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SUSTENTABILIDADE 20|30 - A ECONOMIA VAI ABOCANHAR PARTE DA DESCIDA DO IVA PARA 6%”

Negócios

2025-10-22 21:06:41

NEGOCIOS SUSTENTABILIDADE José Teixeira A economia, quente como está, vai abocanhar parte da descida do IVA para 6% na construção A solução para a habitação é arrefecer o mercado com mais quantidade, defende o presidente do grupo DST. O que passa pela construção industrial, mas também por mudar a contratação pública, tornar a E-Redes mais eficiente e acabar com as exigências de garantias bancárias. O S ministros e OS empresários deviam ter psicólogos sociais, para perceberem como é que se tomam decisões e porque é que esse mecanismo é egoísta, defende o presidente da DST enquadrando assim a razão pela qual apenas uma pequena fração da descida do IVA para 6% na construção irá para quem compra casa. Deviam ler obrigatoriamenteo livro do Nobel da Economia Daniel Kahneman “Pensar, Depressa e Devagar” assim como O “Sermão da Sexagésima” do Padre António Vieira. Convidado desta semana das “Conversas com CEO", ,José Teixeira aponta para a construção industrial, aposta que está a fazer com arquitetos de referência. “Um pobre vai ter uma casa desenhada por Aires Mateus.” Os condicionalismos da contratação pública, que limita a inovação, um código de construção antigo, a falta de resposta da E-Redes e alterações às garantias bancárias são algumas das medidas que aponta como necessárias para termos mais habitação e menos cara.com uma abordagem inovadora na gestão de recursos humanos, numa entrevista de mais de meia hora que pode ser ouvida na íntegra em podcast, o presidente do Grupo DST fala-nos das iniciativas culturais para OS trabalhadores, como a “Leitura Furiosa”, as aulas de filosofia, O teatro e as festas que ali se fazem. O seu desafio é dar condições de liberdade aos trabalhadores, porque “atrás da liberdade vem a criatividade e, através da criatividade, O negócio” Começou a carregar e a partir pedra com 6 anos. Viveu na pobreza. Hoje, aparece na lista da Forbes como um dos homens mais ricos de Portugal. Qual o momento que fez a diferença? Homens mais ricos, não. Deus me livre. Pelos vistos é uma das empresas com mais património. Nós somos mais de criar riqueza do quie enriquecer. Somos mais de criar excelentes salários, condições de liberdade para os trabalhadores, porque atrás da liberdade vem a criatividade e através da criatividade o negócio. O facto de ter sido operário, e de não o querer esquiecer, influenciou a minha atividade e a forma como dou valor ao trabalho. Se eu for atrás, [diria que] talvez ter entrado nos escuteiros, a paróquia, a religião. Se não fossem as paróquias, e o que se faz em torno delas, o comunitarismo tinha desaparecido de vez. E a empresa não pode ser um hipódromo, onde os trabalhadores são cavalos a competir uns contra os outros. Isso é um erro de gestão incrível. Um dos retornos que retira das iniciativas culturais do grupo é conseguir atrair e reter os trabalhadores? Não. é ser mais inteligente, é ainteligência coletiva. Semconhecimento e sem ciência, as empresas vendem mão de obra barata. Tem de se investir. Veja os nossos números, os nossos rácios, os impostos que pagamos, o EBITDA que temos. Isto é produto dos nossos trabalhadores. Usamos muitas frases no contexto dos poetas, porque há coisas que só os poetas entendem, não é? (risos) Bernardo Soares, no livro Desassossego tem uma frase sobre a amabilidade de viagem. Tenhamos, uns spara os outros uma amabilidade de viagem. Senão é uma tortura, chego a casae vou chatear os filhos, a mulher, a mãe, o pai, os cunhados. Tem de se ter paz. E a paz faz-se de uma relação quese tem de trabalho que não é classista. Mas porque é que um empresário se tem de preocupar com isso? Quanto mais não seja, e eunão sOu um utilitarista, porque se ganha muito dinheiro com isso. Também sou um introvertido e um tímido. Tenho uma necessidade social de estar com os meuis trabalhadores e tenho pretextos, que são muitas festas. A partir da primavera temos sunsets todas as sextas-feiras, por empresa, por departamentos. Apostar no conhecimento e