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LIVEWIRE ONE - DO SONORO TROVÃO AO RÁPIDO ELETRÃO

Motojornal

2025-10-27 22:04:33

Durante décadas, o motociclismo de alta performance foi inseparável do som do motor, do cheiro a gasolina e da vibração mecânica. A Livewire One, a primeira moto da marca que nasceu da herança da Harley-Davidson representa a solução elétrica para a iconografia desportiva. Não é apenas uma moto elétrica, é o refinamento de uma ideia, culminando numa máquina que elimina o ruído do motor de combustão, substituindo-o pela força instantânea e silenciosa de um relâmpago. Eimportante notar que a Livewire One não é um projeto recente. Teve a sua génese inicial nos EUA em 2019 e, após o seu relançamento como marca independente, consolidou a sua presença no mercado norte-americano a partir de 2021. Este período de maturação e aperfeiçoamento ónos Estados Unidos é o que garante o nível de refinamento que hoje sentimos. A moto chegou aos primeiros mercados europeus em 2023, e só mais recentemente, em 2025, a Livewire One chegou oficialmente a Portugal, trazendo consigo a promessa de um produto premium e comprovado. Tivemos a oportunidade de a testar em profundidade, desde o uso diário, na cidade de Lisboa, até uma verdadeira viagem de fim de semana com pendura e mochila às costas, e a sua premissa é clara, o desempenho premium não precisa de ser barulhento. o design da Livewire One é robusto e pre-mium, evitando os excessos futuristas e optando por uma streetfighter com postura naked musculada. A ausência do motor tradicional é compensada pelo design imponente do compartimento da bateria e pelas linhas desportivas e limpas. A ligação às irmãs térmicas está lá. Sente-se a solidez da linhagem americana ónos pormenores como a manete grossa e os botões de piscas duplos, o que lhe confere uma sensação de familiaridade e qualidade. A frente é pesada, o que lhe garante uma boa estabilidade, mas também respeito pelo peso do conjunto. A posição de condução é excelente e confortável, um misto entre uma cruiser e uma streetfighter, com os pés mais atrás e os punhos mais para a frente. Embora O assento seja ótimo para pequenas deslocações, ao fim de uma a duas horas, o corpo pede uma paragem, que serve também o propósito conveniente de carregar a bateria. A atenção ao detalhe é visível, desde o ecrã tátil de 4.3 polegadas, que serve de centro de controlo intuitivo da moto, passando pelo sistema de ignição "keyless, até ao espaço útil debaixo do assento, concebido especificamente para guardar o EVSE (o carregador portátil). Existe ainda uma porta USB C atrás do ecrã para carregar o telemóvel. O cockpit é moderno, dominado por um ecrã muito visível e repleto de informação, incluindo um gráfico inteligente que mostra a autonomia mínima, média e máxima, aliviando eficazmente a ansiedade da autonomia. Contudo, óno momento do nosso teste a aplicação de telemóvel da Livewire para o modelo One tinha sido descontinuada, mas é provável que em breve exista uma nova versão que permita interligação com o telemóvel para, por exemplo, usar a navegação no ecrã da ONE. Outra curiosidade é o facto de, quando estamos parados e a moto está pronta a arrancar, o motor pulsar suavemente, um aviso tátil e discreto de que basta rodar o punho para a força ser libertada. FOTOS PEDRO LOPES CONTACTO A essência da Livewire One reside na sua dinâmica. O motor elétrico de ímanes permanentes e o binário instantâneo criam uma aceleração absolutamente viciante que nunca se esgota, pelo menos enquanto houver carga na bateria. A transmissão por correia dentada torna a moto incrivelmente silenciosa em andamento, emitindo apenas um subtil som de silvo elétrico. No entanto, quando o acelerador é rodado com força, o subtil silvo transforma-se num autêntico grito elétrico, audível auma boa distância, sufciente para fazer as pessoas rodarem a cabeça à procura de uma justificação para tal barulho. Esta performance não é apenas audível, a Livewire One ostenta o título de segunda Harley-Davidson mais rápida de sempre de o a 100 km/h, cumprindo a proeza em apenas 3 segundos certos. ê um arranque brutal, capaz de criar bolhas nas mãos e de destruir pneus traseiros em poucos arranques, sublinhando a força implacável do sistema elétrico. A ciclísti-ca