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PORTUGAL ESTÁ EM 6° LUGAR NA MOBILIDADE ELÉTRICA AO NÍVEL DA UE

Jornal de Notícias

2025-10-22 21:06:41

TRAJETO Há avanços notáveis do país na expansão dos veículos elétricos, que somaram 29% das vendas em setembro, e nas energias renováveis. Agora vem aí a era do hidrogénio que vai representar entre 1% a 5% do consumo nos autocarros até 2030. Portugal ocupa atualmente o 6.0 lugar europeul na quota da mobilidade elétrica, figurando também entre os países com maior percentagem de energias renováveis no seu mixi energético a nível mundial. O país definiu ainda uma nova estratégia ambiciosa para a produção de biometano e hidrogénio, para diversificaras fontes de energia. e sonha agora com a exportação de combustíveis mais sustentáveis para a aviação, disse recentemente a ministra do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho. Este percurso visto como “notável e improvável” pelo presidente da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, que passou recentemente por Lisboa, tem de continuar a ser reforçado se queremos reduzir as emissões de gases com efeito de estufa a tempo de evitar o aquecimento global acima dos 1,5 graus até ao final do século, a razão de ser de todos os milhões investidos na transição energética. Mas o investimento tem também de ser replicado noutras geografias, com ajudas massivas ao desenvolvimento dos países mais pobres, sem o que os esforços feitos na UE arriscam não ter impacto relevante, como lembrou recentemente Jorge Moreira da Silva, subsecretário-geral da ONU. A mobilidade é justamente um dos campos onde essa guerra mais se pode ganhar ou perder, tendo em conta que os transportes contribuem em 25% para as emissões de gases com efeitos de estufa. e dentro destes, o total dos rodoviários pesam à volta de 70%. Para já, e apesar dos transportes elétricos ainda estarem longe de serem uma regra, continuam a avançar nas estradas nacionais. “Portugal está acima da média europeia em matéria de mobilidade elétrica, ocupando o 6.0lugar na União Europeia no rankingde vendas”, disse Hélder Pedro, o secretário-geral da ACAP (Associação do Comércio Automóvel de Portugal) há dias numa Mobi Conversa, no âmbito do Portugal Mobi Summit.com efeito, em setembro, os veículos exclusivamente elétricos representaram 29% das vendas de ligeiros passageiros. “No acumulado do ano estamos com 21 ,5%, acima da média europeia, que é 15%, e muito acima de Espanha, que está a meio da tabela”, disse aquele dirigente. Hélder Pedro sublinhou que Portugal se situa num rankingmais ou menos alinhado “com países como a Dinamarca, a Alemanha e a Holanda, que têm um PIB per capita muito superior ao português”. Para que os veículos elétricos se tornem mais populares, os agentes deste setor reclamam, contudo, maiores incentivos à aquisição, bem como maior rapidez no licenciamento de pontos de carregamen-to que chega a demorar um anoe meio. Porque, como lembrou Duarte Mendes de Almeida, o administrador da Via Verde Transição Energética, o problema não está tanto do lado da tecnologia. “Acho que do lado da tecnologia, a evolução dos últimos cinco anos no elétrico foi superior à das últimas décadas no combustível. Temos agora novos carregadores com potências superiores a um megawatt, de várias marcas. e mesmo nos carros, os números também apontam nesse sentido”. e dá um exemplo: “Saiu recentemente o CLA, o Mercedes, que promete autonomias na ordem dos 800 km, com velocidades de carregamento de 250-300 kW, ou seja, com capacidade de carregar 400 km em 15-20 minutos. E isto não é o topo de gama, é O base. Acho que a tecnologia não será uma barreira, mas sim um impulsionador da mobilidade elétrica”, considera o administra-dor da Via Verde. e acrescenta: “o desafio agora está em tornar a experiência do carro elétrico tão conveniente ou até mais conveniente do que abastecer gasóleo. Esta deveria ser a nossa ambição.” o novo regime jurídico