na educação é apostar na liberdade. Ninguém é livre se não tiver educação. E promover a liberdade dos trabalhadores dá dinheiro? Dá muito dinheiro porque fícammuito mais criativos, abertos, têm muito mais mundo, outros ãngulos, não ficam ali apenas entrebalizas. Michael Young, umsociólogo de educação inglês, reformulou OS curSOS no Reino Unido, que denominava de ensino insular. Em Portugal continuamos a ter um ensino muito insular. Se vais ser pedreiro para que é que precisas de poesia? E aos de Humanidades dizemos: “esqueçama a prática, pensem na teoria”. A Escola DST procura a beleza em si, a paz no trabalho e a amizade. Ninguém fala do amor numa empresa, mas uma empresa é um lugar de amor. A DST até faz casamentos e tem quatro vezes mais o número de nascimentos por mil habitantes do que o país (risos). Alicasa-se muito, namora-se muitoeéuma coisas fantástica (risos). Qual é a iniciativa de que os trabalhadores gostam mais? Para além das festas, a Leitura Furiosa às quintas é a quie tem mais participação. Pode ser até um texto de uma revista ou de um jornal. Essa personificação dos problemas dá-nos um radar, uma amostragem social muito grande, torna-nos preventivos. Antes da covid-19, nunca ninguém falava emdoenças mentais. Hoje, temos muitas atividades sobre isso. Nunca tinha tido ninguém em acompanhamento psicológico e hoje tenho mais de 80 trabalhadores. O presentismo tem um custo muito maior do que o trabalhador ser tratado. Porque O trabalhador é uma pessoa para além do trabalho. Os empresários já são diferentes de quando era mais novo? São mais diferentes, mas podemos ir muito mais além. Ainda há hoje a ideia de uma psicologia utilitarista. Os ministros e os empresários deviam ter psicólogos sociais, para perceberem como é que se tomam decisões e porque é que esse mecanismo é egoísta. A tendência natural é proteger-nos a anós, à nossa família, à tribo, à empresa. Então, tem de haver incentivos que prevejam isso. Se lermos o “Pensar, Depressa e Devagar” [de Daniel Kahneman] percebemos as armadilhas cognitivas. E é nesse sentido que um decisor e um político... ...Deviam ler o “Pensar, Depressa e Devagar”? Devia ser obrigatório para qualquer político (risos). Assim como a sexagésima do Padre Intónio Vieira, obrigatório na DST [ "Sermão da Sexagésima]. São 16 páginas em que se aprende a semeare anãose ficar firustrado se algumassementes( caem no caminho. Nem toda a gente vai ser nosso fã, nem toda a gente nos vai aplaudir. Falemos das medidas que o Governo adotou para a habitação. São importantes? Algumas são muito importantes. Não estão é a contar com a psicologia económica. A economia, quente como está, e VOUI usar uma palavra feia, vai abocanhar parte da descida do IVA para 6%. Vaidizer “fico com parte disto para mim” e vai uma fração para quem compra habitação.. A solução é arrefecer o mercado com mais quantidade. E há medidas que podem ser introduzidas. Quais são as medidas? Uma delas seria a industrialização ou construção modular, como Ihe queira chamar. Porque não se faz? Está a fazer-se. A nossa agenda mobilizadora é financiar esse projeto. Vão acontecer algumas coisas brevemente, na área dos incentivos à construção industrial. Nós fugimos da fealdade e repetição que representava a pré-fabricação. Entrámos no conceito da construção industrial fabricar casas como se constrói carros. Temos a equipa de Norman Foster, com ele a desenhar o projeto. é um desafio para a arquitetura quie não pode acrescentar pobreza à pobreza. Uma pessoa, por ser pobre, não tem de levar com uma arquitetura pobre, feia. A arquitetura tem um novo papel. Vamos ter construção industrial? Vamos. O que é que falta aqui evirá? o que tem de ser feito rapidamente é não cercear a inovação. Ou seja, se for aos concursos do IHRU em modelos tradicionais, não pode inovar, porque a contratação pública não deixa alterar o projeto. Investimos fortunas em inovação, nas universidades, nas empresas, e, depois, o código não nos deixa usar. Tem de se mudara contratação pública e tem de se criar um código de construção, que é da década de 60 do século passado. Depois é preciso um incentivo legislativo