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OS 18 AUTOMÓVEIS DE COMPETIÇÃO QUE NUNCA COMPETIRAM

Jornal dos Clássicos Online

2025-10-27 22:06:52

O desporto automóvel e a história do automóvel andam sempre de mãos dadas, uma vez que as marcas utilizam o desporto para a promoção, seja da própria marca, seja de algum modelo em específico, algo que remonta mesmo aos primórdios do automóvel, quando cada inventor competia com os seus automóveis para mostrar os feitos conseguidos, quando bem-sucedidos. Outro motivo, é aproveitar o desporto automóvel para testar tecnologias para depois serem empregues nos automóveis de estrada. No entanto, na história também ficam certos projectos que nunca conseguiram realmente competir, seja por mudanças de regulamentação, seja por falta de fundos capazes de conceber um automóvel vencedor. Neste artigo vamos dar 18 exemplos de automóveis que nunca chegaram a competir, seja em velocidade, seja nos ralis. Certamente haveriam muitos mais, mas isso daria um livro. -Alfa Romeo 164 Procar Com o sucesso demonstrado pela competição monomarca organizada pela BMW que utilizava os M1 Procar como competição de apoio à Fórmula 1 com pilotos dessa disciplina, houve a ideia de conceber a Fórmula S, onde automóveis com uma silhueta dos exemplares de estrada estavam equipados com os mesmos motores de Fórmula 1 e um chassis tubular. Apenas a Alfa Romeo apresentou o seu automóvel, o 164 Procar, equipado com um motor V10 de 3,5L e 620cv para apenas 740kg. O chassis em alumínio foi desenvolvido pela Brabham, com uma carroçaria feita em materiais compósitos, como Kevlar, fibra de carbono e Nomex, com somente duas partes amovíveis, a traseira e a frente. Depois de algumas voltas de demonstração, este não impressionou Bernie Ecclestone a seguir com essa categoria e a competição ficaria por aí. -Ferrari F50 GT Durante os anos 90 a Ferrari também quis entrar na competição da categoria GT1, onde participaram os Porsche 911 GT1 e os Mercedes-Benz CLK GTR, no entanto, o projecto foi cancelado ao fim de apenas três exemplares produzidos. O motor V12 debita 740cv era, sem dúvida, o expoente máximo da marca do Cavalino Rampante. -Ferrari GTO Evoluzione O Ferrari GTO, conhecido entre os entusiastas como 288 GTO, foi produzido para homologar o automóvel no Grupo B, daí o O na designação do modelo, que significa Omologato. E para competir foi desenvolvido or GTO Evoluzione, com o objectivo de competir em provas de asfalto e a ideia primordial eram competir no Campeonato Italiano de Ralis de Asfalto. O motor V8 Twin-Turbo F114 CK de 2.9L debita 659cv às 7800rpm, para um peso de 940kg. A carroçaria em fibra de carbono reveste o chassis tubular. A construção das 20 unidades planeadas, seria executada com a ajuda da Pininfarina e da Michelotto. No entanto, com o cancelamento do Grupo B, a Ferrari não foi capaz de fazer competir o GTO Evoluzione e apenas seis exemplares foram construídos. -Ford Escort RS1700T Com base na terceira geração do Ford Escort, que era agora de tracção frontal, a Ford iniciou o desenvolvimento do que seria a sua máquina de Grupo B, nascendo assim o Escort RS1700T, que do Escort original tinha apenas o desenho, uma vez que era agora de tracção traseira. Debaixo do capot estava um motor de quatro cilindro turbo BDT da Cosworth de 1,8L de cilindrada capaz de debitar 350cv. A ideia inicial seria colocar o Escort RS1700T a competir no início dos anos 80, mas vários problemas foram encontrados e a sua estreia foi sendo adiada. Inclusivamente, o Escort RS1700T esteve a ser testado intensivamente em Portugal, na Serra da Boa Viagem e em Arganil no ano de 1982. No entanto, o aparecimento do Audi Quattro, fazia com que o Escort não fosse competitivo e a Ford decidiu descartar este projecto e fazer um novo de raíz, de onde nasce o RS200. -Ford GT70 O Ford GT70 foi um desportivo desenhado por Ercole Spada para a Ford UK em 1970 com o intuito de ser utilizado no WRC, para competir juntamente com o Porsche 911 e o Alpine A110 e, posteriormente, com o Lancia Stratos. Estava equipado com um motor V6 de 2,6L de cilindrada colocado na zona central e enviava a potência para as rodas traseiras. Apesar de alguns dos seis exemplares terem sido utilizados em alguns ralis, estes não passavam de protótipos para testar a viabilidade do GT70, mas, no fundo, nunca competiu no WRC. -Hyundai Genesis GT3/GTE A Hyundai lançou em 2008 o Genesis Coupe, um elegante desportivo de duas portas, a base perfeita para conceber uma versão GT3. Apesar deste projecto