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HÁ VIDA NO LÍTIO EM PORTUGAL ALÉM DOS CARROS ELÉTRICOS

Jornal Económico (O)

2025-10-17 21:07:11

Transição Energias renováveis, inteligência artificial ou drones vão precisar do precioso mineral que jaz no subsolo português com revolução das baterias. amendes@medianove.com | sto anda tudo ligado. A fileira europeia do lítio quer crescer para dar resposta à crescente procura por baterias para automóveis. Mas há mais vida além dos carros elétricos. E que as baterias são cada vez mais necessárias para centros de dados que vão alimentar a febre mundial da inteligência artificial (IA). Mas também para as centrais eólicas e solares, assim como drones ou robots. O mundo vai girar com base nas baterias. E O lítio português vai ter um papel no meio disto tudo. “Houve as revoluções industriais e houve revoluções energéticas ao longo da nossa história. Esta é uma revolução industrial e energética. E uma revolução das baterias”, disse ao Jornal Económico Emanuel Proença, presidente-executivo da dona da mina de lítio de Boticas. “A revolução energética que estamos a viver vai ter implicações no setor energético, no setor da mobilidade, drones e robótica e em muitos outros”, destacou. As baterias são um “elemento transportador de energia para uma série de utilizações importantes e está associada à revolução do solar, do eólico e outras outras formas de formas de energia que, não sendo totalmente previsíveis, precisam de modulação”, segundo o responsável da mineira britânica Savannah. O gestor não tem a “menor dúvida” de que o veículo elétrico vai “fazer um caminho de transformação completa da mobilidade ao longo das próximas décadas. Os nossos filhos vão olhar para o veículo de combustão interna como nós olhamos agora para o telefone de disco. Isto está a acontecer, mas demora anos e nalguns casos décadas”. Mas há outra revolução a acontecer em paralelo: a da baterias estacionárias. “Servem cada vez mais para modelar sistemas elétricos completos, para modular o serviço a grandes indústrias, para modelar o sistema de apoio energético do país”, explica Emanuel Proença. O mundo aposta cada vez mais na energia solar, que, obviamente, só brilha durante o dia. Isto deu origem ao fenómeno bico de pato no mix energético diário, em que a produção de solar dispara durante o dia, mas com o consumo a não acompanhar, pois o pico de consumo é ao final da tarde, início da noite. Se as centrais “tiverem baterias para pegar na energia solar e servir esse pico de consumo, como acontece no Texas ou na Califórnia, em grande dimensão e em grande escala, será muito bom para os consumidores finais e muito bom para a população em geral e para a economia. Aqui vai acontecer o mesmo, não há a menor dúvida”, previu. A Savannah anunciou em meados de setembro, que conta com mais 40% de lítio face ao do que o previsto no Projeto Lítio do Barroso, em Boticas, Vila Real. Emanuel Proença disse que esta é uma “confirmação importante” na “perspetiva dos bancos, dos investidores e de clientes. E evidentemente significativo saberem que têm aqui um projeto que pode ajudar a alimentar fábricas de veículos, de baterias, de refinarias por muitos e longos anos”. Para o próximo ano, a companhia prevê fechar o financiamento do projeto, estando a trabalhar nesse sentido. “o trabalho de estruturação do financiamento é sempre um trabalho importante para uma empresa que está a desenvolver projetos destes. Isso implica muito trabalho com bancos, com os acionistas, com potenciais financiadores, com fornecedores de soluções, de apoios a fundo perdido”. Sobre os preços do lítio que estão quase 99% abaixo do pico registado em 2022, Emanuel Proença disse: “Temos a sorte de ter um projecto que vive e trabalha bem em preços baixos. Vai haver um momento em que o preço vai voltar a explodir a nível mundial. Nós queremos nessa altura estar no mercado, porque assim estaremos a gerar mais retorno para todos e a gerar mais royalties ”, remata o gestor. “Esta é uma revolução industrial e energética", diz Emanuel Proença. Projetos europeus ajudam a combater hegemonia da China O líder da Savannah considera que os projetos europeus da fileira do lítio vão ajudar a combater a hegemonia chinesa. “A estabilização nestes mercados nascentes demora sempre. O lítio, como outros minerais críticos, é um mercado que ainda vai ser muito volátil ao longo de anos e todos os actores do mercado sabem que a oportunidade de médio e longo prazo é muito grande, mas que têm de viver pela volatilidade e pelos altos e baixos do mercado", segundo Emanuel Proença. A companhia anunciou em setembro que o potencial total do projeto pode vir a superar “100 milhões de toneladas de mineralização de lítio ao longo dos anos, suficiente para a produção de 47 milhões de veículos elétricos , o equivalente a eliminar o consumo de petróleo de toda a frota automóvel” em Portugal, França e Países Baixos. Raio-X Centros de dados vão contribuir com mais de 9 mil milhões de euros diretos no PIB nacional até 2030, estima a Copenhagen Economics. Investimento A ambição de Portugal nos centros de dados vale 12 Autoeuropas, 24 mil milhões. O primeiro grande projeto é o centro de dados de Sines, 8 mil milhões. Reservas o recurso confirmado na mina de Boticas aumentou 40%, situando-se agora nos 39 milhões de toneladas. Carros Isto é o suficiente para a produção de 47 milhões de veículos elétricos o equivalente a todos os carros em Portugal, França e Países Baixos. André Cabrita-Mendes