VIVEMOS REALMENTE EM COMUNIDADES INTELIGENTES?
2025-10-24 21:07:41

OpiniãoVivemos realmente em comunidades inteligentes?Carmen Lima*24/10/2025 A ameaça global ao Planeta é uma evidência reconhecida por todos, e assumida pela ONU através da criação de programas ambientais que visam monitorizar o estado do ambiente, sensibilizar povos e nações para as ameaças aos habitats naturais e recomendar medidas que melhorem a qualidade de vida sem comprometer os recursos das gerações futuras. Este princípio está no cerne da construção de comunidades sustentáveis e inteligentes , Smart Cities, que pretendem equilibrar o bem-estar social, a justiça económica com a proteção ambiental. Mas o olhar esta nova abordagem de cidade tem que estar assente em pilares sólidos, na procura de respostas concretas e de compromissos, que respondam verdadeiramente às necessidades das comunidades e não apenas “bandeiras” que se erguem para mostrar o que parece, mas na realidade não o é. Num período como o atual, onde as campanhas eleitorais estão sob a nossa perspetiva, torna-se claro que muitas delas já incluem medidas importantes para promover a sustentabilidade em comunidade, quando apresentam soluções para reduzir o desperdício, privilegiar o uso de materiais reutilizáveis ou recicláveis, promover novas formas de mobilidade e do uso dos espaços, optar por soluções de comunicação mais responsável. Contudo, outros programas são quase uma listagem de critérios que “devem” estar para parecer que a sustentabilidade também faz parte do “pacote”. Mas as Comunidades Inteligentes existem mesmo? Ou o que urge é a necessidade de dedicar um esforço coletivo para internalizar aspetos de as tornar mais sustentáveis, sem que para isso tudo pareça mais tecnológico, mais moderno ou mais complexo. Carmen Lima, consultora para a Sustentabilidade.Construir comunidades sustentáveis é desenhá-las e aliá-las à simplicidade do modelo que a natureza nos ensina, numa simplicidade que até estranha - vidas com menor impacte ambiental implica unir organização coletiva e escolhas individuais: no plano comunitário, isso traduz-se em cidades que favoreçam a proximidade, com habitação integrada, transportes públicos acessíveis, ciclovias seguras, espaços verdes que promovam bem-estar e convivência, economia local e circular, e participação cidadã ativa; no plano individual, a sustentabilidade nasce da simplicidade - consumir menos e melhor, reduzir desperdícios, valorizar o essencial, partilhar recursos e viver de forma mais ligada à comunidade e aos espaços naturais. Combinar as opções de renovação do edificado com a melhoria da qualidade ambiental do mesmo, vinculando estas opções da promoção da eficiência energética, da substituição de materiais poluentes e cancerígenos (como o caso do amianto) por materiais mais saudáveis, ou da substituição das tecnologias de aquecimento e arrefecimento por soluções mais adequadas, veiculando-as para que as mesmas permitam aceder ao financiamento disponível para estas renovações. A simplicidade no quotidiano reforça a sustentabilidade coletiva, enquanto comunidades equilibradas criam condições para que cada pessoa possa viver com menos impacte e maior qualidade de vida. Serão estas as Comunidades que estamos a construir? * Carmen Lima Consultora para a Sustentabilidade Doutoranda em Engenharia do Ambiente no IST, investigadora na área do Amianto Presidente da SOS AMIANTO - Associação Portuguesa de Proteção Contra o Amianto Autora do livro “Não Há Planeta B: Dicas e Truques para um Ambiente Sustentável” Foi Conselheira do Conselho Económico e Social Carmen Lima*24/10/2025 Carmen Lima