanguarda da inovação em saúde e bem-estar. Com um Campus em Rede e uma forte integração com o EIT , European Institute of Innovation and Technology a universidade terá condições para se tornar referência europeia na produção de conhecimento com impacto, onde o saber gera valor, o talento impulsiona o desenvolvimento e o território se transforma num laboratório vivo de inovação, cultura e futuro. 3 Transição Digital e Inteligência Artifcial Aplicada A terceira chave que abre o futuro de Leiria e Oeste é a transição digital, motor de competitividade, sustentabilidade e bem-estar coletivo. A visão é clara: fazer da região um verdadeiro laboratório vivo de digitalização, onde a Inteligência Artifcial (IA), a automação industrial e a gestão inteligente de dados se traduzam em ganhos concretos de produtividade, efciência e qualidade de vida. Entre as iniciativas estratégicas, o estudo propõe a criação do Programa Transversal para a Transformação Digital e Inteligência Artifcial, a ser coordenado pela futura Universidade de Leiria e Oeste, em parceria com centros tecnológicos e clusters empresariais. Este programa visa acelerar a digitalização das PME, modernizar processos produtivos e reforçar a capacitação de profssionais nas áreas de dados, ciber-seguranca e automação. O estudo recomenda ainda o desenvolvimento de plataformas públicas inteligentes, baseadas em dados partilhados e modelos preditivos de gestão territorial, capazes de otimizar serviços urbanos, mobilidade, energia e ambiente. A criação de laboratórios de inovação digital em Leiria, Marinha Grande, Caldas da Rainha e Torres Vedras é igualmente sugerida como forma de testar soluções tecnológicas em contexto real, envolvendo empresas, investigadores e comunidades locais. A transição digital é também entendida como uma oportunidade para reduzir desigualdades territoriais, aproximando zonas urbanas e rurais através da conectividade, da formação digital e dos serviços online de proximidade. 4 Transição Verde e Comunidades Energéticas de Baixo Carbono A quarta chave que abre o futu-ro de Leiria e Oeste é a transição verde, que concilia crescimento económico, equilíbrio ambiental e qualidade de vida. Um dos eixos centrais desta estratégia é o desenvolvimento das Comunidades Energéticas Locais, que permitirão produzir, partilhar e gerir energia renovável de forma descentralizada. Estas comunidades compostas por municípios, empresas e cidadãos reforçarão a autonomia energética do território, reduzindo custos e emissões, criando uma cultura de justiça e participação energética. O estudo propõe ainda a criação do Laboratório de Transição Verde, uma plataforma de experimentação e inovação aplicada, dedicada à biotecnologia ambiental, agricultura regenerativa, recuperação de ecossistemas e gestão inteligente de energia. Este laboratório atuará em rede com universidades, centros tecnológicos e empresas, testando soluções replicáveis para todo o país. 5 Acelerador de Inovação A quinta chave que abre o futuro de Leiria e Oeste é o Acelerador de Inovação, que liga ciência, tecnologia e território num ecossistema de desenvolvimento colaborativo. No centro desta visão está o Instituto Europeu de Inovação e Ciência (IEIC), uma nova estrutura de regional de vocação internacional, destinada a conectar centros de investigação, empresas, autarquias e entidades tecnológicas. O IEIC será o catalisador de uma nova geração de projetos colaborativos, transformando ideias em soluções e conhecimento em desenvolvimento sustentável. Inspirado em modelos internacionais de referência, como Dundee (Escócia) e Aalto (Finlândia), o IEIC é identifcado como peça-chave para posicionar Leiria e Oeste na rede europeia de inovação aplicada. A sua missão é atrair investimento de elevado valor acrescentado, integrar redes internacionais de investiga-ção e impulsionar a criação de startups e spin-ofs com impacto real na economia e na sociedade. Em complementaridade com a nova universidade, o IEIC deverá mobilizar o know-how tecnológico e industrial da região para desenvolver áreas emergentes como a biotecnologia, defesa e serviços de saúde avançados, reforçando o papel de Leiria e Oeste como território pioneiro na convergência entre inovação científca e desenvolvimento humano com impacto na europa. O IEIC funcionará como uma plataforma aberta de experimentação, articulando universidade, centros tecnológicos e clusters empresariais em torno de áreas estratégicas como tecnologias avançadas, energias limpas, mobilidade inteligente, biotecnologia e inteligência artifcial aplicada. Com base em projetos-piloto e no acesso a programas europeus de fnanciamento à inovação, o IEIC reforçará a capacidade do território para gerar conhecimento exportável, atrair talento internacional e testar soluções em ambiente real, posicionando Leiria e Oeste como um território-laboratório de escala europeia. 6 Talento, Habitação e Nova Economia Humana A sexta chave que abre o futuro de Leiria e Oeste é a valorização do talento e da habitação, pilares de uma região inteligente, inclusiva e sustentável. Para responder a este desafo, é proposto um Plano Regional de Talento e Habitação, mobilizando municípios, universidades, empresas e comunidades locais na criação de condições atrativas para viver, trabalhar e inovar. O objetivo é claro: transformar o território num espaço de oportunidade para jovens, investigadores e profssionais da nova economia. Entre as medidas estratégicas, destacam-se a oferta de habitação acessível, a reabilitação de centros urbanos com enfoque na qualidade de vida e o reencantamento do meio rural como espaço de trabalho e inovação e qualidade de vida. Inspirado em experiências internacionais de rural tech hubs, o estudo propõe a criação de aldeias digitais dotadas de espaços colaborativos e criativos, capazes de atrair profssionais remotos e empreendedores da economia digital. A qualidade de vida será também reforçada pela criação de cidades inteligentes, baseadas em dados e conectividade, que otimizam energia, mobilidade, segurança e serviços públicos. Estas soluções permitirão melhorar o quotidiano das populações, reduzir o impac-to ambiental e promover comunidades mais sustentáveis e inclusivas tornando Leiria e Oeste um território onde a inovação tecnológica se traduz em bem-estar humano. 