RIMAC QUER ADQUIRIR OS 45% DA BUGATTI RIMAC NA POSSE DA PORSCHE
2025-10-22 21:06:36

Mate Rimac, a quem o Grupo Volkswagen ofereceu 55% da Bugatti para o ter como parceiro, está farto da lentidão nas decisões dos alemães. Daí que pretenda adquirir os 45% que lhe faltam. Mate Rimac fundou a Rimac Automobili em 2009 e, aos 21 anos, concebeu e construiu o seu primeiro desportivo eléctrico. Hoje, o seu modelo mais rápido já superou a barreira dos dois mil cavalos (2107 cv) e esmaga a concorrência ao ir de 0-100 km/h em somente 1,72 segundos, para depois atingir 430 km/h. Este potencial tecnológico do jovem técnico croata chamou a atenção do Grupo VW, que necessitava de ajudar a Porsche (o grupo detém 75,4% da marca) a construir um Taycan competitivo, o que levou a Volkswagen AG a comprar 10% da Rimac para, em 2021 e perante a necessitar de conceber um Bugatti eléctrico, ter criado uma joint-venture destinada a juntar o construtor francês à Rimac. Os croatas passaram a controlar 55% da Bugatti (e a deter a gestão) e os alemães ficaram com o restante, sendo aqui que reside o problema. Mate Rimac acusa os sócios alemães de serem complicados e lentos a decidir e, porque quer ser rápido no processo de decisão, ofereceu-se para adquirir os 45% da Bugatti Rimac na posse do Grupo VW, através da Porsche. Consciente que, sem ele, não haverá Bugatti eléctrico nos próximos anos Muitas vezes apontado como o Elon Musk dos desportivos, Mate Rimac é um croata muito interessante no mundo automóvel, amante de carros e profundo conhecedor de tudo o que é electrónico ou eléctrico. Aos 19 anos transformou sozinho, na sua garagem, um BMW 323i de 1984 num carro eléctrico com 600 cv e em 2009, com 21 anos, criou a Rimac, para dois anos depois apresentar no Salão de Frankfurt o Concept One, um coupé com 1305 cv que se tornou no melhor coupé eléctrico do mundo. A este, que começou a ser entregue em 2016, seguiu-se o Nevera, elevando a parada para 1940 cv e depois o Nevera R, com 2107 cv, com a empresa a fabricar ainda sistemas KERS para algumas equipas de F1 e toda a componente híbrida para o exuberante Aston Martin Valkyrie. De acordo com a Bloomberg, Mate Rimac apresentou uma proposta preliminar à Porsche no valor de 1000 milhões de euros, para adquirir os 45% que os alemães detêm na Bugatti Rimac. Não que o técnico croata tenha alguma desconfiança ou desconforto em relação aos seus sócios - que afirma respeitar e confessa que lhe abriram a porta da indústria automóvel mundial-, mas apenas porque “não quer ter de explicar algumas decisões a 50 pessoas” antes de avançar. Visando recuperar a “liberdade criativa e estratégica” que possuía quando geria a “sua” Rimac, Mate apresentou esta proposta inicial para se tornar o único proprietário da Bugatti Rimac, o que não impede a VW e, por tabela, a Porsche, de manter grande parte da sua influência sobre a empresa croata. Actualmente, os 55% da Bugatti Rimac pertencem ao Rimac Group, entidade de que Mate Rimac detém 35%, o Grupo VW controla 22% (o incremento face aos 10% iniciais adquiridos em 2018 foi uma contrapartida pela criação da joint venture Bugatti Rimac em 2021), com a Hyundai/Kia a deter 11% e os restantes 32% a estarem na posse de uma série de pequenos investidores. Esta distribuição accionista deixa antever um acesso facilitado às soluções tecnológicas da Rimac Tecnology, também integrada no Rimac Group, pelo que as marcas do Grupo VW continuarão a poder aceder, como agora, a soluções como os sistemas a 800V, as transmissões com duas velocidades, sistemas de carregamentos com potências superiores para serem mais rápidos, gestões térmicas mais eficientes e gestões de potência e respectiva distribuição mais sofisticadas. Mas resta saber se o Grupo VW aceita abrir mão por completo da Bugatti, a sua marca mais emblemática. Tem um minuto? O Observador está a realizar junto dos seus leitores um curto estudo de apenas quatro perguntas. Responda aqui. Simone Carvalho