AVEIRO TRANSFORMA-SE EM LABORATÓRIO URBANO COM O AVEIRO TECH CITY LIVING LAB
2025-10-16 21:03:14

Aveiro está a afirmar-se como uma referência em inovação urbana com o lançamento do Aveiro Tech City Living Lab (ATCLL), um projecto que transforma a cidade num verdadeiro laboratório vivo para testar tecnologias de ponta em mobilidade, energia, comunicações e serviços públicos. A Security Magazine entrevistou Marcos Mendes, researcher , computer do Instituto das Telecomunicações. Aveiro dispõe de uma rede de 16 km de fibra óptica e ligações sem fios 5G e LoRa; 44 nós de sensores e edge computing com câmaras, radar e Lidar; 30 autocarros equipados com unidades V2X para recolha e transmissão de dados; um sistema de câmaras inteligentes para tráfego, estacionamento e segurança; testes em curso com veículos autónomos. As próximas fases incluem a expansão da rede de sensores, a integração de drones para recolha de dados e o reforço do gémeo digital com funções preditivas e serviços urbanos baseados em inteligência artificial. Security Magazine , Qual foi a principal motivação para criar a Smart City de Aveiro? Marcos Mendes , Aveiro procurou estabelecer-se como um laboratório vivo de inovação urbana, apto para combinar tecnologia, ciência e mobilidade. O objectivo foi criar um ecossistema para testar soluções concretas em mobilidade, energia, comunicações e serviços públicos, com o intuito de melhorar a qualidade de vida e fomentar o empreendedorismo local. Surgiu então o Aveiro Tech City Living Lab (ATCLL), uma infra-estrutura acessível que converte a cidade em um laboratório para testar tecnologias 5G, V2X e Internet das Coisas (IoT). Quais são os objectivos estratégicos deste projeto? Aveiro tem a intenção de promover o desenvolvimento de competências STEAM (ciência, tecnologia, engenharia, arte e matemática) em cidadãos e empresas; estabelecer uma rede urbana moderna de comunicações capaz de sustentar novos serviços digitais; incentivar a sustentabilidade e a mobilidade inteligente; chamar a atenção para pesquisa, startups e investimento em tecnologia e estabelecer-se como um ponto de referência europeu em cidades inteligentes. Em que é que este projecto se diferencia de outros a nível europeu? O Aveiro Tech City Living Lab destaca-se por ser uma infraestrutura urbana concreta e em funcionamento, e não apenas um projecto experimental. O sistema incorpora um gémeo digital da cidade, que é alimentado por dados em tempo real provenientes de câmaras, sensores e veículos. A variedade tecnológica também é singular: 5G privado, ITS-G5, C-V2X, LoRa, mmWave e Wi-Fi coexistem em uma única rede. Além disso, existe uma intensa colaboração entre a academia (Instituto de Telecomunicações, Universidade de Aveiro), governo local (Câmara Municipal de Aveiro) e empresas de tecnologia, tanto nacionais quanto internacionais. O projecto tem financiamento europeu ou nacional? Sim. Qual é o ponto de situação actual da Smart City de Aveiro e o que se prevê para a próxima fase? Neste momento, Aveiro dispõe de uma rede de 16 km de fibra óptica e ligações sem fios 5G e LoRa; 44 nós de sensores e edge computing com câmaras, radar e Lidar; 30 autocarros equipados com unidades V2X para recolha e transmissão de dados; um sistema de câmaras inteligentes para tráfego, estacionamento e segurança; testes em curso com veículos autónomos. As próximas fases incluem a expansão da rede de sensores, a integração de drones para recolha de dados e o reforço do gémeo digital com funções preditivas e serviços urbanos baseados em inteligência artificial. Qual é o papel do Instituto de Telecomunicações (IT) no projecto? O IT é o líder técnico e científico do Aveiro Living Lab. É responsável pela infraestrutura de comunicações, desenvolvimento das redes 5G privadas, sistemas V2X e de mobilidade autónoma, e pela plataforma central de dados que gere toda a informação recolhida pelas câmaras e sensores da cidade. O Instituto apoia empresas e universidades na experimentação de novos serviços sobre a infraestrutura existente. Que tecnologias de base foram escolhidas para a infraestrutura? A infraestrutura combina várias tecnologias de ponta: 5G privado (Non-Public Network); ITS-G5 / IEEE 802.11p e C-V2X para comunicações veiculares; LoRa e Wi-Fi para sensores urbanos; mmWave e satélite Starlink para backhaul; Edge computing e Software Defined Networking (SDN) para gestão dinâmica de serviços; Câmaras inteligentes, radar e Lidar para visão computacional e detecção de eventos urbanos. Que desafios técnicos surgiram durante a implementação? Os principais desafios foram a integração de tecnologias de comunicação heterogéneas com diferentes latências e protocolos; gestão de grandes volumes de dados multimodais (imagens, sensores, veículos); Garantir cobertura estável em toda a área urbana; assegurar segurança e privacidade na recolha de dados visuais; harmonização da interoperabilidade entre parceiros públicos e privados. O que foi concretamente instalado no terreno? Foram instalados postes inteligentes equipados com câmaras e sensores ambientais, conectados à rede 5G. Além disso, autocarros e veículos de teste estão equipados com unidades de bordo (OBUs) que comunicam com a rede e enviam dados em tempo real. Toda a informação é processada por uma plataforma de dados urbanos que alimenta o gémeo digital de Aveiro e apoia a experimentação de novos serviços. E ao nível da segurança, como foi trabalhado o tema da videovigilância e do controlo de tráfego? A videovigilância e a monitorização inteligente do tráfego são elementos fundamentais do projeto. Câmaras da Hawnha multi-sensor foram instaladas em postes inteligentes para monitorizar o tráfego, o estacionamento e as condições de segurança nas ruas. Em situações de perigo, o sistema identifica pedestres, ciclistas e veículos, emitindo alertas V2X. Além disso, as informações coletadas são incorporadas ao gêmeo digital da cidade, o que possibilita a otimização de semáforos, o planejamento do tráfego e o aprimoramento da segurança viária. Que benefícios concretos trouxe o projecto à cidade? Melhoria da monitorização de tráfego e gestão de estacionamento; criação de novas competências e empregos tecnológicos; atracção de empresas e investigadores internacionais e maior segurança rodoviária e suporte a decisões baseadas em dados. Quais são os planos para o futuro da infraestrutura e dos serviços inteligentes? Nos próximos anos, a cidade pretende expandir a rede de câmaras e sensores; introduzir IA preditiva para mobilidade, segurança e ambiental; integrar drones e veículos autónomos totalmente conectados via V2X; evoluir o gémeo digital para incluir análises em tempo real e simulação urbana. 91 SecurityMagazine