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POPULAÇÃO PORTUGUESA OLHA PARA A IA COMO FACILITADORA

APDC Online

2025-10-16 21:04:43

2025-10-16 A IA já está profundamente enraizada no dia-a-dia da população portuguesa, sendo percebida maioritariamente como um facilitador. Mas há ainda preocupações profundas quanto às suas implicações éticas e sociais. Sete em cada dez pessoas acreditam que a IA pode melhorar a eficiência, mas que não deve substituir totalmente os trabalhadores humanos. A conclusão é de um estudo realizado pela Netsonda em Portugal para a DE-CIX, o principal operador mundial de Internet Exchange (IX). O trabalho mostra que 89% dos entrevistados acreditam que a IA tornou a sua vida mais fácil. A ajuda a encontrar informação mais rapidamente (74%) e a poupança de tempo através da automatização de tarefas (57%) são os principais facilitadores. Entre as utilizações de IA mais reconhecidas pelos portugueses por impactarem o seu dia-a-dia estão a navegação e atualizações de tráfego (57%), os assistentes virtuais (56%), o conteúdo gerado por IA (52%) e apoio ao cliente por chatbots (45%). Apenas 8% consideram que a IA não impacta o seu quotidiano. Mas ainda há 11% de inquiridos que consideram que a IA torna a vida mais complicada, principalmente pela perceção de que a tecnologia pode ser enviesada ou enganadora (67%), parecer impessoal ou robótica (66%) ou reduzir a tomada de decisão humana (60%). "A IA está a remodelar indústrias e sociedades em todo o mundo - e Portugal desempenha um papel fundamental nesta transformação. Lisboa emergiu como um poderoso polo de interligação, permitindo fluxos de dados eficientes entre continentes". Este estudo realça o quão profundamente a IA já está inserida no dia-a-dia das pessoas em Portugal, trazendo consigo oportunidades e responsabilidades para o futuro", diz em comunicado Ivo Ivanov, CEO da DE-CIX. A pegada da IA está a estender-se a todas as indústrias e usos. A população portuguesa vê a IA como uma ferramenta valiosa para ajudar na tradução de idiomas (63%) e facilitar o acesso a recursos educativos (58%). O facto de poder oferecer ferramentas de aprendizagem interativas e envolventes e apoiar a aprendizagem online e remota é também bastante mencionado. E quase três em cada 10 inquiridos (27%) já utilizaram ferramentas educativas baseadas em IA sendo que as pessoas entre os 18 e os 24 anos revelaram taxas de adoção de 42%. E entre quem já usou mais de metade (57%) mostra-se "muito satisfeita" com a experiência. Na saúde, dois terços dos portugueses acreditam que a IA pode melhorar os serviços, através da redução dos tempos de espera (66%) e da melhoria da eficiência através da automatização de tarefas administrativas (63%). Quanto à sua utilização nos atos médicos, os portugueses estão divididos. Metade (50%) sente-se confortável com o uso de IA em diagnósticos e tratamentos médicos, havendo, no entanto, uma pequena diferença entre o sentimento entre homens e mulheres. Os homens sentem maior conforto (55%) do que as mulheres (46%). Quanto às principais razões para se sentirem confortáveis na utilização de IA na medicina, as principais são a capacidade de analisar dados médicos rapidamente (67%) e ajuda na monitorização dos indicadores de saúde (55%). Já o medo de erros no diagnóstico é a principal razão pela qual os portugueses não se sentem confortáveis com a utilização da IA em tratamentos e diagnósticos médicos (55%), seguindo-se o receio de que erros de IA possam afetar negativamente os resultados do tratamento (50%). Mais consensual é a utilização da IA nas cidades inteligentes. Seis em cada 10 inquiridos acreditam que a IA pode otimizar a gestão de tráfego (para reduzir congestionamentos) e facilitar melhores horários e rotas de transportes públicos (59%). A segurança pública (melhoria na vigilância, resposta a emergências em tempo real, e prevenção e previsão de crimes alimentada por IA) é a característica de uma cidade inteligente considerada mais benéfica (52%). Embora a IA seja amplamente vista como uma força positiva, o estudo revela também que os inquiridos portugueses estão conscientes das suas implicações éticas e sociais. De acordo com o estudo, sete em cada 10 inquiridos expressam receio em particular com as violações de privacidade (67%), riscos de segurança (62%) e a perda de empregos (62%). Apesar da perceção de eficiência, 7 em cada 10 inquiridos acreditam que a IA pode melhorar a eficiência, mas não deve substituir totalmente os trabalhadores humanos. A maioria (63%) pensa que a IA irá automatizar tarefas, mas os trabalhadores humanos continuarão a ser necessários para a criatividade e a resolução de problemas. As mulheres são mais propensas a acreditar que a IA pode aumentar a eficiência, mas não deve substituir totalmente os trabalhadores humanos, e estão mais preocupadas com a possibilidade de a IA assumir as tarefas que os humanos fazem melhor, em comparação com os homens. Olhando para o futuro, cerca de um quinto da amostra (18%) acredita que a IA vai "evoluir muito/exponencialmente" nos próximos 10 anos. No que diz respeito à infraestrutura, 4 em cada 10 inquiridos (40%) consideram que a atual infraestrutura de internet é suficiente para suportar aplicações avançadas de IA. Aqueles que veem a infraestrutura como insuficiente apontam a necessidade de ser mais rápida (22%), ter melhor cobertura/melhores redes (16%) e mais capacidade de processamento (11%). Este estudo quantitativo foi conduzido pela Netsonda através de questionários online junto de uma amostra representativa de 800 indivíduos portugueses com idades compreendidas entre os 18 e os 64 anos, garantindo uma margem de erro de +/- 3,46%. A recolha de dados decorreu entre 9 e 16 de abril de 2025.