pressmedia logo

EDITORIAL - EDITORIAL - AVAC, AQUECIMENTO E SMART CITIES: REGULAMENTOS, DESAFIOS E OPORTUNIDADES DE FUTURO

Revista O Instalador

2025-10-17 21:06:53

O setor da energia e das instalações técnicas vive, há vários anos, um período de transição. Dados da Comissão Europeia indicam que os edifícios consomem 40 % da energia e geram mais de um terço das emissões de gases com efeito de estufa. A maioria foi construída antes de 2000 e necessita de renovação. A nova Diretiva de Desempenho Energético dos Edifícios, que entrará em vigor até 2026, defni e metas claras: reduzir consumos, cortar emissões e modernizar o parque edificado europeu até 2050. Em Portugal, esta mudança já se faz sentir. Dados da REN e da APREN mostram que as energias renováveis abasteceram 71 % do consumo elétrico nacional em 2024. Ainda assim, persistem desigualdades. Segundo o Eurostat, mais de 20% dos portugueses vivem em situação de pobreza energética. A eficiência é hoje uma questão social e económica que exige soluções conjuntas. E as cidades são o principal campo de ação: de acordo com a Agência Internacional da Energia, concentram mais de 70% das emissões de gases com efeito de estufa e reúnem também o maior potencial de transformação. Como sublinha Isabel Azevedo, diretora da Unidade de Energia do INEGI, “as cidades são a escala natural para a implementação de soluções de transição energética, porque é nelas que se concentram tanto os problemas como as oportunidades.” O INEGI está a desenvolver a Plataforma de Otimização de Energia Municipal, que permite gerir consumos e monitorizar edifícios públicos com recurso a inteligência artificial, e a Etiqueta Energética das Cidades, que avalia o desempenho energético e ambiental urbano. Como acrescenta Mafalda Silva, investigadora sénior do instituto, “falta criar mecanismos que apontem direções concretas de melhoria nas cidades. As etiquetas de desempenho energético têm tido um papel fundamental na promoção da eficiência noutros contextos é urgente transportá-las para os sistemas urbanos.” Também o setor privado mostra como a inovação pode criar valor real. A Trane é exemplo disso com o projeto desenvolvido para a Infomaniak, em Genebra. Num data center de elevada exigência energética, duas bombas de calor captam o calor gerado pelos servidores e reaproveitam-no integralmente. A energia, antes desperdiçada, é agora usada para aquecer 6.000 habitações, evitando a emissão de 3. 600toneladasdeCO 2 porano umcasodeeconomia circular e eficiência aplicada. O desafio está lançado: unir tecnologia, regulação e cooperação para acelerar a descarbonização e gerar valor económico. A transição energética já não é uma meta é uma oportunidade real de crescimento e liderança.