à construçãoindustrial. Em Espanha, em Valência, está a fazer-se uma cidade de construção industrial. E O governo pespanhol, através do secretário de Estado, disse: “queremos fazer o que a DST tem em Braga”. Tenho O Siza Vieira a desenhar uma grande fábrica já em construção, O Souto Moura, o Norman Foster, o Aires Mateus que vai construir outra fábrica e está a desenhar construção industrial. Um pobre vai ter uma casa desenhada por. Aires Mateus, com aquele lado ascético. Os arquitetos não podem cair na tentação de dizer “quero uma casa com alma” A alma é das pessoas que a vão habitar, comos seus livros, quadros, flores, tapetes. E há mais medidas que podiam fazer a diferença? Imagine que tem um terreno rústico que fica ao lado de um urbanizável. Podiaconstruir ali para rendas controladas. Esse terreno rústico tem um baixo valor imobiliário. Numa casa de 300 mil euros, em vez de 120 mil euros para O terreno, só precisava de 15 mil euros. Alémdisso, temos um novo contexto, que tira um grande valoraonegócio lor: e impõe custos muito grandes. é a ligação que não se consegue fazer à rede, é a E-Redes. Começo uma empreitada de um ano com um gerador e acabo com um gerador. Temos um monopólio, que é a E-Redes, e isto tem de ser resolvido. Têm gente ótima, brilhante, à frente da empresa, supersimpática, mas não está a funcionar. E, quando não está a funcionar, O Governo tem de atuar. Toda a gente se queixa. Uma outra medida que baixava o custo da construção envolve a banca, para mexer aqui em algumas vacas sagradas. O IHRU quer garantias bancárias dos empreiteiros, para quê? Para OS bancos passarem as garantias bancárias. Sabe OS milhões e milhões e milhões e milhões que estão no balanço com garantias bancárias dos bancos? Não precisa de garantias bancárias. Se eu não cumprir, meta-me em tribunal. é simples. E OS licenciamentos não têm qualquer problema? SáO OS custos de contexto to-dos que Miguel Cadilhe referia, mais um novo que surgiu agora, um cristão-novo, que é. a E-Redes. Qual é a sua maior preocupação? A simplificação das coisas, a leveza das coisas, no sentido de que basta ir ao ChatGPT ouà à Wikipédia, e tem-se uma opinião que vale tanto como anos e anos de estudo. Assusta-me que a banalização se estejaa a normalizar. Já não se pergunta “qual o livro que leste para fundamentar isso?”. Os miúdos vêmhoje com umay avelocidade que não existe no trabalho. é a velocidade de ir à net e ter resultados. A Geração 7 está muito ansiosa. Estamos a trabalhar muito a rotatividade nos primeiros anos. Os miúdos na DST saem até ao primeiro ano. Porque querem experiências. A maneira de combater isso é a rotatividade? A maneira de combater isso é ter planos para eles, é pensar: “estás com pressa, eu vou-te criar um projeto de carreira”. A partir de um determinado valor, contam as festas, a filosofia, a literatura, o teatro, encontrar amigos da amesma idade. Mas até um determinado valor o que conta é o dinheirinho para sair da casa dos pais. O que fizemos? Nos mercados de trabalho com procura entram na DST, estagiários, a vir da universidade, a ganhar 1500 euros, líquidos. E depois digo-lhe “daqui a 12 anos ganhas 4:300 euros”, sem ser diretor nem administrador. E nestas profissões, deixei de ter saídas. Uma das coisas a que estou muito sensível é aos jovens que vivem com os pais. Não está certo. é antinatural. Não é nada com as empresas? Ai é, é. Temos de melhorar os salários aos trabalhadores. O impacto emocional das alterações climáticas Palavras como “solastalgia” e “ecoansiedade” fazem parte das chamadas “ecoemoções” do século XXI, mas o impacto das alterações ambientais na saúde mental continua a ser pouco estudado. LÚCIA CRESPO Icrespo@negocios.pt Há oito anos, a 15 de outubro de 2017, OS incêndios consumiram quase 90% do Pinhal de Leiria. Em poucas horas, uma vasta mancha florestal com séculos de história transformou,se numa paisagem lunar. Este ano, O calor e OS fogos voltaram a deixar marca: a área ardida no país ultrapassou 260 mil hectares um manto verde convertido em cinzas. Em janeiro de 2025, OS incêndios em Los Angeles atingiram perto de 20 mil hectares e deixaram