HÍBRIDOS PLUG-IN POLUEM QUASE TANTO QUANTO CARROS A COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS, DENUNCIA RELATÓRIO
2025-10-16 21:03:14

Os automóveis híbridos plug-in emitem, em média, apenas menos 19% de dióxido de carbono (CO2) por quilómetro do que os carros a gasóleo e a gasolina, denuncia investigação da organização Transport and Environment (T&E). De acordo com o relatório divulgado esta quinta-feira, dados oficiais das emissões de híbridos plug-in, com base em testes em laboratório, indicam que esses automóveis são 75% menos poluentes do que os seus congéneres movidos a combustíveis fósseis. Mas a T&E diz que a realidade é outra. “É suposto os [híbridos plug-in] pouparem nas emissões e no combustível ao alternarem entre uma bateria, que é recarregada ao ser ligada à tomada, e um motor a gasolina ou gasóleo. Mas, no mundo real, as emissões de CO2 de híbridos plug-in são quase cinco vezes maiores do que os testes oficiais sugerem”, declara a organização. Os dados que servem de suporte a esta investigação provêm da Agência Europeia do Ambiente (AEA), obtidos de monitores de combustível de 127 mil veículos registados em 2023. Os relatores estimam que os híbridos plug-in emitem, em média, 135 gramas de CO2 por quilómetro, face aos 166 gramas dos carros a gasolina e a gasóleo. Mesmo em modo elétrico, os híbridos plug-in gastam três litros de gasolina por cada 100 quilómetros, em média, segundo os dados da AEA. Isso traduz-se na emissão de 68 gramas de CO2 por quilómetro em modo elétrico, ou seja, 8,5 vezes mais do que os testes oficiais declaram. A T&E explica que isso acontece porque os motores elétricos do híbridos plug-in geralmente não têm poder que chegue para suportarem grandes velocidades ou declives acentuados, pelo que o motor a combustível fóssil tem de ser ativado. Além dos impactos ambientais, há também um impacto “escondido” na carteira. Diz o relatório que os híbridos plug-in custam aos condutores uns adicionais 500 euros por ano devido aos gastos de combustível não só no modo de condução “normal”, mas também pelos gastos quando em modo elétrico. Tudo conjugado, os relatores argumentam que os híbridos plug-in são mais caros do que alternativas menos poluentes, como os carros elétricos. Ainda, há medida que se fazem híbridos plug-in com maiores autonomias, aumenta também o peso dos automóveis e, por conseguinte, os gastos de combustível em modo de gasolina ou gasóleo. “Os híbridos plug-in com uma autonomia elétrica superior a 75 km na realidade emitem mais CO2, em média, do que aqueles com uma autonomia entre os 45 e os 74 km”, diz a T&E. A organização avança que os híbridos plug-in da Mercedes-Benz são os que têm a maior diferença (quase 500%) entre as emissões oficiais e as emissões reais registadas nos computadores a bordo dos veículos. Os híbridos plug-in das outras grandes fabricantes europeias de carros, como Renault, Stellantis, Volkswagen e BMW, emitem cerca de 300% mais CO2 do que os seus dados oficiais. A União Europeia quer proibir a venda de novos veículos que emitam CO2 a partir de 2035, mas a T&E diz que se os híbridos plug-in forem considerados alternativas limpas e a sua venda continuar a ser permitida, esse objetivo não será alcançado. E aponta que a indústria automóvel europeia tem pressionado para que essa tipologia de veículos seja classificada como zero-emissões. “Enfraquecer as regras para os híbridos plug-in é como fazer um buraco no casco da lei europeia sobre as emissões de CO2 dos carros”, avisa Lucien Mathieu, responsável da divisão de automóveis da T&E. “Em vez de direcionarem o mercado para carros zero-emissões acessíveis, os fabricantes inundá-lo-ão com híbridos plug-in caros e poluentes. Isso corre o risco de afundar a certeza de investimento em veículos elétricos de que o mercado tanto precisa”, acrescenta. Redação