EDITORIAL - PHEV EM RISCO
2025-10-17 21:07:04

0 ritmo da eletrificação do automóvel não abranda, como demonstram os registos de carros novos nos primeiros três trimestres do ano, mas há (mais) nuvens negras na linha do horizonte, devido a mudança regulamentar na União Europeia (UE), que abre caminho ao desenvolvimento negativo da fiscalidade no nosso País em 2026, com a penalização de tecnologia que regista aumento na procura: híbridos Plug-In (PHEV). Primeiro, as notícias positivas: de acordo com números da Associação Automóvel de Portugal (ACAP), em setembro, na comparação com o mesmo mês de 2024, as matrículas de carros novos progrediram 13,8%. A quota dos elétricos foi de quase 30% (29,3%). No acumulado de 2025, mais 8,7%. No que respeita às motorizações, energias alternativas com quota cada vez maior, o que contrasta com abrandamento muito pronunciado na procura de modelos com motores a gasolina e a gasóleo. As primeiras, de janeiro a setembro, representaram 67,6% das matrículas. As segundas e as terceiras corresponderam, respetivamente, a 26,7% e 5,7%. Nas energias alternativas, 21,4% de quota para as motorizações elétricas, 23,3% para as híbridas, e 14,5% para as híbridas Plug-In. os progressos tecnológicos não permitiram só o aparecimento de carros elétricos com autonomias maiores. Os sistemas PHEV recentes beneficiaram dos mesmos progressos, e, por isso, permitem conduzir mais quilómetros com as mecânicas de combustão paradas (menos consumo e co2). As notícias negativas, agora: a UE adotou regulamento novo obrigatório para todos os PHEV introduzidos na Europa a partir de 1 de janeiro de 2026. De acordo com o articulado do Euro 6e-bis, homologação das emissões de co2 mais rigorosa, com aumento significativo da distância do ciclo de teste (até 2200 km), o que originará, ninguém duvida, aumentos substanciais nos consumos e nas emissões (3,5 vezes superiores do que os resultados obtidos em laboratório, estima-sel). Fiscalmente, com co2 acima de 50 g/km, perde-se o enquadramento que beneficia os híbridos Plug-In; e, também, na Tributação Autónoma, o que impacta os custos das frotas das empresas, que representam muitas matrículas. Tecnologia sob ameaça. Atualmente, no nosso país, tanto para empresas, como para particulares, os PHEV, para beneficiarem de vantagens fiscais, precisam de cumprir dois critérios: autonomia elétrica mínima de 50 km, e emissões de co2 inferiores a 50 g/km. Sem regra nova, muitos “fora de jogo” com o Euro 6e-bis. O “VAR”, em matéria de apoios e incentivos ao automóvel, é o que todos sabemos!... jcaetano@e-auto.pt JOSÉ CAETANO