lugares familiares irreconhecíveis, causando um forte sentimento de perda entre OS habitantes. O filósofo Glenn A. Albrecht chamou a este fenómeno "solastalgia” saudades de casa sem nunca dela ter saído. é apontada como um dos impactos psicológicos das alterações climáticas. Termos como "solastalgia” e “ecoansiedade” fazem parte das chamadas "ecoemoções”. é preciso estudá-las de forma mais aprofundada, defende Rui Gaspar, professor de Psicologia Social selecionado pelo Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC) para participar no sétimo relatório de avaliação ambiental. No livro “Earth Emotions. New Words for a New World”, o australiano Glenn A. Albrecht descreve o termo “solastalgia” a angústia provocada por alterações bruscas no ambiente. O filósofo e professor de sustentabilidade começou a receber cartas de moradores da região de Hunter Valley, no norte de Sydney, que lamentavam a crescente atividade mineira no território. Os campos verdes e bucólicos estavam a dar lugar a paisagens mais negras e ruidosas. “Nessas cartas, os habitantes diziam sentir algo semelhante a saudades de casa, mas nenhum deles tinha saído realmente de casa”, descreveu Albrecht à revista National Geographic, no artigo: “As climate change alters beloved landscapes, we feel the loss.” Sem saber como nomear a dor que sentiam, os moradores exprimiam: “Continuo a viver no mesmo lugar, mas tudo à minha volta parece tão diferente que sinto saudades do meu espaço.” O termo ainda não foi reconhecido pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), da Associação Americana de Psiquiatria (APA), mas faz parte de uma espécie de dicionário informal e é cada vez mais objeto de estudo académico. “A SOlastalgia é uma das ecoemoções , tal como ecoansiedade , ecoluto ou eco-culpa , decorrentes de crises ecológicas”, apontam alguns investigadores na revista BM.J Mental Health. Foram até criados novos índices para medir os níveis de “solastalgia”, como a Environmental Distress Scale (EDS) e a Brief Solastalgia Scale. Embora não seja formalmente reconhecida como uima condição de saúde mental, a Climate Psychiatry Alliance utiliza o conceito para formar especialistas em luto associado à perda de lugares (“place-based grief”) e inclui-o entre as principais emoções climáticas. Este tipo de sentimento está associado a maiores níveis de stress, ansiedade e solidão. Por exemplo, residentes expOStos aos incêndios australianos do “Verão Negro” de 2019/2020, que relataram “elevada solastalgia”, apresentavam o dobro da probabilida-de de manifestar sinais de depressão ou ideação suicida seis meses após os acontecimentos. “A solastalgia é uma resposta de stresse provocada por alterações ambientais. Se, por exemplo, costumávamos viver num local verdejante e arborizado e, de repente, nos deparamos com um cenário árido, experienciamos uma sensação de perda emocional”, aponta o investigador Rui Gaspar, também professor da Escola de Psicologia e Ciências da Vida da Universidade Lusófona. “Embora se pareça com a palavra nostalgia, O significado desta palavra é quase O oposto: refere-se a um estado emocional de inquietação que não surge por causa da distância de casa, mas precisamente por causa da proximidade e da perceção da perda do ambiente familiar, consequência das alterações climáticas, da poluição ou de outras formas de degradação ambiental”, explica Jovana Vurdelja, linguista da Faculdade de Filologia de Belgrado, na publicação Vreme. “Esta ansiedade, causada pela perturbação do equilíbrio ecológico, manifesta-se através de sentimentos de apatia e melancolia, chamando cada vez mais a atenção para a ligação entre alterações climáticas e saúde mental.” Nós somos o nosso lugar “os lugares onde crescemos formam a nossa identidade social. Quando nos apresentamos a alguém, dizemos como nos chamamos e de onde somos. O lugar onde crescemos identifica-nos. Estamos, desta forma, a comunicar que fazemos parte de um grupo de pessoas que vivem num determinado território. Em termos académicos, usamos o termo identidade de lugar . Ora, quando esse lugar é afetado, a nossa identidade também fica em causa”, explica