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TESTE AO MAIOR DACIA DE SEMPRE BIGSTER!

Biturbo Açores Magazine

2025-10-23 21:05:19

ensaio tU NÃo És GraNDe, tU És : BiGster! O Dacia Bigster nasce como o maior Dacia de sempre. Nunca a marca romena teve um modelo tão grande como este. Dado o seu tamanho, é um SUV que se destina aos pais de família que procuram um carro familiar racional! Quem não se lembra da tirada de Jorge Jesus quando disse, “tu não és grande, tu és big”. Esta frase cai que nem uma luva neste Dacia. A marca de Mioveni chegou a este segmento um pouco tarde, mas chega com tudo! Enquanto o Duster está encarregue do segmento B (e que está a ser um sucesso, diga-se de passagem!), o Bigster tem uma missão difícil, ganhar o seu espaço no segmento C. Mas tem argumentos de peso! Quais? Espaço, tecnologia a bordo (painel digital, Apple car play sem fios), racionalidade, o preço! Tudo predicados para prender um pai de família que vê um carro como algo para se deslocar economicamente do ponto A para o ponto B. Os engenheiros e designers da marca decidiram pegar num Duster e colocar uns suplementos alimentares, umas vitaminas e muita proteína, depois passaram tudo no belender e o resultado foi o que está à vista de todos: um comprimento de + 23cm, ficando nos 4,57m; uma maior distância entre eixos; a altura/ altura ao solo também é maior, sendo que a largura ficou igual; e, por último, a mala, que também foi aumentada. Começando pela altura, temos 1,71m, contra os 1,65m do Duster; a altura ao solo cresce 4cm (22cm); a distância entre eixos do Bigster é de 2,70m (mais 5cm). Por fim, a segunda maior diferença percetível é a mala, que aumentou 50%. Na versão híbrida, estes ganhos são menores, devido à colocação da bateria. Outro ganho que obtivemos foi no espaço com os bancos rebatidos. Na frente deparamo-nos com um estilo praticamente igual ao do Duster: a frente é imponente e limpa, e no capot encontramos volumes que lhe dão um ar robusto. Os led s são em forma de Y, o que já é uma imagem de marca. A grelha frontal segue a mesma filosofia dos Dacias atuais, com o DC no meio. A marca romena chama-lhe Dacia Link. Na lateral, temos um formato mais sóbrio, realçando-se as cavas das rodas grandes e os puxadores de porta traseiros que estão juntos ao pilar C. Na traseira, vemos um grupo ótico distinto dos demais concorrentes, pois é simples e repete o Y invertido da frente. Nesta unidade, a mala é elétrica, com capacidade de 546 litros, sendo um espaço bastante amplo. Face às versões mild hybrid, perdemos alguns litros de capacidade, o que, como foi dito, se deve à colocação das baterias. No requisito espaço interior, temos muito, principalmente atrás, tanto para as pernas como para a cabeça (mesmo com um teto panorâmico, e sim, pela primeira vez a Dacia colocou um teto panorâmico num carro seu). Aqui sobressai a veia familiar do Bigster, com “espaço para dar e vender” Durante os dias que tivemos este romeno, a pergunta que mais me fizeram foi se o carro tinha 7 lugares e a resposta foi sempre a mesma, não. Se o leitor tiver essa dúvida, já fica esclarecido! Ainda nos lugares de trás, há um pousabraço “improvisado”, com porta-copos, e um suporte para colocar o telefone. Indo para a frente, temos um interior em plástico duro, mas, diga-se de passagem, bem montado. A sua consola central podia ser um pouco mais sólida, pois abana, bem como o seu pousa-braços, que podemos dizer que parece que está a dançar samba. No entanto, não esqueçamos que é um carro barato e racional, não havendo lugar para muitos luxos, somente o essencial. De salientar que as versões com caixa manual têm uma consola central diferente (mas isso fica para outra altura, quando tivermos oportunidade de testar um Bigster manual). Na parte tecnológica, o Dacia dispõe de um painel de instrumentos digital, com vários modos de visualização (que humilha alguns carros de segmentos superiores). A informação do painel é clara e simples de ler, como por exemplo: um dos modos de visualização permite-nos saber a quantos segundos estamos do carro da frente (para os fãs de F1, menos de 1 segundo é para ligar o DRS). O ecrã pode ter entre 7” a 10” polegadas, sendo que a versão testada foi a de 10”, de série. A tela principal tem 10.1” de