ROAD TRIP SEM EMISSÕES - IR A ESPANHA E VOLTAR DE ELÉTRICO
2025-10-29 22:06:50

Eis o relato de uma road trip em família, com mais de 2.500 quilómetros (muitos deles, em autoestrada e Autovía) por território espanhol ao volante do Peugeot 3008 GT Elétrico de 210 CV. Sim, é possível! Faz agora um ano (edição de outubro de 2024), este mesmo narrador contava na primeira pessoa as aventuras da sua road trip em família durante as férias de verão. Cerca de 2.500 quilómetros pelo norte de Espanha, com passagem pelas Astúrias, Cantábria e País Basco. Mais do que descrever a paisagem, o texto falava das idiossincrasias das viagens de carro, entre elas a possibilidade de conhecer vários destinos de uma só vez. A inigualável beleza de ver o terreno desfilar à janela, perceber como o território muda a paisagem e como os quilómetros nos mudam a nós. o texto fazia ainda referência aos 70 Carros riscos desta forma de viajar. Eis um pequeno excerto: “Quando à expressão road trip se junta o termo família, a ideia pode ganhar contornos de drama, afinal quem é que quer ir para a estrada com uma criança de seis anos e uma adolescente de 16, após um ano de trabalho?” Mais à frente, já numa espécie de balanço final, ficou escrito: "Não, não descansámos estamos mesmo a pensar pedir um empréstimo para passar uma semana só os dois, para descansar das férias mas compensou, é claro." Um ano e tantas queixas depois, eis-nos de novo no asfalto, a mesma família, com um desafio ainda maior. Não só voltámos a viajar juntos, como resolvemos fazê-lo ao volante de um veículo elétrico , o 3008 GT Eletrico 210 cv, ao invés do 3008 Hybrid 136 CV e-DCS6 que nos guiou em 2024. Um percurso com sensivelmente com os mesmos quilómetros (2.500) entre Torres Vedras, Madrid, Valência, Múrcia, Cabo da Gata, Granada, Sevilha, Ayamonte e regresso ao Oeste do país, via Algarve. Correu bem? Compensa? Vale a pena o desafio? Ainda somos uma família? ORGANIZAçAO, PACIENCIA E (ALGUMA) POESIA Calma, já lá vamos. Não estamos aqui para doutrinar ninguém 3008 GT ELETRICO 210 CV Se o 3008 Hybrid 136 CV e-DCS6 tinha sido o companheiro perfeito para a viagem de 2024 pelo norte de Espanha, o 3008 GT Elétrico 210 cv não Ihe ficou atrás. Bem pelo contrário. Imponente, de grandes dimensões e forte personalidade, é igualmente fácil e prazenteiro de conduzir, com resposta pronta em qualquer um dos modos de condução (optamos sempre pelo ECO) e com todo o conforto, espaço e comodidades indispensáveis a uma longa jornada em família. Equipado com um motor de 157 kW e uma bateria de 73 kWh, tem uma autonomia estimada de 526 km (WLTP). Valores difíceis de conseguir em autoestrada, mas que se mostram alcançáveis quando a viagem é feita em estradas nacionais ou secundárias, sendo logo visível a sua capacidade de recuperação e regeneração de energia durante as travagens. Especial destaque para o sistema GPS e as informações sobre o planeamento e sugestões de rota e de carregamento. Só fica apeado quem quer! a Peugeot emprestou-nos novamente o carro, mas, uma vez mais, não nos encomendou nenhum discurso -, por isso não vale a pena estar com paninhos quentes: este tipo de viagem ainda não é para todos. Requer alguma organização e paciência. E, porque não, uma certa dose de poesia. Desde logo, antes de partir. Falar sobre elétricos é como falar sobre a paternidade. Ou é fácil (para os convertidos) OU impossível. E toda a gente sabe tudo. “Cuidado com a rede de carregamento espanhola. Se a nossa é má, não imaginas a deles”; “uma viagem de elétrico no verão? vão desesperar, os pos-tos estão sempre ocupados”; “não te esqueças de pedir um cartão espanhol, até porque as apps são muito bonitas, mas nem sempre funcionam.” De todos, este último conselho foi o único que resolvemos seguir. Depois de uma rápida pesquisa pela internet, instalámos a aplicação da Electromaps e pedimos o respetivo cartão físico (Electropass), que