NOVO HONDA PRELUDE SURPREENDEU-ME MAS TEM UM PROBLEMA
2025-10-27 22:06:51

O nome Honda Prelude está de volta e ao contrário do que tem sido moda, não foi usado para batizar um novo crossover elétrico. E isso é bom O nome Honda Prelude está de volta e ao contrário do que tem sido moda, não foi usado para batizar um novo crossover elétrico. E isso são boas notícias. Honda Prelude Primeiras impressões 8/10 Data de comercialização: Novembro 2025 Depois de duas décadas ausente, o Honda Prelude está de volta. E espantem-se: não virou um SUV elétrico! Prós Sistema híbridoConsumosSistema S+ ShiftPrecisão dos comandos Contras Preço previstoLugares traseirosFalta potência em algumas situações É inevitável. Se a Honda decide recuperar um nome com o peso histórico de Prelude, não vão faltar comparações com o Civic Type R. Afinal, numa era em que os hot hatch estão com os dias contados, a Honda ainda faz essa receita como ninguém. E as primeiras indicações só vieram reforçá-lo: ninguém que tenha visto o protótipo do Honda Prelude pode dizer que não imaginou que pudesse ser animado pelo 2,0 litros de 329 cv do Type R. Até porque o Prelude é uma espécie de versão coupé do Civic. Mas a Honda fez uma escolha mais conservadora e deu-lhe o mesmo sistema híbrido do Civic e do ZR-V. Será que foi a decisão correta? Fui até Nice para a prova dos nove. Vejam o vídeo: Nota 10 para a imagem Está tudo certo com o design exterior do Prelude. Aceito que tenham outra opinião, mas parecem-me que os designers da Honda conseguiram chegar a proporções muito equilibradas e vesti-las com linhas elegantes e muito fluídas. Não temos os elementos excessivamente agressivos que habitualmente encontramos nas propostas mais desportivas, seja sob a forma de enormes entradas de ar nos para choques ou de um imponente spoiler traseiro. © Honda As jantes têm 19” e um acabamento preto, que contrasta muito bem com a cor de lançamento deste modelo: o azul que surge em destaque. O Prelude recusa tudo isso. Tem superfícies limpas, uma linha de ombros que alarga na traseira e um tejadilho baixo, um elemento que me parece obrigatório em qualquer coupé. Há um preço a pagar, é certo, mas já lá vamos. Interior sóbrio Para o interior, a Honda foi menos arrojada e manteve praticamente intacta a solução usada no Civic. Mas isso está longe de ser uma má notícia: o Civic tem um dos melhores habitáculos do segmento. Não há lugar a decorações supérfluas, espetáculos de luzes espampanantes ou telas dignas de uma sessão de cinema. Em vez disso, o interior do Prelude aposta no minimalismo e na sobriedade de soluções. © Honda Nem o painel de instrumento digital nem o ecrã multimédia impressionam pelos desenhos e grafismos modernos, mas apresentam uma leitura fácil. Para muitas pessoas, ainda é o mais valorizado. Também tenho que dar uma nota positiva para a escolha dos materiais e para a qualidade de montagem. Mas claro, sendo esta uma proposta de pedigree mais desportivo, talvez o ponto em maior destaque sejam os bancos e, por consequência, a posição de condução. © Honda Os bancos são um dos destaques positivos deste Honda Prelude. A Honda deu-se ao trabalho de desenvolver dois bancos distintos, para condutor e passageiro. Se o segundo é mais largo e suave, o primeiro é mais firme e garante um melhor suporte lateral. Estes detalhes contam. Mas há um problema Não há, no entanto, como fugir do elefante na sala: o espaço nos lugares traseiros. A Honda apresenta-o como um coupé 2+2, mas dificilmente vão encontrar utilidade para aqueles lugares, a não ser para colocar crianças. © Honda Por ter um tejadilho tão descendente, a altura atrás ficou muito comprometida. A questão nem é tanto o espaço para os pés ou para os joelhos, mas sim para a cabeça. Ao ponto de achar que a Honda poderia ter arrojado e eliminar