é robusta, com suspensões totalmente reguláveis e uma travagem excelente, conferindo uma confiança inabalável nas curvas, apesar do peso. A travagem foi entregue à Brembo que dotou a One de uma potência de paragem impressionante. Já nas suspensões a Livewire confou à Showa a tarefa de criar umas suspensões altamente configuráveis e eficientes, mas talvez um pouco duras em alguns cenários urbanos. Em termos de eletrónica, a Livewire oferece um conjunto de quatro modos de condução pré-definidos (Road, Sport, Rain e Range) e, para cobrir todas as condições, disponibiliza ainda três modos totalmente personalizáveis. Nestes modos customizáveis, é possível ajustar finamente parâmetros como a aceleração, a potência máxima, a intensidade da regeneração de energia e o nível de intervenção do controlo de tração. A este nível, importa destacar a excelente prestação do controlo de tração de 3 níveis, que consegue sempre manter a potência fluída sem a roda traseira perder aderência ou a frente levantar. Curiosamente, o roll-back (rotação inversa) do acelerador tem apenas a função de desligar o cruise control (CC). Util, mas sentimos que este mecanismo poderia ser aproveitado de forma mais versátil, seja para aumentar instantaneamente a regeneração de energia ou, de forma muito útil numa moto deste peso, para ativar uma marcha atrás para manobras. A Livewire One adota o padrão de carregamento ccs (o mesmo dos carros elétricos), o que simplifica o carregamento público rápido (DC), sem necessidade de transportar cabos adicionais. A velocidade de carregamento anunciada é de 25 kW, um valor que é penalizado pela baixa tensão da bateria (250v) face à tensão nominal dos postos rápidos. No nosso teste, com a bateria a 30c, conseguimos uma velocidade constante de cerca de 20 kW, o que é um resultado sólido. A bateria, no final, registava 389C óno termómetro, demonstrando que o sistema de gestão térmica lida bem com as cargas térmicas dos carregamentos. Em casa, a moto carrega com o mesmo cabo AC do seu carro elétrico. Contudo, o carregador interno limita a potência a 6A (cerca de 1,4 kW), o que significa que repor a bateria dos 10% à carga máxima é coisa para demorar cerca de 12 horas, com um custo inferior a 2 euros na tomada doméstica. Testámos esta capacidade com uma viagem de fim de semana que provou o seu potencial turístico. Saímos de Mafra pela nacional até Alenquer, daí apanhámos o IC1 em direção à Batalha, com uma paragem estratégica para uma bifana e, simultaneamente, carregar a bateria. A viagem continuou pela Nazaré, SãO Martinho do Porto, óbidos, Torres Vedras e Malveira. No final, chegámos a casa com quase 300 km rodados, sendo 185 dos quais feitos na última carga, e ainda restava 10% da bateria, suficiente para mais 20 km. A Livewire One não é apenas uma moto elétrica rápida, é a demonstração de que a eletrificação pode ser sinónimo de aventura e turismo refinado. Ela pega na solidez americana e na performance desportiva, embrulhando-as num pacote tecnológico e silencioso, pronto para devorar quilómetros. Pode até ter trocado o rugido do motor V-Twin pelo som de um silvo elétrico, mas a emoção permanece, instantânea e purificada. é a prova de que o futuro do motociclismo já chegou, e ele está pronto para a próxima paragem óno carregador rápido. a DESTAQUES 20 490 EUR 75 kW 255 kg FICHA TêGNICA LIVEWIRE ONE PREçO: 20 490 EUR MOTOR: Central de ímanes permanentes POtênCiA MàXIMA: 75 kW BINàRIO: 114 Nm BATERIA: lões de lítio 15.4 kWh AUTONOMIA: Até 235 quilómetros CARREGAMENTO: AC14 kW DC 25 kW CAIXA: Relação única fixa TRANSMISSàO: Por correia dentada QUADRO: Alumínio fundido SUSPENSàO DIANTEIRA: Forquilha invertida Showa totalmente ajustável SUSPENSàO TRASEIRA: Monoamortecedor Showa totalmente ajustável TRAVàO DIANTEIRO: Disco duplo 300 mm com ABS TRAVàO TRASEIRO: Disco 260mm com ABS PNEU DIANTEIRO: 120/70 R17 PNEU TRASEIRO: 180/55 R17 DIMENSoES (CXAXL): 2135 X 1080 X 830 mm ALTURA Do A SSENTO: 780 mm DISTàNCIA ENTRE EIXOS: 1491 mm PESO: 255 kg IMPORTADOR: Livewire Portugal ARRANQUE BRUTAL, CAPAZ DE CRIAR BOLHAS NAS MãOS E DE DESTRUIR PNEUS TRASEIROS EM POUCOS ARRANQUES Esteticamente a Dne está entre uma custo n e uma stre tfghter, com muita qua dade e solid zna mor tagem e uma atitude “coo à americano PEDRO OCHÔA