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REGIÃO - NOVO CAMPUS EM VILA VERDE TORNA REGIÃO MAIS COMPETITIVA

Diário do Minho

2025-10-21 07:32:04

Campus do Pensamento Industrial e Digital quer diminuir pobreza através da educação Diminuir as desigualdades através da educação e, em simultâneo, industrializar o país. É com este foco que o grupo dst, em colaboração com o Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA) e a Escola Profsi sional Amar Terra Verde (EPATV), inaugurou ontem em Soutelo, Vila Verde, o primeiro Campus do Pensamento Industrial e Digital em Portugal. Este campus nasce da escola industrial dst, criada para resgatar a tradição das antigas escolas industriais e comerciais dos anos 80 e dar resposta às exigências atuais do mercado de trabalho. Esta escola é já um espaço formativo homologado pela DGEstE, com cursos profsi sionais e de especialização tecnológica para alunos do 9.º ano e diplomados do 12.º ano, em áreas estratégicas para a indústria como energia, eletricidade, climatização e manutenção. «Queremos trabalhar as desigualdades. É na educação que estamos a jogar a nossa história do futuro. É com a educação que poderemos destruir a desigualdade. As desigualdades são más para todos: para a sociedade e para os das margens. As democracias têm ferramentas para diminuir as desigualdades e as empresas não podem ficar fora dessa responsabilidade», referiu o presidente do Conselho de Administração do dstgroup. Trata-se, nas palavras de José Teixeira, de «uma escola industrial com um pensamento humanista», criada para «evitar os caminhos da pobreza», sendo aqui a educação «o caminho mais rápido». « A educação é a solução que permite que os nossos filhos tenham uma vida melhor do que a que tivemos. A educação é a porta da liberdade, da criatividade, da imaginação, da solida-riedade e da compaixão», disse José Teixeira, na sessão de inauguração. Neste sentido, vincou, «a escola industrial dst nasce para resolver problemas de escassez na economia do trabalho, na economia industrial em que operamos, nas várias empresas». «A escola industrial dst nasce para resgatar as oficinas na formação dos futuros artistas das profissões, para dar dignidade ao trabalho, para juntar teoria e prática, ciência e artes, a física, a metafísica e a espiritualidade (...)» e «para todos perceberem que o conhecimento é in-dispensável para o aumento da produtividade, para a diminuição do tempo de trabalho e para o aumento dos salários». Industrializar o país é outro dos propósitos, na certeza de que «não haverá industrialização sem competências industriais e humanistas. «Queremos boas pessoas», frisou. Para além da participação no programa de mobilidade Erasmus+, José Teixeira falou da possibilidade que os alunos terão de «frequentar as aulas práticas, na dimensão e escala reais, nas nossas fábricas». «Estes alunos po-dem atravessar a rua, no final do 12.º ano, e fazerem um CTeSP na escola nossa parceira, o IPCA, e podem, de seguida, saltar para a Universidade do Minho ou para a Faculdade de Filosofai », salientou. Ministro da Educação tece elogios ao ensino profsi sional Esta vertente foi igualmente destacada pelo ministro da Educação, que marcou presença na inauguração. «O ensino profissional é essencial na qualificação dos portugueses e temos procurado dar-lhe cada vez mais visibilida-de», disse, vincando o investimento que está a ser feito, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) em quase 400 centros que estão a ser reequipados. «Com essa reforma queremos um maior alinhamento com a oferta dessa via de qualificação», referiu. Fernando Alexandre fez ainda questão de salientar que o ensino profsi sional «é uma das vias que os portugueses têm para se qualificar e ingressar no mercado de trabalho com as competências necessárias» mas esta «pode ser seguida, mais tarde, de estudos no Ensino Superior». «Os percursos podem ser diversificados e é preciso dar esse espaço», disse. O ministro defendeu igualmente «mais organização» e «estratégia» no país no que respeita a qualifci ação pela via profsi sional, ligando as formações às dinâmicas das regiões.com esse propósito, «na reforma que estamos a fazer no Ministério da Educação, estamos a dar competências de planeamento às CCDR-N na oferta do ensino profsi sional», disse. Fernando Alexandre terminou a sua intervenção