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LIMPEZA URBANA NÃO É APENAS INTELIGÊNCIA, É A VIDA DAS CIDADES

Green Savers

2025-10-17 21:06:46

Para que possamos falar sobre limpeza urbana no contexto das cidades inteligentes, é preciso, antes do mais, reconhecer de forma efetiva a sua importância intrínseca na vida de uma cidade. só compreendendo (e assumindo) isto, é possível explorar todo o seu potencial para a valorização de um território, para a sua atratividade económica e, claro, para a melhoria da qualidade de vida das comunidades. NO imaginário de cada um de nós, há uma cidade onde gostávamos de viver. Um desejo que se constrói na experiência que temos todos os dias, desenhado entre a nossa casa e o nosso bairro, enquanto nos deslocamos para o trabalho, nos serviços que ali existem, nas oportunidades disponíveis e nos espaços que nos proporcionam momentos de convívio, lazer e contato com a natureza. Em nenhum desses cenários, idealizamos uma cidade suja. No livro Morte e Vida das Grandes Cidades, Jane Jacobs escreveu sobre a importância do ambiente construído para as experiências urbanas (e humanas) e sobre como qualidade dessas interações é determinante para a vitalidade de uma cidade. A nossa vivência também nos diz que ruas dinâmicas, vibrantes, seguras são ruas sem lixo. Embora esta pareça uma afirmação óbvia, na prática, a limpeza urbana é frequentemente dada como adquirida, um serviço básico do qual depende, entre outras coisas, a saúde pública, mas que, ainda assim, recebe pouca atenção quando planeamos a cidade. Não havendo quem a coloque a discussão, arriscamos falhar nas boas práticas, ou até nos mínimos, e os problemas tendem a aparecer. Quando isso acontece, a limpeza urbana torna-se rapidamente numa questão dominante no debate público, ocupando manchetes de jornais e conversas entre vizinhos. A razão, mais uma vez, é clara: ninguém quer viver numa cidade suja. Vimos recentemente isso acontecer em algumas das principais cidades portuguesas. As novas dinâmicas urbanas, os efeitos da crise climática e as transformações sociodemográficas que as nossas cidades estão a viver têm sido particularmente desafiantes para a limpeza urbana, exigindo um reajuste dos serviços e obrigando, muitas vezes, a investimentos significativos que os municípios têm de suportar sozinhos. O excesso de turistas traz para as ruas cada vez mais pessoas que, não raramente, estão pouco preocupadas em cuidar dos locais que visitam. A crise da habitação está a levar mais pessoas a viver em condições de elevada precariedade, ou até mesmo na rua, e a afastar os colaboradores essenciais dos seus locais de trabalho. Os fenómenos climáticos extremos, como as tempestades ou ondas de calor, são cada vez mais frequentes e criam disrupções nos planeamentos operacionais dos serviços. Nas praias, aparecem algas vindas do outro lado do planeta que invadem os areais e ameaçam os ecossistemas e atividades económicas essenciais para o nosso país como o turismo ou a pesca, cabendo às entidades responsáveis pela limpeza das zonas balneares uma tarefa complexa e dispendiosa. Estas e muitas outras situações refletem as dores de crescimento das nossas cidades, que são cada vez mais atrativas, mas também um mundo incerto, em rápida mudança, marcado pela escassez de recursos. Como consequência, temos serviços de gestão urbana debaixo de uma pressão enorme, sendo a atividade de limpeza urbana uma das mais afetadas Os municípios têm mostrado uma capacidade de resiliência notável, tentando dar uma resposta pronta e eficaz às necessidades dos seus territórios, buscando novas soluções e abordagens alinhadas com os princípios de sustentabilidade, exercendo ginásticas orçamentais para fazer frente aos custos não planeados que surgem perante situações inesperadas. Sem deixar ninguém de fora. Não obstante o mérito do trabalho feito, é evidente que as autarquias precisam de ser apoiadas neste processo. Urge implementar os mecanismos de responsabilidade alargada do produtor previstos pela legislação, na lógica do poluidor-pagador, de forma a compensar os municípios pelos custos que têm com a limpeza urbana, e é também urgente encontrar formas eficazes de envolver os cidadãos naquilo que é o seu dever cívico de manter as ruas limpas. Mas, para que possamos falar sobre limpeza urbana no contexto das cidades inteligentes, é preciso, antes do mais, reconhecer de forma efetiva a sua importância intrínseca na vida de uma cidade. Só compreendendo (e assumindo) isto, é possível explorar todo o seu potencial para a valorização de um território, para a sua atratividade económica e, claro, para a melhoria da qualidade de vida das comunidades. E só um setor robusto, dinâmico e seguro de si é capaz responder de forma resiliente aos inúmeros desafos que a (mo)vida urbana vai colocando. A Associação Limpeza Urbana , Parceria para Cidades + Inteligentes e Sustentáveis (ALU) tem desempenhado um papel fundamental neste processo, enquanto plataforma de diálogo e de troca de experiências. Atualmente com 77 associados, dos