CONDUTORES DE ELÉTRICOS VÃO SABER EM TEMPO DE REAL O CUSTO DO CARREGAMENTO
2025-10-16 21:04:49

Saber o valor a pagar continua a ser um desafio. Mesmo com o novo regime, continuam a existir diferentes formas de contabilizar o custo, daí que a ERSE queira que os condutores possam ver a todo o momento quanto estão a gastar nos postos de carregamento. Quando a bateria começa a chegar à “reserva”, é hora de “atestar”. Muitos condutores fazem-no na garagem, em casa, mas muitos outros têm de se socorrer dos postos de carregamento públicos. Quanto custam os carregamentos? Por muitos valores que estejam afixados, é um cálculo complexo. É por isso que a ERSE pretende que os operadores destes postos sejam obrigados a disponibilizar ferramentas para os consumidores saberem a todo o momento em quanto fica a fatura. A ERSE propõe, no documento sobre o novo regime de mobilidade elétrica que agora entrou em consulta pública, alterações ao nível da transparência de custos. O regulador pretende que “tanto nos carregamentos fornecidos por Operadores dos Postos de Carregamento (OPC) como nos prestados por Prestadores de Serviços de Mobilidade, o utilizador do veículo elétrico possa ter acesso a uma página de Internet ou aplicação móvel que lhe permita acompanhar, em tempo real, o custo da sessão de carregamento”. Desta forma, acrescenta, o utilizador “poderá compreender, ao longo da sessão, se o ponto em questão está a cobrar o preço que esperaria pagar”, ficando assim em condições de tomar “decisões informadas”, sendo também uma forma de “promover uma concorrência mais efetiva e garantir um maior controlo dos UVE sobre os custos em que incorrem no carregamento”. O controlo dos custos de carregamento é um dos problemas com que os utilizadores de veículos elétricos se confrontam. Não só não há visibilidade no preço como existe num qualquer posto de abastecimento de combustível, como é utilizada a fórmula de cálculo pelos postos para a cobrança do carregamento, muitas vezes, diferente de posto para posto. E esse ponto, essencial para a comparação de preços, não fica resolvido com o novo regime. “O novo modelo da mobilidade elétrica reduz, em certa medida, a complexidade da construção dos preços aplicados aos utilizadores de veículos elétricos, pelo facto de os OPC poderem prestar diretamente o serviço e cobrar um preço integral pelo carregamento, em contraste com o anterior modelo, que previa a soma da componente OPC com a componente relativa ao CEME”, diz a ERSE. Contudo, continua a ser permitida a “coexistência, na mesma sessão de carregamento, de diversas componentes de preço, além da componente de euros por kWh”, diz o regulador. “Tal possibilidade dificulta a comparação de preços entre pontos que cobram euros por kWh e pontos que, por exemplo, cobram euros por kWh e, simultaneamente, euros por minuto”, remata. O utilizador poderá compreender, ao longo da sessão, se o ponto em questão está a cobrar o preço que esperaria pagar. ERSE Proposta A ERSE não tem preferência por um ou por outro modelo, identificando falhas em ambos, mas alerta que o pagamento por minuto pode sair mais caro. “O recurso à componente de euros por minuto pode ser penalizador para os UVE, não só pela circunstância de a comparabilidade de preços ser mais complexa, mas também porque existem diversas situações em que os UVE não conseguem carregar o veículo na potência indicada no ponto.” Exemplo de uma situação em que o custo por minuto é mais penalizador para os condutores é quando “em pontos que disponibilizam elevada potência de carregamento, a bateria do veículo elétrico carregar a uma potência abaixo daquela que o ponto permite”. E isto tanto pode acontecer por a “bateria está na fase final do carregamento” como pelo facto de “a bateria não estar nas condições que permitam carregar potências mais elevadas”. Paulo Moutinho paulomoutinho@negocios.pt Paulo Moutinho