7 Mobilidade Sustentável e Infraestruturas Inteligentes A sétima chave que abre o futuro de Leiria e Oeste é a mobilidade sustentável, que torna o território mais interligado, efciente e acessível. A estratégia aposta na renovação das infraestruturas ferroviárias e rodoviárias, no potencial transformador da alta velocidade Lisboa,Porto e na implementação de corredores verdes de mobilidade elétrica, unindo os centros urbanos e industriais da região através de ligações mais rápidas, seguras e ambientalmente responsáveis. Em paralelo, o investimento em infraestruturas digitais, 5G e sistemas de dados inteligentes permitirá desenvolver cidades e aldeias inteligentes, onde mobilidade, energia e serviços públicos são geridos de forma integrada e em tempo real. O estudo propõe também recolocar a bicicleta no centro da mobilidade urbana, resgatando uma tradição profundamente enraizada na região, como outrora na Marinha Grande, e transformando-a em símbolo de sustentabilidade, saúde e identidade local. As cidades de Leiria, Caldas da Rainha, Torres Vedras e Marinha Grande poderão liderar esta nova geração de políticas de mobilidade suave, criando redes cicláveis seguras e contínuas, articuladas com transportes públicos e zonas pedonais. Para coordenar e monitorizar esta transição, será criado um Centro de Operações Integradas de Mobilidade, responsável pela gestão inteligente do tráfego, da energia e da logística regional, articulando autarquias, universidades e operadores de transporte. 8 Cultura, Criatividade e Inteligência Territorial A oitava chave que abre o futuro de Leiria e Oeste é a cultura e a criatividade, forças que reforçam a identidade regional e impulsionam o desenvolvimento sustentável. No centro desta visão surge a Rede Cultural e Criativa Leiria-Oeste 2035, uma plataforma integrada que conecta centros históricos, museus, escolas de arte, festivais e agentes culturais num ecossistema partilhado de criação e fruição. Este modelo em rede permitirá valorizar o património material e imaterial, potenciar as indústrias criativas e aproximar a cultura das comunidades, reforçando o sentimento de pertença e a imagem externa da região. A inteligência territorial assume aqui um papel determinante: as cidades inteligentes tornam-se espaços de experimentação cultural, social e tecnológica, onde o design urbano, a arte pública e a tecnologia se combinam para criar ambientes mais inclusivos, sustentáveis e criativos. A digitalização do património, os dados urbanos e as plataformas de participação cidadã serão ferramentas essenciais para aproximar os cidadãos da cultura e para gerir, de forma inovadora, o território e os seus recursos culturais. O estudo destaca ainda a criação do Laboratório de Cultura e Território, espaço de experimentação cruzada entre arte, ciência e cidadania, e iniciativas como a Rota do Património Vivo, destinada a integrar tradições, ofcios e lugares de memória num percurso cultural contínuo. A Rede de Cidades Criativas do Oeste é igualmente proposta como instrumento de cooperação entre municípios, reforçando a coesão cultural, tecnológica e territorial. 9 Polo de Inovação em Saúde, Bem-Estar e Qualidade de Vida A nona chave que abre o futuro de Leiria e Oeste é a inovação em saúde e bem-estar, colocando as pessoas no centro do desenvolvimento e da qualidade de vida. A estratégia regional aposta na prevenção e literacia em saúde, com programas de estilos de vida saudáveis, saúde mental e bem-estar em escolas, comunidades e locais de trabalho. Defende também a criação de cuidados de proximidade, articulando equipas comunitárias, cuidados continuados e resposta domiciliária, de modo a reduzir internamentos evitáveis e tempos de espera. Em paralelo, a promoção de ambientes saudáveis e sustentáveis, com acesso a espaços verdes, práticas desportivas e redes de apoio social, contribuirá para uma vida mais ativa e equilibrada, especialmente entre as populações envelhecidas. O estudo propõe a implementação de uma Rede Regional de Cuidados de Proximidade, apoiada por serviços de telemedicina e inovação digital, um Plano Regional de Saúde Mental e Bem-Estar e a criação de Academias de Envelhecimento Ativo, espaços comunitários de participação e aprendizagem contínua. A estes juntam-se os Living Labs de Saúde e Bem-Estar, ambientes de experimentação real que aproximam investigadores, profssionais e cidadãos no desenvolvimento de soluções concretas. A execução destas iniciativas deverá ser feita em estreita articulação com o SNS, os municípios e a nova universidade, garantindo uma abordagem integrada entre saúde, ciência e comunidade. Um Barómetro de Qualidade de Vida 2035 permitirá acompanhar indicadores como anos de vida saudável, saúde mental, bem-estar subjetivo e acesso a cuidados, assegurando transparência, monitorização e melhoria contínua. Em 2035, Leiria e Oeste poderão afrmar-se como um território saudável, inclusivo e resiliente, onde a inovação serve as pessoas, a ciência se alia à comunidade e a qualidade de vida se torna o principal indicador de progresso regional. Agostinho da Silva Pró-presidente do Instituto Politécnico de Leiria Agostinho da Silva