NORUEGA PREPARA FIM DE ISENÇÕES FISCAIS PARA ELÉTRICOS
2025-10-24 21:03:21

Durante quase duas décadas, a Noruega foi o exemplo global de como incentivos fiscais e políticas públicas podem acelerar a mobilidade elétrica. Isenção de IVA, portagens gratuitas, estacionamento preferencial e acesso a faixas BUS criaram um ecossistema onde o automóvel elétrico deixou de ser exceção para se tornar norma. Hoje, 95% dos novos automóveis vendidos [...] Durante quase duas décadas, a Noruega foi o exemplo global de como incentivos fiscais e políticas públicas podem acelerar a mobilidade elétrica. Isenção de IVA, portagens gratuitas, estacionamento preferencial e acesso a faixas BUS criaram um ecossistema onde o automóvel elétrico deixou de ser exceção para se tornar norma. Hoje, 95% dos novos automóveis vendidos no país são 100% elétricos. Entre janeiro e setembro deste ano, 107.608 veículos elétricos foram registados, de um total de 113.325, um aumento de 23,5% face ao mesmo período de 2024. Só em setembro, os elétricos representaram 98,3% das novas matrículas. Face a estes números, o Ministério das Finanças norueguês considera que os incentivos deixaram de ser necessários. A isenção total de IVA , em vigor desde o início dos anos 2000 , custou ao Estado cerca de 17,5 mil milhões de coroas norueguesas (aproximadamente 1,5 mil milhões de euros) em 2025. O plano agora é reduzir o limite de isenção dos atuais 500.000 NOK (EUR42.659) para 300.000 NOK (EUR25.593) em 2026, com eliminação completa da isenção em 2027. “O abrandamento gradual dos benefícios para veículos elétricos permitirá reduzir outros impostos e taxas, mantendo o equilíbrio orçamental do Governo”, afirmou o ministro das Finanças, Jens Stoltenberg, na apresentação do Orçamento do Estado de 2026. Marcas e consumidores preocupados Apesar do sucesso da política de eletrificação, a decisão do governo está a gerar críticas entre fabricantes e associações de utilizadores. A Associação Norueguesa de Veículos Elétricos (NEVA) classificou a proposta como “irresponsável” e “profundamente prejudicial”, defendendo que a transição fiscal deveria ser “muito mais gradual e comunicada com antecedência”. Segundo a NEVA, “o risco é travar a mudança e até reverter parte do progresso conseguido”. Ao mesmo tempo, o governo prepara um aumento de 14% nos impostos sobre o carbono em 2026, como parte de uma trajetória que elevará o preço por tonelada de CO2 para 2.400 NOK (EUR204) até 2030 e 3.400 NOK (EUR290) até 2035. “Estamos a reforçar o papel da tributação do carbono como ferramenta central para cortar emissões”, concluiu Stoltenberg. 24 Outubro 2025 06:0024 Outubro 2025 06:00 SAPO