os lugares traseiros por completo e, com isso, reduzir o comprimento do chassis. Onde não há qualquer reparo a fazer é ao nível da bagageira que, segundo a marca nipónica, está pensada para levar dois sacos de golfe ou um jogo de quatro pneus. © Honda Estamos a falar de 264 litros de capacidade de carga (ou 663 litros com os bancos traseiros rebatidos), mais 38 litros do que temos, por exemplo, num Toyota GR86. VTEC? Não Vamos finalmente falar de um dos pontos do Prelude que mais divide opiniões, o motor. Se estavam à espera de encontrar debaixo do capô o bloco de quatro cilindros com 2,0 litros, VTEC e turbo com 329 cv do Civic Type R, podem esquecer. Tal como comecei por dizer, a Honda foi conservadora e seguiu outro caminho. É certo que as normas de emissões cada vez mais apertadas não dão tréguas, mas a Mazda vende o MX-5 com motor de 2,0 litros sem eletrificação, tal como a Toyota faz com o GR Supra, que até tem uma opção de seis cilindros e três litros. Mas isso, só por si, dava um artigo. Ou um Auto Rádio (quem sabe!). Tenho de admitir que quando soube que o Prelude ia adotar o sistema híbrido do Civic e do ZR-V, fiquei algo desiludido. Porém, rapidamente me lembrei: pelo menos a Honda não vai usar este nome para batizar um crossover ou um SUV elétrico. E dar o benefício da dúvida aos engenheiros nipónicos era o mínimo que podia fazer. Afinal, a história está do lado deles. Complexo? Nem por isso Por tudo isto, estava ansioso por deitar as mãos a este modelo e para perceber se este sistema híbrido estava à altura de um nome tão marcante. Afinal, o Prelude foi, durante muito tempo, o porta-estandarte tecnológico da Honda. © Honda O sistema eHEV privilegia o motor elétrico para fazer mover as rodas. Não foram precisos muitos quilómetros para eu perceber que este sistema híbrido estava longe de ser uma limitação. No papel, o sistema e:HEV é algo complexo, porque o motor de 2,0 litros e quatro cilindros (ciclo Atkinson) apenas é usado para fazer mover as rodas a velocidades mais altas, em autoestrada. Só aí é que a Honda considera que este motor de combustão com 143 cv e 186 Nm é mais eficiente. Em todos os outros cenários, o motor a gasolina é usado apenas como gerador para carregar uma pequena bateria (tem 1,05 kWh de capacidade) que alimenta um motor elétrico de tração. Este motor elétrico entrega 184 cv de potência e 315 Nm de binário máximo anima o Prelude na grande maioria das vezes e deixa-nos acelerar dos 0 aos 100 km/h em 8,2s e chegar aos 188 km/h de velocidade máxima. Em ritmos mais altos, não senti falta de potência. Mas nos arranques, à saída de algumas curvas e em situações de ultrapassagem, dei por mim a desejar que a Honda tivesse retirado aqui mais 20 ou 30 cv deste motor elétrico - como no Prelude norte-americano, que declara 203 cv. © Honda Curiosamente, nos Estados Unidos, o Prelude com esta mesma motorização chega aos 203 cv Essa é a parte negativa. A parte positiva é que o funcionamento do sistema híbrido é sempre muito agradável, acontece tudo de forma muito mais progressiva e, em cima de tudo isto, somos brindados com consumos baixíssimos: acabei este primeiro contacto com uma média de 6,2 l/100 km, mesmo tendo andado em autoestrada. Desportivo? Não, GT A posição de condução é irrepreensível, tal como o tato de todos os comandos (nomeadamente volante e pedal do travão). E o comportamento em estradas sinuosas é bem mais envolvente do que eu tinha antecipado. Mas agora que conheço alguns dos segredos do Prelude, outra coisa não seria de esperar. Descubra o seu próximo automóvel: Para este modelo a Honda foi buscar algumas das melhores soluções que tem dentro de casa e recorreu à prateleira de componentes do Civic Type R. A suspensão adaptativa, por exemplo, foi roubada ao hot hatch nipónico, ainda que aqui tenha