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TECNOLOGIA - NETFLIX DÁ PONTAPÉ DE SAÍDA NAS CONTAS DAS “BIG TECH”

Negócios

2025-10-21 08:11:04

A gigante do “streaming” arranca hoje com o reporte dos números trimestrais. No dia seguinte, a Tesla estreia os resultados das sete magníficas. Os lucros por ação devem subir todos em termos homólogos , com exceção da fabricante de veículos elétricos. cpedro@negocios.pt ANetflix arranca nesta terça-feira com a apresentação dos resultados do seu terceiro trimestre, inaugurando o calendário de reporte de contas das grandes “tech” dos EUA. E O cenário é promissor,já que se espera que o lucro por ação (EPS) da gigante do “streaming” aumente 30% face ao período homólogo de 2024, para 6,97 dólares, e que as receitas pulem 17% para 11,51 mil milhões. A Netflix deixou de dizer quantos subscritores tem, pelo que os investidores prestarão especial atenção ao “engagement” (horas consumidas), que Mark Malek, diretor de investimento da Siebert Financial, prevê que tenha melhorado. Mas é na quarta-feira que é dado o pontapé de saída à divulgação dos números trimestrais das chamadas sete magníficas das tecnologias, estando a Tesla na primeira posição da grelha de partida. E a fabricante de veículos elétricos é, de entre as sete, a única com uma estimativa negativa parao EPS. Segundo a Zacks Equity Research, a empresa liderada por Elon Musk deverá anunciar um lucro por ação de 0,52 dólares, o que representa uma quedade 27, ,8% face aos 0,72 dólares reportados entre julho e setembro do ano passado. Já a Wedbush Securities aponta para 0,51 dólares, ao passo que o consenso dos analistas auscultados pela FactSet projeta um valor mais alto: 0,55 dólares (-24%). Mas todos avisam que pode haver surpresas, com a maioria dos analistas a conceder a possibilidade de O EPS até poder subir, dado que o principal crescimento das vendas terá sido no mercado norte-americano devido ao fim, a 30 de setembro, dos incentivos aos veículos elétricos, pelo que as margens de lucros podem ter sido mais elevadas. Apesar das dúvidas relativamente aos lucros, a generalidade do mercado aponta para que as receitas aumentem, estando à espera de uma subida de 4, ,6% para 26,33 mil milhões de dólares. Segundo os números das vendas já avançados pela Tesla no início deste mês, a fabricante de veículos elétricos fechou o terceiro trimestre do ano com 497.099 unidades entregues, uma subida homóloga de 7,4% e bastante acima das expectativas dos analistas. A 29 de outubro segue-se a idivulgação de contas de mais três magníficas: aAlphabet, quie é dona da Google, a Meta Platforms que detém populares serviços de redes sociais e comunicação, como O Facebook, Instagram, Whatsapp, Messenger e Threads = e: a Microsoft. Eas projeções são positivas para todas elas: “embora se aponte para um crescimento dos lucros abaixo do registado no trimestre homólogo, serão bons o suficiente para satisfazerem os investidores”, aponta Mark Malek. Segundo a Zacks Investment Research, que reuniu as estimativas de 16 analistas, a Alphabet poderá anunciar um lucro por ação de 2,29 dólares no seul terceiro trimestre, um aumento de 8% face aos 2,12 dólares do mesmo período do ano passado. Mas Os números podem vir a ser melhores, já que a tecnológica californiana, sediada em Mountain View, tem superado de forma consistente as previsões de Wall Street para os seus lucros. Aconteceu nos últimos quatro trimestres el no último, com 2,31 dólares de lucro por ação, bateu em 7,4% o consenso do mercado. Também a Meta deve melhoraro EPS do seu terceiro trimestre fiscal. A tecnológica liderada por Mark Zuckerberg deve reportar um lucro de 6,74 dólares por ação, segundo as 18 projeções reunidas pela Zacks