quais 33 são autarquias ou empresas do setor público, a ALU reúne já as principais cidades nacionais e representa quase 30% da população do país. A forte adesão às iniciativas organizadas pela ALU, como é o caso do Encontro Nacional de Limpeza Urbana (ENLU), mostram a enorme fome de conhecimento que existe entre equipas técnicas municipais e decisores políticos que querem responder da melhor forma às solicitações dos munícipes que servem. A par disso, há um setor privado dinâmico, empreendedor, que busca e desenvolve soluções inovadoras, numa lógica de parceria e colaboração com as cidades, e que traz ainda valor económico ao país colocando-o na vanguarda das transições ecológica e digital. Na interação entre associados, fica também evidente a necessidade de que as suas preocupações encontrem reflexo nas políticas públicas de âmbito nacional. A ALU tem orgulhosamente desempenhado esse papel, dando voz à limpeza urbana junto do Governo e chamando a atenção para temas-chave, como os custos da atividade ou o impacto económico do setor. Estamos em vésperas de eleições autárquicas, numa altura de debate sobre o futuro das nossas vilas e cidades. Sobre como queremos tornar os territórios do nosso país mais ~ inteligentes e sustentáveis. ê por isso uma oportunidade de ouro para impulsionar este debate que a ALU iniciou. ENLU, o palco de um setor em crescimento Anualmente, a ALU organiza o seu encontro nacional, um evento de três dias que inclui um programa de conferências e, a cada dois anos, também uma exposição de equipamentos e soluções. Hoje na sua sétima edição, o ENLU , Encontro Nacional de Limpeza Urbana tem-se distinguido por uma proposta diferente de debate, partindo de um ângulo que, mais do que abordar o serviço de limpeza urbana, reflete sobre as cidades e o que estas podem ser para as pessoas. A sétima edição do certame decorreu no Porto, entre os dias 7 e 9 de julho, e contou com a parceria da Porto Ambiente.com perto de 900 participantes ao longo dos três dias, o sucesso desta edição confirmou o crescimento e a relevância do setor da limpeza urbana, a nível nacional e internacional, para a construção das cidades do futuro. No próximo ano, O ENLU já tem destino marcado: será acolhido por Guimarães, no âmbito da programação de Capital Verde Europeia 2026. Com um total de 884 inscritos, dos quais cerca de 40% corresponderam a representantes de municípios de todo o país, o evento atraiu ainda visitantes internacionais, nomeadamente de Espanha e Itália, e contou com mais de 30 oradores oriundos de diversos países, como Brasil, França, Itália, Noruega, Estónia, entre outros, que partilharam experiências, projetos e soluções inovadoras aplicadas noutras cidades do mundo. A exposição, que decorreu em paralelo, reuniu mais de 40 entidades que apresentaram equipamentos, tecnologias e serviços que evidenciam o dinamismo do setor e a forte vontade das empresas em colaborar com os municípios na resposta aos desafios atuais e futuros. O balanço muito positivo desta edição confrma não só a pertinência do trabalho da ALU, mas também a relevância cada vez maior da limpeza urbana para quem decide sobre o futuro das cidades e também para quem nelas vive. Para a ALU, é muito encorajador ver um setor tão dinâmico, com empresas e profissionais empenhados em apoiar as autarquias a encontrar soluções mais inovadoras e sustentáveis para os desafios de hoje e de amanhã. Depois de Braga, Loulé, Cascais, Funchal e Porto, em 2026, O ENLU terá como município anftrião Guimarães, coincidindo com o ano em que esta é Capital Verde Europeia. O convite feito à ALU por Guimarães para acolher O ENLU no ano em que é Capital Verde Europeia é um reconhecimento da qualidade do trabalho que tem sido desenvolvido por esta Direção, pela equipa e por todos os associados em prol da limpeza e da sustentabilidade das cidades. O facto de Guimarães incluir o 8.0 ENLU na programação oficial de Capital Verde Europeia 2026, com impacto internacional, mostra como o trabalho desenvolvido pela ALU está alinhado com uma visão de um futuro mais sustentável para as cidades, no qual a limpeza urbana é parte do debate e um elemento decisivo para a qualidade de vida das pessoas. A ALU reafrma o compromisso de continuar a promover o debate, a partilha de boas práticas e a colaboração entre municipios, empresas e especialistas, de forma a responder aos desafios de uma limpeza urbana mais inovadora, efciente e sustentável. A próxima edição promete reforçar esta missão, integrando-se num ano particularmente simbólico para a cidade onde se realizará e para o setor. Presidente da Direção da Associação Limpeza Urbana Parceria para Cidades + Inteligentes e Sustentáveis il Urge implementar os mecanismos de responsabilidade alargada do produtor previstos pela legislação, na lógica do poluidor-pagador, de forma a compensar os municípios pelos custos que têm com a limpeza urbana, e é também urgente encontrar formas efcazes de envolver os cidadãos naquilo que é o seu dever cívico de manter as ruas limpas Luís Almeida Capão