pressmedia logo

1.º ENSAIO - MITSUBISHI OUTLANDER PHEV DEMOROU, MAS REGRESSOU

Blue Auto

2025-10-27 22:06:44

O novo Outlander Plug-in Hybrid foi desenvolvido com o foco específico no mercado europeu e marca o regresso da Mitsubishi aos SUV familiares eletrificados, um segmento que ela própria ajudou a fundar. Mas será a acrescida autonomia elétrica e uma plataforma pensada de raiz para esta solução técnica suficientes para se voltar a impor? OMitsubishi Outlander PHEV 2025 chega a Portugal com a difícil missão de recuperar o protagonismo de um segmento que ajudou a criar. Entre 2015 e 2020 esteve sempre entre os SUV híbridos plug-in mais vendidos na Euro- pa, mas a concorrência evoluiu e a marca dos três diamantes demorou a apresentar uma nova geração. O modelo agora lançado tem argumentos sólidos, como a nova plataforma CMF-C/D, oriunda da Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi, uma maior autonomia elétrica, a tração integral e um reforçado pacote tecnológico, mas também alguns compromissos. Como é que sairá neste regresso a um mercado onde já foi muito “feliz”? Foi ao volante da versão Instyle, a mais equipada disponível no mercado nacional, que realizámos este primeiro contacto. Esta configuração permite aceder a todo o potencial do modelo japonês, desde os bancos em pele ventilados com memórias ao sistema de som BOSE, passando pelo tejadilho panorâmico, pelo sistema de câmaras 360°, o head-up display e o pacote completo de assistências à condução. Tudo isto reforça a imagem de um SUV sofisticado, confortável e bem isolado, mas também ajuda a perceber alguns dos compromissos da versão híbrida plug-in da Mitsubishi, desde o comportamento do motor térmico sob carga até à lógica intrusiva de certos assistentes eletrónicos. Só cinco lugares Visualmente, o novo Outlander segue a linha do protótipo Engelberg Tourer, com proporções musculadas e a conhecida grelha Dynamic Shield.com 4,72 metros de comprimento, 1,86 metros de largura e 1,75 metros de altura, o Outlander impõe-se pelas dimensões, mas sem exageros. Em Portugal está disponível com dois níveis de equipamento: Intense e Instyle. Ambas as versões oferecem jantes de 20 polegadas, faróis LED, tejadilho panorâmico e um design coerente, com variantes bicolores opcionais que reforçam a sua presença visual. Já a bagageira varia entre os 495 e 1.427 litros, consoante a configuração. Infelizmente, ao contrário dos con- géneres vendidos noutras latitudes, o Outlander “europeu” continua a não dispor de sete lugares, limitando aquela que seria, sem dúvida, uma importante mais-valia, e um elemento diferenciador face à concorrência. O habitáculo mostra um importante salto qualitativo. A montagem é rigorosa, os ma-teriais têm bom aspeto e o equipamento é generoso desde o nível Intense (base). Os bancos dianteiros aquecidos são agora de série em toda a gama, tal como o teto panorâmico em vidro. A versão Instyle acrescenta o volante aquecido, o sistema de som BOSE e os estofos integralmente em pele com acabamentos mais sofisticados. A conectividade está ao nível esperado, com um painel digital de 12,3 polegadas, os sistemas Apple CarPlay sem fios e Android Auto com fios e o sistema My Mitsubishi Connect, incluindo cinco anos de serviços Safeguard e um ano de funções remotas. Motor made by Mitsubishi Ainda que partilhe a plataforma e alguns (poucos) elementos com o seu “primo” Nissan X-Trail, a motorização do Outlander é específica e combina um motor a gasolina de 2,4 litros com dois motores elétricos, um por cada eixo, resultando numa potência total de 306 cv e num binário máximo de 450 Nm. A tração integral é assegurada pelo sistema Super All-Wheel Control (S-AWC), desenvolvido com base na experiência da marca na competição, com particular atenção à distribuição ativa do binário entre eixos e entre as rodas. Em estrada, o sistema transmite segurança e estabilidade, mesmo