ESPECIAL - SUPERDESPORTIVOS HÍBRIDOS
2025-10-27 22:06:42

ESPECIAL SUPERDESPORTIVOS HÍBRIDOS Por uns cavalos a mais Os automóveis desportivos elétricos já são capazes de níveis ridiculamente elevados de potência, mas o peso das baterias é um obstáculo ao prazer de condução. Por isso, muitas marcas optam pela motorização híbrida, uma forma simples de chegar perto dos 1000 cv, para acelerar mais depressa e testar os limites do chassis, sem aumentar a poluição.com a Ferrari e Porsche a apresentarem novidades recentes, mostramos aqui os mais exclusivos automóveis atuais equipados com eletrificação: os superdesportivos híbridos. FERRARI 849 TESTAROSSA Potência gasolina 830 cv + elétrico 162 kW total: 1050 cv 0-100 km/h 2,3 segundos Vel. máx. 330 km/h Para a Ferrari, os automóveis híbridos não são novidade. O mais recente, o 849 Testarossa, é uma evolução do SF90 Stradale, reciclando grande parte dos componentes, mas com um novo design mais inspirado no lendário Daytona (tal como o 12 Cilindri e o F80). Como não é um automóvel 100% novo, o 849 Testarossa chega ao mercado tanto com a carroçaria berlinetta (coupé) como spider (descapotável). No SF90, a potência combinada era de 1000 cv, subindo para 1050 cv no novo Testarossa. A cavalagem adicional vem do V8 biturbo de 4 litros, que sobe dos 780 para os 830 cv, graças a um turbo de maiores dimensões, novos coletores de escape da Inconel, e pequenos melhoramentos para reduzir peso no bloco, cabeça e tubagens. A parte elétrica não tem alterações, assentando num sistema de três motores elétricos, dois montados no eixo dianteiro e um no eixo traseiro, que combinam para entregar até 220 cv. Este é alimentado por uma bateria de 7,45 kWh, que lhe permite circular até 25 km em modo 100% elétrico, de forma orgânica, sem que o condutor note qualquer “soluço”. Graças ao apoio da potência elétrica em alta rotação, o Ferrari 849 Testarossa anuncia uma aceleração de 0-100 km/h de apenas 2,3 segundos, atingindo os 200 km/h em quatro segundos mais tarde, e continua a acelerar até atingir os 330 km/h. Os motores elétricos também são usados para gerir a aderência em curva. Como estão distribuídos pelos dois eixos, oferecem efetivamente tração às quatro rodas ao Ferrari, com controlo de tração e vetorização de binário para transmitir a potência entre cada roda. Em aceleração em linha reta, a própria carroçaria amplia a carga aerodinâmica sobre as rodas. No chassis, o 849 Testarossa ganha também novos travões, com discos e pastilhas maiores, e permite ao potencial comprador escolher entre pneus Bridgestone, Michelin e Pirelli, todos preparados especificamente para o bólide italiano. Para todos os efeitos, há dez anos que a Porsche não tinha um híbrido superdesportivo no catálogo, quando deixou de produzir o 918 Spyder. Mas a tecnologia do 911 Turbo S também não é nova, pois é uma grande evolução sobre o sistema apresentado há poucos meses no 911 Carrera GTS, permitindo ao novo modelo tornar-se o 911 Turbo de estrada mais potente de todos os tempos, com nada menos que 711 cv combinados. O segredo do sistema híbrido do novo Porsche está nos turbos. No Carrera GTS, o sistema funcionava com um alimentador elétrico de 400 volts usado para ativar o turbocompressor. No Turbo S, a marca alemã instalou um segundo turbo, que continua a ser ativado por um alimentador elétrico. Desta forma, elimina o tradicional atraso dos turbos a baixa rotação, tornando as acelerações mais rápidas e suaves. O sistema gera 86 cv adicionais a partir da parte elétrica, e é alimentado por uma bateria de 1,9 kWh, pelo que, ao contrário do antigo 918 Spyder, não tem autonomia 100% elétrica. Quanto às cifras de performance, esta nova geração do 911 Turbo S é 85 kg mais pesada que a anterior, graças ao sistema elétrico, mas como o binário está disponível numa faixa de utilização mais ampla, começando logo nas 2300 rpm, só precisa de dois segundos e meio para atingir os 100 km/h, atingindo os 200 km/h em 