da mobilidade elétrica já prevê tornar a experiência de carregamento e respetivo pagamento mais simples e transparente. Revolução no transporte público Nem só de carros elétricos vive a mobilidade sustentável. A mudança de paradigma tem de passar cada vez mais pelo transporte público e, neste campo, há uma revolução silenciosa a acontecer. De norte a sul do país estão a surgir vários projetos de BRT (bus rapid transit), também conhecido como metrobus, que prometem mudar a face do transporte coletivo. Cidades como Braga, Porto e Coimbra têm projetos em curso nesse sentido, enquanto na área metropolitana de Lisboa, Oeiras está apostada nesse modelo, o mesmo acontecendo em municípios do Algarve. O modelo do BRT movido a energia elétrica, por bateria ou hidrogénio, promete uma frequência muito mais rápida, tipo metropolitano, graças a uma via própria, às paragens niveladas como o veículo e aos bilhetes pré-comprados para evitar perdas de tempo nas entradas e saídas. E alguns daqueles veículos poderão ser movidos a hidrogénio produzido em Portugal. Para as frotas rodoviárias, o Ministério do Ambiente e da Energia já definiu, de resto, a meta de ter um consumo mínimo de 1% a 5% de hidrogénio verde até 2030, já daqui a cinco anos, no âmbito da nova estratégia para o hidrogénio verde. Nesse sentido, também já há empresas nacionais e multinacio-nais a posicionarem-se para este mercado do hidrogénio, que apesar de ainda não ser muito competitivo, por falta de escala, é uma aposta com futuro. Assim como as gasolineiras continuam a apostar em combustíveis mais sustentáveis. ê por exemplo, o caso da Repsol que lançou um combustível que diz ser 100% renovável. Porque mobilidade sustentável vai muito além de fontes de energia, mas também tem a ver com dimensões como oferta, preços e acessibilidade, OS últimos anos representaram uma baixa significativa do custo dos passes nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. E, em alguns casos, introduziu-se a gratuidade dos transportes para jovens. Cascais permanece, neste campo, um exemplo pioneiro de gratuidade no transporte rodoviário para residentes, trabalhadores ou estudantes no concelho. Ao nível da chamada mobilidade suave e ativa, apesar dos investimentos feitos em ciclovias, Portugal continua a ser dos países europeus onde não só o investimento público em ciclovias é menor, como onde a utilização da bicicleta é mais residual. Mas o sistema de bicicletas partilhadas a nível europeu representa benefícios superiores a 300 milhões de euros, tendo em conta OS resultados de um estudo divulgado este mês pelo EIT (European Institute for transport and mobility) da União Europeia. O estudo contabilizou cerca de 120 cidades e concluiu que oS impactos positivos ao nível do ambiente, dos gastos pessoais e da saúde, implicam ganhos anuais superiores a 300 milhões de euros. Estes resultados são um incentivo para OS investimentos públicos e municipais em redes de ciclovias e de bicicletas partilhadas. Mesmo que não imediatamente, eles acabam por ter um retorno ao nível do que se poupa no orçamento da saúde. Mas como vêm alertando alguns estudos, ainda é preciso levar as estações de bicicletas partilhadas para zonas mais distantes dos centros das cidades, entrando nas áreas suburbanas, para que o acesso não seja discriminatório. Porque, para além do dever de combater a pobreza energética, está na hora de combater a pobreza de mobilidade, como lembrou recentemente a secretária de Estado da Mobilidade, Cristina Pinto Dias. 21% Vendas No acumulado deste ano, Portugal está com uma quota de 21% de vendas de veículos elétricos, bem acima da média europeia, que é de 15%. 25% Emissões os transportes contribuem com 25% das emissões de gases com efeitos de estufa lançadas na atmosfera, sendo que os rodoviários pesam no total mais de 70%. As vendas de veículos elétricos continuam a crescer em Portugal e a quota atingida este ano está acima da média da UE. CARLA AGUIAR