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FRANÇA E ESPANHA APOIAM PROIBIÇÃO DE CARROS A DIESEL E A GASOLINA EM 2035

DiáriOnline

2025-10-27 22:06:46

Numa carta enviada aos líderes da UE, Paris e Madrid afirmam que a meta deve ser mantida, mas pedem incentivos “made in Europe” para ajudar a indústria automóvel, atualmente em dificuldades. Depois de a Comissão Europeia ter anunciado a próxima revisão da lei que proíbe novos carros a gasolina e a gasóleo até 2035, França e Espanha instaram os líderes da UE a “manterem-se no bom caminho“, afirmando que os veículos de emissões zero são “indispensáveis“, de acordo com uma carta oficial consultada pela Euronews. Se essa proibição for revertida, o bloco não conseguirá atingir a neutralidade carbónica até 2050 , um compromisso que é agora obrigatório ao abrigo da lei climática da UE e que será provavelmente discutido pelos líderes da UE durante o Conselho Europeu de Bruxelas, na quinta-feira como assegura a Euronews que Paris e Madrid terão argumentado. Pub Afirmam também que é “inaceitável” que os híbridos plug-in sejam favorecidos após 2035, uma exigência que tem sido contestada por muitos Estados-membros, nomeadamente a Alemanha, Itália e Eslováquia, que alegam que as suas indústrias estão a ser gravemente afetadas pela transição obrigatória para a eletrificação dos veículos. Lê-se também na publicação da Euronews que a Alemanha, uma potência automóvel de longa data, com a BMW, a Mercedes-Benz e a VW, tem-se manifestado abertamente sobre o declínio da sua indústria automóvel, estando a fazer forte pressão contra a proibição de novos carros a diesel e a gasolina até 2035. Já a primeira-ministra italiana, Georgia Meloni, apelidou a lei de “loucura ideológica“, opondo-se à mesma desde o início. O seu homólogo eslovaco, Robert Fico, ecoou comentários semelhantes, afirmando que as “utopias verdes” estão a ameaçar a indústria automóvel do país. No apelo conjunto, França e Espanha recordam o montante de financiamento já mobilizado pela indústria para cumprir os objetivos vinculativos, sublinhando a “concorrência internacional desleal” e a “pressão crescente” para externalizar a produção, uma vez que as restrições comerciais impostas pela China aos metais de terras raras são um fator de dissuasão para os fabricantes europeus. Lê-se na carta conjunta: “Esta escolha fundamental, que orientou várias dezenas de milhares de milhões de euros de investimento industrial na Europa desde 2023, não deve ser posta em causa“, já que, insiste, o futuro da indústria automóvel europeia será elétrico. Pub Manter as “emissões zero”, mas criar incentivos França e Espanha reconhecem as dificuldades com que se depara atualmente a indústria automóvel europeia e sugerem que a próxima revisão da lei deve abordar o problema na sua origem e garantir incentivos para que os fabricantes europeus invistam na eletrificação da sua produção industrial sediada na Europa. As duas capitais , Paris e Madrid , apelam à flexibilidade para ajudar a alcançar as metas de 2030 e 2035, observando que estes objetivos devem estar estritamente ligados aos esforços de produção de cada fabricante de automóveis na Europa. De acordo com a lei atual, adotada em 2023, pelo menos, entre 50% a 80% das vendas de veículos novos deverão ser de “emissões zero” , bateria elétrica ou com célula de combustível de hidrogénio , até atingir 100% em 2035. A carta diz mais: “A transição para a eletrificação não deve conduzir à deslocalização de empregos e a uma maior dependência de países terceiros. Pelo contrário, a revisão do regulamento relativo às emissões de CO2 é uma oportunidade para introduzir uma flexibilidade que apoie os fabricantes que produzem veículos elétricos e adquirem os seus componentes na Europa“, afirma o documento. Embora ainda não tenha sido anunciado oficialmente, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, informou os governos, numa carta oficial datada de 20 de outubro, que tinha “decidido acelerar a revisão do regulamento sobre as normas de emissão de CO2 para automóveis e carrinhas“. Pub Este é um dos muitos dossiers que o executivo comunitário tem vindo a “simplificar” para equilibrar os compromissos climáticos da UE com a competitividade. “Continuamos comprometidos com o princípio da neutralidade tecnológica e da eficiência de custos [ ] estamos também a avaliar o papel dos combustíveis de zero e baixas emissões de carbono na transição para o transporte rodoviário com emissões zero para além de 2030, tais como os combustíveis eletrónicos [ ] e os biocombustíveis avançados“, afirmou von der Leyen na sua carta. Pub O executivo da UE afirmou que a lei existente que proíbe a venda de carros tradicionais até 2035 será anunciada para revisão até ao final do ano. Pub Jose Mateus Moreno