GRUPO EMPRESARIAL CRIA “ESCOLA INDUSTRIAL” PARA FORMAR “ARTISTAS” DOS OFÍCIOS
2025-10-16 21:03:14

Campus em Braga resulta de parceria entre grupo empresarial DST, escola profissional e instituto politécnico. Reforçar a ligação entre a formação e as necessidades de empresas, resgatando a "tradição das antigas escolas industriais e comerciais é o objetivo. As humanidades e a arte não ficam de fora O nome pode remeter para o passado, mas é uma nova visão do ensino profissionalizante que José Teixeira, presidente do Grupo DST (que tem na área da Engenharia e Construção a sua principal atividade) quer pôr em prática na “primeira escola industrial e do pensamento do país”, localizada em Soutelo, entre Vila Verde e Braga. Nascida de uma parceira entre o grupo empresarial, a Escola Profissional Amar Terra Verde (EPATV) e o Instituto Politécnico do Cávado e Ave, a “Escola Industrial DST” pretende “resgatar a tradição das antigas escolas industriais e comerciais e dar resposta às exigências atuais do mercado de trabalho”. A escola é oficialmente inaugurada na próxima segunda-feira com a presença do ministro da Educação. “Há um estigma associado ao ensino profissional e também aos ofícios na área da construção. Ser-se picheleiro ou trolha não é uma ideia atrativa em Portugal. Mas é preciso recuperar a nobreza da ideia original. Estas escolas têm de existir para formar os artistas desses ofícios”, resume José Teixeira. Para já, o edifício da escola industrial acolhe alunos dos cursos profissionais de Frio e Climatização, Eletricidade e Manutenção Industrial da EPATV, que dão equivalência ao 12º e uma certificação profissional a que se juntarão formações dos Cursos Técnicos Superiores Profissionais lecionados no Politécnico do Cávado e Ave. Juntando ensino profissional, ensino superior e empresas no mesmo campus, o objetivo passa por garantir uma maior ligação entre o ensino, a indústria e o tecido empresarial, num modelo “único e pioneiro no país”. “As escolas não têm as oficinas, os engenheiros, os encarregados, os tutores e os mentores. Aqui encontra-se tudo isso”, destaca o presidente do grupo que já acolhe muitos dos alunos e dos recém-formados da escola profissional, em estágios e empregos. “Mais do que formar técnicos, este modelo pretende criar um ecossistema de inovação, empregabilidade e competitividade industrial”, referem os promotores do projeto. “Não há aumento de produção sem ensino profissional”, defende, por seu turno, João Nogueira, diretor da EPATV e há mais de 30 anos ligado ao ensino profissional. Ele próprio ex-aluno da Escola Industrial e Comercial Carlos Amarante, em Braga, admite que recuperar a designação que foi terminada no pós 25 de Abril comporta alguns “riscos”. Mas entre as percepções e a realidade conhecida pelas empresas e pelos alunos, nem sempre há coincidência: “O ensino profissional sempre foi secundarizado em Portugal. Mas se quisermos ligar a escola à produção, temos de ter formação no sector do comércio, dos serviços e da indústria. E as famílias sabem que estes cursos podem dar emprego imediato. Nós temos alunos para quem estes cursos são uma primeira escolha”, reforça João Nogueira, o diretor da escola que só em cursos profissionais conta com 650 alunas e uma procura crescente. Levar poetas, filósofos e artistas à escola e às empresas Num grupo que se habituou a ter dentro das suas empresas um tempo específico dentro do horário de trabalho para que os seus trabalhadores possam ler, em que se disponibilizam aulas em história de arte ou uma pós-graduação em Filosofia, que vai abrir inscrições em retiros espirituais durante o fim de semana, apostar numa formação abrangente, em que as humanidades e as artes não ficam de fora dos currículos mais técnicos, acaba também por ser uma pedra de toque deste projeto. Por isso, o espaço onde funciona a escola e as empresas recebe o nome de “Campus do Pensamento Industrial e Digital em Portugal”. “Vamos levar à escola poetas, filósofos, residências artísticas”, descreve José Teixeira, que acredita que na formação e o ensino têm de ser “transversais”. O ensino profissionalé atualmente frequentado por cerca de 110 mil alunos, o que corresponde a cerca de um terço dos matriculados no ensino secundário. Isabel Leiria Jornalista Isabel Leiria