Rui Gaspar. o investigador considera que o interesse e a investigação nesta área têm vindo a aumentar, sobretudo nos últimos cinco anos. “Mas ainda há muito por fazer, até porque, quando pensamos em saúde mental, mesmo ao nível da psicologia, ainda nos focamos muito no indivíduo. é preciso pensar também no bem-estar da comunidade”, alerta. “As alterações climáticas e os seus impactos locais podem afetar a coesão social e o sentimento de pertença. Se há um pinhal que arde, há também uma ligação que se perde. é como se a cola deixasse de colar tão bem”, conclui. Da Austrália à Amazónia, as paisagens estão a ser transformadas pelo aquecimento climático. “Não é preciso mudar de casa para lamentar a perda do seu lar: por vezes, o ambiente muda tão rapidamente à nossa volta que esse luto já existe”, detalha, ao jornal The Guardian, Ashlee Cunsolo, diretora da área de estudos árticos da Memorial University, em St. John s, no Canadá. A investigadora tem trabalhado junto das comunidades inuítes, que habitam as regiões árticas da Gronelândia, do Alasca e do Canadá, para analisar os im-pactos da crise ambiental. As oscilações climáticas perturbam atividades como a caça e a pesca, pondo em causa a segurança alimentar, o sentido de comunidade e o conhecimento ancestral transmitido de geração em geração. Toda esta incerteza gera ansiedade e inquietação e os povos indígenas são particularmente vulneráveis, alerta Ashlee Cunsolo. A psicologia nos relatórios climáticos Como é que as ciências do comportamento, como a psico-logia, podem contribuir para mitigar as alterações climáticas? No último relatório do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC), a questão já surge, com foco no impacto sobre as populações vulneráveis, como idosos, crianças ou pessoas com doenças crónicas. “Temos de pensar cada vez mais neste impacto diferenciado, em que os mais vulneráveis ficam ainda mais expostos aos riscos das alterações climáticas”, aponta Rui Gaspar. “As diferenças existem também em termos geográficos. Por exemplo, populações das ilhas, como Açores ou Madeira, podem ser mais afetadas do que as do continente.”, sublinha. Rui Gaspar interessou-se desde cedo por biologia, natureza e conservação, mas optou depois por estudar psicologia: “Percebi que era uma das vias para levar as pessoas a adotarem comportamentos pró-ambiente. Temos mesmo de atuar no comportamento” até para diminuir o chamado “green gap”, o hiato entre a preocupação dos consumidores com os desafios ecológicos e as suas atitudes para mitigar estes mesmos impactos. O investigador mostra-se otimista relativamente às gerações mais novas. "Sim, até porque há estudos que mostram que quem viveu uma perda ambiental tende a ter maiores níveis de ativismo. Ou seja, essas experiências podem funcionar como catalisadores da mudança. Infelizmente, é mais fácil para as gerações atuais perceberem mudanças drásticas no seu ambiente... Mas isso pode levá-las a agir.” . JOSÉ TEIXEIRA PRESIDENTE DO GRUPO DST Solução para a habitação é arrefecer o mercado com mais quantidade, afirma o empresário. Isso passa por mais construção industrial. SUSTENTABILIDADE 18 a 21 FOTOGRAFIA DUARTE RORIZ BILHETE DE IDENTIDADE . Idade: 65 anos . Cargo: Presidente do Grupo DST . Formação: Mestre em Engenharia Civil, Universidade do Minho “Nós somos mais de criar riqueza do que enriquecer.” “Assusta-me que a banalização se esteja a normalizar.” OuçA o PODCAST EM WWW.NEGOCIOS.PT Utilize o seu leitor de códigos QR para aceder a este episódio do podcast Conversas com CEO. &6 Se vivíamos num local verdejante e, de repente, nos deparamos com um cenário árido, temos uma sensação de perda emocional. Os lugares onde crescemos formam a nossa identidade social. Quando esse lugar é afetado, a nossa identidade também fica em causa. RUI GASPAR, Professor de Psicologia Social Da Austrália à Amazónia, as paisagens estão a ser transformadas pelo aquecimento climático , e os povos indígenas são particularmente vulneráveis. Se há um pinhal que arde, há também uma ligação que se perde. e como se a cola deixasse de colar tão bem”, afirma o investigador Rui Gaspar. HELENA GARRIDO