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ALEMANHA REPÕE INCENTIVOS AOS ELÉCTRICOS PARA SALVAR AS MARCAS GERMÂNICAS

Observador Online

2025-10-20 21:04:31

Depois de retirarem os incentivos à venda de veículos eléctricos em Dezembro de 2023, os alemães emendaram a mão e prometem repôr essas ajudas em 2026 e até 2029. Tudo para salvar as marcas alemãs. A Alemanha, que tem no automóvel a sua maior indústria, em postos de trabalho e rentabilidade, que se constipa cada vez que qualquer construtor germânico espirra. Isto é tão mais grave quando, simultaneamente, quem dá sinais de gripe são os três grandes grupos alemães, da VW à Mercedes, passando pela BMW. Daí que foi sem surpresa que o Governo germânico tenha feito marcha-atrás e optado por repôr os incentivos aos eléctricos para dar uma mão às marcas locais. Há cerca de dois anos, em Dezembro de 2023, o Governo alemão decidiu suspender as ajudas à compra de modelos 100% a bateria, por considerar que este tipo de solução estava suficientemente madura para abrir mão dos incentivos e ser competitiva por si mesma. Porém, se alienou os veículos eléctricos, manteve curiosamente os híbridos plug-in (PHEV) a usufruir das ajudas do Estado, uma solução que estudos na posse da UE concluem que não se justificam, por os modelos poluírem mais do que os veículos não electrificados, tendo ficado provado que os clientes não recarregam os PHEV, especialmente os mais caros e potentes. Apesar deste corte de incentivos poder ser associado a uma necessidade de reduzir a despesa por parte do Governo, esta explicação cai pela base quando se torna óbvio a sintonia entre o Governo alemão e os construtores locais, com estes a acolher de mãos abertas a redução das vendas de eléctricos no maior mercado europeu, como que para provar o que afirmam, ou seja, que os clientes não querem adquirir automóveis eléctricos. Na realidade, as marcas germânicas - à excepção dos construtores do Grupo Volkswagen - não possuem chassis construídos sobre plataformas específicas para veículos eléctricos e nenhum deles (Grupo VW incluído) abre mão das mecânicas PHEV, exclusivamente por afastarem a necessidade de conceber bases específicas para carros eléctricos, bem como fábricas para os produzir, para maximizar a rentabilidade. O novo programa de apoio à compra de modelos a bateria entrará em vigor em Janeiro de 2026, com o chanceler Friederich Merz a ter anunciado que tem 3 mil milhões de euros para incentivos a veículos com zero emissões. Isto pode cativar as famílias com baixos e médios rendimentos, com a promessa de as ajudas se manterem até 2029. De acordo com a imprensa alemã, os incentivos a atribuir a partir de 1 de Janeiro para a aquisição de novos carros eléctricos vão arrancar nos 4000EUR. Mas estas ajudas passam a estar limitadas a um tecto máximo de 45.000EUR, o que limita as ajudas a eléctricos do segmento C, bem abaixo dos 65.000EUR até 2023. Simone Carvalho