Equity Research e, a concretizar-se, representará um ganho de 11,8% face aos mesmos três meses de 2024, quando o EPS foide 6,03 dólares. O período em análise , julho a setembro corresponde, no caso da Microsoft, ao primeiro trimestre do seu exercício fiscal de 2026. E expectativa do mercado é de que a empresa reporte um lucro de 3,66 dólares por ação, mais 10,9% do que os 3,3 dólares do mesmo trimestre do ano passado. Chegados a dia 30, é a vez de aApple e a Amazon darem a conhecer os seus números. No caso da tecnológica da maçã, o lucro por ação entre julho e setembro , que corresponde ao seu quarto trimestre fiscal deverá ser de 1,74 dólares, um ganho de 6,1% face aos 1,64 dólares do período homólogo. A fabricante de iPhones, iPads, Macs e outros produtos, sediada em Cupertino (Califórnia), atingiu um recorde de dispositivos ativos em todas as categorias de produto e geografias. JJá a Amazon, que vai anun-ciar os resultados do seui terceiro trimestre, poderá registar um aumento de 11,89% do EPS, para 1,60 dólares, pelas contas da Zacks Equity Research. A Roth Capital eleva ainda mais a fasquia: depois de ter previsto inicialmente um lucro por ação de 1,72 dólares, reviu em alta a sua estimativa para 1,95 dólares. E isto porque se espera que “a vertente retalhista da gigante do comércio eletrónico apresente margens sólidas, compensando assim a incógnita em torno da sua plataforma de serviços de computação em nuvem Amazon Web Services” (que na segunda-feira registou uma interrupção dos seus serviços a nível mundial, afetando plataformas alojadas nos servidores da tecnológica), considera John Belton, gestor de carteira no Gabelli Growth Fund AAA, citado pela Morningstar. Para rematar, temos a Nvidia, quie, como é habitual, divulga mais tarde as suas contas , neste caso, a 19 denovembro. Segundo os analistas inquiridos pela FactSet, a fabricante de semicondutores, que tem sido a cabeça de cartaz do “boom” da inteligência artificial, deverá ter tido um lucro de 1,24 dólares por ação no terceiro trimestre. Se isso acontecer, será a maior subida do EPS, de entre as sete magníficas, já que corresponderá a um aumento de 53% face ao período de julho a setembro de 2024. Os analistas estão ainda mais otimistas no que toca às perspetivas de crescimento da gigante dos chips, depois da sua parceria com a OpenAI (criadora do ChatGPT) anunciada em setembro. Economia está a crescer a duas velocidades e Separa “rebanho” das sete magníficas As empresas continuam a consumir a bom ritmo, ajudando as “big tech" com negócios mais virados para o segmento corporativo. Mas as que dependem mais do consumo privado têm tido desempenhos menores. Ao longo de grande parte dos últimos anos, o desempenho das sete magníficas esteve muito alinhado, com movimentações em bloco, quase como se de um rebanho se tratasse. Chegados a 2025, o cenário mudou. Logo no arranque do ano, os ganhos revelaram-se tímidos e a Tesla e a Apple chegaram mesmo a estar a negociar em terreno negativo. Mas porquê? O abalo veio, em grande medida, da preocupação em torno do impacto das tarifas alfandegárias impostas pela Administração Trump aos seus parceiros comerciaise e também devido aos receios de que os elevados investimentos destas cotadas na euforia da inteligência artificial pudessem estar a ser excessivos para o retorno que se estava a verificar chegando a haver quem colocasse a possibilidader de: seestar perante uma bolha, embora diferente daquela a cujo estoiro assistimos em 2000. E sem esquecer o movimentoe de “sell-oft", se bemque curtao duração, logo a seguir ao aparecimento de um modelo de IA "lowcost”, trazido pela chinesa DeepSeek. Agora,já no quarto trimestre do ano, seis das “Big Seven” registam valorizações