"A POPULAÇÃO DO SEIXAL ACREDITA NO PROJETO DA CDU" - ENTREVISTA A PAULO SILVA
2025-10-23 21:05:00

Saúde, Educação, Ambiente, Segurança, Cult de atuação deste executivo, reeleito nas Aut Paulo Silva assume os destinos da Câmara Municipal do Seixal para concelho acredita no projeto da CDU» Mas elegeram menos um vereador para o executivo, em relação às eleições de 2021 Foi o único aspeto negativo da noite eleitoral, tanto mais que o Bruno Santos fez um trabalho espetacular no desporto, na habitação e na higiene urbana e merecia que a população do concelho o elegesse. Infelizmente, tal não aconteceu, mas tenho a certeza que o Bruno vai continuar a trabalhar ativamente neste nosso projeto autárquico. Apesar deste aspeto negativo é certo que fomos os vencedores da noite eleitoral, pois aumentamos a nossa votação e a diferença para a força politica que ficou em segundo lugar. Enquanto em 2021 a diferença para a votação global do PS e do PAN tinha sido de apenas 4% e cerca de 2.500 votos, em 2025 tal diferença foi de 9.200 votos e a diferença percentual foi de 12%, o que reforça a nossa legitimidade para governarmos a Câmara Municipal do Seixal, pelo que estamos preparados para continuar a dar corpo a um projeto que, nestes 50 anos de Poder Local Democrático, tem dado provas de trabalho, honestidade e competência, gerindo o erário público com rigor e pugnando por investimentos estruturantes para o desenvolvimento do concelho. Quais vão ser as vossas principais linhas orientadoras? Que áreas requerem um foco maior neste início de novo mandato? O acesso a uma habitação condigna é um direito consagrado na Constituição da República. Apesar da habitação não ser uma competência das autarquias, desde o primeiro momento assumimos, politicamente, a necessidade de serem encontradas soluções para este grave problema que afeta a vida de muitas famílias. Temos vindo a apoiar a reabilitação do edificado privado e público, a dinamizar as áreas de reabilitação urbana e a encontrar soluções (propostas no Plano Municipal de Habitação) que vão dar resposta às populações socialmente frágeis e a criar habitações para jovens a custos acessíveis. Na sequência da aprovação do Programa de Renda Acessível do Seixal, vamos criar incentivos à construção de Habitação para Arrendamento Apoiado que tem como objetivo estimular o aumento da oferta de arrendamento no Seixal. Prevemos que a construção ou a reconstrução de prédios urbanos, destinados a habitação para arrendamento apoiado no Seixal, beneficie de vários apoios financeiros. Queremos também que o valor das rendas dos contratos de arrendamento, a celebrar entre o requerente e o Município do Seixal para o primeiro ano de vigência dos contratos, se situem entre os 350 e os 550 euros. A área da saúde é absolutamente prioritária. Nem sequer imagino o concelho do Seixal sem o futuro hospital daqui a 4 anos. Além desta medida urgente, esperamos ver em pleno funcionamento os centros de saúde de Foros de Amora e Aldeia de Paio Pires, e ver acontecer a ampliação do Centro de Saúde de Fernão Ferro. Iremos também reivindicar, junto do Governo, o investimento no Hospital Garcia de Orta que garanta o funcionamento de urgências sem encerramento, o financiamento de novos centros de saúde em Pinhal de Frades, Cruz de Pau e Fernão Ferro, o alargamento dos horários nos centros de saúde para atendimento permanente e, por fim, a contratação de mais médicos de família e outros profissionais da saúde para dar resposta à totalidade da população. Muito importantes vão ser as questões da educação e da mobilidade, em que exigiremos ao governo que cumpra as suas obrigações, sendo que a Câmara Municipal do Seixal vai estar sempre disponível para trabalhar em conjunto com o Governo para a construção e requalificação dos estabelecimentos escolares do 2º e 3º ciclo e secundários, onde se inclui a construção da Escola de 2º e 3º ciclo e secundária de Fernão Ferro, e a melhoria dos transportes públicos. Passamos para o tema do Desenvolvimento Social. Fale-nos, em primeiro lugar, como espera ver aumentadas as vagas para creche, sobretudo tendo em conta que a população jovem não para