chegou à caixa do correio 15 EUR e quatro dias úteis depois. Nada mal, para começar. Ah... ia-me esquecendo de outra recomendação: “Não vás pela autoestrada, caso contrário só tens autonomia para meia dúzia de quilómetros”. - Eu, apaixonado por estradas secundárias me confesso, a verdade é que, por uma questão de economia de tempo e ditadura familiar, ficou definido que o primeiro troço seria feito de uma assentada. De Torres Vedras a Madrid, quase sempre em autoestrada OU AutoVía. Uma espécie de prova de vida logo a abrir. Se de Torres à capital espanhola são cerca de 620 km e se o 3008 tem uma autonomia estimada de 527 quilómetros, quantos paragens seriam necessárias? Uma? Duas? Seria melhor levar OS pontos de carregamento previamente definidos OU íamos andando e logo se via? E o cartão da Electromaps, será que funcionaria? (Não) ficarmos apeados seria uma questão de sorte OU de tempo? TENTATIVA E ERRO Perguntas, dúvidas, incertezas. A maioria das pessoas faz perguntas para ter respostas imediatas e assim reduzir a possibilidade de imprevistos (e, sobretudo, a ansieda-A NAO PERDER CABO DA GATA Não é preciso fazer a volta que nós fizemos para chegar ao Parque Natural do Cabo da Gata , de Lisboa até lá são “apenas” 900 km =, mas é daqueles destinos que vale a viagem e umas férias por si só. Reserva da Biosfera desde 1997 é uma espécie de oásis não só na Andaluzia, como em toda a costa sul espanhola. Um território de paisagens quase lunares, com algumas localidades de postal e praias de sonho. Destaque para as aldeias de Las Negras ou Agua Amarga e as Playa de Los Muertos, Playa de Los Genoveses ou Fabriquilla , esta já mais próxima de Almería. CALA RAMBLA DEL PORTUS / CARTAGENA No final de cada road trip fazemos sempre a eleição do local que mais nos marcou. Ganhou a Playa de Los Muertos, em Cabo da Gata, três votos contra um. O meu foi para a Cala Rambla del Portús. Situada a cerca de 15 minutos de Cartagena, é um daqueles locais menos óbvios, perfeito para quem prefere um local mais pequeno, ladeado por rochas, com mais pedra do que areia, mas muito mais charme. Deixa marcas nos pés, mas também na memória. Não esquecer de explorar Cartagena... de). Tudo certo, cada um sabe de si. Nós decidimos fazer o que resulta melhor para nós, que foi sair de casa com a bateria totalmente carregada e ir andando, A23 acima, sempre com o ponteiro nos 120 km/h, rumo a Castelo Branco, onde faríamos a primeira paragem no Continente OU no Lidl, enquanto encheríamos a mala com algumas compras para a viagem. Depois? Depois, logo se via. o que se viu foi aquilo que se sabe. Que em autoestrada o consumo sobe exponencialmente e os 527 km de autonomia transformam-se em pouco mais de 300, fazendo com que se multipliquem os carregamentos. Neste caso, dois, até chegar a Madrid. Se o primeiro foi feito em Castelo Branco, o segundo foi realizado em plena AutoVía, a cerca de 100 quilómetros da capital espanhola, numa estação de serviço com postos de carregamento super-rápidos (150 kW) da TotalEnergies. A bateria estava ainda longe do limite (35%), uma margem de segurança para o caso de se algo não funcionasse e necessitássemos de encontrar uma alternativa. Conseguimos carregar? Sim. o cartão funcionou? Sim. Logo à primeira? Não. Cheguei a pensar que a coisa ia dar para o torto e que nem sequer íamos chegar a Madrid? Sim. Que deveria ter preparado melhor a viagem? Sim, sim, sim. Como resolvemos? Pedimos ajuda a um funcionário, que nos disse que não ia ser possível, que o ideal seria descarregar a app da TotalEnergies, blá-blá-blá; percebemos que ele percebia ainda menos do assunto que nós; insistimos, tentámos, falhámos de novo, falhámos melhor, até que lá conseguimos. Cerca de 15 minutos à "nora”, 35 minutos de carregamento, tempo perfeito para comer uns calamares, uma tor-tilha e beber uma caña , a minha mulher, é claro, que eu estava ao volante , e seguir de barriga e