ONDA DE FURTOS EM POSTOS DE CARREGAMENTO AMEAÇA CONFIANÇA NA MOBILIDADE ELÉTRICA
2025-10-16 21:05:16

A mobilidade elétrica enfrenta um novo desafio em Portugal: uma vaga de furtos e vandalismo que tem atingido a rede pública de carregamento. Segundo uma análise da UVE , Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos, entre abril e setembro de 2025 foram registados 327 postos de carregamento afetados e 720 cabos furtados, comprometendo o funcionamento [...] A mobilidade elétrica enfrenta um novo desafio em Portugal: uma vaga de furtos e vandalismo que tem atingido a rede pública de carregamento. Segundo uma análise da UVE , Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos, entre abril e setembro de 2025 foram registados 327 postos de carregamento afetados e 720 cabos furtados, comprometendo o funcionamento de cerca de 10,3% da infraestrutura de carga rápida e ultrarrápida atualmente instalada no país. Os dados constam do Ponto de Acesso Nacional (PAN), que contabiliza 2.630 postos rápidos e ultrarrápidos distribuídos por 245 municípios, representando mais de 6.100 cabos. Estes equipamentos registavam, em condições normais, mais de 12.000 horas de utilização mensal, de acordo com o Observatório da Mobilidade Elétrica (observatorio.uve.pt). A UVE sublinha que o fenómeno, embora não seja novo nem exclusivo de Portugal, agravou-se desde agosto, afetando a confiança dos utilizadores e provocando perdas financeiras significativas para os Operadores de Pontos de Carregamento (OPC). A associação estima um impacto operacional superior a um milhão de euros por mês, agravado pelos custos de reposição e pela dificuldade logística de reativar os postos danificados. A UVE alerta para o aumento preocupante de furtos e vandalismo em postos de carregamento rápido e ultrarrápido em todo o país. “Estes incidentes comprometem o esforço coletivo de descarbonização e colocam em causa o investimento privado no setor”, alerta a UVE, sublinhando que a instabilidade pode levar empresas a adiar ou redimensionar projetos de expansão da rede. Crimes contra infraestruturas críticas A associação considera que os postos de carregamento devem ser reconhecidos como infraestruturas críticas para a mobilidade elétrica - em alguns casos já classificados como projetos PIN (de Potencial Interesse Nacional) - e propõe que furtos e atos de sabotagem sejam enquadrados como crimes agravados no Código Penal. Desde abril, mais de 700 cabos foram roubados, afetando 10% da rede nacional e gerando prejuízos operacionais superiores a um milhão de euros mensais. Esta proposta ganha relevância à luz do Decreto-Lei n.º 22/2025, que transpõe a Diretiva (UE) 2022/2557 CER, sobre a resiliência das entidades críticas, e que se encontra em fase de implementação. A UVE defende que este enquadramento legal pode ter um efeito dissuasor real e contribuir para a proteção da infraestrutura nacional de carregamento. Medidas urgentes de reforço Além do reforço penal, a UVE propõe a criação de um programa de apoio urgente às infraestruturas de carregamento, dividido em dois eixos: Segurança e prevenção , financiamento de medidas como sistemas de monitorização, alarmes, sensores, revestimentos anti-corte, iluminação reforçada e bloqueios de cabos. Recuperação rápida , criação de mecanismos de compensação que permitam aos operadores reparar e repor o serviço em prazos reduzidos, premiando a eficiência e a capacidade de resposta. “A mobilidade elétrica depende de uma rede fiável e segura. Proteger esta infraestrutura é garantir o futuro da descarbonização em Portugal”, conclui a UVE. 16 Outubro 2025 12:0016 Outubro 2025 12:00 SAPO