LUCROS DA PORSCHE CAEM 99% E FORÇAM CORTES, DESPEDIMENTOS E NOVA LIDERANÇA
2025-10-27 22:06:46

Partilhas A Porsche atravessa um dos períodos mais difíceis da sua história recente, com os lucros operacionais dos primeiros três trimestres de 2025 a caírem quase por completo. A marca alemã anunciou esta sexta-feira que, entre janeiro e setembro, o resultado operacional foi de apenas 40 milhões de euros, quando em igual período do ano passado tinha alcançado 4,035 mil milhões, uma quebra de 99%. De acordo com a Porsche AG, os principais fatores para esta descida drástica foram despesas extraordinárias ligadas ao realinhamento da estratégia de produto, à desaceleração do mercado chinês no segmento de luxo, aos custos relacionados com baterias e reorganizações internas, bem como às tarifas de importação aplicadas pelos Estados Unidos. Só estas despesas excecionais já representam 2,7 mil milhões de euros e deverão atingir os 3,1 mil milhões até ao final de 2025. O terceiro trimestre foi particularmente negativo: a Porsche registou um prejuízo operacional de 967 milhões de euros, contrastando com o lucro de 974 milhões de euros no mesmo trimestre de 2024. A margem operacional caiu de 14,1% para apenas 0,2%. Entre as medidas já anunciadas para enfrentar a crise, a Porsche vai reduzir o número de concessionários na China, atualmente 150, para apenas 80 até 2027. No plano laboral, prevê o despedimento de 1900 trabalhadores nos próximos anos e 2000 suspensões temporárias já este ano. “Estamos a aceitar de forma consciente resultados financeiros temporariamente mais fracos para fortalecer a resiliência e a lucratividade da Porsche a longo prazo”, afirmou Jochen Breckner, membro do Conselho Executivo de Finanças e TI da Porsche AG, citado no comunicado da empresa. No capítulo da eletrificação, a Porsche reviu em setembro a sua estratégia, adiando novos modelos 100% elétricos e reforçando a aposta em híbridos. Ainda assim, entre os 212 509 veículos vendidos este ano, 35,2% eram eletrificados: 23,1% totalmente elétricos e 12,1% híbridos plug-in. Na Europa, essa quota sobe para 56%. A receita total de vendas da marca foi de 26,86 mil milhões de euros. O modelo mais vendido foi o Porsche Macan, com 64 783 unidades entregues, representando um crescimento de 18% face a 2024. Para responder aos desafios internos e externos, a marca de Estugarda anunciou ainda uma mudança na liderança: Oliver Blume, que acumula funções como CEO da Porsche e do Grupo Volkswagen, será substituído por Michael Leiters, antigo CEO da McLaren. Leiters assumirá funções em janeiro de 2026. A saída de Blume surge depois de várias críticas à sua acumulação de cargos, que, segundo analistas, comprometeu a atenção dedicada à Porsche num momento de profunda transformação. Leiters, que já passou por Ferrari e McLaren, assume a missão de conduzir a marca por um novo ciclo. “Esperamos que 2025 seja o ponto mais baixo antes de uma recuperação significativa em 2026”, concluiu Breckner. Notícias Maia