8,4 segundos. A velocidade máxima ultrapassa os 320 km/h. O novo carro é também 14 segundos mais rápido que o anterior no circuito do Nürburgring, na Alemanha, onde todas as marcas gostam de testar os limites dos seus supercarros. Mesmo com o peso adicional, como o Turbo S ganhou um centro de gravidade mais baixo, a Porsche anuncia um comportamento mais ágil. No chassis, o 911 Turbo S ganha novas jantes de 21 polegadas no eixo traseiro, e atualizações no sistema de travagem (com travões de cerâmica, típico nos Porsche de topo), incluindo discos maiores. As tubagens da refrigeração do motor também contribuem para uma redução da carga aerodinâmica, e os apêndices aerodinâmicos são ajustáveis. PORSCHE 911 TURBO S Potência gasolina 640 cv + elétrico 52 kW total: 711 cv 0-100 km/h 2,5 segundos Vel. máx. 322 km/h Das marcas de luxo alemãs, apenas a Mercedes tem modelos híbridos que possam ser considerados superdesportivos. E um deles é um dos automóveis mais invulgares nesta lista, pois recorre, literalmente, a tecnologia usada na Fórmula 1. O Mercedes-AMG One, um modelo de produção limitada, está equipado com motor 1.6 V6 usado na F1, aqui providenciando 574 cv ao conjunto, depois das várias alterações necessárias para poder funcionar nas estradas. Os três motores elétricos (um na traseira, para ligar o turbo, e dois à frente, alimentados por uma bateria de 8,4 kWh) acrescentam mais 489 cv, para um total de 1063 cv. A aerodinâmica ativa também é derivada da F1, pelo que é mais rápido em curva que em aceleração pura. A outra alternativa, mais “civilizada”, é o Mercedes-AMG GT (versão coupé do roadster SL), na variante S E Performance, que combina um V8 de 612 cv com um motor elétrico de 204 cv, para um total de 816 cv. É capaz de atingir os 100 km/h em 2,8 segundos. A bateria de 6,1 kWh só garante 12 km de autonomia elétrica. MERCEDES-AMG ONE Potência gasolina 574 cv + elétrico 360 kW total: 1063 cv 0-100 km/h 2,9 segundos Vel. máx. 352 km/h MERCEDES-AMG GT 63 S E Performance Potência gasolina 612 cv + elétrico 150 kW total: 816 cv 0-100 km/h 2,8 segundos Vel. máx. 320 km/h BUGATTI TOURBILLON Potência gasolina 1000 cv + elétrico 750 kW total: 1800 cv 0-100 km/h 2,0 segundos Vel. máx. 445 km/h Cada vez que a Bugatti cria um automóvel novo, é um evento raro, mas o objetivo, nesta fase da sua existência, é sempre o mesmo: criar o automóvel de estrada mais rápido do mundo. Neste caso, a Bugatti anuncia um valor de 445 km/h, e desta vez tem os pneus para testar esse valor. O mais importante é que, desta vez, o seu super-bólide passa também a ser o híbrido de estrada mais rápido e mais potente do mundo. Para o substituto do Chiron, a marca substitiu o antigo W16 por um mais convencional V16, com 8,3 litros de cilindrada, criado pela Cosworth, em vez de ser baseado num bloco Audi. Agora com uma configuração atmosférica, consegue ainda assim debitar 1000 cv sozinho, e os turbos deram lugar a três motores elétricos, cada um com 340 cv, alimentados por uma bateria de 24 kWh, um sistema forne-cido pela Rimac. Não só consegue atingir os 1800 cv de potência combinada, como também lhe permite percorrer 60 km/h em modo 100% elétrico. Como é típico dos veículos construídos pela Bugatti, o Tourbillon tem um número específico de clientes autorizados a adquiri-lo. BENTLEY CONTINENTAL GT Potência gasolina 600 cv + elétrico 140 kW total: 782 cv 0-100 km/h 3,2 segundos Vel. máx. 335 km/h Como o veículo mais “lento” nesta lista, o Bentley Continental GT é mais um coupé que um supercarro, mas oferece quase as mesmas emoções ao volante, com um nível superior (e personalizável) de luxo. Embora tenha um peso de quase duas toneladas e meia em vazio, o carro britânico é um bom herdeiro dos “camiões mais rápidos do mundo”, algo que, há quase 100 anos, Ettore Bugatti dirigiu a Walter Owen Bentley como um insulto após as vitórias da equipa deste último nas 24 Horas de Le Mans, mas que mostram que a marca sempre quis estar na