bateria cheia até Madrid. TEMPO uTIL DE VIDA “Isto não é mesmo para mim”, dirão alguns dos leitores, por esta altura. “Não tenho paciência”. Sim, ainda é preciso alguma paciência, repito. E alguma sorte. ê verdade que, aqui e ali, nos deparámos com um OU outro posto de carregamento ocupado quando a aplicação dava como livre; encontrámos vários postos sem cabo; por duas vezes tivemos que encontrar uma alternativa e, consequentemente, mudar os planos de viagem, porque os proprietários de veículos com motor a combustão resolverem transformar os postos de carregamento em lugares de estacionamento; é verdade que, aqui e ali, o cartão não foi compatível com a rede pública espanhola (ninguém perde nada se insta-A NÃO PERDER PLAYA VERA / NATURISMO Se há algo para que as viagens de carro são boas é para nos levar a locais que não estavam no roteiro, seja porque um posto de carregamento ocupado ou estragado assim o obrigou, seja pela insaciável curiosidade de conhecer uma terra nova. Foi o caso da Playa Vera, já a caminho do Cabo da Gata. Queríamos ver a praia, acabámos por ver tudo, afinal ali situa-se a primeira urbanização naturista espanhola , em que se anda nu na praia, sim, mas também no parque de estacionamento, no café ou no supermercado! Uma aula de cidadania (e anatomia) em plena estrada. VALêNCIA, GRANADA, MURCIA Se há algo que Espanha tem e que Portugal não (desde logo, pela dimensão) são cidades de média/grande dimensão cheias de vida, património e motivos de interesse. Sevilha, claro, Granada, a muito discreta Múrcia (boas opções para fugir aos preços mais caros junto à costa), e também Valência , esta, junto à costa. Em Valência, mais do que as praias, vale a pena passar pelo centro histórico, pelo mercado (para comer uma paella) e, sobretudo pela Cidade das Artes e das Ciências. Uma cidade dentro da cidade. lar a app Smart Mobility Iberdrola); é certo que o preços podem ser um pouco mais caros do que Portugal e que nem tudo são rosas no maravilhoso mundo dos elétricos, mas foram claramente exageradas, para não dizer falsas, as notícias do insucesso da nossa viagem. No total, quantos minutos OU tempo útil perdemos a fazer carregamentos comparativamente a um carro a combustão? Meio dia útil? Um dia? Não sei, não fiz essas contas. Estava de férias. Sei que, cerca de um mês depois, raro é o dia em que não comentemos a qualidade e quantidade das tortilhas, dos calamares, das batatas bravas, dos bocadillos e dos bons momentos que tivemos enquanto preenchíamos o tempo vazio dos carregamentos. O grande desafio (e o segredo) talvez seja esse: transformar tempo morto em qualidade de vida. D JOâO FERREIRA OLIVEIRA (ô EMA MIRANDA ITINERARIO Dia1 Torres Vedras / Castelo Branco / Madrid Dia 2 Madrid / Valência Dia3 Valência / Múrcia Dia 4 Múrcia /Cartagena/Playa Vera / Las Negras (Parque Natural Cabo da Gata) Dia5 Parque Natural Cabo da Gata Dia6 Parque Natural Cabo da Gata / Almeria / Granada Dia 7 Granada / Sevilha / Ayamonte Dia 8 Ayamonte / Faro/ Torres Vedras ONOVO 3008 GT ELETRICO 210 CV FOIUM EXCELENTE COMPANHEIRO DE VIAGEM. CONSEGUEM-SE FACILMENTE MEDIAS DE 17 KWH/100 KM, DESDE QUE NAO SE ABUSE DA AUTOESTRADA Foram cerca de 2.500 km de carro entre Torres Vedras, Madrid, Valência, Múrcia, Cabo da Gata, Granada, Ayamonte e regresso ao Oeste do país, via Algarve PARAGEM OBRIGATóRIA: CIDADE DAS ARTES E DAS CIENCIAS EM VALENCIA descarregar uma ou duas aplicações espanholas O ideal é Electromaps) e pedir também o cartão físico. (como a funcione, é alguns casos, mesmo que o cartão não bancário. Em carregar diretamente através de cartão possível HOUVE ALGUNS CONTRATEMPOS SIM,A REDE ESPANHOLA AINDA ESTã LONGE DE SERPERFEITA MAS NENHUM PROBL EMA GRAVE OU DE DIFiCIL RESOLUçãO O Parque Natural do Cabo da Gata, no sul da Andaluzia, vale a viagem por si só. Pela geografia, pela paisagem (quase lunar) e pelas praias paradisíacas V JOÃO FERREIRA OLIVEIRA