anuais, se bem que muito longe das performances estrondosamente positivas dos últimos três anos. Há quem aponte como principal causa a economia a duas velocidades: as empresas continuam a consumir a bom ritmo, mas o mesmo não se pode dizer das famílias. Come efeito, nosúltimos anos, estas cotadas “movimentavam-se amplamente como uma unidade monolítica, subindo e descendo a parcomos ganhos e perdas do mercado em geral, embora em diferentes graus”, aponta Matt Weller, diretor de “research” da StoneX. Mas este ano tudo mudou. “Desde o início de 2025, as diferenças entre estas grandes entidades tornaram-se mais acentuadas. Houve empresas com um desempenho menos notável, como a Apple e a Amazon, apesar das condições geralmente otimistas, ehouve empresas de maior destaque, como a Nvidiae a Alphabet, quie ganham mais de 30% desde o início do ano”, refere o mesmo analista. E a viragem veio com a economia a duas velocidades, em que há robustez de consumo do lado empresarial mas não tanta nas compras do lado dos particulares. E isto mexe coma as “Big Seven” de formas diferentes. A Apple e a Tesla, duas das sete magníficas mais sensíveis à procura dos consumidores, têm revelado sinais de tensão ao longodo ano. Na Tesla, àmedida que os cortes nos preços do Model 3 e y surtemefeito, há imais poten-cial de queda da margem bruta. A Apple também não tem tido um ano brilhante, mas o cenário ficou mais risonho esta semana: as vendas do iPhone 17 estão a crescer bem, o que levou a que a tecnológica registasse ontem um novo máximo histórico, nos 260,2 dólares por ação 1 e a ficar muito perto de ser uma nova 4-trillion-dollar baby. Nesse patamar apenas está, atualmente, a Nvidia. A Microsoftjáesteve nesse clube, mas a sua capitalização bolsista ronda agora 3, ,83 biliões de dólares e foi mesmo superada, na sessão desta segunda-feira, pelaApple que chegouaos: 3,91 biliões. Enquanto isso, a tecnologia empresarial continua saudável. o negócio de nuvem da Microsoft tem crescido, com O Azure a manter o seu impulso à conta do bom ritmo de adesão à inteligência artificial. Também aAmazon Web Services está a caminho de ganhos maiores do que no ano passador e aunidade de “cloud” da Alphabet está a expandir lentamente as margens. No acumulado do ano, a Amazon é a única com saldo negativo (2,49%), ao passo que a Apple é a que menos sobe (7,94%). Jáa Nvidia e Alphabet são as que se destacam nos ganhos, com escaladas de 36, ,19%e 35,26%, respetivamente mas muito longe das subidas fulgurantes dos últimos anos. Entre as “Mag 7, a aque mais 3 subiuem 2024 foi a Nvidia, com uma escalada de 178, 9% (depois de disparar 239% em 2023), ea que menos terreno ganhou foi a Microsoft, quie, ainda assim, teve uma valorização de 13,65%. Seis delas , a única exceção foi a Microsoft , superaram a performance do índice Standard & Poor s 500, que terminou o ano a ganhar 24, ,01%. Agora, em 2025, o desempenho tem estado a iser notoriamente inferior. CP 53 CRESCIMENTO A gigante dos semicondutores Nvidia deverá registar o maior crescimento homólogo do lucro por ação: 53%. Lucro por ação da Netflix terá subido 30% no seu terceiro trimestre fiscal. O AMAZON No acumulado do ano, a Amazon é a única das sete magníficas que recua. A perda é de 2,49%. 3,91 BILIoES A Apple atingiu um novo máximo histórico, com a capitalização bolsista a rondar quatro biliões de dólares. &. Embora se preveja crescimento dos lucros abaixo do trimestre homólogo, serão bons o suficiente para satisfazerem Os investidores. MARK MALEK Diretor de investimento da Siebert Financial &6 A vertente retalhista da gigante do comércio eletrónico Amazon deverá apresentar margens sólidas. JOHN BELTON Gestor de carteira no Gabelli Growth Fund AAA CARLA PEDRO