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OPINIÃO - DA ESCURIDÃO À LUZ: CRÓNICA DE UM CAMINHO PARTILHADO

Correio do Minho

2025-10-22 21:06:35

_ voz às escolas Não é um fim, é uma respiração entre compassos. O que aqui deixo não é apenas um balanço, mas o eco de uma caminhada que começou em setembro de 2020, quando as palavras primeiras se fizeram na minha primeira crónica. Desde então, o Agrupamento de Escolas de Maximinos foi desenhando, passo a passo, uma travessia luminosa: da sombra ao fulgor, da invisibilidade ao reconhecimento. Rasgámos o manto cinzento do preconceito, esse que nesa sohre a desionacão “Teip” e erguemo-lo, com dignidade, como estandarte de equidade, de ousadia pedagógica e de pertença cidadã. Seguimos sempre guiados por um norte que pulsa convicção: o nosso Projeto Educativo, em vigor atualmente, 2024-2028, “Educação para Todos: Inovar, Incluir e Inspirar”. Não é lema de vitrine. ê uma promessa viva, um contrato de alma com a comunidade. Nele, a escola é farol de transformação, enraizada no Perfil dos Alunos e de mãos dadas com os ODS. Incluir e inovar não são gestos acessórios: são as pontes que lançamos todos os dias entre cada criança e o seu direito ao futuro. No território onde lançamos raízes, a diversidade não é exceção: é fundação. Quase um terço dos nossos alunos nasceu-fronteiras. Mais de 40 países habitam os corredores, os recreios, os silêncios e as descobertas. A presença crescente de estudantes estrangeiros, a chegada de refugiados desde 2019, tudo isso nos convoca. Não como entrave, mas como horizonte. Este contexto exige mais: exige escuta, rein-Diretor do Agrupamento de Escolas de Maximinos venção, refazimento. e foi assim que construímos um ecossistema que cuida e sustenta. Criámos o PAT (espaço de consolidar e crescer). O AAC e o ATE (braços estendidos para quem mais precisa). O PLNM (o primeiro abraço linguístico e pedagógico para quem chega). As equipas EMAEI e GMOE, sentinelas de um princípio inegociável: ninguém fica para trás. Os boletins do Observatório de Qualidade dão testemunho: no PAT, há progresso mesmo entre ausên- casno AAC e no ATE germinam hábitos de estudo e autorregulação; no PLNM, mesmo entre desafios e fluxos imprevistos, semeiam-se caminhos de pertença. e os frutos começam a despontar. Ño 3.0 período de 2024/25, o sucesso pleno alargou-se em todos os ciclos, com o secundário a ganhar fôlego novo. As retenções recuaram, a assiduidade nos cursos profissionais consolidou-se. Persistem sombras, a Matemática ainda resiste, mas a luz já não é promessa: é uma realidade em curso, sem pintura de aparências. Do lado de fora, o olhar da IGEC (2024/25), reconheceu com nitidez: Muito bom” em Liderança e Gestão e na Prestação do Serviço Educativo; Bom em Autoavaliação e Resultados. Foi destacado o ambiente que acolhe, as medidas que sustentam, a comunidade que se mobiliza para integrar. e também nos foi deixado um apelo sábio: tornar a autoavaliação mais estratégica, mais roteiro, mais ponte entre o que somos e o que queremos ser. Não somos uma ilha. Abrimonos à Europa, ãS redes, ao território. Não por verniz institucio-nal, mas porque a mobilidade, a literacia democrática e a aprendizagem linguística são âncoras contra o destino traçado à nascença. Estes programas são pele viva na escola, habitam o quotidiano, transformam o olhar, acendem outras possibilidades. No plano simbólico, as crónicas no Correio do Minho foram espelho e farol. Deram voz aos passos e aos tropeços, celebraram os que fazem a escola, exigiram responsabilidade partilhada. Sempre defendi que ser TEIP não nos define pelos desafios, mas pela coragem com que os enfrentamos. Quando mostramos, com verdade, com rosto, com números e narrativas, a escola que somos, a comunidade espelha-se. e envol- ve-se e o que nos ensinou a luz? Que sem dignidade, não há caminho. Que a aprendizagem nasce do vínculo, e a qualidade mora no detalhe: horários que acolhem, equipas que se entrelaçam, critérios que fazem sentido, avaliação que alimenta o ensino. Que esperar mais é acreditar: dizer e mostrar aos nossos alunos que o mérito lhes pertence por direito, e que o seu futuro é legítimo, possível, luminoso. Da escuridão para a luz não é um destino alcançado: é uma forma de andar, de olhar, de fazer escola. Hoje, quando somos notícia pelas razões certas, pela inclusão concreta, pela pedagogia que ousa, pela abertura ao mundo, pela prestação de contas que se faz com rosto e verdade, o velho rótulo de escola TEIP” já não nos serve. Porque já somos outra coisa. Seguiremos a prestar contas.com dados, sim.com rigor, sempre. Mas também com humanidade, porque é assim que se honra a confiança de quem nos entrega os filhos e os sonhos. ê assim que se constrói, tijolo a tijolo, uma escola de todos e para todos. PAULO ANTUNES