vanguarda. Neste caso, a Bentley tem vindo a evoluir o tipo de tecnologia oferecida nos seus modelos mais desporti- vos, e a mais recente geração do Continental GT deixou para trás os motores de 12 cilindros, optando por uma combinação de um V8 biturbo de quatro litros de 600 cv com uma bateria de 25,9 kWh e um motor elétrico de 190 cv. Na variante Ultimate Hybrid Experience, o sistema está programado para debitar uns 782 cv combinados. Pode atingir os 100 km/h em 3,2 segundos, mas também é capaz de percorrer mais de 80 km em modo exclusivamente elétrico. Tal como a Bentley e a Bugatti, dentro do universo do Grupo Volkswagen também a Lamborghini tem passado por uma metamorfose, optando pela hibridação, com bons resultados, pois de repente a marca italiana conseguiu atingir níveis de potência nunca antes vistos nos seus supercarros. Atualmente, os seus dois modelos de produção usam sistemas híbridos semelhantes, um sistema estreado no Revuelto um ano antes de chegar ao Temerario, que passa a ocupar a base da gama. Substituto do Huracán, o V10 do anterior dá lugar a um V8 biturbo de 4 litros, com 800 cv, conectados a três motores de 150 cv cada. A potência total, de 920 cv, permite-lhe bater os 100 km/h em 3,2 segundos. A bateria de 3,8 kWh é recar-regável, apesar de ser de tamanho reduzido, pelo que a autonomia elétrica é pequena. Antes do Temerario, esta bateria e os motores elétricos já tinham sido usados no Revuelto, substituto do Aventador. O V12 atmosférico deste, de 6,5 litros, foi man- tido, mas com os três motores elétricos e a mesma bateria de 3,8 kWh salta para uns interessantes 1015 cv. Como o peso não é muito superior ao do Aventuador, o Revuelto consegue ultrapassar os 100 km/h em apenas 2,5 segundos, recorrendo ao modo de condução Corsa (o sistema tem quatro modos). Finalmente, o Lamborghini Fenomeno é o primeiro modelo exclusivo baseado no Revuelto, com produção li- mitada a 29 unidades. Em comparação com o modelo de base, o Fenomeno tem um V12 ligeiramente mais potente e uma bateria de 7 kWh, pelo que consegue ser mais eficiente na potência total, 1080 cv. Como o seu peso é muito semelhante ao do Revuelto, é um décimo de segundo mais rápido. ASTON MARTIN VALHALLA Potência gasolina 828 cv + elétrico 185 kW total: 1079 cv 0-100 km/h 2,5 segundos Vel. máx. 350 km/h Segundo projeto conjunto da Aston Martin e da Red Bull Racing Technologies, o Valhalla é menos “maluco” quando comparado com o Valkyrie. O Aston Martin Valhalla demorou algum tempo até chegar à estrada, pois a marca bri-tânica teve que reduzir os custos de produção, perdendo o V12 atmosférico da Cosworth, para ser substituído pelo mais convencional Mercedes-AMG biturbo dos outros modelos da Aston Martin, que mesmo assim foi modificado para ultrapassar facilmente os 800 cv. Ainda assim, o sistema é bastante potente, com um carro leve (apenas 1611 kg), tração às quatro rodas e uma aerodinâmica ativa a permitir-lhe retirar dois segundos e meio dos 0 aos 100 a partir dos 1079 cv totais. A bateria de 6,1 kWh dá-lhe 14 km de autonomia elétrica. CHEVROLET CORVETTE ZR1X Potência gasolina 1079 cv + elétrico 139 kW total: 1267 cv 0-100 km/h 2,1 segundos Vel. máx. 375 km/h O Corvette ZR1X é o único desta lista que não está disponível no mercado europeu, o que é uma pena, porque de todos consegue a melhor relação entre preço e performance, provando que não é preciso um “cocktail” exótico para conseguir extrair números de sonho. O motor V8 biturbo (de 32 válvulas, não relacionado ao motor do Corvette Stingray) já atinge os 1079 cv sozinho, e no ZR1 já tinha batido um recorde no Nürburgring. Para o transformar no ZR1X basta uma bateria pequena e um motor elétrico de 189 cv (já conhecidos do E-Ray, onde o V8 é atmosférico), ultrapassando os 1250 cv de potência total e permitindo-lhe ultrapassar os 100 km/h em pouco mais de dois segundos. Infelizmente, como não cumpre os nossos critérios anti-poluição, não o podemos ver nas nossas estrada. KOENIGSEGG