série para todos os níveis de equipamento e o seu funcionamento tem uma boa relação qualidade-preço, com bons gráficos que permitem uma leitura clara. Já a nível de rapidez, de facto, tem margem de melhoria, mas para a funcionalidade que lhe pretendemos dar é mais do que suficiente! O que a Dacia acertou foi em ter colocado comandos do A/C físicos, tendo ganho muitos pontos só aí, sem falar das suas saídas de ar, que têm o formato em Y invertido. Não há LED s no interior e existe um suporte para o telemóvel, o que é uma ideia genial! O motor do Bigster tem uma novidade nesta versão híbrida que é um 1.8 de 155 cavalos, dos quais 105 cavalos são do motor a combustão e 49 do motor elétrico. Uma particularidade deste motor é que foi desenvolvido numa joint-venture entre a Geely e a Renault e o seu nome é Horse Powertrain Limited. Este motor, quando puxamos por ele, é algo ruidoso, mas numa condução moderada é um motor silencioso, e isso nota-se em AE, onde não há muito barulho vindo do exterior. A caixa de velocidades já é conhecida do grupo Renault: com 4 relações no motor térmico e 2 no motor elétrico. Em Biturbo, achamos que a caixa de 4 velocidades se revelou algo lenta e indecisa. A direção do Bigster mostrou-se um pouco imprecisa e vaga, embora o foco deste romeno não seja esse. Apercebemo-nos que, numa condução “no tudo o que dá”, o carro tem uma tendência a fugir de frente, com um rolar da carroçaria evidente e em certos momentos chegamos mesmo a notar a traseira a desligar-se um pouco da frente. Mas este SUV também não está formatado para nos alegrar numa condução mais apimentada este carro tem uma condução racional e sóbria! E nisso podemos dizer que satisfaz! A plataforma deste Bigster já é conhecida do grupo Renault/Mitsubishi, a CMF-B, uma plataforma modular, ou seja, pode ser usada em vários modelos do grupo, o Bigster usa a CMF-B LS (Longitudinal Stretch/ Large Segment). Esta plataforma é usada nos modelos mais acessíveis do grupo. Os modos de condução são: Save e E-save. Estes modos ditam como o sistema híbrido funciona, se deve poupar bateria no momento ou se deve conservar bateria para mais tarde. O E-save tem a função de guardar bateria, sendo que o único senão de usarmos este modo é que vamos ter um consumo ligeiramente maior face ao Save. O posto de condução surpreendeu pela positiva, as regulações do volante são boas tanto em altura como em profundidade. A surpresa aqui vai para a regulação do banco, que é muito boa, pois conseguimos ter uma posição baixa (que eu aprecio). Não querendo exagerar, mas deve ter sido dos poucos SUV onde tivemos uma posição tão baixa. Os ajustes do banco são um misto, altura e costas com sistema elétrico, regulação das pernas com manual Durante os dias que tivemos o Bigster ocorreram algumas dúvidas relativamente ao feedback do pedal do meio, pois houve alturas em que parecia que precisávamos de travar mais do que que era necessário, mas, como é um híbrido, até podemos dar o benefício da dúvida, pois para carregar a bateria ele vai buscar alguns “pauzinhos” às travagens e também quando deixamos de acelerar. No arranque notamos que há uma tendência para destracionar, o vulgo derrapar. Este derrapar acontece em subidas ou quando pressionamos do acelerador com alguma brusquidão. O ESP nunca chega a desligar a 100%, pois quando desligamos o mesmo parado chegamos aos 40 Km e ele liga, novamente. Relativamente ao derrapar, em Biturbo achamos que este Bigster tem demasiada potência para um só eixo. O Bigster revelouse em certos pisos um pouco duro, mas não chega a ser desconfortável. O que nos encantou foi, em plena Ponte Vasco da Gama, com vento, o carro não mexer um milímetro. O Bigster é um automóvel que tem uma racionalidade como há muito que não se vê. Temos tudo o que precisamos e que é imprescindível num automóvel de forma equilibrada! Há uma vasta gama de motores, versões de equipamentos e até existe uma opção 4X4. O preço é imbatível, começa nos 24 mil euros (para a versão 1.2 de 140 cavalos). Já a “nossa” custa 35 mil euros, sim 35 mil! Com o espaço deste Dacia, com este valor e em primeira mão, que carro se poderia comprar? Ambos sabemos a resposta TESTE AO MAIOR DACIA DE SEMPRE, O BIgSTER! POR TOMÁS AMORIM Por: Tomás Amorim Tomás Amorim