não ter sido desenvolvido a nível oficial, a australiana Austech fez o desenvolvimento de um Genesis Coupe para competir nas categorias GT3 e GTE, a par dos Ferrari, Lamborghini, Porsche, entre outros. Debaixo do capot estava um motor V8 concebido pelo própria Austech com cerca de 550cv. O projecto despertou algum interesse por parte da Hyundai, que tinha de homologar o automóvel para competir, no entanto, por falta de investimento o Genesis GT3 nunca passou da fase de protótipo. -Jaguar XJ13 O Jaguar XJ13 deveria ter rivalizado com o Ford GT40 nas provas de resistência, mas isso não aconteceu. Apesar de ter iniciado o seu desenvolvimento no final dos anos 50, apenas em 1966 estava pronto a ser testado. Mesmo tendo um motor V12 colocado centralmente, o XJ13 não conseguiria bater-se de igual para o GT40 e o projecto foi colocado de parte. O seu ponto final foi o acidente do único exemplar construído em 1971, onde o piloto Norman Dewis perdeu o controlo e embateu com violência ao gravar um anúncio para o Jaguar E-Type V12. Felizmente este único protótipo produzido foi restaurado e hoje está preservado com toda a sua glória, apesar de nunca ter competido. -Koenigsegg CCGT Christian von Koenigsegg desenvolveu o seu superdesportivo CC com a intenção de competir nas 24h de Le Mans e, para isso, concebeu o CCGT para competir na categoria GT1, com um motor de 600cv para um peso de 600kg, devido ao uso extensivo da fibra de carbono. No entanto, quando o único exemplar estava pronto, a FIA baniu o uso da fibra de carbono na estrutura tubular fazendo com que o CCGT não pudesse ser homologado. -Lamborghini Diablo GT1 Apesar da Lamborghini produzir desportivos e superdesportivo, nunca foi uma marca que se fizesse representar activamente em competição, muito menos a nível oficial. No entanto, a meio dos anos 90, a Lamborghini quis também entrar no jogo da categoria GT1 e concebeu o Diablo GT1 de motor V12 e 655cv de potência para ir para as pistas. Apenas dois exemplares foram construídos, até a administração cancelar o projecto por falta de fundos. -Lancia ECV Com o Grupo B nos ralis no seu auge, a FIA estava a preparar uma categoria ainda mais extrema para 1987, com praticamente protótipos de ralis, potências avassaladoras e pesos ainda mais reduzidos. Todas as marcas iniciaram o desenvolvimento das suas máquinas para o que viria a ser o Grupo S, no entanto, após os trágicos acidentes de 1986 e com o cancelamento do Grupo B, a FIA nem chegou a colocar em prática o Grupo S. A Lancia já estava a desenvolver o seu segundo protótipo, uma vez que o primeiro, conhecido por ECV era uma evolução do Delta S4, ambos com a ajuda da Abarth. ECV significa Experimental Composite Vehicle e, no fundo, está equipado com uma carroçaria construída toda em fibra de carbono, com um foco maior na aerodinâmica, produzindo efeito solo. Para além da aerodinâmica, a refrigeração do motor também foi bastante melhorada. Mas ao contrário do Delta S4, que era construído com um chassis tubular, o ECV tinha um chassis monocoque, construído em alumínio e fibra de carbono. O motor de 1.8L e quatro cilindros também recebeu bastantes melhoramentos, levado a cabo por Claudio Lombardi, como uma nova cabeça e a substituição do sistema de compressor volumétrico e turbo, por dois turbos. Mas a maior novidade foi o sistema TriFlux, com um colector de admissão e dois colectores de escape, fazendo com que um turbo fosse desactivado a baixa rotação, levando todo o ar para um deles, eliminando assim o turbo,lag. Além disso, as válvulas eram cruzadas, tendo uma válvula de escape e outra de admissão, em cada lado da câmara de combustão. O motor, ainda na fase de desenvolvimento, atingia os 600cv. -Nissan P35 Numa altura em que o Grupo C tinha diversos construtores a competir entre si no WSC, a Nissan foi uma das que quis conceber um automóvel para competir e daí nasce o P35. O seu desenvolvimento iniciou-se através da Nissan Performance Technology Inc. nos EUA, a antiga Electromotive, com o objectivo de iniciar a sua carreira desportiva em 1992. Após os primeiros exemplares de testes estarem terminados, problemas financeiros na Nissan levaram ao seu cancelamento e, com isso, o P35 nunca competiu. A Nismo estava a trabalhar noutro automóvel com base no P35 para competir no All Japan Sports Prototype Championship, denominado NP35, sendo que este acabaria por competir apenas numa corrida, mas o seu posterior desenvolvimento foi também cancelado. O P35 estava equipado com o motor V12 VRT35 de 3,5L de cilindrada. -Nissan