de crescer neste concelho e a fixação de novas famílias é uma realidade. A Câmara Municipal do Seixal tem um plano estruturado para a criação de uma rede social de creches, visando garantir o acesso gratuito à educação infantil para crianças dos 0 aos 3 anos. Este é um dos principais focos da política social e educativa do município, sendo disso exemplo o apoio para a construção de 9 novas Creches Sociais na área da Infância, com duas já em funcionamento, nas Paivas e na Aldeia de Paio Pires e 7 em construção, em Pinhal do General, Miratejo, Fogueteiro, Pinhal Conde da Cunha, Pinhal de Frades, Torre da Marinha e Alto dos Bonecos. Esta rede é feita em parceria com instituições locais e a colaboração com várias entidades, tais como o Centro Paroquial de Bem-Estar Social de Fernão Ferro, o Centro Paroquial de Bem Estar Social de Arrentela, o Centro de Assistência Paroquial de Amora, a Santa Casa da Misericórdia do Seixal, a CRIAR-T-Associação de Solidariedade e o Centro de Atividades Sociais de Miratejo. Por outro lado, pretendemos obter financiamentos através de programas nacionais e europeus e o aproveitamento de fundos governamentais, tais como o PRR - Plano de Recuperação e Resiliência e o PARES - Programa de Alargamento da Rede de Equipamentos Sociais, de forma a complementar o investimento municipal. A educação foi uma das apostas fortes do mandato. Pode falar-nos um pouco das principais obras realizadas nas escolas? O maior investimento de sempre no Seixal está a acontecer aqui e agora: na educação, nas nossas escolas, nas nossas crianças. O mandato que agora terminou marcou o maior plano de obras educativas de sempre: 31 novos equipamentos em todo o concelho. Estamos a construir quatro novas escolas básicas com jardim de infância - Parque das Lagoas, Pinhal General, Quinta da Charnequinha e Pinhal Vidal - obras de raiz que vão dar resposta a milhares de alunos. Ampliámos e modernizámos escolas emblemáticas como a Escola Básica de Paio Pires ou Arrentela. Na educação pré-escolar, ampliámos a oferta de rede com a abertura de 17 novas salas de atividade e mais 425 vagas, tendo sido inaugurados os novos Jardins de Infância de Corroios e de Paio Pires e vai ser iniciada a construção de um novo JI no Fogueteiro. No Seixal, investir na educação é investir no futuro. E por isso, a Escola Pública continuará sempre a ser a nossa prioridade. Falamos pois de políticas inclusivas. Estas estendem-se à área da Habitação? Sem dúvida. Vamos continuar a apoiar a reconversão das Áreas Urbanas de Génese Ilegal, a requalificação dos bairros municipais, a criação de fogos para arrendamento acessível e o realojamento da população residente no Bairro de Santa Marta de Corroios, entre outros projetos. Esperamos também que o IRHU - Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana cumpra as suas obrigações e reembolse o município em cerca de 9 milhões de euros, para fazer face ao investimento camarário correspondente a candidaturas (ainda sem resposta) no âmbito do PRR/habitação. Os sucessivos atrasos do IHRU nestes reembolsos aos montantes despendidos pela autarquia têm atrasado a execução do processo de realojamento em Santa Marta de Corroios, por exemplo. Referir que, dos 3 núcleos de habitação precária anteriormente existentes no concelho, dois destes já se encontram resolvidos - Vale de Chícharos e Bairro do Rio Judeu -, subsistindo apenas o núcleo de Santa Marta de Corroios, onde já procedemos ao realojamento de 28 famílias de um total de 220 agregados, correspondendo a 645 pessoas. Esta política será acompanhada da criação de infraestruturas culturais e desportivas de dimensão adequada? Claro que sim. Somos um concelho com uma forte dinâmica cultural e desportiva, que aposta na requalificação e construção de novos equipamentos, estando prevista para breve a inauguração do Centro Cultural José Saramago, em Amora, e programados o Centro Cultural de Corroios, a construção da Piscina Municipal de Pinhal de Frades, o Pavilhão de Desportos de Inverno e, ainda, os futuros complexos desportivos da Quinta da Princesa e do Bairro Azul. Também pretendemos efetivar a programação de um