em condições de baixa aderência. Ao volante, especialmente em modo elétrico, o Outlander PHEV revela-se surpreendentemente ágil para um SUV do seu porte e peso. Os arranques são instantâneos, a progressão faz-se sem esforço aparente e a transição para o motor a gasolina é suave, quase impercetível. A suspensão também dá sinais de grande competência e contribui para a sensação de conforto refinado, particularmente notável nesta variante Instyle com jantes de 20”. Já em troços mais sinuosos, o Outlander não entusiasma, sendo evidente algum rolamento da carroçaria, mas é o preço a pagar pelo referido conforto de rolamento e pela vocação familiar. Segundo a Mitsubishi, a aceleração dos 0 aos 100 km/h cumpre-se em 7,9 segundos e a velocidade máxima está limitada a 170 km/h, mas a resposta é sempre pronta e nunca há sensação de falta de vigor, mesmo com a lotação esgotada. A bateria de iões de lítio tem 20 kWh de capacidade útil e permite até 84 km de autonomia elétrica em ciclo WLTP, com emissões de CO2 de apenas 19 g/km e um consumo médio de 0,8 l/100 km. O sistema de regeneração conta agora com um modo de condução quase unipedal, o Innovative Pedal, que permite acelerar e abrandar só recorrendo ao acelerador em tráfego urbano, sem necessidade de utilizar o travão com a mesma frequência. O carregamento rápido pode ser feito em corrente contínua (DC) através de tomada CHAdeMO, com uma potência de até 50 kW, atingindo 80% de carga em cerca de 32 minutos. Em corrente alterna (AC), o carregamento total demora cerca de 6,5 horas a 3,5 kW. O uso do conector CHAdeMO continua a ser uma das principais críticas ao modelo, dado que o padrão CCS já domina a maioria das infraestruturas de carregamento público em Portugal. O preço certo Em andamento, o novo Outlander PHEV mostra-se confortável e equilibrado. A direção está bem calibrada, a suspensão filtra eficazmente as irregularidades e o conforto acústico é elevado, muito por mérito do recurso a vidros duplos e a novos materiais de isolamento. Acima dos 120 km/h, notam-se alguns ruídos aerodinâmicos, e em subidas ou acelerações mais vigorosas o motor térmico tende a elevar o regime e a tornar-se mais audível. Este contraste entre a suavidade elétrica e o esforço do motor a gasolina per-manece uma limitação típica de sistemas híbridos em modo paralelo e, verdade seja dita, nunca chega a ser verdadeiramente incomodativa. As ajudas à condução estão presentes, mas nem sempre são intuitivas. O MI-PILOT Assist integra o cruise control adaptativo, a manutenção de faixa e a leitura de sinais, mas o alerta de fadiga, por exemplo, é demasiado sensível e difícil de desativar. O preço arranca nos 54.120 euros para a versão Intense e atinge os 59.040 euros na versão Instyle. A marca propõe campanhas dirigidas a empresas com preços desde 44 mil euros mais IVA, colocando o modelo no segundo escalão de tributação autónoma. No conjunto, o Outlander PHEV 2025 continua a distinguir-se pelo equilíbrio entre conforto, eficiência e tração integral, e oferece características familiares pouco comuns na concorrência. Para quem valoriza o espaço, a tradicional fiabilidade japonesa e uma condução económica e silenciosa na maioria das situações, esta é, sem dúvida, uma opção a considerar. FICHA TÉCNICA MITSUBISHI OUTLANDER PHEV Motor PHEV, 2.4 gasolina + 2 motores elétricos Bateria 22,7 kWh Potência combinada 225 kW / 306 cv Binário 450 Nm Tração integral Suspensão ind. McPherson (frente), ind. multibraços (atrás) Comprimento 4719 mm Largura 1862 mm Altura 1750 mm Bagageira 498 litros Peso 2075 kg Consumo 0,8 l/100 km (combinado WLTP) Autonomia EV 84,2 km Acel. 0-100 km/h 7,9 segundos Velocidade máx. 170 km/h Emissões CO2 19 g/km (combinado WLTP) Tempos de carregamento 6h50 , 3,5 kW AC (0-100%) 0h32 , 50 kW DC (10-80%) PREÇO desde 54.120EUR , Outlander PHEV Intense desde 59.040EUR , Outlander PHEV Instyle Rui Reis