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FERRARI F76 NÃO EXISTE, MAS AINDA ASSIM ALGUMAS PESSOAS COMPRARAM UM

Executive Digest Online

2025-10-27 22:06:51

Nome F76 presta homenagem ao 166 MM, o automóvel que há 76 anos deu à Ferrari a sua primeira vitória nas 24 Horas de Le Mans, conduzido por Luigi Chinetti e Lord Selsdon A Ferrari revelou o F76, que descreve como “o primeiro hipercarro digital” da sua história - um modelo criado exclusivamente em formato NFT (token não fungível), sem qualquer versão física. O projeto destina-se aos clientes do programa Hyperclub, uma comunidade restrita que apoia a participação da marca no Mundial de Resistência (WEC) através do protótipo 499P. De acordo com a Euronews Next , o nome F76 presta homenagem ao 166 MM, o automóvel que há 76 anos deu à Ferrari a sua primeira vitória nas 24 Horas de Le Mans, conduzido por Luigi Chinetti e Lord Selsdon. O novo modelo digital pretende simbolizar essa ligação histórica, mas reinterpretada através da estética e tecnologia virtuais. O F76 foi concebido pelo Ferrari Centro Stile, sob a direção de Flavio Manzoni, com um design que a marca descreve como “um contraste entre linhas técnicas e tensas e uma carroçaria escultural”, criado com o auxílio de algoritmos generativos. Segundo a Ferrari, estas formas “levam ao desenvolvimento de várias soluções patenteadas”, que poderão servir de base a futuros modelos físicos. O hipercarro virtual apresenta uma dupla fuselagem, com habitáculos independentes para condutor e passageiro, separados por um canal central que transforma o corpo do automóvel numa asa para maximizar o efeito solo. O fluxo de ar divide-se na dianteira e volta a unir-se na traseira, numa configuração inspirada no conceito F80. A dianteira exibe uma faixa suspensa entre as asas, enquanto os faróis retráteis evocam modelos clássicos da marca. Na secção posterior, destacam-se os dois perfis verticais e a asa superior que integra as quatro luzes traseiras. Como sublinha o Top Gear , o F76 é “um carro que não pode ser conduzido porque, simplesmente, não existe de verdade”, criado exclusivamente para o mundo digital. O projeto reflete a ambição da Ferrari em combinar arte digital, engenharia e exclusividade - ainda que muitos entusiastas vejam o conceito com alguma perplexidade, face à volatilidade do mercado de NFTs. Ferrari redefine o conceito de posse automóvel A marca afirma que o modelo foi pensado para proporcionar “emoções partilhadas em tempo real”, através de uma configuração drive-by-wire e da sincronização digital entre os comandos do condutor e os estímulos do passageiro. Apesar disso, não há detalhes técnicos, nem motorizações virtuais, já que o F76 não será utilizado em simuladores nem em qualquer plataforma interativa. Cada exemplar será único e personalizado pelos membros do Hyperclub ao longo de três anos, através de edições digitais exclusivas. Tal como destacou a Italpassion , estes clientes - entre os mais fiéis e endinheirados da marca - não adquirem um veículo tangível, mas sim um código digital autenticado em blockchain que representa o seu modelo personalizado. Para a Ferrari, o F76 é mais do que um exercício estético: é uma declaração sobre a direção futura do design e sobre a forma como o luxo pode existir também em ambientes digitais. A marca acredita que o projeto abre caminho a novas linguagens criativas, mantendo a exclusividade que sempre caracterizou o emblema de Maranello. Ainda assim, críticos e analistas internacionais notam que o F76 surge num contexto em que o mercado dos NFTs perdeu o entusiasmo inicial, levantando dúvidas sobre a durabilidade e o valor real deste tipo de ativos. Mesmo assim, o lançamento confirma a vontade da Ferrari de explorar as fronteiras entre inovação tecnológica, património histórico e arte digital - ainda que, desta vez, o rugido do motor seja apenas imaginado.