centro cultural em Fernão Ferro e implementar o Centro Interpretativo do 25 de Abril na Mundet. São muitos planos num concelho que acolhe anualmente iniciativas que nos são tão gratas, tais como o SeixalJazz, o Festival de Teatro, o Seixal World Music, o Seixal tura e Desporto são os principais eixos árquicas do passado dia 12 os próximos 4 anos: «Não tenho dúvidas de que a população deste Cultural e o Festival do Maio. Também se poderá dizer que este é um concelho de «Cultura para Todos», pegando na boleia do lema «Desporto para Todos» Sim, podemos colocar as coisas dessa forma! Da mesma maneira que, ainda recentemente, abrimos a toda a população a possibilidade de conhecer parte da coleção particular do mestre Manuel Cargaleiro, também oferecemos a possibilidade desta mesma população participar num fenómeno desportivo absolutamente singular nos dias de hoje, a Seixalíada, que une milhares de praticantes desportivos informais ao longo de mais de um mês. E esta aposta no desporto é, naturalmente, para continuar, seja através da requalificação e construção de modernos equipamentos para a prática formal e federada, seja, por exemplo, com a criação do futuro Complexo de Desportos de Verão na Praia da Velha, no Seixal. Quais as principais propostas que pretende implementar para potencializar o desenvolvimento económico e social do concelho do Seixal? O Seixal é um município que atrai negócios. Há investimento e constante evolução. O crescimento económico do Seixal é um facto, assim como o aumento demográfico, e ambos são evidências do interesse, procura e mediatismo que o Concelho tem suscitado. Verificou-se um crescimento do sector do turismo e lazer, ligado em especial à requalificação e a valorização de passeios ribeirinhos que atribuíram ao território circundante à Baía do Seixal o estatuto de espaço público de excelência, afigurando-se como um enorme atrativo para instalação de atividades turísticas associadas à restauração e lazer. Estão instaladas mais de 18.000 empresas, que proporcionam 41.600 postos de trabalho com um volume de negócios total superior a 3,2 mil milhões de euros. Cerca de 38% da população residente trabalha no Concelho. E também referir que, no distrito de Setúbal, o Concelho do Seixal detém o maior número de empresas certificadas PME Líder e Excelência. Neste mandato houve muito investimento privado, como a Farmacêutica Hovione com as obras de construção do Campus Hovione Tejo, a ampliação das instalações da Siemens, as novas instalações da DST, a instalação da Mercadona de Fernão Ferro e Corroios, o empreendimento hoteleiro da Mundet ou o Complexo Desportivo Ginásio Clube de Corroios/Supera. Do nosso lado, vamos continuar a potenciar os territórios existentes no Concelho e definidos no Plano Diretor Municipal como áreas destinadas a atividades económicas, para a promoção da reindustrialização e criação de emprego. Neste quadro, a requalificação da área da antiga Siderurgia Nacional é uma prioridade, bem como a implementação do Projeto Arco Ribeirinho Sul, para aumentar a competitividade regional e nacional. Mas o desenvolvimento do Concelho do Seixal está inevitavelmente ligado às dinâmicas, às opções e aos investimentos que ocorrem numa escala territorial mais ampla, seja a da área metropolitana como mesmo a escala nacional. O Novo Aeroporto de Lisboa e o Novo Hospital do Seixal são dois exemplos paradigmáticos. A aposta na área do Ambiente e Sustentabilidade foi uma bandeiras no anterior mandato. É para continuar? Obviamente. Prevemos a ampliação do Parque Metropolitano da Biodiversidade, bem como a construção dos parques urbanos de Amora, Pinhal de Frades, Vale de Milhaços e Corroios, assim como do Parque Natural de Arrentela. Outros dos objetivos passam pela criação do Centro de Ciência Viva de Interpretação Ambiental da Baía do Seixal, a implementação de novas hortas urbanas em Vale de Milhaços, Quinta das Sementes e Pinhal de Frades e a ligação da frente ribeirinha da Quinta do Castelo ao Parque Urbano de Miratejo. Mas também referir as obras de proximidade, que emanam do nosso compromisso com a qualidade de vida das populações e com o