É UM CARRO? É UM PLANADOR? É O REGRESSO DO HONDA PRELUDE
2025-10-27 22:06:45

Vinte e cinco anos depois, o Prelude está aí para as curvas. Sexta geração chega em modo híbrido, mas quer continuar a ser um desportivo “interessante e divertido de conduzir”. Um coupé é um coupé, não há que enganar. Desportivo, olhar matador, duas portas e muito estilo - assim nasceu o Honda Prelude em 1978 e assim se apresenta, agora, na sua sexta encarnação. É o regresso de um ícone, ao fim de 25 anos de ausência das montras da gigante nipónica: a produção parou em 2001, com a quinta geração. Chega em modo híbrido, com um capot mais baixo e prolongado, chassis a sentir o cheiro a asfalto (baseia-se no do reputado Civic Type R) e linhas aerodinâmicas a gritar que está aí para as curvas. Literalmente. É um carro que quer ser um planador, ou vice-versa, ou não tivesse sido essa a inspiração da equipa de desenvolvimento. Por ser um veículo que tem “duas faces”: tanto é “muito eficiente e silencioso”, como “dinâmico e desportivo”, explica Ko Yamamoto, consultor técnico da Honda. Ou seja, pode “viajar suavemente, sem hélice ou motor, aproveitando a natureza sem consumir recursos”, mas também “ser rápido e acrobático, fazendo até espectáculos aéreos”. Não tem asas, mas as ópticas alongadas citam-nas. Curiosamente, a missão até era criar um coupé desportivo híbrido, um segmento a despontar numa altura em que as marcas automóveis começam a explorar novos caminhos para lá da febre dos SUV. Foi já durante a fase de desenvolvimento que concluíram que poderiam estar perante a “interpretação moderna da herança do Prelude”. Foto O novo Prelude chega em cinza, azul, preto e branco dr E assim se fez um carro, que não é familiar, mas também não é para conduzir sozinho: o público-alvo está bem definido e reside nos pais da geração X e nos filhos da geração Z. “Jovens que querem ter um carro dinâmico e desportivo ou pessoas como eu, que tinham um Prelude no passado ou que sonhavam com isso”, diz Yamamoto. Uma aposta auspiciosa, pelo menos em geografias com outro poder de compra, nomeadamente no Japão, onde o carro foi lançado há cerca de um mês: o primeiro lote de 2000 unidades já está esgotado. Um híbrido que pode parecer manual O Prelude não voa, mas não quer dizer que seja atinadinho - “don t mess with me”, parece querer dizer o modelo de cor azul, apropriadamente designada racing blue pearl. O sistema mecânico é híbrido, combinando uma bateria de iões de lítio com 72 células, dois motores eléctricos e um motor a gasolina de ciclo Atkinson de 2,0 litros. Assim se garante uma potência de 184cv e um binário máximo de 315 Nm, valores em tudo semelhantes ao Civic, cumprindo os 0 aos 100 km/h em 8,3 segundos, muito longe dos 5,4 segundos do Type R, o que tem defraudado algumas expectativas por essa internet fora. Ainda assim, a potência combinada é mais do que suficiente para planar estrada fora, com ímpetos mais ou menos expressionistas, mesmo em itinerários com limites de velocidade baixos, como aqueles que a Fugas testou. Com 4515mm de comprimento e 1880mm de largura, é um carro fácil e confortável de conduzir e ser conduzido (nos lugares da frente, pelo menos), até pelas diferentes características dos bancos de condutor e pendura. A transmissão é automática, anunciando-se um consumo médio de 4,4 l/100 km. Tem três modos de condução: GT (o mais equilibrado), Comfort e Sport, a que se pode juntar um personalizado. E para os saudosistas da combustão, que sentem falta de “puxar” pelo carro, pôr mudanças e escutar o motor a carburar, a Honda inventou o S+Shift. Porquê? “Porque os veículos híbridos são, muitas vezes, um pouco aborrecidos”, responde Yamamoto. Prime-se o botão bem destacado no painel central, surge um conta-rotações no painel de instrumentos e regressámos, por momentos, à condução pré-electrificação com uma caixa de oito relações, o que é ainda mais exponenciado no modo Sport. Uma experiência interessante, tanto de condução como de audição, ainda que não tenhamos saído totalmente convencidos. Foto Uma visão geral do interior do novo Honda Prelude dr Foto Pormenor da assinatura dr Mantendo o objectivo de zero mortes nos seus veículos até 2050, a segurança continua reforçada, nomeadamente, com um sistema de travagem para menorizar danos em colisões em cadeia. Ainda assim, os assistentes de condução não são particularmente intrusivos, nomeadamente nas curvas, porque, lá está, o que se quer é que seja “um híbrido interessante e divertido de conduzir”. Não é um carro para malas e bagagens, nem para levar a família inteira - os bancos traseiros não são para todos os corpos. O interior é minimal e sofisticado, com botões fáceis de identificar e manusear na coluna central do habitáculo e um ecrã táctil de navegação de nove polegadas no tablier, mas nunca esquece a elegância, por exemplo, no pormenor da assinatura Prelude bordada acima do porta-luvas. Manda estilo por dentro e por fora, no azul supracitado, mas também em cinza metálico, preto e branco-pérola, uma estreia na Honda. Para ver entre nós no próximo ano, com pré-venda prevista para Novembro. Por quanto? Resta saber. tp.ocilbup@oriebir.adnama Amanda Ribeiro