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LINALIEN STORE NO CENTRO DE LISBOA

Edit Mag

2025-10-17 21:06:53

Uma Meditação Espacial sobre Identidade e Minimalismo Cultural Nas ruas ascendentes e silenciosas de Lisboa, onde a luz dourada suaviza contornos e as sombras desenham poesia nas fachadas, nasceu um espaço que desafia os códigos tradicionais do varejo. A Lina Store, projectada pela arquitecta Kate Turbina, não se apresenta como uma loja, mas como uma experiência: um retrato arquitectónico de identidade, materialidade e presença. Lisboa como enquadramento Lisboa vive hoje um processo de transformação subtil, guiada por uma geração de criativos que procura sentido em vez de espectáculo, silêncio em vez de saturação. Essa atmosfera deu forma ao projecto: paredes em bege quente, o tom exato da pele de Lina, fundadora da marca Llinallien, dialogam com a luz cinematográfica da cidade. O branco das pedras, o metal oxidado e os ocres urbanos foram reinterpretados em superfícies que filtram a luminosidade sem competir com ela. A personagem como conceito Embora Lina não seja o tema direto do projecto, sua presença inspirou cada detalhe. “Não queríamos brandear a loja. Queríamos encarnar Lina”, explica Kate Turbina. O gesto é simbólico: a cor da pele virou parede, os anéis de prata tornaram-se superfícies em aço escovado. O resultado um espaço de essência ritual: arcos suaves, luz modulada, texturas naturais. Não há logotipos, holofotes ou peças de impacto. Tudo convida à atenção serena. Minimalismo espiritual: uma tendência lisboeta o projecto ecoa uma tendência emergente em Lisboa: o minimalismo espiritual, que une simplicidade, silêncio e profundidade simbólica. Chrysanthemums vermelhos florescem em incrustações cerâmicas no piso, unindo a tradição portuguesa do azulejo à simbologia japonesa das estações. Módulos de mobiliário flutuante permitem que o espaço se transforme em oficina, jantar, showroom ou canto de venda efêmera. O aço escovado remete à joalheria artesanal, enquanto tecidos envolvem o visitante em calor e suavidade. “Venho das estepes da Mongólia , das tendas, do budismo, dos cavalos. As minhas cores são chocolate, areia, terra molhada.”, Lina Mais do que uma loja A Lina Store não vende apenas roupas: ela acolhe presenças. Espelhos baixos refletem corpos e personalidades. O provador transforma-se em bar se- creto ou camarim festivo, onde vestir-se é também celebrar. e um lugar para experimentar roupas e também estados de espírito. Arquitectura como tradução íntima “Antes de desenhar, eu escuto: o lugar, as pessoas, o modelo de negócio, a essência da marca”, afirma Kate Turbina. Sua metodologia funde arquitectura e estratégia de marca, criando espaços híbridos, capazes de se adaptar: pop-ups que viram lounges, cantos silenciosos que se tornam palcos sociais. o design procura visibilidade imediata, este projecto aponta para algo mais duradouro: ressonância, reconhecimento, retorno. Ficha técnica Arquitetura Kateryna Turbina (kateturbina.works) Colaboradores Pavel Melnikov, Kuba Eraliev (Behance) Localização Lisboa, Portugal Area 200m quadrados Ano 2025 info@kateturbina.works Kateryna Turbina Arquitectura que une estratégia, emoção e experiência De Odessa para Moscovo, de Lisboa para Miami, Dubai e Londres: a trajetória de Kateryna (Kate) Turbina é marcada por uma geografia vasta e uma visão clara a arquitetura deve ir além da forma, tocando na experiência e na emoção de quem a habita.com mais de 15 anos de prática internacional, Turbina já trabalhou com algumas das maiores marcas globais, entre elas Hilton, IKEA, Yandex, Mercedes e Porsche. Mas o que distingue o seu trabalho não é apenas a escala dos projetcos, e sim a forma como articula o rigor da arquitectura com a psicologia, a memória cultural e a estratégia. “Cada espaço deve responder não só à função, mas também às necessidades humanas mais subtis”, explica. Depois de uma década em Moscovo, onde consolidou o seu percurso em hospitalidade e novos ambientes de trabalho, fundou em 2018 o estúdio TurbinaWorks, hoje com base em Lisboa. De lá, lidera colaborações que atravessam continentes. Entre OS seus projectos recentes destaca-se o Doma, um boutique hotel de 33 quartos nos arredores de Lisboa, concebido como um espaço que une intimidade, identidade local e experiência de viagem contemporânea. Além da prática, Turbina é também voz ativa na reflexão sobre a disciplina: já lecionou no Pratt Institute e na Parsons School of Design. A viver em Lisboa desde 2022, Kateryna encara a cidade como ponto de partida para novas colaborações europeias, numa arquitectura que cruza fronteiras, disciplinas e culturas.