desenvolvimento sustentável. As obras que executámos são a prova do nosso empenho: O núcleo urbano antigo de Arrentela, as traseiras da Av. Luís de Camões e da zona entre as ruas António Aleixo e Ferreira de Castro, ambas em Miratejo, as ruas Cidade de Coimbra e Cidade de Évora, em Corroios, no Bairro Manuel André, no Bairro 25 de Abril ou na Seixeira. Ouvindo e envolvendo a população e instituições locais no planeamento e na execução dos projetos, garantimos que cada intervenção responde às verdadeiras necessidades da comunidade. Vamos avançar com a requalificação do núcleo urbano antigo de Paio Pires e prolongar o passeio ribeirinho na Amora e no Seixal. Cada projeto que abraçamos continuará a valorizar o nosso território. E, sobretudo, melhorará a vida da nossa população. Tenho mais duas questões. A primeira tem a ver com a mobilidade e os transportes públicos A mobilidade constitui um fator inegável de progresso e crescimento económico. Por isso, a mobilidade para todos é uma luta de décadas deste projeto autárquico. Transportes mais frequentes significam menos espera, mais segurança, mais qualidade de vida. É isso que temos defendido para quem estuda, trabalha e vive aqui. Conquistámos o passe social intermodal, que trouxe justiça e poupança às famílias, financiado no valor de 15 milhões de euros. Requalificámos a Avenida Afonso Costa e a Avenida do Mar. Removemos mais de 2500 viaturas abandonadas, criando novos lugares de estacionamento, para além de termos criado 3000 novos lugares de estacionamento gratuito, aqui incluindo o parque da Transtejo. Em termos de propostas, vamos concluir a Alternativa à EN10, entre Corroios e Amora já adjudicada e ainda a aguardar autorizações de entidades, continuar a criar mais parques de estacionamento nas zonas urbanas e um silo automóvel no Seixal, e a instalação de mais pontos de carregamento de veículos elétricos. Mas os grandes problemas não dependem de nós. Por isso, vamos continuar a exigir a construção da Terceira Travessia do Tejo rodoferroviária (Chelas-Barreiro); a construção das Estradas Regionais ER10 (entre Corroios e Barreiro) e a ER 11-2 (entre o Barreiro e Moita); a construção da ponte rodoferroviária Seixal-Barreiro; a continuação da 2ª e 3ª fase do MST, sendo de destacar que a construção de apenas 1,8 km de linha, até à estação ferroviária dos Foros de Amora, fará toda a diferença na mobilidade dos munícipes do concelho, passando a servir mais população, nomeadamente 50 000 utentes da freguesia de Amora; a exigir mais e melhores transportes, em particular no transporte fluvial, com maior frequência, e no ferroviário, com mais comboios; a construção da Estrada Regional 377-2, com a ligação das praias à Amora, a requalificação da Estrada Nacional 378, na ligação entre Amora e Fernão Ferro, com novas rotundas; a construção da Alternativa à EN378, assim como um novo acesso à A2, entre Amora e Corroios. E acabar com as portagens na A33/IC32. A outra questão tem, inevitavelmente, a ver com a segurança O Seixal tem um futuro de confiança também a este nível? No Seixal, a segurança das pessoas é prioridade. E é com orgulho que podemos dizer que somos um dos concelhos com menor taxa de criminalidade da Área Metropolitana de Lisboa, segundo o relatório anual da segurança interna de 2024. Este resultado deve-se ao trabalho diário da PSP e da GNR, que garantem tranquilidade a mais de 173 mil habitantes. Mas não basta agradecer, é preciso exigir mais meios. Temos menos agentes de segurança por habitante e por território do que outros concelhos da nossa dimensão. Faltam viaturas, equipamentos e sobretudo condições de trabalho dignas. É inaceitável que um concelho com esta população ainda não tenha uma Divisão Policial construída de raiz. Há anos que cedemos terrenos e pedimos obras, mas o Governo tem adiado. O mesmo acontece com a GNR, onde os postos de Paio Pires e Fernão Ferro já não têm condições para militares nem para a população. O Seixal é um concelho seguro. Mas queremos mais agentes, melhores condições para as nossas forças de segurança e mais apoio às vítimas. Porque segurança é viver com confiança, dignidade e paz.