GEMERA Potência gasolina 598 cv + elétrico 1045 kW total: 1727 cv 0-100 km/h 1,9 segundos Vel. máx. 400 km/h É fantástico que uma marca exótica como a Koenigsegg se mantenha no mercado há mais de 30 anos. Pouco conhecida do público geral, a marca sueca ainda assim tem uma legião de admiradores que aprecia os automóveis mais exclusivos do mundo. E o Gemera é exclusivo em vários sentidos. Ao contrário de outros supercarros da marca, o V8 dá lugar a um motor de dois litros, turbo, com apenas três cilindros e sem árvore de cames, que mesmo assim debita quase 600 cv. Não é o seu primeiro híbrido (teve o Regera até 2022), mas aqui quase toda a potên-cia vem dos propulsores elétricos, pelo que também não precisa de uma caixa de velocidades tradicional. A bateria de 15 kWh dá-lhe 50 km de autonomia elétrica, e os mais de 1700 cv permitem-lhe ser o único carro nesta lista que chega aos 100 km/h em menos de dois segundos. McLAREN ARTURA Potência gasolina 605 cv + elétrico 70 kW total: 700 cv 0-100 km/h 3,0 segundos Vel. máx. 330 km/h McLAREN W1 Potência gasolina 930 cv + elétrico 255 kW total: 1275 cv 0-100 km/h 2,7 segundos Vel. máx. 350 km/h Depois dos supercarros P1 e Speedtail, o McLaren Artura tornou-se o primeiro carro convencional da marca a usar um sistema híbrido, o que lhe permite lutar de igual para igual com o seu adversário mais direto da Ferrari, repetindo a grande guerra da Fórmula 1. Como modelo de entrada de gama, o Artura viu a sua potência aumentar recentemente dos 680 para os 700 cv, retirados do 3.0 V6 biturbo a gasolina. O motor elétrico só tem 95 cv, mas chega para bater os 100 km/h em três segundos, e como é alimentado por uma bateria de 7,4 kWh pode percorrer 33 km em modo 100% elétrico. Do lado oposto, o McLaren de estrada mais exclusivo é o novo W1. Visualmente, é ligeiramente parecido com o Artura (a McLaren criou um chassis monocoque de base que pode ser usado em todos os seus veículos), mas as parecenças acabam aí. De origem, tem um V8 biturbo de 4 litros e 930 cv, e o motor elétrico, embora seja bem mais potente, recorre a uma bateria mais compacta para manter um peso extremamente reduzido, nos 1400 kg. A asa traseira ativa foi pensada para ampliar a carga aerodinâmica, pelo que ainda demora 2,7 segundos para bater os 100 km/h. Paulo Manuel Costa (texto) 48 especial Superdesportivos Híbridos FERRARI F80 Potência gasolina 900 cv + elétrico 268 kW total: 1200 cv 0-100 km/h 2,1 segundos Vel. máx. 350 km/h FERRARI 296 SPECIALE Potência gasolina 700 cv + elétrico 132 kW total: 880 cv 0-100 km/h 2,8 segundos Vel. máx. 330 km/h O 849 Testarossa não é o único híbrido na gama Ferrari. Apesar das suas performances elevadas, na verdade é apenas o segundo Ferrari mais potente, ficando abaixo do F80, que corresponde ao verdadeiro conceito de supercarro. O F80 utiliza um sistema baseado no carro que venceu as 24 Horas de Le Mans, combinando um V6 de 3 litros e 900 cv com três motores elétricos gerando 365 cv, para um total combinado de 1200 cv. A bateria é mais pequena (2,3 kWh), pelo que não consegue rodar em modo elétrico, mas garante atingir os 100 km/h em 2,1 segundos. Como híbrido de base, a marca italiana propõe o 296 Speciale, uma recriação do Dino, com um V6 de 3 litros 700 cv e elétrico de 180 cv, para um total de 880 cv. Como tem a mesma bateria de 7,45 kWh do Testarossa, também tem 25 km de autonomia elétrica. O 296 Speciale, uma evolução mais desportiva e mais leve do 296 GTB, atinge os 100 km/h em 2,8 segundos, e também está disponível numa variante sem capota, baptizada Speciale Aperta. LAMBORGHINI TEMERARIO Potência gasolina 800 cv + elétrico 330 kW total: 920 cv 0-100 km/h 2,7 segundos Vel. máx. 343 km/h LAMBORGHINI REVUELTO Potência gasolina 828 cv + elétrico 330 kW total: 1015 cv 0-100 km/h 2,5 segundos Vel. máx. 350 km/h LAMBORGHINI FENOMENO Potência gasolina 835 cv + elétrico 330 kW total: 1080 cv 0-100 km/h 2,4 segundos Vel. máx. 350 km/h Paulo Manuel Costa