desafiando as escolas profissionais a terem um sistema de inovação, para além do de qualifci ação. AUTARCAS E PRESIDENTES DE ESCOLAS PROFISSIONAIS ENVOLVIDAS VINCAM IMPORTÂNCIA DO PROJETO Novo polo de inovação vai contribuir para aumentar competitividade da região Rita Cunha A importância do novo Campus do Pensamento Industrial e Digital, em Vila Verde, foi enaltecida quer pelos autarcas como pelos presidentes das escolas profissionais envolvidas (IPCA e EPATV), que nele veem um polo de inovação pedagógica e tecnológica que contribuirá para o aumento da competitividade da região do Minho. A presidente do IPCA começou por lembrar que a ligação ao território está na génese da criação do instituto, patente no «trabalho de proximidade» que tem vindo a ser realizado. Maria José Fernandes considerou que este campus se posiciona «como um projeto inovador para o ensino, integrando três realidades distintas, que se complementam no seu objetivo comum, que é o ensino para indústria cada vez mais digital, no sentido do aumento da competitividade da indústria. «Acredito que esta parceria seja um projeto piloto, disruptivo no panorama da preparação para uma indústria mais capacitada para os desafios que se avizinham no futuro, e que requerem uma forte componente prática, aliada a conhecimentos técnico-científicos que promovam a inovação e acrescentem valor», destacou. Maria José Fernandes deu ainda nota da «disponibilidade permanente do IPCA para trabalhar com as empresas e os municípios, de forma a alavancar novas áreas de conhecimento e desenvolvimento». Na mesma ótica, o diretor-geral da EPATV, João Luís Nogueira, sustentou que esta «iniciativa visionária» vem «valorizar o território», para além de representar «uma oportunidade única para criar um ecossistema de inovação, onde formação profissional, ensino superior e setor empresarial se arti-culam de forma integrada, potenciando uma resposta eficaz aos desafios económicos, sociais e tecnológicos da região e do país». «Em conjunto com o IPCA e o dstgroup, acreditamos que o Campus se afirmará como um polo de excelência com impacto positivo e duradouro nas pessoas, nas organizações e no desenvolvimento regional», disse. João Luís Nogueira aproveitou o momento para deixar um alerta relativamente às diferenças salariais existentes entre o ensino público e privado, sendo que os primeiros dispõem de uma tabela salarial mais atrativa face aos segundos. «Desenhamos um futuro muito difícil para as escolas profissionais devido às tabelas salariais, pese embora, até hoje, não termos tido falta de profissionais», disse. Segundo o diretor-geral da EPATV, começa a ser difícil captar professores para o ensino privado, em particular «qualifica-dos». «Temos um conjunto de professores que vêm das empresas, são especialistas nas áreas tecnológicas. Eles ganham mais nas empresas do que na escola. O risco que corremos é o de não termos professores qualificados, de não ter mos os melhores», alertou, pedindo que «as condições de trabalho da escola profissional sejam iguais às da escola pública». Lamentou ainda que o financiamento para a formação profissional não seja atualizado há 14 anos, não tendo em consideração o aumento da inflação. «Estamos a receber menos 25% do que recebíamos em 2011 e os desafios de hoje são muito maiores que na altura», vincou. A presidente da Câmara de Vila Verde também destacou o impacto estratégico do projeto para o território, defendendo a sua replicação. «Este é um projeto estruturante para tornarmos o território mais forte e resiliente», disse, destacando a vertente humanista da formação. «Isto é um passo muito significativo não só para a qualificação dos nossos jovens e para a sua inserção no mercado de trabalho, mas porque se cria aqui uma parceria muito forte entre o IPCA, dst e EPATV no sentido de termos um tecido bem qualificado , de termos excelentes funcionários, mas também boas pessoas (...).com certeza que todo este território ficará muito mais qualificado e preparado para os desafios atuais, como as alterações climáticas, a transição digital ou a Inteligência Artificial», referiu. PARCERIA dst, EPATV e IPCA criam escola industrial PRESENÇA Evento contou com presença de autarcas Novo campus, em Soutelo, foi inaugurado na manhã de ontem O ministro da Educação marcou presença na inauguração, tendo visitado as instalações Rita Cunha