um acerto mais brando. E o mesmo podemos dizer do sistema de travagem com pinças Brembo e de muitas das soluções usadas no chassis. © Honda A Honda roubou imensos elementos ao Civic Type R, entre eles o sistema de travagem. Como tantas vezes se diz, a receita pode ser muito boa, mas se os ingredientes não estiverem à altura o prato final nunca vai ser bom. E aqui, os ingredientes são de qualidade inquestionável. Mas tudo depende das expectativas que temos. Se o quisermos ver como um desportivo, o que a meu ver é errado, então rapidamente vamos perceber que a suspensão deveria ser mais firme e que eram precisos mais uns pózinhos no motor; mas se o quisermos ver como um GT, então ele afirma-se como uma proposta de valor inequívoco. © Honda Elegante, esguio e com presença. A Honda acertou na perfeição na imagem do novo Prelude. Esse é para mim o grande ponto do Prelude: bastante equilibrado, suficientemente envolvente e, acima de tudo, versátil. É o atributo que mais o distingue do Civic Type R. O Prelude é muito mais utilizável, mais simples de explorar no dia a dia e com uma faixa de utilização muito mais vasta. E quando a estrada perfeita aparece, desde que não o queiram conduzir de faca nos dentes , dificilmente vão ficar desiludidos. Nem tanto pelo sistema S+ Shift, que simula passagens de caixa e que a Honda vê como um ponto de ligação entre carro e condutor, mas sim pela precisão dos comandos e pelo acerto de chassis, que está em muito bom nível. Preço pode ser o maior problema Os preços para o mercado português ainda não estão fechados, mas se tivermos em conta que o Civic com a mesma motorização arranca nos 45 mil euros, é fácil prever que o Prelude nunca custará menos de 60 mil euros. Se assim for, consigo antecipar que venha a ser um dos maiores entraves à compra deste modelo. Parece-me um valor alto para aquilo que este coupé oferece. Por esse preço há propostas muito interessantes no mercado de usados. E uma delas chama-se precisamente Honda Civic Type R. Podem recordá-lo aqui, no nosso Circuito do Estoril: Mas esta é apenas uma parte do problema. Importa perceber o que leva a este valor. E a maior culpada chama-se fiscalidade portuguesa, que continua a penalizar excessivamente a cilindrada no ISV, em detrimento das emissões. Porque no final do dia, o Prelude consegue ser uma proposta tão divertida quanto eficiente. É essa a vantagem real deste sistema híbrido. É certo que não tem a mesma dose de adrenalina de um Type R, mas é mais versátil, mais fácil de utilizar e muito mais poupada. Dito isto, entendo que, para muitos, este não seja o regresso esperado para um nome tão emblemático quanto este. Faltam-lhe elementos diferenciadores para nos fazer esquecer de que, lá no fundo, se trata apenas de um Civic coupé. Por outro lado tenho de reconhecer que a escolha deste sistema híbrido o torna uma proposta mais utilizável, qualquer que seja a situação. E que não sendo um desportivo puro e duro, é capaz de proporcionar uma condução envolvente e entusiasmante. E, claro, salvo raras exceções (nomeadamente BMW e Mercedes-Benz), é obrigatório reconhecer a coragem que os construtores japoneses ainda vão mostrando, lançando no mercado um tipo de carroçaria que caiu realmente em esquecimento: os coupés. Veredito Honda Prelude Primeiras impressões 8/10 O Honda Prelude está de volta, 25 anos depois. Não tem a opulência, a tecnologia e a diferenciação de outros tempos, mas aposta na elegância e num sistema híbrido de provas dadas para vingar. Se o virem como um desportivo puro e duro vão ficar desiludidos. Mas se pensarem nele como um GT vão encontrar um modelo versátil e capaz de nos arrancar um sorriso bem rasgado. É tudo uma questão de expectativas. Data de comercialização: Novembro 2025 [Additional Text]: Honda Prelude perfil Miguel Dias