R383 O R383 foi o automóvel de competição concebido com o objectivo de competir no Grupo 7 no Grande Prémio do Japão em 1970, equipado com o motor V12 GRX-3 de 6,0L capaz de debitar 700cv na sua versão atmosféricas ou 900cv na sua versão sobrealimentada. Infelizmente, a federação japonesa acabaria por cancelar a prova, o que fez com que a Nissan, juntamente com a Toyota, abandonasse a competição. -Nissan Skyline 2000GT-R Racing Apesar dos Nissan Skyline GT-R mais conhecidos serem as gerações lançadas após 1989, houve duas gerações anteriores, com a primeira geração lançada em 1969 a ter um enorme sucesso na competição, com 50 vitórias em apenas dois anos e dez meses. A segunda geração acabaria por estar à venda apenas um ano, em 1973, sendo cancelada devido à crise do petróleo, fazendo com que a sua versão de competição nunca competisse, tendo sido apenas apresentada no Salão de Tokyo de 1972. Debaixo do capot estava o motor S20 de seis cilindros em linha e 2,0L de cilindrada, quatro válvulas por cilindro e duas árvores de cames à cabeça, capaz de desenvolver na versão de estrada 160cv às 7.000rpm e 177Nm de binário às 5.600rpm. -Peugeot 908 HY O Peugeot 908 foi um automóvel concebido pela Peugeot Sport para competir nas 24h de Le Mans e também no Campeonato Mundial de Resistência. A versão de competição estava equipada com um motor a Diesel, inicialmente V12, passando para V8 em 2011, no entanto, em 2009 iniciou o desenvolvimento de uma versão híbrida, conhecida por 908 HY, que combinava o motor a combustão, com um motor eléctrico. Esta versão acabaria por dar origem ao 908 Hybrid4 de 2012, mas tanto um como o outro nunca competiram, devido à crise económica que abalou o sector automóvel e que fez a Peugeot retirar-se das competições. -Porsche LMP2000 Após a Porsche conceber um motor V10 para a equipa de Fórmula 1 Footwork em 1992 e esta não o utilizar, a marca alemã decidiu conceber um protótipo para as provas de resistência e iniciar o novo milénio nessa categoria. Assim nasceu o LMP2000, que até esteve bastante evoluído, com diversos testes, mas o projecto seria cancelado, que, segundo consta, terá devido à Audi entrar na mesma categoria com o R8. No entanto, a marca não deitaria o motor fora e, como à terceira é de vez, este motor encontrou lugar no icónico Carrera GT. -Seat Tango Racer No início do novo milénio, a Seat concebeu um desportivo de dois lugares descapotável desenhado por Walter de Silva, a que deu o nome de Tango. Estava equipado com o motor 1,8L 20VT de 180cv, acoplado a uma caixa manual de seis velocidades e a sua estrutura tinha por base o Córdoba WRC. Apesar deste modelo ser totalmente funcional e estar pronto para ser produzido, isso nunca aconteceu. Além do protótipo original ainda foram concebidos outros protótipos com base neste, incluindo o Tango Racer, que era uma versão barchetta destinada à competição, com o lugar do pendura tapado. Obviamente, esta versão nunca competiu. -Toyota 222D Este é outro exemplo do que as máquinas de Grupo S deveriam ter sido, com a Toyota Motorsport Europe a ter por base o MR2 da primeira geração para conceber o monstro 222D, projecto que inicia o seu desenvolvimento ainda em 1984. Com apenas 750kg, o 222D desenvolvia 650cv de potência do seu motor de 2,2L Turbo na sua última evolução, enviada para as quatro rodas, o que faz antever as suas prestações avassaladoras. Apenas três exemplares foram construídos, dois permaneceram na Toyota e o terceiro está num coleccionador, que por vezes leva-o a ralis de clássicos, que até já passou por Portugal no RallySpirit de 2024. -Proton Putra WRC A Proton é uma marca malaica, bastante activa nos ralis, apesar de nunca ter conseguido resultados de relevo. Chegou a ter no seu portefólio um modelo que tinha por base o Mitsubishi Lancer Evolution, o Proton Wira, uma vez que sempre teve uma estreita relação com a marca nipónica. Em 1996 lança o coupé Putra equipado com motor Mitsubishi e, com base nesse, em 1997 a Proton decide competir no WRC e, com a ajuda da Prodrive, nasce o Putra WRC, equipado com o motor 4G93T de 1,8L de cilindrada da Mitsubishi capaz de debitar 300cv, enviados para as quatro rodas, com vários elementos extraídos da Subaru. Apenas um exemplar foi construído, uma vez que o projecto nunca chegou a ser desenvolvido nem testado, a que se junta um show car com o mesmo desenho mas mecânica semelhante ao modelo de estrada. Ambos estiveram alguns anos ao “abandono” estando agora restaurados e presentes na Proton Motorsports Collection.